Visita de Lula ao Japão e ao Vietnã

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Comitiva brasileira quer ampliar relações comerciais e fechar acordos para os BRICS+

Boas relações do Brasil com o Japão. Foto: GOVBR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é, também, presidente dos BRICS+, visitará o Japão e o Vietnã na próxima semana, acompanhado de comitiva de ministros e empresários brasileiros da JBS, da Embraer e do agronegócio, para fortalecer parcerias comerciais. As relações do Brasil com o Leste Asiático mostram como os países estão alinhados em busca de cooperação mútua e desenvolvimento sustentável.

Minha geração conviveu com os horrores da famosa Guerra do Vietnã. Esse confronto ocorreu entre 1955 e 1975 e foi marcado pela divisão do país em Vietnã do Norte (comunista) e Vietnã do Sul (capitalista), com forte influência da Guerra Fria. A guerra terminou com a vitória do Vietnã do Norte e a unificação do país sob um governo comunista. Esse período moldou a história moderna.

Não convém, agora, relembrar detalhes desse episódio triste da história humana. Hoje, os tempos são outros e falar sobre o Vietnã passou a significar bons negócios e parcerias geopolíticas para o Brasil e o BRICS+. 

Depois de ir ao Japão, Lula vai ao Vietnã. O governo busca acordos nas áreas de defesa, agricultura e energia, enquanto as empresas negociam oportunidades no país asiático, segundo fontes.

A segunda visita de Lula ao país, como presidente, ocorrerá no momento preocupante em que o Vietnã – sob pressão do governo Trump para reduzir seu grande superávit comercial -, promete aumentar as importações dos Estados Unidos, incluindo produtos agrícolas como soja, da qual o Brasil é um dos principais exportadores para o país.

A primeira viagem de Lula ao Vietnã ocorreu durante seu segundo mandato como presidente do Brasil, em 2008. Naquela ocasião, ele buscava fortalecer as relações comerciais e diplomáticas entre os dois países, promovendo parcerias estratégicas e ampliando o intercâmbio econômico.

Em 2024, o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chin, esteve no Brasil, participando da COP, no Rio de Janeiro.

Convite para o BRICS+ e para intercâmbio comercial

Na conversa de Lula com o primeiro-ministro do Vietnã, será feito o convite para o país participar da cúpula do BRICS+ no Brasil, em julho, revelou uma autoridade brasileira, observando que o Vietnã foi convidado no ano passado para se tornar parceiro do BRICS+, porém, até agora não tomou uma posição oficial sobre o assunto.

Os dois países devem chegar a um acordo de parceria, nas áreas de defesa, agricultura e energia, o que poderia impulsionar a cooperação em etanol, um combustível do qual o Brasil é um grande produtor global, afirmou uma autoridade brasileira, sem se identificar à agência Reuters.

O Brasil também quer aumentar as exportações para o Vietnã e está pedindo a Hanói que autorize as importações de carne bovina, disse a autoridade, confirmando relatos anteriores da mídia estatal vietnamita.

A abertura do mercado vietnamita para a carne bovina brasileira é uma pré-condição para um investimento que a gigante brasileira de alimentos JBS está considerando fazer no Vietnã, disseram à Reuters três pessoas informadas sobre as conversas, incluindo a autoridade brasileira.

A empresa está estudando a construção de um centro de processamento de carne no norte do Vietnã, sua primeira fábrica na Ásia, com um possível investimento de dezenas de milhões de dólares, segundo as três fontes, que não quiseram se identificar porque a informação não é pública.

Separadamente, a Embraer também está em negociações para a possível venda de dez jatos E190 para a companhia aérea de bandeira Vietnam Airlines, disse a autoridade brasileira.

A empresa também está tentando vender aviões de transporte militar C-390, com um possível voo de demonstração no Vietnã em maio, disseram a autoridade e uma fonte do setor. A Embraer não quis comentar e a Vietnam Airlines não respondeu, mas sabe-se que Hanói está em negociações com os Estados Unidos para comprar aviões de transporte militar C-130, produzidos pela Lockheed Martin. O Vietnã é um dos mercados de aviação que mais crescem no mundo e as companhias aéreas locais há muito tempo buscam expandir suas frotas. O Vietnã também está trabalhando na aprovação dos jatos Comac da China.

Como está a economia do Vietnã hoje, anos após a sangrenta guerra?

O Vietnã, décadas após a devastadora guerra, transformou-se em uma das economias mais dinâmicas do Sudeste Asiático. Desde as reformas econômicas conhecidas como Đổi Mới em 1986, o país de governo socialista passou de uma economia centralizada para uma economia de mercado orientada para exportações. Hoje, o Vietnã é um dos maiores exportadores de produtos como eletrônicos, roupas, calçados, arroz e café.

Em 2024, o PIB do Vietnã cresceu impressionantes 7,55%, destacando-se como uma das economias de crescimento mais rápido no mundo. O país também tem investido em setores como aviação, energia renovável e tecnologia, atraindo grandes empresas globais. Além disso, o governo vietnamita tem trabalhado para reduzir desigualdades sociais, tirando milhões de pessoas da pobreza nas últimas décadas.

O Vietnã continua a enfrentar desafios, como a necessidade de modernizar sua infraestrutura e lidar com os impactos das mudanças climáticas, mas sua trajetória econômica é um exemplo de resiliência e adaptação.

