Tarifaço de Trump segue dando prejuízos. Desta vez é a Boeing.

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Retiradas três aeronaves 737 MAX de centro de entregas, na China. Foto: Divulgação / Boeing

Hoje, voltamos nosso foco para um ângulo específico do grande movimento de desorganização do comércio mundial, promovido pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Na sua verdadeira cruzada para embaralhar as cartas do jogo do comércio internacional, ele fez com que a China cancelasse a realização de grandes contratos com a Boeing, empresa dos EUA. Isso não é pouca coisa.

Após a implementação de tarifas alfandegárias adicionais de 145%, por parte do presidente Donald Trump, sobre as importações chinesas dos Estados Unidos, a China se recusou a receber os novos aviões que encomendara da Boeing. O presidente da gigante americana, Kelly Ortberg, em entrevista à CNBC, confirmou a informação quarta-feira, após a empresa divulgar resultados melhores do que o previsto sobre o passado recente.

A represália chinesa deixou incerto o destino de cerca de 50 jatos que estavam programados para serem entregues ao país, ainda este ano. Culpa de quem? Do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia sinalizado a intenção de atenuar as sobretaxas às mercadorias chinesas, mas depois deixou claro que uma redução dependerá de a China buscar um acordo. O país asiático, por sua vez, disse entender que os EUA é que devem retirar as tarifas primeiramente. Deixou Trump, literalmente, esperando a ligação.

Na verdade, estamos assistindo a um capítulo inédito do assunto Guerra Comercial, ‘brincadeira sem graça’ que Trump começou, mas não sabe quando nem como vai acabar. Depois dessa dos chineses, a Boeing está preparada para revender os jatos destinados à China a outros clientes, diz Ortberg, revelando que a previsão era entregar cerca de 50 aeronaves para clientes chineses, neste ano.

— Estamos negociando com nossos clientes, neste momento, mas não vamos esperar muito tempo — disse o presidente da Boeing na entrevista. — Vamos dar aos clientes a oportunidade, se ainda quiserem, de receber os aviões. É isso que preferimos fazer. Mas, se não, vamos recolocar esses aviões no mercado para quem quiser comprá-los.

Entre as companhias aéreas dispostas a receber as aeronaves rejeitadas pela China está a Air India. Até o fim do mês passado, a companhia havia aceitado 41 jatos 737 MAX, originalmente construídos para companhias aéreas chinesas, e sinalizou que está interessada em receber mais.

Em termos de valor, a Boeing é a maior exportadora dos Estados Unidos. A gigante americana já tinha fechado a venda de 130 aviões para clientes chineses, entre companhias aéreas e empresas de leasing. Mas, como alguns compradores preferem não aparecer no site da empresa, o número pode ser ainda maior.

Kelly Ortberg, CEO da Boeing — Foto: Divulgação / Boeing

2025, o ano da virada

Trump está fazendo mal a uma empresa que ia bem. Os resultados do primeiro trimestre da Boeing superaram as estimativas de Wall Street, garantindo à fabricante de aeronaves um maior grau de estabilidade para lidar com os problemas no comércio global que afetam as exportações.

Chamando 2025 de “nosso ano da virada”, o CEO Kelly Ortberg afirmou que a empresa está aumentando, nos próximos meses, a produção de seu destaque do momento – o jato 737 MAX -, até atingir o limite mensal de 38 unidades, imposto por órgãos reguladores dos EUA. Então, diz ele, a empresa buscará permissão para elevar esse número para 42 unidades “ainda este ano”, num movimento que ajudaria a gerar caixa, após uma recente greve e as crises na linha de produção. Será que esse avanço vai acontecer?

A repercussão da guerra tarifária lançou uma sombra sobre o desempenho recente da Boeing, que vinha sendo positivo e mostrou melhorias nos lucros e no consumo de caixa.

O impacto sobre os fornecedores de peças e equipamentos é outro possível resultado negativo da disputa comercial, pois muitos deles são empresas menores que terão dificuldades para absorver custos mais altos. O dirigente da Boeing afirmou que a empresa está monitorando de perto os fabricantes de peças, mas ainda não detectou sinais de fragilidade.

