

O encontro será no Alasca, embora Trump tenha falado que vai à Rússia. Foto:Sputnik.
O Laranjão continua ‘com todo seu gás’ na busca de levar vantagem em suas duas maiores ‘frentes de combate’: Uma agenda secreta para os Tarifaços, recém-revelada, e outra, menos secreta, de resolver, a favor do império, a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Sexta-feira, Trump e Putin terão uma reunião no Alasca e se concentrarão em discutir a obtenção de uma solução pacífica de longo prazo para o conflito. (Desde que, ao final, consiga as terras raras da Ucrânia.) Trump quer que os EUA parem de financiar o conflito na Ucrânia, revela o vice-presidente, JD Vance, mas isso será um desastre para a Ucrânia, garante a mídia estadunidense. A Europa, no meio, está preocupada com esse encontro; vejamos por quê. Enquanto isso, drones explosivos, popularizados pela Ucrânia, são empregados por criminosos na Colômbia e acaba de ser descoberto que está havendo uma fortuna em desvios, nas compras de Defesa ucranianas.
Segundas intenções da América
Vamos ficar sabendo, de início, o que o mundo já desconfiava, e o que documentos vazados pela imprensa revelam: a agenda escondida por trás das tarifas de Trump. O canal ZAP, da Internet, denuncia que documentos confidenciais revelam várias páginas de “objetivos suplementares de negociação”, entre os quais a utilização de tarifas para pressionar países a conceder benefícios a empresas norte-americanas. Parte das tarifas, também, está centrada em combater a China e a sua influência a nível global.
A agressiva política de tarifas do presidente Donald Trump foi descrita, por ele mesmo, como uma ferramenta para enfrentar os déficits comerciais dos Estados Unidos com países de todo o mundo. No entanto, de acordo com documentos governamentais confidenciais, obtidos pelo The Washington Post, a política tinha uma série de outros objetivos de alta prioridade – que deixaram os especialistas chocados.
Segundo noticiou o Post, sábado passado, os documentos internos revelam várias páginas de “objetivos suplementares de negociação”, entre os quais o uso de tarifas para pressionar países a conceder benefícios a empresas, como a gigante petrolífera Chevron ou a Starlink, de Elon Musk. É a primeira vez que um pedido deste tipo aparece num acordo comercial.
Outros ‘esforços’ do Tarifaço
Parte dos documentos confidenciais detalha esforços para pressionar o Lesoto – ameaçado por Trump com uma tarifa de 50% – a conceder à empresa de energias renováveis OnePower uma “isenção de retenção na fonte por cinco anos” para que possa desenvolver um projeto de construção de rede elétrica.
Outros objetivos secretos da política comercial de Trump, de acordo com os documentos, incluíam pressionar países na fronteira com a China a desenvolver laços militares mais fortes com os Estados Unidos, questões relacionadas com bases militares norte-americanas no estrangeiro e, talvez o mais conhecido, pressionar a Índia a parar as suas compras de petróleo russo.
Esses “objetivos suplementares” da política tarifária de Trump, disse um funcionário do Departamento de Estado, provocaram “ondas de choque em todo o governo”, afirmou o funcionário, sob anonimato, ao Post. “Isto não é, normalmente, assim que funciona”. Uma parte significativa dos objetivos ocultos por detrás das tarifas de Trump centra-se em combater a China e a sua influência a nível global.
Os documentos revelam, por exemplo, que um dos objetivos era pressionar o Camboja, através de tarifas, a proibir destacamentos militares chineses nas proximidades da Base Naval de Ream, e outro era pressionar Israel a “retirar a propriedade chinesa” no porto da cidade de Haifa.

