
Felipe Nunes, da Genial/Quaest e Lula (Fotos: Reprodução)
O observador do cenário político no Brasil se depara, em nossos dias, com uma realidade que aponta para ângulos e focos variados, mas com avaliações que teorizam sobre conspirações muito prováveis. O presidente Lula tem conseguido surfar muitas ondas e atravessar outras tantas com a potente lancha do seu inegável prestígio internacional, amado por seus eleitores, na maioria gente dócil, e respeitado por quem o avalia sem preconceito.
Nesse conturbado contexto multifocal, o tabuleiro da verdade apresenta o Governo Lula trabalhando intensamente para reconstruir, digamos, o Brasil, com suas políticas sociais avançadas e a relevância do seu peso na geopolítica mundial. Bem assessorado na área econômica, tem conseguido contemplar interesses de múltiplas camadas da população brasileira, a partir das mais vulneráveis.
Tem obtido sucesso no comércio internacional, abrindo e ampliando – em nível milionário – mercados para a agricultura e a indústria do Brasil. Reativou todos os programas de apoio e cuidados; o atendimento emergencial e especializado de saúde; a ampliação e melhorias na educação; sucesso na questão ambiental. Tudo isso se soma no alforje do sertanejo.
Ah! Mas existem setores da população, voltados para o mercado de capitais e seus poderosos gestores, que revelam, em sucessivas pesquisas, que o governo está “ruim ou péssimo” em patamares de 30 a 40 por cento do universo de pessoas pesquisado. Pensei aqui comigo: Mas por que as pesquisas dão resultados preocupantes para Lula, num cenário real de tanto sucesso, com aumento do PIB, controle da inflação e das normas fiscais?
Ontem, um alento: O Instituto Datafolha publicou uma vasta pesquisa, na qual ficou clara uma recuperação da imagem do governo federal, da ordem de cinco pontos percentuais, de fevereiro para março. Estes dados positivos chegam poucos dias depois do Instituto Genial/Quaest trazer a público índices catastróficos sobre a popularidade de Lula.
Teorias e teorias
Aí sou forçado a citar as teorias da conspiração que apontam interesses político-econômicos dos institutos de pesquisa, “passando a brasa pra sua sardinha”. Tenho ouvido falar das várias cadeias de propriedade das empresas pesquisadoras, mas não vieram comprovações fiáveis que me permitam citá-las explicitamente.
Assim, seria um jogo de ganha-ganha: eu faço a pesquisa com 3.750 pessoas, representando os 220 milhões de brasileiros, e publico: ‘Lula está perdendo prestígio’. A grande mídia, na maior parte conivente, ecoa essa ‘verdade’ aos quatro ventos. Os políticos dessa teia de interesses sociais se aproveitam e tripudiam no Legislativo. Fica fácil concluir que todos esses têm interesses, principalmente econômicos, em comum. Mas, quem prova que está tudo combinadinho entre eles?
Nesse ponto, a conexão que faltava nessa rede de interesses comungados se torna evidente, quando o Brasil fica sabendo, no finzinho desta semana, que Ciro Nogueira conspira com a Faria Lima sobre formas de enfraquecer e vencer Lula, seja de que forma for, mas pode ser em 2026. Bom, aí não é mais teoria da conspiração é a própria conspiração anti-Lula.
Lula não teme desafios
O presidente Lula enfrenta um cenário político desafiador para as próximas eleições, com uma pesquisa mostrando empate técnico entre ele e o ex-presidente Jair Bolsonaro, em um eventual segundo turno de 2026, seguida de outra que mostrava claramente a vantagem de Lula em todos os cenários da eleição presidencial. A primeira, realizada pela Genial/Quaest, e a segunda pelo Instituto Datafolha.
