Série Poemas que fiz em Angola (2)

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Os prezadíssimos leitores devem se lembrar que, no domingo passado, iniciamos aqui a publicação de 21 poemas que escrevi, há quase 20 anos, quando estive dando consultoria para o Governo de Angola. Pois bem, aqui vai a segunda publicação com mais dois poemas. Espero que gostem e que sirvam de deleite para a mente, neste domingão.

POEMA 3

Pra minha neta, Anita (anota)

Não posso tirar meu olhar de ti,

aqui no ecrã do meu laptop, sorri

porque amor não tem idade, é pura felicidade,

com imensa intensidade

que embriaga esta saudade

que embarga meu olhar.

E eu não consigo tirar meu olhar de ti,

meu doce rebento de rebento de semente.

Mio santo e dolce amore

meu amor tão lindo, que nunca sinto findo

o enlevo de te olhar.

Meu coração tão lindo, repito,

bento e rebento desse amor

que exala essências celestiais

do âmago da mais linda flor,

é agudo, é punjente, é demais.

Vem papoula, vem pimpolha, linda,

que eu não sinto nunca finda

a ternura de te olhar.

___

POEMA 4

Dia dos Pais 2006

Vigorosos vagalhões de tempestuoso vento

vergavam o longilíneo tronco do jovem broto de sequoia.

Naquele bosque, meio rarefeito, as lufadas trespassavam tudo,

a flexionar de forma extrema, rematada, a fundo,

a tênue rigidez do novo vegetal resoluto.

Papai sequóia, por mais que estendesse seus ramos,

temia, na paranóia, pela firme resistência do filhote,

que crescia na haste tensa, subia, cumpria planos.

Ser pai, nessas horas intensas, de pânico inconteste,

era de uma dor imensa, divino teste.

E a brisa, tornada vendaval, lufava e resfolegava

a malear aquele tênue tronco de sequoiazinha.

E o pai, de rugoso tronco secular, se inclinava, desdobrava,

no tentame de proteger a verdejante criaturinha.

Até que o vertiginoso teste, prova, expiação, findou,

sem que a têmpera do tecido da sólida e maleável plantinha

tivesse dado margem a danos, a não ser a perda de uma que outra folha.

E o radiante sol raiou no horizonte que róseo se mantinha,

encandeando de multicores a fonte vital e seu derivado riachinho de seiva.

Dando assim por cumprido o julgamento sagrado

da missão, a todo título outorgada, de gerar rebentos

rijos, para tudo preparados, para vendavais e ventos

e o gozo perfumado dos jardins de flores cristais.

A enfrentar a vida em rutilante paz. Enfim, Pai.

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3 responses to “Série Poemas que fiz em Angola (2)”

  1. Avatar de Marina Romana
    Marina Romana

    Lindos poemas.

  2. Avatar de Luiz Carlos Dorea Diniz da Silva

    Talento e sensibilidade num grande coração ❤️

  3. Avatar de Luiz Carlos Dorea Diniz da Silva
    Luiz Carlos Dorea Diniz da Silva

    Muito bom ! Talento e sentimento, parabéns irmão!

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