
Estamos juntos!
Poucos dias antes do início do julgamento de Bozonauro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, começou uma maratona no Congresso para conseguir a aprovação de um projeto de anistia aos golpistas. Fanático pelo Bozo e pelas ideias ultraliberais e fascistas, chegou a dizer, em entrevista, que não acredita na Justiça. Aí surgiu uma avalanche de posts nas redes sociais, indagando: Se alguém diz que não confia na Justiça, é porque só confia no bandido? Quando um político diz que não confia na Justiça, todos devemos perguntar: então você confia em quem? Uma pessoa que se diz responsável e que é candidato à Presidência da República não pode fazer uma afirmação como essa. Essas palavras são incompatíveis com a ordem democrática e têm implicações muito graves, se são ditas pelo governador para puxar o saco de Bolsonaro e seu filho, traidor da Pátria, Eduardo.
Antes da maratona pelo Congresso, em prol da anistia de seu chefe, Tarcísio conversou com Bolsonaro. Saiu dizendo: “Acredito na saída política, através do Congresso, que tem total capacidade de deliberar sobre isso. Meu primeiro ato como eleito seria conceder um indulto a Bolsonaro.” Parece que será bem difícil o Congresso apoiar sua proposta.
O irresponsável se coloca como juiz dos juízes, achando que é razoável, racional, um governador falar isso? Anunciar que será revisor do Supremo?
“Não posso falar que confio na Justiça, por tudo o que a gente tem visto”, disse ele. Depois explicou que falava do ponto de vista jurídico e estritamente técnico e aproveitou para defender o líder golpista: “Nunca o ex-presidente me falou em virada de mesa. Tenho plena convicção da inocência do ex-presidente.”
O contexto dessa fala tem que ser avaliado, levando em conta toda sua trajetória, marcada por beneficiar a iniciativa privada, em prejuízo da população. Vale lembrar que o militar Tarcísio comanda a segunda maior força militar do Brasil, a PM de São Paulo, com 94 mil soldados. Seu comandante diz: não confio na justiça. Então, como fica justificada a ação da polícia de São Paulo? Eles não querem prender ninguém porque não confiam na Justiça, como dá o exemplo seu comandante?
Por exemplo: Esta semana, São Paulo fez operações com o Governo Federal para desmontar o crime organizado que chegou até na Faria Lima. O governador não vai confiar no resultado desse julgamento? Pra gente entender melhor. O “cara de pinha” não confia no Supremo ou em todo o sistema de Justiça?
O Brasil vai ter outro candidato golpista?
Continuamos conjecturando: Quem não confia na Justiça confia nos criminosos, nos golpistas e no PCC? Promete o indulto, que é inconstitucional, assim como a anistia?
O Brasil continua se perguntando: o que Tarcísio não seria capaz de fazer para ser o candidato de Bolso? Faria qualquer coisa. Inclusive aquela fala vergonhosa, absurda, temerária e perigosa, de não confiar na Justiça.
Chovem perguntas, na mente dos eleitores: Devemos desconfiar na Justiça de São Paulo, ou o problema é só com o Supremo? O que ele faria se fosse presidente? Esse é o nome do Mercado, da Faria Lima, hoje envolvida em gigantescas falcatruas? Ele está nos ameaçando de golpe como seu ídolo político, que também não acreditava na Justiça? É esse o Bolsonarismo moderado?

As “marteladas do Tarcísio” , ao bater o martelo violentamente, durante o leilão do Rodoanel.
Biografia de um homem que adora privatizar
Tarcísio Gomes de Freitas nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1975. É engenheiro, ex-militar e político, filiado ao Republicanos. É governador do estado de São Paulo, desde 2023. Foi ministro da Infraestrutura no governo Jair Bolsonaro, bem como diretor-executivo e diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, durante o governo Dilma Rousseff.
Foi servidor público de carreira, no cargo de consultor legislativo (área de desenvolvimento urbano, trânsito e transportes) da Câmara dos Deputados desde 2015.