Vladimir Zelensky está preocupado. Foto: Sputnik
Roubo descoberto na guerra da Ucrânia
Pois é, o que já sabíamos foi descoberto: existe um mega-esquema de corrupção nas compras para a Defesa na Ucrânia; e isso, certamente, entrará na conversa Trump-Putin. A revelação foi feita dois dias após o Governo ucraniano voltar a restabelecer a independência das agências anti-corrupção. A reversão foi adotada após intensos protestos populares e pressão direta da Comissão Europeia sobre Zelensky. Os nomes dos envolvidos não foram revelados.
As autoridades anticorrupção da Ucrânia logo constataram um novo escândalo, em torno da aquisição de equipamento militar. A informação foi divulgada pelo Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e pelo Gabinete Especial do Procurador Anticorrupção (SAPO), que afirmam ter desmantelado um “esquema de corrupção em larga escala” que explorava verbas públicas destinadas às Forças de Defesa.
De acordo com os investigadores, o esquema incluía a participação de um deputado, junto com autoridades regionais, o comandante de uma unidade da Guarda Nacional e um diretor de uma empresa fornecedora de drones.
As entidades revelaram que os suspeitos compravam equipamento militar a preços artificialmente inflacionados, recebendo ilegalmente 30% do valor dos contratos como suborno. Um método semelhante terá sido utilizado na aquisição de drones FPV, aqueles em que o ‘piloto’, em terra, usa óculos de realidade virtual.
O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, condenou veementemente o caso, classificando-o como “absolutamente imoral porque os envolvidos foram apanhados a receber subornos”, afirmou numa publicação na rede social Telegram, acrescentando que haverá “tolerância zero para a corrupção”.
Garantiu também que os responsáveis por logística militar, doravante, serão exclusivamente oficiais de combate, numa tentativa de reforçar a integridade na cadeia de abastecimento das forças armadas.
Este escândalo surge num momento crítico para a Ucrânia, que procura reforçar a sua candidatura à União Europeia. A Comissão Europeia já tinha alertado que qualquer retrocesso no combate à corrupção poderia comprometer seriamente o processo de adesão.

As tropas russas atacam sem parar. Foto: Sputnik
Guerra avança na Ucrânia
Após quase 1.300 dias da operação militar especial nas fronteiras russas, Forças de Moscou acabam de libertar o povoado de Lunacharskoe, na república de Donetsk, revela o Ministério da Defesa russo. Quase ao mesmo tempo, surge a informação de que mercenários colombianos lutam ao lado da Ucrânia e exportam tecnologia para adaptar drones comuns a transportar bombas. E já estão usando essas armas, em favor de cartéis de drogas e guerrilhas da Colômbia.
Um especialista explicou, no site Sputnik, como o Exército ucraniano usa mercenários colombianos para ‘abrir caminho’, adaptando drones explosivos. Esse ataque, popularizado pela Ucrânia, já vem sendo empregado por criminosos na Colômbia. Mas, será que é bom negócio, trocar a vida por 10 mil dólares mensais e a esperança de, na volta, trabalhar para um cartel colombiano?
Escola de guerra moderna
Eles aprenderam as técnicas, a serviço do Exército de Kiev, para abrir caminho aos militares ucranianos, disse à Sputnik Mario Iván Urueña Sanchez, professor de direito na Universidade de Rosario, em Bogotá. Ele é autor de um parecer para o Congresso colombiano sobre a ratificação da Convenção das Nações Unidas contra o mercenarismo, de 1989.
Apesar de muitos morrerem, o interlocutor da agência russa também destacou que os colombianos são necessários às tropas ucranianas também por isso, para servirem como “bucha de canhão” e trocar suas vidas pelas vidas dos militares ucranianos.
Estudiosos do tema explicam que o conflito no Leste Europeu inundou a Internet com tutoriais para a adaptação desse dispositivo, que pode ser comprado online e adaptado para uso militar. Os resultados já estão aparecendo nas estatísticas da Colômbia.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) divulgou, no fim do último mês, que o número de feridos e mortos, a partir do lançamento de objetos explosivos na Colômbia, cresceu 342% nos cinco primeiros meses de 2025, em comparação ao mesmo período do ano passado. De acordo com a organização, são 137 vítimas nesses ataques, muitos deles realizados a partir de drones.
Essas ações foram creditadas a quadrilhas de narcotraficantes e a outros grupos armados, como o Exército da Libertação Nacional (ELN), e, segundo a CICV, encaminham o povo colombiano ao “pior ano da última década, em consequências humanitárias”.

