OS ALIMENTOS E A POPULARIDADE DO PRESIDENTE

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Maria perguntou e eu respondi.

A ideia de escrever este post surgiu assim. A funcionária lá de casa me abordou, perguntando:

– Patrão, me explica por que os alimentos estão subindo tanto de preço? Não consigo entender, com esse mundão de terras que o Brasil tem…

– Maria, pode parecer confuso, mas não é. Eu explico pra você.

Aí, procurei explicar, com base em informações bem fáceis de entender.

Disse a ela que a verdade é escondida da maioria, que normalmente não tem informações suficientes para entender o que está envolvido.

Comecei a discorrer, como se estivesse na sala-de-aula, no papel de professor que, aliás, já exerci:

– Tudo começa com a produção de alimentos. Nesse “mundão de terras” que é nosso País, a produção é enorme. Os fazendeiros, ou agricultores, ou simplesmente o “agro” conhecem uma tal Lei da Oferta e da Procura. A Lei da Oferta e Procura é um dos princípios básicos da economia que regula o preço e a quantidade de bens (alimentos em geral, objetos, roupas, móveis e tantas coisas que existem no mercado. Em poucas palavras:

Oferta é a quantidade de bens que os produtores estão dispostos a vender a diferentes preços. Procura é a quantidade de bens que os consumidores estão dispostos a comprar, a diferentes preços.

– Mas, nessa lei, existe também uma posição de preço de equilíbrio – disse – pra não pesar nem pra quem compra, nem pra quem vende. O preço de Equilíbrio ocorre quando a quantidade fornecida pelo produtor é igual à quantidade da procura pelo produto no mercado. Quando a oferta aumenta ou a demanda diminui, os preços tendem a cair. Quando a oferta diminui ou a procura aumenta, os preços tendem a subir. É nisso que Lula está trabalhando, conversando com os produtores.

– Pois bem,- continuei –  eles sabem que, se faltarem alimentos, o preço, automaticamente, sobe porque a procura fica maior que a oferta. Então, o que eles fazem? Forçam a “falta de alimentos”, jogando fora a maior parte da produção (ver vídeos que estão circulando pela Internet). Com isso, economizam com fretes que não serão contratados e, de quebra, ganham muito mais, cobrando mais caro pelo alimento “que está faltando”.

– Se o agro ganha mais com essa falta de alimentos – lá vou eu -, os revendedores (supermercados, mercadinhos e feirantes) também cobram mais caro e ganham mais, vendendo menos.

Expliquei a Maria que “essa jogada comercial desonesta não começou, simplesmente, por interesse em ganhar mais, gastando menos. Na verdade, o interesse maior é desgastar a imagem do Governo Federal. “

Por que desgastar a imagem do Lula?

– Mas, por que desgastar a imagem do Lula? – perguntou ela. – Eu gosto tanto dele! Foi Lula que me deu onde morar com o Minha Casa, Minha Vida; foi ele quem garantiu escola integral para meus filhos e o mais velho já está recebendo o Pé-de-Meia, também criado por ele, e vai pra universidade pelo Prouni. Fora tantas outras coisas boas que ele fez…

– A intenção deles – eu disse – é passar a imagem falsa de que a culpa da falta de alimentos e do preço alto é do Governo. Mas não é, como lhe expliquei: A culpa é dos grandes produtores e dos grandes comerciantes que se juntaram com especuladores financeiros que nunca simpatizaram com a insistência do presidente em cuidar dos mais pobres. Na verdade, eles querem enfraquecer a imagem de Lula para conseguirem ganhar a eleição do ano que vem.

A essa altura, Maria já estava de olhos arregalados, demonstrando ansiedade em compreender melhor toda essa estratégia. Continuei.

– Pra completar essa manobra, eles começaram a lançar pesquisas de opinião pública, com resultados dizendo que Lula está deixando de ser popular, quer dizer, que o povo não apóia mais ele. Essas pesquisas são feitas, principalmente, por dois institutos de pesquisa. Sabe o que é isso? Uma empresa que faz e recebe por pesquisa, entende? que faz perguntas para as pessoas na rua, somam as respostas e divulgam.

– E o povo tá dizendo isso mesmo? – indagou, cismada.

– Se está dizendo ou não, quem sabe é o instituto – respondi, cauteloso.

– Mas, se tá dizendo é por causa do preço da comida… – emendou, parando um pouco pensativa e continuando o raciocínio –  agora, professor, se o preço da comida está subindo por causa daquela jogada do agro…

– É por aí – interrompi, acrescentando: – Sabe quem são os donos dos institutos de pesquisas? Donos de bancos que também não gostam do Lula.

– Ah! Então agora entendi tudo… – disse ela, enquanto dava tchau e seguia seu caminho, talvez mais esclarecida.

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2 responses to “OS ALIMENTOS E A POPULARIDADE DO PRESIDENTE”

  1. Avatar de Luiz Antonio Bastos

    Boa escolha no estilo do texto, para explicar sobre um assunto não tão simples de se entender

  2. Avatar de genuinebd134a63aa
    genuinebd134a63aa

    Esclarecimento é tudo!

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