A Boeing pretende, se tudo se resolver, atingir um ritmo mensal de produção de por volta de 50 jatos da linha MAX, após passar por várias etapas de aumento de produção. Por ora, segundo Ortberg, a meta é alcançar o limite de 38 unidades mensais, imposto pela Administração Federal de Aviação (FAA), para então aumentar gradualmente até 42 e além, desde que os indicadores de produção estejam favoráveis.

– Há muitos clientes buscando o 737MAX – disse, sobre os modelos mais vendidos da Boeing. – Não vamos esperar muito. Estamos no caminho certo para essa recuperação e para voltar a ter fluxo de caixa positivo no segundo semestre do ano.

Admite, no entanto, que a Boeing continua vulnerável aos impactos das tarifas de Trump. Ele lembra já ter alertado que também fornecedores correm o risco de serem afetados pelas tensões comerciais, o que poderia aumentar os custos e provocar atrasos na produção de aeronaves.

“Embora estejamos monitorando de perto os desdobramentos no comércio global, nosso início de ano forte, combinado com a demanda por aviões e uma carteira de pedidos de meio trilhão de dólares para nossos produtos e serviços, nos dão a flexibilidade necessária para navegar nesse ambiente,” disse o presidente da empresa, em mensagem aos funcionários.

China analisa efeitos do tarifaço

“A imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos impactou gravemente a estabilidade da cadeia industrial e da cadeia de suprimentos globais. Importantes companhias aéreas chinesas e a Boeing, nos EUA, sofreram muito”, afirmou o Ministério do Comércio chinês, em nota.

Ainda de acordo com o Ministério do Comércio da China, “muitas empresas não têm conseguido realizar suas atividades normais de comércio e investimento, devido às tarifas de Trump. Mas a China está disposta a continuar apoiando a cooperação empresarial normal entre empresas dos dois países”, disse o porta-voz do governo chinês.

Segundo Pequim, o governo da China “espera que os EUA possam ouvir as vozes das empresas e criar um ambiente estável e previsível para as atividades normais de comércio e investimento”.

Avião voltou da China aos EUA

Um avião novo da Boeing retornou da China aos EUA, no último dia 20, em resposta ao tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A ordem do governo chinês foi a de que as companhias aéreas locais “suspendessem todas as compras de equipamentos e peças de aeronaves de empresas norte-americanas”.

A aeronave modelo 737 MAX da Boeing, que originalmente era destinada à companhia aérea chinesa Xiamen Airlines, pousou no Boeing Field, em Seattle (EUA).  O avião, que já estava pintado com as cores da Xiamen Airlines, fez escalas para reabastecimento em Guam (território insular dos EUA na Micronésia, oeste do Pacífico) e no Havaí (EUA), durante o trajeto de cerca de 8 mil quilômetros.

O jato da Boeing é apenas um, dos vários modelos 737 MAX que esperavam finalização e entrega no centro de montagem da companhia norte-americana em Zhoushan, na China.

Bem, queridos leitores, se gostam de posts sobre geopolítica, comentem abaixo. Hoje, retratamos um verdadeiro rebuliço comercial entre Estados Unidos e China, envolvendo a Boeing. Mas, problemas desse tamanho – e até maiores – estão acontecendo por todo o mundo, em decorrência do projeto de governo sem-pé-nem-cabeça, concebido pelo presidente Trump. O imbróglio é bem maior nas relações com o vizinho Canadá, que trataremos oportunamente aqui.

3 responses to “Tarifaço de Trump segue dando prejuízos. Desta vez é a Boeing.”

  1. Avatar de
    Anônimo

    O MUNDO PRECISA DE LÍDERES HUMANOS, BONDOSOS, DE BEM E DO BEM, POLÍTICOS REALMENTE HUMANOS,QUE PENSEM NO BEM COMUM, PARA O MUNDO TER PAZ E QUALIDADE DE VIDA PARA TODOS. PARABÉNS AO PRESIDENTE LULA E SUA EQUIPE DO BEM.GRATIDÃO.

  2. Avatar de
    Anônimo

    Esse cara é um louco!!

  3. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Abaixo Trump!!

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