
Aqui e agora
Assim como matraqueia a metralha
nos distantes rincões em batalha,
outras batidas pulsam, nas portas,
e a fé com amor expulsa com rigor
a inglória humana sem fragor.
Nessa nação capitães de mão cheia
mentem, rementem e não titubeiam
mas se mostram nas frestas e
se borram nas festas que ainda fazem
volta e meia.
Capitães que por lá defendem
chãos e mares como cães
Capitães que por cá ofendem
a dignidade de pais e mães.
Cá como acolá
Cabeças calvas ou alvas se unem
sem vacilos vazios e punem
e fazem os frouxos chorar.
Glória, glória pascal!
Que a esperança ressuscita
A boca sorri e a alma grita
Comemorando o fim do Mal.
20/04/2025 – Domingo de Páscoa
A má metrópole
Na cidade ensandecida sucumbe ao sono sentado,
quem sabe o pouso ser um ato justo de fato
pra Maria descalça e pro José sem sapato.
E o rei de ouros, apoiado no rei de paus,
segura a alça do caixão, montado de madeira da queda criminosa
de um pé plantado outrora.
Vítima da voraz violência, que na cadência de um rock
varre vastos vergéis verdejantes,
cospe, esmurra, espicaça a voz vacilante
(e se fosse enérgica?)
do silencioso ser caminhante.
Eu, nós, você
ardentes de amor viventes
porém pisantes pobres de poder pra pedir pra parar
a estúpida marcha da guerra
exigir construir a paz
e parar a destruição da terra.
8/10/81

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