Mais um pouco, dos tempos de Luanda.

BRUMAS AO VENTO
Meu grão de amor!
Que do íntimo revoa até ti,
Meu grande amor!
Foi-se o tempo do medo,
Do oculto, do mistério, do segredo.
Do vulto que era uma camisa ao vento noturno.
Já não sou mais soturno,
A fé é meu alento pra viver
Já não morro de medo
Do medo de morrer.
Vem o tempo da alegria, amor e magia,
A noite dá lugar ao dia, o sol já nos guia
Descalço o coturno, vou à praia,
da noite não quero ser um ser.
E desfruto do viver essa magia
Na sublime alegria de viver.
As brumas se vão na escuridão.
A luz já nos conduz, ao céu limpo
do vapor dissipado, a névoa
vai pr’Oeste no ar, na imensidão.
E eu? Como me sinto?
Inspiro fundo o alento
Das brumas que se vão ao vento,
Nesses dias de Verão.
Luanda, 26/01/09
– – –

ÍNDIGO
De mim pra você digo,
de mim pra mim também digo
Sua suave presença índigo
sua doce imagem simbolizada é
pronta e acabada naquela manta
blue, tão macia, índigo que você comprou…
Vejo também você, deep azul,
no tapetinho ao pé de nossa cama
tão belo, blue, que a gente ama.
E de mim pra mim digo,
diáfana imagem de mulher índigo,
que aqui mesmo na cama lhe vejo,
lhe sinto na colcha índigo de sóis marinhos
e me embrenho em meio aos lençóis
e fronhas do meu amor azul.
Luanda 24/02/09

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