

A Barragem de Oiticica. Foto: SEMARH-RN
O presidente Lula inaugurou, esta semana, uma grande obra, capaz de fornecer água para dois milhões de pessoas e fortalecer a economia local, na caatinga nordestina. Ele e comitiva, juntos com a população beneficiada, participaram da inauguração da barragem de Oiticica em Jucurutu, no sertão do Rio Grande do Norte. Assim, deu-se um dos maiores passos no Programa Água para Todos, que inclui a Transposição do rio São Francisco, obra que está em andamento há pouco mais de dez anos.
Iniciada em 2013, a construção integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e teve um investimento de R$ 823 milhões. A barragem fornecerá água para centenas de localidades, na região do Seridó.
O projeto também prevê a irrigação de uma área extensa, destinada ao cultivo agrícola, impulsionando a economia agrária e a indústria local. Durante a cerimônia, foi anunciada a construção da adutora do Agreste Potiguar, planejada para atender 38 cidades com um investimento de aproximadamente R$ 450 milhões. Essas iniciativas visam a garantir a sustentabilidade hídrica na região.
Uma ideia de mais de 200 anos
A ideia de levar água do rio São Francisco para regiões semiáridas no Brasil tem raízes históricas profundas. Desde o século XIX, durante o reinado de Dom Pedro II, já se discutia a possibilidade de transpor as águas do rio para combater os efeitos da seca no Nordeste. Naquela época, porém, a tecnologia disponível era limitada e não pôde seguir adiante, mas a ideia foi vista como uma solução promissora para a proteção contra a seca.
Ao longo do século XX, a proposta foi retomada em diferentes momentos. Durante o governo de Getúlio Vargas, na década de 1940, estudos mais detalhados começaram a ser realizados. No entanto, foi apenas no governo de João Figueiredo, após a grande seca de 1979-1983, que o projeto ganhou forma, com o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) que passou a liderar os esforços iniciais.
O projeto de Transposição do rio São Francisco, como o conhecemos hoje, começou a ser implementado em 2007, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele envolve a construção de canais que desviam parte das águas do rio para beneficiar estados como Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Como anda a Transposição?
O Projeto de Transposição do Rio São Francisco já alcançou marcos importantes, desde o início de sua implementação. Vamos dar uma relembrada nas etapas concluídas:
Eixos Norte e Leste: Ambos foram concluídos em 2022, garantindo a chegada das águas do Rio São Francisco a estados como Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Ramal do Agreste: Finalizado em 2021, é a maior obra hídrica de Pernambuco e beneficia diretamente a população local.
Cinturão das Águas do Ceará (CAC): Parte do projeto que conecta as águas do São Francisco ao Açude Castanhão, já está operacional.
Vertentes Litorâneas da Paraíba e Adutora do Agreste Pernambucano: Obras concluídas para ampliar a distribuição de água.
Barragem de Oiticica
Capacidade: Armazena até 742 milhões de metros cúbicos de água, sendo o segundo maior reservatório do estado.
Beneficiados: Atende diretamente 22 municípios e cerca de 294 mil pessoas, chegando a 2 milhões, incluindo os beneficiários indiretos.
Finalidade: Abastecimento de água, irrigação, piscicultura, contenção de enchentes e lazer.
Complexo Hidrossocial: Inclui reassentamento de comunidades e agrovilas para promover o desenvolvimento sustentável.
Sem dúvida, o Projeto de Transposição do Rio São Francisco vem cumprindo o prometido: levar água para regiões historicamente afetadas pela seca. Aprovou, começou a realizar esse projeto, em seus primeiros governos e, agora, dá esse importante passo. Mas não acaba aqui.
Lula no combate à seca do Nordeste brasileiro
Nascido em pleno Semiárido, no estado de Pernambuco, o presidente Lula tem muita sensibilidade com o tema do flagelo das secas anuais. Por isso, e por sua sensibilidade, são vários os seus projetos, em benefício do Semiárido. Lula tem uma longa trajetória de iniciativas voltadas para o sertão brasileiro.
Durante seus mandatos anteriores, ele lançou o programa Água para Todos, que se dedicou à construção de milhares de cisternas para famílias rurais, ampliando, assim, o acesso à água potável.
Lançou, recentemente, o projeto Sertão Vivo, que também busca enfrentar os desafios da seca no Nordeste brasileiro. Essa iniciativa, com um investimento de R$ 1,75 bilhão, tem como objetivo garantir acesso à água, segurança alimentar e outras necessidades básicas para as comunidades rurais do semiárido.
O projeto é financiado pelo BNDES e pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da ONU, e inclui medidas como restauração de ecossistemas degradados, aumento da produtividade agrícola e redução de emissões de gases do efeito estufa. Estima-se que cerca de 430 mil famílias sejam beneficiadas.
É um esforço significativo para melhorar a resiliência climática e a qualidade de vida na região.
Ninguém poderá negar – enfim – que Lula da Silva honra seu mandato, também, com um esforço significativo para melhorar a resiliência climática e a qualidade de vida na região.

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