
Vejam o cenário: Donald Trump expulsa e prende milhares de imigrantes e, ao mesmo tempo, aumenta bruscamente a taxação sobre produtos importados; no campo da estratégia diplomática (?) implora à Rússia que entre no G7, argumentando que o BRICS+ acabou, desde que ele anunciou a taxação de importações da China e do Brasil; promete que todos os recursos arrecadados com essa medida “não serão mais investidos em armas”, infelizmente a realidade o desmente peremptoriamente.
O presidente Lula, que vinha tratando com respeito o mandatário norte-americano, desde que este assumiu o cargo, saiu rijo em defesa dos interesses do Brasil. Ao tempo em que o Governo lançava a campanha “O Brasil é dos brasileiros”, com os bonés viralizando, Lula começou a descer a lenha na geopolítica de Trump. (Leia abaixo o discurso desta semana, para trabalhadores da Petrobras)
E esse vem sendo considerado o melhor caminho diplomático para o Brasil adotar, na relação bilateral com os EUA, dado o retumbante sucesso alcançado pelo jovem Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá, que foi duro quando o novo presidente norte-americano taxou as mercadorias exportadas pelo país vizinho. Ele, que estava ameaçado de perder as eleições que se aproximam, simplesmente “virou” o resultado das pesquisas e, hoje, está confortável para vencê-las.
Sucesso semelhante foi alcançado pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum Pardo, quando reagiu firme a Trump na questão da repatriação forçada de milhares de imigrantes mexicanos e da taxação. Deu certo: sua popularidade subiu a estratosféricos 81%, um recorde no quadro político do país, governado pela esquerda, conseguindo a adesão de opositores até de direita. Como vemos, tomar posições firmes dá certo.
Posição firme brasileira não interessa à mídia
A reação do Brasil, diante dos ataques ao BRICS+ e da taxação de 25% do aço e do alumínio, exportados pelo Brasil para a América do Norte, não encontra ressonância na chamada “grande mídia”. Até parece que os grandes grupos de comunicação preferem fazer o jogo de Trump (apoiado pela direita brasileira) porque, sistematicamente, não dão destaque às posições do Lula estadista. Ao mesmo tempo em que Trump ataca os desafetos, incluindo o Brasil, eles abrem fogo contra o Governo brasileiro, ao lançar mão de subterfúgios econômicos inverídicos para reforçar a queda da imagem do mandatário brasileiro.
Exemplo disso foi o lançamento de uma pesquisa de satisfação do Instituto Datafolha, que coloca Lula em franco declínio. Mas, cá pra nós, podemos confiar numa pesquisa feita por empresa que pertence ao grande grupo financeiro Pag Bank? Afinal, eles fazem parte do traiçoeiro “lobby” dos conglomerados financeiros, que odeiam as políticas sociais do Lula porque, simplesmente, não podem ver traços de ascensão social no nosso País.
Ação articulada
Outro exemplo de que existe uma operação articulada contra o atual governo brasileiro foi a recente alta súbita da Bolsa de Valores, quando Lula sofreu uma pancada na cabeça e foi hospitalizado. Não tiveram pudor de demonstrar claramente que queriam o presidente fora do governo, fosse de que forma fosse. Têm surgido inúmeros outros eventos de ataques da imprensa, creditando a Lula qualquer oscilação na cotação do dólar, como também pelo crescimento da inflação dos alimentos. Será que os produtores de alimentos estão envolvidos nessa inconfessável conspiração? Sim, estão. Hoje mesmo vi terrificantes imagens de toneladas de tomates, repolhos, vagens e outros produtos agrícolas sendo jogados fora, dados como ração animal na mesma propriedade para forçar a alta de preços que o Brasil hoje está enfrentando.
Seria bem interessante uma inspeção dos órgãos competentes nessas áreas.
Discurso de Lula para trabalhadores da Petrobras, ampliando a construção naval.
