Efeitos de um “remédio muito bonito”
Atenção: Este artigo não tem a pretensão de ser um comentário econômico. Trata-se, apenas, de tentar compreender como está o passatempo dos milionários, que é investir na Bolsa, e se isso afeta nossa vida.

Acordei hoje com a mensagem alarmante do jornalista Leonardo Attuch de que chegamos ao momento decisivo de formação de uma “tempestade” no comércio de ações empresariais nas bolsas de valores do planeta Terra. Isso, que ele denomina de “uma grande crise”, deve atingir o mundo inteiro, como aconteceu em 2008. Mas qual a causa dessa nova crise? Tem muito analista econômico de gabarito afirmando que é o resultado da desastrada política econômica do presidente norte-americano, Donald Trump. Vamos, juntos, tentar entender melhor esse quadro, do ponto de vista de um trabalhador e de um país.
Ao observarmos um rápido panorama global da movimentação do dinheiro, é fácil constatar que os efeitos dessa ‘crise’ se espalham por todos os continentes. Mas, podemos afirmar que o causador dessa inquietude econômica é o presidente Trump e sua nova política anti-globalização? Ou é o glorioso avanço do mundo multipolar que impele a todos?
Economistas, digamos, neutros, são cautelosos e unem essas duas hipóteses. Eles dizem que a crise econômica atual não pode ser atribuída exclusivamente à política de Donald Trump, embora ele tenha deflagrado. Ela é resultado de uma combinação de fatores globais e locais, como mudanças nas políticas comerciais, impactos (ainda) da pandemia de COVID-19, flutuações nos mercados financeiros e tensões geopolíticas.
Já os analistas de esquerda entendem que a crise atual é, mesmo, um sintoma da grave “doença” do capitalismo, na atualidade. E, dentro dessa crise, paira uma séria ameaça à globalização das economias, que vinha sendo considerada o melhor caminho para a justiça social no mundo. Como contraponto a esse quadro preocupante, só resta aos democratas do planeta abraçar os BRICS+.
Crise atinge a todos
Embora as tarifas e políticas comerciais implementadas durante o governo Trump tenham gerado debates acalorados sobre seus efeitos na economia global, é importante considerar que crises econômicas geralmente têm seu apogeu em causas multifacetadas e envolvem decisões de vários governos e eventos externos.
Se as causas da presente crise têm múltiplas origens, a estudar, seus efeitos são previsíveis e desastrosos. É preciso os governos estarem atentos para estabelecerem cuidados voltados a como ela afeta o dia-a-dia das populações.
A queda nas bolsas de valores pode impactar o dia-a-dia das populações de várias maneiras, mesmo para quem não investe diretamente em ações. Ela afeta diretamente a economia porque, quando as bolsas caem, isso pode indicar uma desaceleração econômica global ou local. Em eventos como esse que vivemos, muitas empresas podem enfrentar dificuldades financeiras, reduzindo investimentos e até cortando empregos.
A queda pode, também, resultar no aumento dos preços e, ainda, levar a uma alta do dólar e de outras moedas estrangeiras, o que também encarece produtos importados e afeta o custo de vida. A instabilidade do mercado leva à perda na confiança do consumidor e à insegurança entre investidores, que resultam numa redução no consumo e nos investimentos, afetando o crescimento econômico.
Um dos efeitos mais sentidos pela população é, também, o impacto que a queda nas bolsas tem nos fundos de pensão e de investimentos. Para quem tem dinheiro investido em fundos de pensão ou ações, essa queda pode significar perdas financeiras, afetando planos futuros.
Podemos dar graças pelo fato de termos um governo democrático e focado no sucesso econômico. Daí, o país ter condições de resolver o social. Hoje, o Brasil é uma das dez maiores economias do mundo, líder em crescimento entre as nações; tem a inflação controlada, caminha para o pleno emprego; recebe trilhões em investimentos externos e está acabando com a fome. Sem contar com os programas sociais que são exemplos para o mundo, nos âmbitos da habitação, saúde, educação, renda e outros.