O Vietnã sabe lidar com a influência da China e dos EUA

O Vietnã é uma república socialista de partido único, liderada pelo Partido Comunista do Vietnã (PCV). O sistema político é baseado no marxismo-leninismo, e o Secretário-Geral do PCV é frequentemente considerado a figura política mais poderosa do país.

Geopoliticamente, o Vietnã mantém uma postura estratégica e equilibrada. Apesar de sua história de conflito com os Estados Unidos, os dois países têm fortalecido laços econômicos e de segurança nos últimos anos, em parte devido à crescente influência da China na região. O Vietnã também é membro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), um bloco regional que promove cooperação econômica, política e de segurança entre seus membros.

Essa abordagem reflete a habilidade do Vietnã em navegar entre grandes potências enquanto protege seus interesses nacionais. Uma posição estratégica e equilibrada para lidar com a influência da vizinha China. Apesar de compartilhar uma longa história e proximidade geográfica, as relações entre os dois países têm sido marcadas por tensões, especialmente em questões territoriais, como disputas no Mar do Sul da China.

Para proteger seus interesses, o Vietnã busca diversificar suas alianças econômicas e políticas. Ele tem fortalecido laços com potências ocidentais, como os Estados Unidos, e promovido sua integração em blocos regionais, como a ASEAN. Além disso, o país tem se posicionado como uma alternativa à China na cadeia de suprimentos global, atraindo investimentos estrangeiros e reduzindo sua dependência econômica do gigante asiático.

Essa estratégia permite ao Vietnã equilibrar sua relação com a China enquanto mantém sua soberania e busca crescimento econômico.

Análise do quadro dessas parcerias

Análise do Canal 247 entende assim: Lula busca demonstrar que, embora mantenha fortes laços com a China, o Brasil tem interesse em diversificar suas parcerias na Ásia. O governo sinaliza que tem fortes laços econômicos com a China, mas também tem outros interesses e parcerias estratégicas na Ásia, reforçando a posição de diversificação de parceiros e interesses do Brasil, tradicional na diplomacia brasileira.

O professor Roberto Goulart Menezes, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, destaca que o Brasil também quer vender aviões da Embraer ao Japão, além de carnes bovina e suína. No entanto, ele avalia que a aproximação com Tóquio deve ter efeitos limitados diante da disputa comercial entre China e Estados Unidos.

“O governo Lula elegeu três eixos na política externa: meio ambiente, integração regional e equilíbrio na relação com as grandes potências. No terceiro eixo, tudo caminhou bem até a chegada de Trump. E, desde janeiro de 2025, o Brasil optou pela cautela e o pragmatismo. Isso por si só não é suficiente para fazer frente à política externa agressiva do governo Trump. E, na presidência do BRICS em 2025, o Brasil tem um desafio adicional: reafirmar que a coalizão BRICS não é contra os EUA”, afirmou Menezes.

Segundo um assessor próximo ao presidente, a estratégia de diversificar mercados na Ásia é uma resposta à crescente ameaça ao multilateralismo. “Na Ásia, não existe apenas a China, com a qual o Brasil tem uma relação profunda e de cooperação”, afirmou.

Brasil – Japão, uma geopolítica estratégica.

As relações entre Brasil e Japão estão em um momento de fortalecimento, tanto no âmbito econômico quanto geopolítico. O Japão é um dos parceiros comerciais mais importantes do Brasil na Ásia, sendo o terceiro maior destino de exportações brasileiras na região.

Em 2024, o comércio bilateral alcançou cerca de US$ 11 bilhões, com destaque para produtos como carnes, minérios de ferro e café verde. Durante a visita de Lula ao Japão, haverá negociações para abrir o mercado japonês para carnes bovinas e suínas brasileiras, além de discussões sobre a instalação de uma fábrica de semicondutores no Brasil.

Também é um dos maiores investidores estrangeiros no Brasil, com um estoque de US$ 36,1 bilhões em investimentos diretos em 2023. Esses investimentos abrangem setores como agronegócio, metalurgia, veículos e tecnologia. O Brasil busca reforçar sua presença no eixo asiático, e o Japão é visto como um aliado estratégico. A visita de Lula ao Japão inclui discussões sobre multilateralismo e ações para mitigar mudanças climáticas.

De seu lado, o Japão valoriza a relação com o Brasil, especialmente devido à grande comunidade nipo-brasileira, que fortalece os laços culturais e diplomáticos entre os dois países.

Geopoliticamente, o Brasil adota uma postura de equilíbrio, buscando diversificar suas parcerias internacionais, enquanto o Japão também se posiciona como um ator relevante, em questões de segurança e economia no Leste Asiático.

2 respostas a “Visita de Lula ao Japão e ao Vietnã”

  1. Avatar de Carlos
    Carlos

    ESSE GOVERNO REALMENTE SE PREOCUPA COM O PROGRESSO DESSE PAÍS. É TERMOS UM MUNDO MELHOR E MAIS HARMONICO,PARA TODOS. QUE A LUZ DIVINA E INFINITA DO CRIADOR NOS FORTALEÇA, NOS PROTEJA, E A TODOS QUE ESTÃO CONECTADOS À LUZ DA BONDADE. GRATIDÃO.

  2. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Agora entendi.Gostei!

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