fevereiro 19, 2025

A Agência Prensa Latina publicou, na semana passada, que cientistas descobriram deformações no núcleo interno da Terra, produzidas nos últimos 20 anos, e que poderiam influir na velocidade de rotação do planeta. Mas como isso acontece e como influencia o meio ambiente aqui na crosta terrestre? Vamos lendo o relatório do estudo e fazendo comentários.
Segundo o trabalho, publicado na revista científica Nature Geoscience, essas modificações chamaram a atenção através de ondas de terremotos que chegaram ao centro da Terra e, graças a trabalhos anteriores, quando detectaram uma mudança na rotação do núcleo, foi mais fácil interpretar as variações na altura das ondas sísmicas e defini-las como alterações.
A pesquisa coletou dados sísmicos entre 1991 e 2023, e observou 121 terremotos repetidos, registrados em 42 locais, próximos às Ilhas Sandwich do Sul, na Antártica, e analisou formas de onda de outras duas estações de matriz receptora, localizadas perto de Fairbanks, no Alasca, e Yellowknife, no noroeste do Canadá.
Hipóteses tentam explicar mudanças na rotação
Eles concluíram que as mudanças podem ser devidas à convecção no núcleo externo, que exerce uma atração magnética sobre a parte menos viscosa do núcleo “sólido”, o que significa que essa camada não é completamente sólida. Durante anos, os cientistas acreditaram que o núcleo interno era uma esfera sólida e estável, composta de ferro e níquel, com um raio de aproximadamente 1.221 quilômetros, cerca de 70% do tamanho da lua.
Outra possível causa são as interações entre o núcleo interno e as formações no manto inferior, que fica entre o núcleo e a crosta. Essa camada atinge temperaturas de até 5.400 graus Celsius e pressões de até 365 gigapascal, que são três milhões de vezes mais altas do que a pressão atmosférica média da Terra e, devido a sua profundidade, a observação direta é impossível. Por isso, os estudos são feitos com base nas transformações no tamanho e na forma das ondas sísmicas.
Com diferentes escalas de tempo e materiais, essa camada também é responsável pelo campo magnético do planeta, que funciona como um escudo contra a radiação solar nociva, de modo que suas modificações estruturais colocam a comunidade científica em estado de atenção.

