Mundo agitado com medidas de Trump

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Começa a valer hoje o início da adoção das tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio – os EUA são um mercado importante para o aço do Brasil, com destaque para os semiacabados. Vamos entender o que está acontecendo no comércio internacional com as medidas de Trump?

Rolos de aço para serem enviados aos Estados Unidos.

Hoje à tarde (12), o Governo Brasileiro divulgou uma nota oficial, lamentando a decisão dos Estados Unidos de estabelecer tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio. A taxação foi considerada “injustificável” e terá um impacto significativo nas exportações brasileiras. Na nota, o governo afirmou que avaliará ações de resposta, mas destacou a importância de agir com cuidado para evitar uma escalada de medidas e contramedidas.

As tarifas impostas pelo governo Trump sobre as importações de aço e alumínio têm impactos significativos para o Brasil, que é um dos maiores exportadores desses produtos para os Estados Unidos. As possíveis consequências devem ser:

Impacto nas Exportações: Em 2024, o Brasil exportou cerca de 3,4 milhões de toneladas de aço para os EUA, gerando US$ 5,7 bilhões em receita. Com as novas tarifas, espera-se uma redução significativa nas exportações, o que pode levar a perdas financeiras para o setor siderúrgico.

Também podem vir a afetar os empregos e a Indústria Nacional. As empresas que dependem das exportações para os EUA podem enfrentar dificuldades financeiras.

Mas, quais seriam nossas alternativas e possível retaliação? O governo brasileiro estuda a possibilidade de reagir com tarifas sobre produtos americanos, o que pode impactar outras cadeias produtivas. Por outro lado, o Brasil pode buscar novos mercados, como a China, para compensar a queda nas exportações para os EUA.

Contudo, apesar do impacto direto no setor siderúrgico, o efeito macroeconômico sobre o PIB brasileiro é projetado como pequeno, com uma redução estimada de 0,01% no PIB e 0,03% nas exportações totais.

Europa reage ao aumento de tarifas

A União Europeia divulgou, também hoje, um pacote de retaliações comerciais contra os Estados Unidos, com tarifas sobre US$ 28 bilhões de produtos americanos. No início dos trabalhos, as bolsas de valores da Europa registravam uma reação positiva, com altas expressivas: DAX (Frankfurt) subia 2,02%, CAC 40 (Paris) ganhava 1,59%, Euro Stoxx 600 avançava 1,28%, e FTSE 100 (Londres) valorizava 0,71%.

À medida que as taxações americanas são sacramentadas, quanto está subindo a inflação nos Estados Unidos?

Para analistas norte-americanos, as tarifas de importação tendem a pressionar a inflação e o índice de preços ao consumidor americano deve mostrar altas de 0,3% em fevereiro e de 2,9% em 12 meses. No início da semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país não entrará em recessão em 2025 e ressaltou não ter preocupação com as possíveis desvalorizações das bolsas americanas. Isso parece que ainda não aconteceu:

Hoje, logo cedo, os indicadores futuros de Wall Street subiam: Nasdaq ganhava 0,99%, Dow Jones valorizava 0,64%, e S&P 500 subia 0,87%. No Brasil, o Ibovespa caiu 0,81%, e o dólar recuou 0,68%, puxado pelo vaivém das notícias relacionadas às sobretaxas de importações anunciadas pelo governo americano e pela preocupação com a contração da economia dos Estados Unidos.

De seu lado, a União Europeia divulgou hoje um pacote de retaliações comerciais contra os EUA, com tarifas sobre US$ 28 bilhões de produtos americanos. As bolsas europeias registraram altas expressivas. As bolsas asiáticas fecharam sem tendência definida, em meio às preocupações com as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e com o risco de recessão americana. Em Dalian, o preço da tonelada do minério de ferro caiu 0,32%, para US$ 106,23.

Enquanto isso, o presidente Trump mostra satisfação.

O presidente Donald Trump ressaltou, em discurso ao Congresso americano, suas principais ações na área econômica, mas não abordou as consequências e críticas enfrentadas às medidas, a exemplo da possibilidade de aumento da inflação americana.

O destemperado líder da direita relacionou, com orgulho, a imposição de tarifas a países aliados — citando inclusive o Brasil —, os cortes em órgãos do governo federal combinados à demissão massiva de funcionários, a promessa de reduzir a cobrança de impostos dentro do país e o combate à inflação como suas principais bandeiras na área.

Essas declarações foram feitas num discurso, em sessão conjunta do Congresso, com a presença de senadores e deputados. Foram, em grande parte, acompanhadas de celebração dos republicanos e, de outro lado, por silêncios e protestos simbólicos da oposição democrata.

Num dos raros momentos em que não contou com uma torcida barulhenta dos apoiadores, Trump citou as tarifas de 25% impostas a Canadá e México, vizinhos e grandes parceiros comerciais, além de ter dobrado para 20% as tarifas sobre produtos chineses. O presidente avisou, ainda, que ajustes poderiam ser feitos. O resultado veio antes do esperado.

Ainda nesta quarta, ele abriu exceções a montadoras de automóveis, avisando que o preço dos carros poderia subir abruptamente no país. Ele mantém, no entanto, as taxas a outros bens importados desses países, o que inclui vários alimentos perecíveis.

Em 2022, o México forneceu 51% das frutas frescas e 69% dos vegetais frescos aos EUA e o Canadá, 2% e 20% respectivamente, segundo o Departamento de Agricultura. Na terça, um diretor da Target, uma das gigantes americanas, avisou que os preços nos mercados deve subir – e rápido -, já que as empresas vão repassar aos consumidores o valor das tarifas.

O Brasil entrou no trecho do discurso em que o republicano listava os países que estarão sujeitos a tarifas para conseguir o que ele vem chamando de reciprocidade tarifária. A data para o início da cobrança é 2 de abril, segundo o presidente.

Disse, ainda, que seu governo brigará para baixar a inflação do país, que seria, segundo ele, uma desastrosa herança deixada na economia pela gestão anterior, do democrata Joe Biden.

Também no discurso, ele citou a disparada do preço dos ovos e responsabilizou seu antecessor por esse aumento. Há alguns dias, o Departamento de Agricultura dos Estados tinha anunciado US$ 1 bilhão em investimentos para importar mais ovos e para combater a gripe aviária, que matou, em três anos, 166 milhões de frangos no país.

E prometeu, usando um trocadilho com o lema de suas campanhas, que fará com que o país tenha preços acessíveis novamente (“make America affordable again“). Isso porque, segundo ele, as tarifas tornarão os Estados Unidos ricos novamente.

Mas não deixou de fora outra menção a medidas adotadas por Joe Biden e voltou a criticar os estímulos à eletrificação de veículos, defendendo a revogação de uma ordem executiva de 2021, assinada por seu antecessor, buscando garantir que 50% de todos os novos veículos vendidos em 2030 fossem elétricos. Bem no papel de defensor das petroleiras.

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2 responses to “Mundo agitado com medidas de Trump”

  1. Avatar de Carlos
    Carlos

    UMA COISA É CERTA,TEMOS HOJE UM GOVERNO QUE LUTA PELA SOBERANIA NACIONAL E PELO PROGRESSO DO BRASIL. A LUZ SEMPRE CLAREIA E VENCE. ACHO ESSE BLOGUE MARAVILHOSO! DEUS ESTÁ COM O BRASIL E COM OS IRMÃOS DE CORAÇÃO BONDOSO,DE TODAS AS NAÇÕES DO NOSSO PLANETA. GRATIDAO, SEMPRE.

  2. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Só o Brics pra segurar esse homem.t

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