Seu instinto militar o levou a entrar no Exército Brasileiro em 15 de fevereiro de 1992, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, situada em Campinas. Em seguida, foi para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, onde foi declarado Aspirante a Oficial da arma de Engenharia, em 30 de novembro de 1996.
Foi promovido a Segundo Tenente em 31 de agosto de 1997, a Primeiro Tenente em 25 de dezembro de 1998 e a Capitão em 25 de dezembro de 2002. Entre 1999 e 2002, estudou no Instituto Militar de Engenharia, formando-se em engenharia civil. Também pelo IME, concluiu o mestrado em engenharia de transportes em 2008.
Trabalhou como engenheiro militar de 2003 a 2008, tendo sido chefe da seção técnica da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, entre 2005 e 2006.
Em 2008, deixou o serviço militar, no posto de capitão, ao ingressar no serviço público federal como analista de finanças e controle da Controladoria-Geral da União (CGU), onde foi assessor do diretor de auditoria da área de infraestrutura entre 2008 e 2011, e coordenador-geral de auditoria da área de transportes em 2011, ano em que foi indicado para a função de diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) pelo general Jorge Fraxe.
Assumiu o órgão em meio à “faxina ética”, determinada pela então presidente Dilma Rousseff, após uma crise provocada por denúncias de corrupção. Freitas foi promovido à diretoria-geral do DNIT em 2014, tendo exercido o cargo de diretor-geral entre 22 de setembro de 2014 e 16 de janeiro de 2015, quando foi nomeado consultor legislativo da Câmara dos Deputados.
Sequência de irregularidades nas privatizações
Durante o período, o Tribunal de Contas da União descobriu 88 contratos irregulares do Dnit com duas fundações ligadas ao Instituto Militar de Engenharia (IME) – escola onde Freitas formou-se em Engenharia Civil. Segundo o TCU, a maioria das empresas era ligada ao major Washington Luis de Paula e o prejuízo estimado ao erário foi de milhões, com os serviços não sendo realizados. Outros contratos, para cessão de funcionários de fundações do IME ao Dnit, no valor de R$ 20 milhões, também foram provados fraudulentos. Esses acordos foram assinados na gestão Tarcísio no Dnit.
A justiça militar, em 2019, chegou a condenar oficiais pelo desvio de R$ 11 milhões nesse caso. Posteriormente, em 2022, a Polícia Federal investigaria os acordos na Operação Burolano e na Operação Círculo Fechado.
Em 2015, atuou como secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações. Em 2016, foi secretário da Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), responsável pelo programa de privatizações, concessões e desestatizações, já no governo Michel Temer.
Em novembro de 2018, foi anunciada pelo então presidente eleito Jair Bolsonaro a escolha de Freitas para assumir o Ministério da Infraestrutura. Após ser convidado, pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, Tarcísio Gomes de Freitas tomou posse no comando do Ministério da Infraestrutura em janeiro de 2019, com a missão de finalizar obras inacabadas e conceder o máximo possível de ativos para a iniciativa privada.
Ao longo do ano de 2019, o Ministério da Infraestrutura promoveu concessões em todos os modais de transporte (rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo). Foram concedidos 27 ativos, com destaque para: BR-364/365 (trecho de 437 km entre Jataí-GO e Uberlândia-MG); leilão do tramo central da Ferrovia Norte-Sul; 13 terminais portuários e 12 terminais de aeroportos. Entre as obras públicas, destaque para a conclusão da pavimentação da BR-163, que liga o Mato Grosso ao Pará.
No segundo ano de mandato de Tarcísio de Freitas à frente do Ministério da Infraestrutura, a pasta entregou a nova ponte do Guaíba, no Rio Grande do Sul. Também foram realizadas concessões em 12 ativos de infraestrutura, com destaque para terminais do Porto de Santos, renovação antecipada de ferrovias da Malha Paulista, Vitória-Minas e Carajás.
