

Sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, o bloco propõe uma Aliança Global para acabar com doenças ligadas às desigualdades. Foi divulgado na segunda-feira (10), pelo site oficial do BRICS, a aliança global é voltada para o objetivo de instar aos países a apresentarem iniciativas, voltadas à eliminação das doenças e infecções socialmente determinadas (SDD) e das doenças tropicais negligenciadas (NTD).
(Siglas em inglês)
A fim de concretizar as propostas, serão realizadas estratégias integradas e colaborativas entre os países-membros, promovendo iniciativas para erradicar as doenças, tanto no âmbito interno quanto no externo aos países.
Segundo o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do Ministério da Saúde do Brasil, Alexandre Ghisleni, essa iniciativa já conta com antecedentes importantes: “No âmbito nacional, o trabalho que nós temos feito, no Brasil, tem-se materializado num impacto positivo no combate às doenças socialmente determinadas”, disse.
O Bloco não para de crescer
Uma nova ampliação do BRICS+ foi anunciada na gestão de Lula à frente do bloco. Entraram mais nove países no grupo, entre os quais Cuba e Bolívia. Os novos integrantes passam a compor o bloco na condição de ‘parceiros’, com status inferior ao dos membros efetivos, mas com possibilidade de participarem de reuniões temáticas e cúpulas.
Passaram a integrar o BRICS+, na categoria de países parceiros: Belarus, Nigéria, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.
Na sua criação, o grupo era formado por Brasil, Rússia, Índia e China e tinha a sigla BRIC. A partir de 2010, passou a contar também com a África do Sul e mudou de nome para BRICS.
Em 2011, mais um país foi agregado: a África do Sul. Deste modo, o BRIC virou BRICS. Em 2023, Arábia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã foram convidados a entrar no grupo. Destes países, apenas a Argentina acabou não aceitando o convite, inicialmente, mudando de opinião em fevereiro.
Com o ingresso de novos países, o grupo passou a ser denominado BRICS+ e está assim composto: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito. Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Argentina.
Embora o anúncio tenha sido feito sob a presidência do Brasil, a conclusão das negociações aconteceu em 2024, quando o BRICS estava sob presidência russa, que passou a propor a ampliação do grupo, criando os países ‘parceiros’.
Ainda que alguns especialistas entendam que o efeito prático da entrada desses países da nova categoria tem efeito mais geopolítico que econômico – pois ampliam as áreas de influência da Rússia e da China -, é certo que existem apelos econômicos nessas adesões.
Como Trump vê o crescimento dos BRICS+?
Antes de entrarmos no cerne dessa questão, cabe avaliar os efeitos da eventual ausência dos EUA na próxima COP30, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, no Brasil, em Belém do Pará, em novembro, conforme já avisou o presidente Donald Trump. De acordo com estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é esperado um fluxo de mais de 40 mil visitantes, durante os principais dias da Conferência.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, comentou que essa COP 30 será diferente de todas as outras: “Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito; outra coisa é discutir a Amazônia em Berlim; outra coisa é discutir a Amazônia em Paris. Agora, não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão dos povos originais com os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem”, anteviu o presidente.
Mas, tudo indica, que haverá influência dos BRICS+ nessa Conferência do Clima, num momento em que o aquecimento global mostra os primeiros traços da sua face ameaçadora. Estreitar a parceria do Brasil com a China será a grande ‘cartada’ do Brasil na COP-30.