Presidente posiciona o Brasil e questiona Trump
Apesar de tudo, o cativante ex-metalúrgico está firme, em defesa do Brasil para os brasileiros. Leiam, a seguir, algumas das recentes declarações do nosso presidente, numa solenidade com os trabalhadores da Petrobras, com vídeo publicado pelo UOL, no Youtube, hoje:
“Os Estados Unidos, depois da Segunda Guerra Mundial, se comportou, aos olhos do mundo, como símbolo da Democracia, o ‘sonho americano’. Era a coisa mais falada, um país que dava oportunidade a todo mundo e que deve ser motivo de orgulho para seu povo, porque lá havia mesmo oportunidade. A certa altura, a política mudou: eles começaram a construir bases militares; em qualquer lugar que você vá, encontra lá um porta-aviões estacionado, como se fosse pra tomar conta do mundo. Até outro dia, essa era a imagem que a gente tinha dos Estados Unidos.
“Então, entra um novo presidente e muda radicalmente o discurso. Destroem o discutido do Consenso de Washington de 1989, onde estavam o Reagan, a Margareth Thatcher, economistas de instituições financeiras situadas em Washington D.C., como o FMI, o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, onde se definiu que a melhor saída para o mundo seria a globalização. De que o negócio era expandir o comércio de tudo, sem fronteira, que a gente teria o comércio livre, que não tinha que ter impostos nem empecilhos… Era essa a lógica do Consenso de Washington.
“E o Brasil aceitou! A primeira coisa que nós tivemos foi acabar com a indústria de autopeças no país, em nome dos carros mundiais que começavam a ser criados. Quase destruímos com a nossa indústria têxtil e foram vendendo indústrias para serem fechadas.
“Agora, entra um novo presidente e qual é o discurso do novo presidente? A América para os americanos. Nós vamos taxar tudo que é produto importado. Vamos botar fora tudo que é imigrante. Os imigrantes que foram para os Estados Unidos e ajudaram a construir aquela pátria grande, a construir a riqueza dos Estados Unidos, e até vota a maioria… e mandou embora. Aqueles latino-americanos que iam lá para fazer o trabalho que os americanos não queriam mais fazer.
E Lula fala mais
“Aí eu fico pensando. Cadê a Democracia? Cadê o respeito ao livre trânsito do ser humano se você tem o livre trânsito do capital? Cadê o livre-comércio que foi tão apregoado? E aí começa a ameaçar o mundo, todo dia tem uma ameaça. Eu, sinceramente, considero que o Brasil é um país de paz. A gente não tem divergência com nenhum país. A gente gosta de todo mundo e gosta que todo mundo goste da gente. Eu, ao invés de um murro, eu gosto de dar um abraço; ao invés de uma mordida, gosto de dar um beijo.
“Então, é esse país que nós estamos construindo e vamos construir. Não vamos aceitar nenhum desaforo. É importante utilizar esse encontro que estou tendo na Petrobras, para dizer: é verdade que os Estados Unidos são dos americanos, é verdade que a China é dos chineses, é verdade que a Rússia é dos russos, que a Índia é dos indianos, mas é verdade que o Brasil é do povo brasileiro! E eles têm que respeitar as coisas que nós fazemos aqui dentro. (…) É importante que a gente tenha orgulho de dizer ‘nós somos brasileiros e não desistimos nunca, esse país é nosso!’. (…)
“Além de toda nossa riqueza, nós temos 213 milhões de brasileiros e queremos dizer: Temos orgulho, nós não vamos desistir nunca! Porque esse País é grande, é poderoso, o que faltava era vergonha na cara daquele que dirigiu esse País. E eu não tenho complexo de vira-lata. Eu não sou maior do que ninguém, nem sou melhor do que ninguém. Eu apenas quero o direito de ser igual, o direito de ser ouvido. Eu só quero que eles respeitem a nós como nós respeitamos eles.”
Gratidão por nos representar, Presidente!
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