Brasil no centro do mundo. Nasce a Nova Ordem Mundial

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Fotos Secom-PR

O planeta Terra que, até pouco tempo, vivia com a economia das nações concentrada ao redor do pólo EUA, agora se prepara para experimentar o que é a vida humana numa economia multipolar. Aqui, não diremos o que é melhor nem o que é pior pra nenhum país, mas vocês fazem uma ideia.

O fenômeno geopolítico do surgimento, relativamente recente, do BRICS, é o principal (e previsível) efeito da forçada hegemonia exercida pelos Estados Unidos que, desde 1945 até poucos anos atrás – através da ONU e outras agências, a serviço do establishment americano – monopolizava todas as transações comerciais do mundo, através do dólar e, para manter esse domínio econômico, substituía, via golpes ou guerras, governantes estrangeiros, a fim de colocar no poder simpatizantes da sua geopolítica, intervindo de qualquer jeito nos países “insurgentes”, como o Brasil, Cuba, Iraque, Argélia… a lista parece interminável.

Hoje, o segundo maior bloco de países do planeta é o BRICS (agora chamado de BRICS+), vindo logo depois da velha ONU, conhecida de todos, que foi criada durante a Conferência de São Francisco em 1945, logo depois da 2ª Guerra Mundial. Suas atividades tiveram início, oficialmente, em 24 de outubro de 1945, após a ratificação da Carta das Nações Unidas pelos seus membros fundadores. Hoje, é formada por 193 países-membros, além de dois Estados observadores não membros.

O Brasil agora preside o BRICS+

Dentro do sistema rotativo de substituição do presidente do BRICS+, Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo máximo da organização no dia 1º de janeiro deste ano. A cada ano, o país que lidera o bloco organiza a Cúpula de Chefes de Estado. Em 2025, o encontro ocorrerá no Rio de Janeiro. No novo formato, o encontro terá um extenso calendário de eventos, mobilizando diferentes áreas dos governos do bloco.

A Cúpula no Brasil está marcada para os dias 6 e 7 de julho deste ano e terá a presença de chefes de Estado dos 20 países que integram o BRICS+, da presidenta do Banco BRICS, Dilma Rousseff, entre membros e parceiros.

Esta semana, o governo brasileiro apresentou um documento que destaca as prioridades de sua presidência no bloco. Duas prioridades foram destacadas: a cooperação do Sul Global e parcerias para o desenvolvimento social, que se desdobram em seis áreas centrais. Entre elas, estão a cooperação em saúde global, comércio e finanças, mudança do clima, governança de inteligência artificial, reforma da arquitetura multilateral de paz e segurança e desenvolvimento institucional.

A pauta da Cúpula do BRICS+ preocupa Trump

O documento sintetiza as prioridades de Lula à frente dos BRICS+ e foi disponibilizado no site recém-lançado que reúne o calendário de atividades previstas para 2025 e informações sobre o bloco, que agora está voltado para o desenvolvimento socioeconômico sustentável.

No texto, são apontadas duas prioridades – cooperação do Sul Global e parcerias para o desenvolvimento social – que se desdobram em seis áreas centrais: cooperação em saúde global, comércio e finanças, mudança do clima, governança de inteligência artificial, reforma da arquitetura multilateral de paz e segurança e desenvolvimento institucional.

Uma das discussões previstas envolve propostas de mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU), pauta que o Brasil vem defendendo em diferentes fóruns internacionais.

No campo da cooperação em saúde global é mencionada a necessidade de incremento nos investimentos na área de pesquisa e de produção de medicamentos e vacinas.

Na temática relacionada com as finanças, destacam-se a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a agenda de financiamento climático. O documento lembra que o Brasil também sedia, em 2025, a 30ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas (COP-30).

Preocupações com a saúde do dólar

No Documento, também está previsto o debate sobre proteção de dados pessoais e garantia da integridade das informações para o uso ético, seguro, confiável e responsável das tecnologias de inteligência artificial.

Na Cúpula deste ano, também será dada “continuidade aos esforços de cooperação para desenvolver instrumentos de pagamento locais que facilitem o comércio e o investimento”. Logo que tomou posse, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que taxaria o grupo caso ele deixasse de utilizar o dólar em suas transações.

Cooperação Global, inclusiva e sustentável.

O Brasil foi sede da Cúpula em três ocasiões: 2010 e 2019 em Brasília e 2014 em Fortaleza. O calendário de 2025 está sendo organizado em torno do lema “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”.

O documento que elenca as prioridades do governo brasileiro classifica o BRICS+ como um espaço voltado para a construção coletiva visando a encontrar soluções, diante dos desafios e dos conflitos existentes no mundo.

Também existe a preocupação com o aprofundamento das tensões geopolíticas e com a fragilidade da ordem unilateral internacional vigente. “O recurso insensato ao unilateralismo e a ascensão do extremismo em várias partes do mundo ameaçam a estabilidade global e aprofundam as desigualdades que penalizam as populações mais vulneráveis em diferentes partes do planeta”, diz o texto.

Não é pouca coisa não!

O mundo está, rapidamente, caminhando de unipolar para multipolar.

Antes de prosseguir, é curioso conhecer como surgiu essa sigla. Como todos sabemos, BRICS é um termo utilizado para designar o grupo de países de economias emergentes, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Mas, pasmem com o paradoxo! O criador da sigla BRIC foi o economista britânico Jim O’Neill, do grupo financeiro Goldman Sachs, em 2001. A denominação do bloco é um acrônimo, quer dizer, a junção das iniciais de palavras que formam outro termo, no caso, as iniciais dos países fundadores. (A África do Sul foi registrada em inglês: South Africa).

O’Neill tentava encontrar uma forma de traduzir o crescimento econômico que era previsto, naquela década, por Brasil, Rússia, Índia e China. Então empregou a expressão “BRIC” (não pensou na África do Sul).

Naquela época, o crescimento brasileiro ainda estava incerto; a Rússia estava estagnada, mas a China já apresentava taxas de crescimento muito mais elevadas que os demais e, por isso, se destacava no cenário econômico mundial.

Alguns anos depois, o novo bloco econômico se formou oficialmente. Nada de ingleses na organização, afinal, são tão imperialistas quanto o líder hegemônico do mundo unipolar, os Estados Unidos. A data oficial de criação do BRICS é 16 de junho de 2009. Porém, a organização iniciou sua vida oficial bem antes, a partir da Reunião de Chanceleres dos quatro países em 23 de setembro de 2006. Desde então, cresceu rapidamente:

Formado, inicialmente, por cinco países – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, hoje também inclui Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã.

A partir de 2024, seis novas economias nacionais, também emergentes, foram convidadas a fazer parte do bloco que surgia: Arábia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. Além disso, 13 países foram convidados a participar como membros associados: Cuba, Bolívia, Turquia, Nigéria, Indonésia, Argélia, Belarus, Malásia, Uzbequistão, Cazaquistão, Tailândia, Vietnã e Uganda. A lista só está aumentando.

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