ISSO DEVE BENEFICIAR MUITO O TURISMO

Foto: Divulgação/Parque Estadual Serra dos Montes Altos.
Há milhares de anos, nossos antepassados desenharam sobre rochas registros da flora, da fauna, do céu e da vida cotidiana, em todas as partes do mundo. Essas imagens pré-históricas ainda estão por todo o mundo, inclusive no Brasil e na Bahia, atraindo grande curiosidade entre historiadores, cientistas e gerando renda na atividade econômica do turismo. O Patrimônio Rupestre da Bahia, em particular a Serra dos Montes Altos, no Sudoeste do estado – onde biodiversidade e arte rupestre compartilham o mesmo território – vem merecendo a atenção do Governo do Estado, através da Secretaria do Meio Ambiente, visando a preservação desses sítios e seu aproveitamento responsável. As pinturas registradas, que estão, também, por toda a Chapada Diamantina, ficam no Parque Estadual da Serra dos Montes Altos, onde biodiversidade e sítios arqueológicos convivem em um mesmo território protegido.
O Inema – Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos está fazendo um amplo levantamento do Patrimônio Rupestre da Bahia. Aqui, vamos saber como o Inema integra a proteção ambiental e o patrimônio arqueológico na Bahia.
Espalhadas por paredões rochosos e abrigos naturais, as pinturas rupestres da Bahia são mais do que registros do passado: são parte viva do território protegido pelo Estado. Ao integrar a salvaguarda do patrimônio arqueológico à gestão das Unidades de Conservação (UCs), o Inema fortalece uma nova política ambiental, reconhecendo que a natureza, cultura e memória são inseparáveis.
Vamos saber, juntos, como a proteção desses registros milenares vem sendo fortalecida em diferentes regiões do estado, articulando conservação da biodiversidade, pesquisa científica, educação ambiental, desenvolvimento sustentável e turismo.
Por milhares de anos, populações ancestrais registraram nas rochas do território baiano cenas do cotidiano, da fauna, de rituais e da relação com a natureza. Hoje, essas pinturas rupestres integram um dos mais relevantes patrimônios arqueológicos do estado e estão protegidas dentro das UCs administradas pelo Inema.

Foto: Divulgação/Inema
A atuação do órgão ambiental estadual consolida uma política pública que articula conservação da biodiversidade e salvaguarda da memória cultural, reconhecendo que natureza e cultura constituem um mesmo território de proteção.
De acordo com o artigo 216 da Constituição Federal, os sítios arqueológicos são patrimônios culturais brasileiros, cabendo ao Poder Público, com a colaboração da comunidade, promovê-los e protegê-los por meio de inventários, registros, vigilância e outras medidas legais. No contexto baiano, essa diretriz é incorporada à gestão territorial e ao planejamento ambiental, conduzidos pelo Inema.
A diretora de Sustentabilidade e Conservação do instituto, Jeanne Florence, explica que os sítios arqueológicos são registros materiais de populações que ocuparam esses territórios, ao longo do tempo, e integram os atributos das áreas protegidas:
“Eles compõem o contexto ambiental e cultural dessas paisagens e se somam à biodiversidade como um patrimônio que precisa ser preservado. Estarem inseridos em Unidades de Conservação é fundamental para garantir sua proteção, além de possibilitar pesquisas científicas e visitação pública de forma ordenada, contribuindo para a educação ambiental e a valorização da história associada ao território”, afirma.
Ao integrar a proteção do patrimônio cultural às estratégias ambientais, a Bahia fortalece uma política de conservação ampliada – em que preservar ecossistemas também significa proteger os vestígios da presença humana ancestral.
Patrimônio no Sudoeste baiano
O Sudoeste do estado, onde natureza e memória ancestral convivem em um mesmo espaço protegido, se encaminha para ser o mais novo atrativo turístico baiano. A política ambiental integra patrimônio cultural e conservação da biodiversidade em todo o território baiano mas, agora, o foco é um exemplo concreto dessa atuação em campo, nesse importante parque estadual.
Na Serra dos Montes Altos, a conservação ambiental caminha lado a lado com a proteção de sítios arqueológicos que revelam vestígios milenares da presença humana. Instituída em 2010, a unidade assegura a preservação de ecossistemas de transição entre Caatinga e Cerrado e abriga espécies ameaçadas de extinção, como o cachorro-vinagre (Speothos venaticus).

O cachorro-vinagre, uma das raridades no Parque baiano. Foto: Funbio.
Localizado entre os municípios de Palmas de Monte Alto, Sebastião Laranjeiras, Urandi, Guanambi, Pindaí e Candiba, o parque reúne nascentes, cachoeiras e um conjunto expressivo de sítios arqueológicos com pinturas rupestres, ampliando seu potencial científico, educativo e turístico.
Os registros, predominantemente monocrômicos e com forte presença da cor vermelha – além de pigmentos em amarelo e preto – estão distribuídos em pelo menos seis sítios arqueológicos: Brejo Comprido, Abrigo da Sambaíba, Fazenda Andes, Abrigo do Brejo dos Coqueiros, Toca dos Tapuios e Riacho da Mandiroba.
Segundo o gestor da unidade, Lailton Câmara, esse conjunto possui elevado potencial científico e educativo: “Esses registros ajudam a compreender como diferentes grupos humanos ocuparam e se relacionaram com essa paisagem ao longo do tempo. Além do valor científico, têm papel fundamental na sensibilização da sociedade sobre a necessidade de conservar o patrimônio cultural associado à biodiversidade”, destaca.
A integração entre atributos naturais e culturais amplia as possibilidades de pesquisa científica, fortalece ações de educação ambiental e potencializa o turismo sustentável na região, reforçando o papel das Unidades de Conservação como territórios de proteção integral.
O mapeamento de pinturas rupestres já passou a integrar condicionantes de licenciamento ambiental no Parque Estadual do Morro do Chapéu, fortalecendo a proteção desses registros pré-coloniais na Chapada Diamantina. Agora, o mundo entenderá como a política ambiental da Bahia integra patrimônio arqueológico e conservação da biodiversidade em diferentes regiões do estado.

Pintura rupestre na região dos 3 Morros, em Piatã, Chapada Diamantina: Foto: A.F.
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Fonte: Ascom/Sema, SecomGOVBA


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