O primeiro-ministro da Etiópia foi convidado e entrou para o BRICS+. Foto: Ricardo Stuckert-PR
Entre EUA e China, Brasil busca o caminho.
Como todos já sabem, o negacionista presidente dos EUA proibiu a participação de cientistas norte-americanos na primeira reunião do ano do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, principal órgão da ONU sobre o tema, ocorrido na China, no final de fevereiro. Essa foi a primeira vez que cientistas estadunidenses ficaram de fora do evento.
Por isso, ficou clara a ausência e a total indiferença dos EUA pela COP30 e pelas questões ambientais. O evento é uma das apostas do Brasil na busca pelo protagonismo da pauta climática. Aqui, cabe trazer e comentar uma análise de Pedro Costa Jr, esta semana, na TVGGN:
Enquanto os Estados Unidos cada vez se afundam mais em problemas internos (e externos), o Brasil, como presidente dos BRICS+, apoia integralmente esta que é uma das principais iniciativas da política externa da China. A mais importante é a Rota da Seda. Nosso País tem um papel central, nesse contexto, por presidir o BRICS+, que vem num processo de expansão muito grande.
Vale lembrar que o Brasil vai, antes da Conferência dos BRICS+, sediar a COP30, uma das principais iniciativas para conter o aquecimento global. Os Estados Unidos já deixaram claro que vão boicotar, não enviando delegação. Isso é um problema sério porque os Estados Unidos é um poluidor muito grande, o maior do mundo, junto com a China. A diferença é que esta vem fazendo uma transição energética acelerada, diferente da maior parte do mundo. Ao contrário de Trump, que tem a política de perfurar cada vez mais poços de petróleo, que é um dos maiores poluentes da atmosfera.
Nesses eventos, o Brasil tem a seu favor o fato de que Lula passou a ser chamado pelo presidente da China, Xi Jinping, de “o velho amigo da China”. Desde 2003, acontece essa aproximação. O Brasil é um país estratégico, do ponto de vista chinês, porque, desses países emergentes, a China sabe que a Índia, por exemplo, não é muito confiável porque joga junto com a China, mas também joga muito com o eixo norte-americano e está em alianças militares com os EUA e com a Inglaterra.
Outro problema para o BRICS+ é que o México é um país que se aproxima da China, mas, pela vizinhança com os EUA, é muito sujeito à política externa norte-americana. O Brasil tem uma posição mais confortável, uma certa autonomia nesses dois sentidos. Então, há uma grande expectativa nessa aliança do Brasil com a China. Eles confiam e apostam que o Brasil vá aderir às Novas Rotas da Seda.
Radiografia dos efeitos Trump
No contexto geoeconômico, a elevação das tarifas que o Governo Trump propõe vai repercutir, também, contra os Estados Unidos. Vai gerar inflação e uma pressão pelo aumento das taxas de juros. E, na medida em que prejudica a economia americana, o problema recai sobre os empregos, a renda e afeta os demais países, inclusive dos BRICS+.
Pode-se deduzir de suas ações que Trump reconhece o declínio americano e admite que os EUA não são mais fortes como antes. Por isso, ele pensa em dividir o mundo em zonas de influência estratégica, uma espécie de divisão do mapa mundial entre os EUA, a China e a Rússia. O problema, para nós, é que ele entende que a América é para os americanos, inclusive a América Latina.
Enquanto a América corta a ajuda externa a muitos países, completa 50 anos a relação Brasil-China. Seria a hora do Brasil trabalhar na direção de obter contrapartidas da China para seus megaprojetos, como compartilhar o avanço chinês nos conhecimentos tecnológicos? Por enquanto, os movimentos ainda são muito tímidos nesse sentido.
Os analistas comentam que Xi saiu decepcionado do G20 no Brasil. Foram assinados 36 acordos entre Brasil-China, mas nada de muito transformador para trazer desenvolvimento estratégico ao Brasil. Respondendo à pergunta sobre o que achou da reunião do G20, Jinping respondeu: “o gol mais bonito é sempre o próximo”.
Hoje, os países atravessam uma grande mudança no comércio mundial com as medidas de Trump. A China – como o México, o Canadá e parte da Europa – está respondendo e está estruturada pra isso.
A presidência brasileira do Brics começou em 1º de janeiro e tem duração de um ano. Ao todo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu cinco prioridades de discussão ao longo de 2025: facilitação do comércio e investimentos entre os países do grupo, por meio do desenvolvimento de novos meios de pagamento; promoção da governança inclusiva e responsável da Inteligência Artificial; aprimoramento das estruturas de financiamento para enfrentar mudanças climáticas; estímulo aos projetos de cooperação entre países do Sul Global, com foco em saúde pública; e fortalecimento institucional do bloco.

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