Em 2021, o ministério empreendeu 5,5 bilhões de reais em obras no setor de transporte, entre conclusões de obras, reformas e ampliações. Foram concedidos 39 ativos à iniciativa privada. Ganharam destaque ao longo daquele ano as autorizações ferroviárias. Foram recebidos 49 pedidos e nove foram assinados, resultando em investimentos na ordem dos R$ 50 bilhões. Destaque para trecho entre Goiás e Bahia da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol) e 13 arrendamentos portuários, além de três concessões de rodovias. Também foram realizadas 108 obras públicas, com pavimentação, duplicação ou recuperação de 2.050 quilômetros de rodovias. No modal aeroviário, 22 aeroportos da Infraero foram arrematados em leilões, com investimentos privados da ordem de R$ 6,1 bilhões.
No primeiro semestre de 2022, o Ministério da Infraestrutura contabilizou cinco projetos concedidos à iniciativa privada: a Rodovia BR-116/493/465 (RJ/MG); os terminais portuários STS11 (Santos-SP), SUA07 (Suape-PE) e PAR32 (Paranaguá-PR) e a renovação de concessão de ferrovia da MRS. Entre as principais realizações de 2022, destaca-se a privatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).
Os gastos com dispensas de licitação tiveram forte avanço na reta final da gestão de Tarcísio de Freitas como ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro. Os pagamentos incluem contratos com indícios de irregularidades apontados pelo TCU e obras emperradas. Os gastos sem licitação no Dnit, autarquia ligada à pasta que cuida das rodovias, saíram em valores nominais de R$ 224 milhões, em 2019, para R$ 421 milhões, em 2020. Em 2021, atingiram R$ 1,1 bilhão, segundo o Portal da Transparência —alta de quase 400% em dois anos.
Malha Nordeste da RFFSA
No final de 2018, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recomendou a cassação da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), concessão ferroviária do grupo CSN no Nordeste (antiga malha Nordeste da RFFSA), por descumprimento de metas. Em outubro de 2019 a ANTT estava prestes a declarar a caducidade da concessão da malha Nordeste sob controle da CSN. Naquele momento, dos 4207 quilômetros da malha concedida, apenas 26% se encontravam em uso (localizada nos estados do Ceará, Maranhão e Piauí) enquanto o restante da malha do Nordeste se encontrava abandonado.
Em 2017, um estudo da Confederação Nacional da Indústria indicou que 70% da malha Nordeste se encontrava sem uso. O processo de caducidade chegou a ser entregue ao ministro Freitas. Apesar do descumprimento do contrato apontado pela ANTT, a concessão acabou mantida pelo ministro. Porém o presidente da FTL (empresa responsável pela malha Nordeste) foi substituído.
Metrô de Belo Horizonte
Freitas anunciou em abril de 2019 que o Metrô de Belo Horizonte receberia 1 bilhão de reais para sua expansão (com a retomada das obras da Linha 2, paralisadas desde 2004), apesar do metrô ser ligado oficialmente ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Os recursos seriam oriundos do pagamento de uma contrapartida da renovação do contrato de concessão da Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA), porém dependiam de aprovação do Tribunal de Contas da União.
As negociações entre o Ministério da Infraestrutura e a FCA arrastaram-se até dezembro de 2019, quando o acordo foi assinado. O anúncio do Freitas de que a “contrapartida” seria destinada exclusivamente ao Metrô de Belo Horizonte desagradou as cidades mineiras atendidas pela FCA, que reivindicaram parte dos recursos. O recurso para o metrô foi anunciado sucessivas vezes por Freitas ao longo de 2020 (em junho, agosto e setembro), embora dependesse de aprovação do Ministério da Economia e da inclusão do valor no orçamento federal. O Ministério da Infraestrutura tentou por diversas vezes utilizar esse recurso sem a anuência do Ministério da Economia.