Novo estudo indica que Núcleo da Terra teria desacelerado
A esfera quente localizada no interior do nosso planeta está em constante movimento. Mas uma nova pesquisa científica defende que o núcleo da Terra pode ter parado de girar.
O estudo, que foi publicado na edição de janeiro da revista, é intitulado “Variação Multidecadal da Rotação do Núcleo Interno da Terra”, indica que a rotação da esfera quente, localizada no interior da Terra, parou recentemente – o que poderia gerar impactos em nosso planeta.
Originalmente, a Terra é formada por quatro camadas principais, como explica o site da NASA. São eles o núcleo interno, o núcleo externo, o manto e a crosta. O núcleo interno é uma esfera sólida feita de metais como ferro e níquel, com cerca de 1,2 mil km de raio. Nessa profundidade, a temperatura chega a 5400ºC.
Parece que o núcleo da Terra gira mais devagar agora
Ao acompanhar as ondas sísmicas registradas, de 1960 a 2021, em dois pontos distantes da Terra, o Alasca e as ilhas Sandwich do Sul (perto da Antártida), os pesquisadores Yi Yang e Xiaodong Song, sismólogos da Universidade de Pequim (China), propuseram esta teoria de que o centro da Terra gira em uma direção e depois na outra, em ciclos de quase 70 anos.
A análise mostrou que todas as faixas que anteriormente apresentavam mudanças temporais significativas, mostraram poucas mudanças durante a última década. Segundo os pesquisadores, isso pode indicar que o núcleo interno parou por volta de 2009.
Duração do dia poderia variar
“A mudança foi observada em vários pontos do mundo, o que – segundo os pesquisadores – confirma que se trata de um verdadeiro fenômeno planetário, relacionado à rotação do núcleo. E não apenas uma alteração local na superfície do núcleo interno”, explica o artigo da Nature.
Os dados sugerem, também, que o núcleo interno pode estar em processo de sub-rotação (girando mais lentamente que o manto). Caso isso esteja mesmo ocorrendo, continua a revista, é provável que as forças magnéticas e gravitacionais, que impulsionam a rotação do núcleo interno, sejam influenciadas.
O artigo, explica que “tais mudanças podem ligar o núcleo interno a fenômenos geofísicos mais amplos, como aumento ou redução na duração de um dia na Terra”.
De acordo com a publicação científica, os resultados da pesquisa podem ajudar a esclarecer muitos mistérios das profundezas da Terra, “incluindo o papel que o núcleo interno desempenha na manutenção do campo magnético do planeta e em sua velocidade de rotação e, portanto, a duração de um dia”.
Diferentes teorias tentam explicar a rotação do núcleo da Terra
Os cientistas Xiaodong Song e Paul Richards revelaram que, “desde a década de 1960, o tempo de viagem das ondas sísmicas geradas desses terremotos mudou, indicando que o núcleo interno está girando mais rápido que o manto do planeta”, escreve a jornalista Alexandra Witze, em sua reportagem.
Um estudo sugere que a super-rotação ocorre principalmente em períodos aleatórios, em vez de ser um fenômeno contínuo e constante. Estudos posteriores, porém, concluíram que o núcleo interno gira mais rápido que o manto em, aproximadamente, um décimo de grau por ano.
A publicação lembra que ainda existem “alguns cientistas argumentando que a super-rotação não existe e que as diferenças nos tempos de viagem dos terremotos são causadas por mudanças físicas na superfície do núcleo interno”.
O estudo registrou, como dado adicional que, em junho de 2022, os pesquisadores John Vidale e Wei Wang usaram dados de ondas sísmicas geradas por explosões de testes nucleares dos Estados Unidos entre 1969 e 1971, e relataram que, entre esses anos, o núcleo interno da Terra teria girado mais lentamente que o manto. “Somente depois de 1971, dizem esses cientistas, ele ganhou velocidade e começou a girar excessivamente”.
Os pesquisadores afirmam, no texto publicado pela Nature, que o estudo que consta na Nature Geoscience “é apenas a mais recente contribuição de um esforço prolongado para explicar a rotação incomum do núcleo interno, e não pode ser a última palavra sobre isso”. Eles também esclareceram que ainda há muitas perguntas a serem respondidas sobre o tema.
Como essa mudança de rotação impactaria no planeta
· Dias Mais Longos: A rotação mais lenta aumentaria a duração do dia e da noite, levando a um ciclo de luz solar mais prolongado.
· Climas Extremos: Dias mais longos aqueceriam mais o lado diurno, enquanto noites prolongadas esfriariam drasticamente o lado noturno. Isso criaria diferenças extremas de temperatura.
· Reorganização dos Oceanos: A redução da força centrífuga faria os oceanos se moverem em direção aos pólos, inundando essas áreas e expondo terras ao longo do equador.
· Alterações na Gravidade Aparente: As pessoas sentiriam um pequeno aumento no peso, especialmente no equador, devido à menor força centrífuga.
· Problemas na Biosfera: Plantas e animais, adaptados ao ciclo de 24 horas, teriam dificuldades para sobreviver a ciclos mais longos, afetando ecossistemas inteiros.
E se a Terra Parasse de Girar?
Se a rotação cessasse abruptamente, os efeitos seriam catastróficos:
· Tudo na superfície (edifícios, oceanos, atmosfera) continuaria se movendo a cerca de 1.670 km/h no equador, causando destruição massiva.
· O campo magnético da Terra enfraqueceria com o tempo, tornando-nos vulneráveis à radiação solar.
· Um hemisfério ficaria permanentemente de frente para o Sol (calor extremo), enquanto o outro ficaria na escuridão (frio congelante).
Bem, amigos, depois dessa pílula de Ciência, só nos cabe manter uma atitude respeitosa com o meio ambiente e acompanhar o desenrolar das novas pesquisas.
CURTA, COMENTE E COMPARTILHE!

National Geographic – ARTE DE CHUCK CARTER
___

Deixe uma resposta