O drone FPV, de pequeno porte, está à venda na Internet. Printscreen
Trump quer parar de financiar o conflito
Em entrevista à Fox News, quatro dias atrás, o vice-presidente do pretenso “império” revela como será o encontro entre Trump e Putin, no Alasca. JD Vance comenta que cidadãos norte-americanos estão cansados de direcionar seus impostos para o conflito. Segundo ele, o presidente norte-americano, Donald Trump, quer que os EUA interrompam o financiamento do conflito na Ucrânia.
“O presidente e eu certamente acreditamos que os EUA devem parar de financiar a guerra na Ucrânia. Queremos chegar a uma solução pacífica para isso. Queremos parar com a matança. Mas os americanos, eu acho, estão cansados de continuar enviando seu dinheiro, seus impostos, para esse conflito em particular”, disse Vance.
Operação militar especial russa
A mídia estadunidense avalia as próximas conversas Putin-Trump como um ‘Desastre para Ucrânia’. Vance revelou que, se os europeus quiserem comprar armas de fabricantes norte-americanos para transferi-las para a Ucrânia, Washington não se opõe. “Mas não vamos mais financiá-las nós mesmos”, disse ele.
Vance afirmou ainda que Trump está convencido de que seu próximo encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, no Alasca, em 15 de agosto, “vale o esforço”: “Pode ser que isso dê certo, pode ser que não, mas vale a pena tentar”, disse Trump, em particular, segundo Vance revelou na entrevista.
Há poucos dias, o Kremlin e a Casa Branca anunciaram que Putin e Trump se encontrariam no Alasca em 15 de agosto. Como esclareceu o assessor do líder russo Yuri Ushakov, o enviado especial do presidente dos EUA, Steven Witkoff, durante sua visita à Rússia, mencionou no Kremlin a opção de uma reunião trilateral entre Putin, Trump e Zelensky, mas o lado russo nem comentou, oferecendo-se para se concentrar na preparação da cúpula bilateral.
Putin disse quinta-feira (7) que, depois disso, seu encontro com Zelensky é possível, mas que deve haver condições para tais negociações, que ainda estão longe de estar criadas. O próprio Zelensky disse que não faria concessões territoriais, citando a Constituição da Ucrânia.

Trump, Macron e Zelensky.
Europa preocupada com esse encontro
O político francês, Florian Philippot, líder do partido francês Os Patriotas, escreveu, na rede social X, que líderes europeus e Zelensky estão ‘desesperados’ com o encontro entre Putin e Trump: “Vladimir Zelensky e o presidente francês Emmanuel Macron estão desesperados ante as próximas conversas entre os líderes russo e americano”, disse, acrescentando que a agenda “causou grande alvoroço”.
De acordo com o político, os parceiros europeus da Ucrânia estão em um impasse completo e não sabem como sair da situação atual: Desde a marcação da conversa Trump-Putin, “Macron e Zelensky se agitam em todos os sentidos, perdidos, tontos, confusos, desfeitos – o plano deles falhou completamente! Todos os seus amigos europeus estão no mesmo estado de torpor!”, disse Philippot. Advertiu, porém, que “eles ainda são perigosos nesta situação desesperada!”
Para complicar a situação, em seu canal no YouTube, o líder do partido observou que o chefe do regime de Kiev, junto com os líderes europeus, quer organizar um bloco para interromper o encontro entre Putin e Trump. Quem acredita que vai dar certo esse movimento?
Zelensky se contradiz
O líder ucraniano se contradiz, ao falar sobre paz na Ucrânia, diz um analista militar dos EUA. Em postagem, o analista militar Daniel Davis diz que o atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, primeiro agradece os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para solucionar o conflito, depois afirma “que não fará nada do que ele disser”.
O analista militar – tenente-coronel reformado do Exército dos EUA, Daniel Davis, em postagem domingo (10), no YouTube, lembrou as palavras do líder ucraniano sobre a recusa em fazer concessões territoriais: “Primeiro, ele diz: ‘Agradeço os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para resolver o conflito’. Ou seja, ele tenta acalmá-lo, mas depois, quando chega ao cerne da questão, contradiz diretamente o líder americano, afirmando que não fará nada do que ele disser”. Logo depois, pediu que a Ucrânia e a Europa “aceitem a realidade”, independentemente de “suas preferências e opiniões”.
No sábado (9), Zelensky disse que não faria concessões territoriais, alegando a Constituição ucraniana. Segundo ele, os chefes dos dois Estados se concentrariam em discutir a obtenção de uma solução pacífica de longo prazo para a crise ucraniana.
O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, enfatizou que Moscou e Washington dedicarão os próximos dias a definir os parâmetros da reunião. Ao mesmo tempo, o encontro seguinte poderá ocorrer na Rússia, para o qual Trump já foi convidado.
Comentando a escolha do local para as negociações, Ushakov afirmou que, no Alasca e no Ártico, os interesses econômicos dos dois países se cruzam e há perspectivas de implementação de projetos de grande escala.
Fontes: Sputnik, The Washington Post, ZAP-AEIOU
—


Deixe uma resposta