Mas “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, como disse o jornalista Euclides da Cunha, no seu memorável livro “Os Sertões”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se cansa de mostrar serviço, assim, quem sabe, ele apareça mais real nas pesquisas. Esta semana, assinou um decreto, antecipando para abril e maio o pagamento do 13º salário para aposentados e pensionistas do INSS. Essa medida chega a 34,2 milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios. Talvez, uns milhares desses sejam entrevistados nas próximas pesquisas.
Essa semana, durante o evento “O Brasil dando a volta por cima,” que celebrou dois anos do governo atual, foram destacados programas sociais como Minha Casa, Minha Vida, valorização do salário mínimo e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também foi regulamentado o Fundo Social, que destinará recursos do pré-sal para o programa Minha Casa, Minha Vida. A lei orçamentária prevê R$ 18 bilhões para essa finalidade.
Para estimular o Empreendorismo, Lula lançou o ProCred 360, uma linha de crédito do Governo Federal que destina R$2 bilhões em empréstimos para microempreendedores. Como apoio ao trabalhador, anunciou esses dias, também, o crédito consignado para empregados de empresas privadas. Já foram liberados R$2,8 bilhões em empréstimos para mais de 452 mil trabalhadores. A propósito, o Brasil tem saldo recorde de 432 mil empregos com carteira assinada em fevereiro.
Mais um ingrediente nesse caldeirão de informações é o julgamento de Bolsonaro por acusações relacionadas à tentativa de golpe de Estado, que pode influenciar a percepção pública e impactar positivamente a confiança nas instituições democráticas.
Se for verdade o que dizem as pesquisas, que o eleitorado está dividido, a campanha de 2026 será marcada por debates intensos sobre programas sociais, economia e governança. Nesse campo, Lula pode brilhar.
Por que uma parte da população não se impacta por programas sociais?
Embora os programas sociais do governo Lula tenham alcançado milhões de brasileiros, há fatores que limitam seu impacto em grande parte da população. Um dos principais desafios é a desigualdade estrutural no Brasil, que exige soluções mais abrangentes para alcançar grupos que se sentem marginalizados. Além disso, a burocracia e a falta de acesso à informação sobre os benefícios sociais podem dificultar que pessoas elegíveis se inscrevam ou utilizem os programas.
Outro ponto é que, enquanto os programas sociais ajudam a aliviar a pobreza extrema, eles nem sempre promovem mudanças duradouras na qualidade de vida, como acesso à educação de qualidade ou oportunidades de emprego. Isso pode levar a uma falsa percepção de que os programas são paliativos, em vez de transformadores.
Mas, cá pra nós, a polarização política também influencia a forma como os programas são recebidos. Parte da população pode rejeitar iniciativas do governo por questões ideológicas, independentemente de seus méritos.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, vem com uma explicação: “o esforço de comunicação com o anúncio de novas medidas ainda não gerou os efeitos positivos na popularidade do governo”. Segundo ele, a tendência de queda se espalha de forma simétrica em todas as regiões do país, atingindo inclusive o Nordeste, onde Lula tradicionalmente apresenta maior apoio.
Para Nunes, a política brasileira em 2026 será marcada pela continuidade da influência do Centrão, pelo fortalecimento de novas lideranças de esquerda e por uma direita mais fragmentada e liderada por figuras como Tarcísio de Freitas.
Lula lidera nos cenários eleitorais para 2026
CENÁRIO 1
LULA (PT) – 30%
TARCÍSIO DE FREITAS (Republicanos) – 13 %
GUSTTAVO LIMA (Sem partido) – 12%
PABLO MARÇAL (PRTB) – 11%
CIRO GOMES (PDT) – 9%
ROMEU ZEMA (Novo) – 3%
RONALDO CAIADO (União Brasil) – 3%
CENÁRIO 2
LULA (PT) – 28%
GUSTTAVO LIMA (Sem partido) – 12%
PABLO MARÇAL (PRTB) – 12%
EDUARDO BOLSONARO (PL) – 11%
CIRO GOMES (PDT) – 10%
ROMEU ZEMA (Novo) – 5%
RONALDO CAIADO (União Brasil) – 3%
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