White House
Remédio ‘bonito’, na verdade, é feio.
Enquanto tentamos traçar um quadro realista desse grande episódio econômico, o presidente dos EUA explica seu tarifaço sobre os tradicionais parceiros comerciais globais, empregando uma frase simplória: é um “remédio muito bonito”, diz ele.
As principais bolsas europeias abriram esta semana em queda livre, seguindo a tendência das praças asiáticas, devido à inflexibilidade de Donald Trump sobre as tarifas impostas aos parceiros comerciais dos EUA, na semana passada.
A Bolsa de Lisboa abriu esta segunda-feira em forte queda, com o índice PSI (Portuguese Stock Index) caindo 5,26%. Já o EuroStoxx 600 recuava mais de 5% e as bolsas de Londres, Paris e Frankfurt desciam 4,58%, 5,78% e 6,58%, respectivamente, enquanto as de Madrid e Milão se desvalorizavam 5,51% e 6,90%. A bolsa de Frankfurt chegou a recuar mais de 9%.
Sem muito o que fazer, os europeus atacam Trump com “contramedidas” de 26 bilhões de euros.
Na Ásia, o índice de referência da Bolsa de Valores de Taipé, o Taiex, afundou 9,7%, a maior queda diária da sua história, refletindo o pânico dos investidores, em decorrência das taxas impostas por Washington sobre produtos taiwaneses.
As empresas tecnológicas foram as que mais perderam no dia. As perdas da TSMC, a maior fabricante de chips do mundo, significam que as ações da empresa caíram 25,3% desde o seu máximo histórico em 22 de janeiro, representando uma queda de 7,4 bilhões de dólares de Taiwan (cerca de 203 bilhões de euros), em valor de mercado. Isso é resultado da nova rodada de “tarifas recíprocas” de Trump contra vários países e territórios, incluindo Taiwan – a quem será aplicada uma taxa de 32%, a partir de quarta-feira.
Como a atual crise financeira se compara às passadas?
As crises financeiras têm características únicas, mas também compartilham padrões. Comparando crises passadas, como a de 2008, com outras mais recentes, como a de 2020, algumas diferenças e semelhanças se destacam:
A crise financeira de 2008, também conhecida como a Grande Recessão, foi desencadeada por uma combinação de fatores interligados. Um dos mais importantes foi a bolha imobiliária nos Estados Unidos. Houve uma supervalorização dos imóveis, impulsionada por empréstimos fáceis e acessíveis, mesmo para pessoas com baixa capacidade de pagamento.
Mas, práticas financeiras de alto risco também contribuíram para a recessão. Bancos e instituições financeiras procuraram dar segurança a essas hipotecas, transformando-as em produtos financeiros complexos e arriscados, que foram vendidos globalmente. A ausência de uma supervisão rigorosa permitiu que práticas arriscadas se proliferassem, aumentando a vulnerabilidade do sistema financeiro.
A gota d’água para que a grande crise se alastrasse foi a quebra do Lehman Brothers. O colapso deste banco, um dos maiores dos EUA, foi um marco que intensificou a crise, gerando pânico e um efeito dominó nos mercados globais. Como os mercados financeiros se conectam, isso fez com que a crise se espalhasse rapidamente para outros países, afetando economias ao redor do planeta.
Foram necessárias respostas governamentais, no mundo todo. Em 2008, os bancos centrais focaram em salvar instituições financeiras. Em 2020, as medidas incluíram estímulos diretos à população e empresas para mitigar os efeitos da paralisação econômica.
A recuperação após 2008 foi lenta, especialmente em países como o Brasil. Já em 2020, a recuperação foi desigual, com setores como tecnologia prosperando, enquanto outros, como turismo, ainda enfrentam dificuldades.
Enfim, querid@s leitor@s, é grande a expectativa com o desenrolar desse tema do crash das bolsas no mundo, nesses próximos dias. Esperemos que o Brasil continue blindado e nosso quinhão do tarifaço não ultrapasse os 10%.



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