Em dezembro de 2022, o metrô de Belo Horizonte foi concedido à iniciativa privada. Marcado por insegurança jurídica, o leilão não conseguiu atrair as principais empresas do mercado, sendo vencido pela empresa Comporte com uma proposta única de pouco mais de 25 milhões de reais. Pelo contrato, a empresa tornou-se responsável por construir a Linha 2 do metrô, além de expandir a linha já existente. Para isso, a empresa receberá 3,2 bilhões de reais de recursos públicos.
Itapemirim Transportes Aéreos
Em outubro de 2020 o Grupo Itapemirim, controlado pelo empresário Sidnei Piva de Jesus, apresentou ao Ministério de Infraestrutura uma proposta para retornar ao mercado de aviação. Apesar de o Grupo Itapemirim estar em um processo de recuperação judicial, a proposta foi recebida com grande entusiasmo por Freitas ao ponto de o ministro gravar um vídeo sobre o encontro com representantes da empresa e anunciar a proposta com destaque em uma live do presidente Jair Bolsonaro (onde levou uma miniatura de ônibus ofertada pelo Grupo Itapemirim).
A Agência Nacional de Aviação Civil, ligada ao Ministério da Infraestrutura, aprovou a proposta da Itapemirim em maio de 2021. Após realizar seu voo inaugural em fins de junho, a Itapemirim Transportes Aéreos passou a sofrer problemas financeiros e gestão que culminaram com uma abrupta suspensão de operações em 17 de dezembro de 2021. A suspensão prejudicou cerca de quarenta mil passageiros, com parte se dirigindo aos aeroportos e protestando contra a medida.
Freitas permaneceu em silêncio durante três dias enquanto críticas se avolumavam em relação a sua atuação no caso, com os vídeos do ministro entusiasmado com representantes da Itapemirim e da live com o presidente sendo relembrados na imprensa e nas redes sociais.
Em 20 de dezembro, Tarcísio deu suas primeiras declarações sobre a Itapemirim. Questionado sobre o porquê seu ministério avalizou a proposta de abertura de uma empresa aérea a um grupo em recuperação judicial, Freitas alegou que a Itapemirim possuía todas as certidões negativas e certificados que garantiam a operação da empresa. Ainda assim, Freitas lamentou o caso e que se tratava de “um problema muito grave”.
Em 26 de abril de 2021, o presidente Bolsonaro sugeriu que Tarcísio de Freitas poderia concorrer ao governo do estado de São Paulo. No dia 23 de maio, Tarcísio participou da “motociata” promovida por Bolsonaro, em algumas cidades do país, durante a pandemia de COVID-19 no Brasil, mesmo quando a calamidade já havia vitimado mais de 450 mil brasileiros. O ato teria causado aglomerações e agravado a crise sanitária naquele momento.
Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro na convenção do Republicanos que oficializou Tarcísio como candidato a governador de São Paulo, 2022.
Candidatura a Governador de São Paulo em 2022
A partir do segundo semestre de 2021, Tarcísio intensificou sua agenda com vistas ao pleito de 2022. O nome de Tarcísio de Freitas foi confirmado como candidato ao governo de São Paulo em 30 de julho de 2022 durante a convenção do partido Republicanos, tendo o ex-prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, como seu vice, com o apoio de seis partidos: Republicanos, PSD, PL, PTB, PSC e PMN. Bolsonero esteve nessa convenção.
Tarcísio de Freitas é benevolamente descrito por analistas como um conservador tecnocrático e pró-mercado, combinando pragmatismo gerencial com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas o que Tarcísio de Freitas gosta mesmo é de defender concessões e privatizações como estratégias para atrair capital privado e acelerar a entrega de infraestrutura. Em benefício dos empresários. E, de quebra, tem transformado escolas públicas em escolas cívico-militares. Para quê? Privatizar e reformar mentes.
Quem vota num homem como esse?
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