

Reunião preparatória do Fórum Parlamentar do Brics. Foto: Roberto Stuckert
Relevante no cenário mundial, nosso País se prepara para receber, em junho, um grande fórum de parlamentares dos países que compõem o Brics, todos voltados para o propósito de se aproximar e se articular mais com os interesses das populações. No mês seguinte, a 17ª Reunião de Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro, fará a roda do mundo girar, independente da vontade dos tradicionais “donos”, que parecem estar se afundando em equívocos econômicos e geopolíticos. O Brasil já sediou outras três reuniões, nos anos de 2010, 2014 e 2019.
O Palácio do Congresso Nacional sediará, de 3 a 5 de junho de 2025, o 11º Fórum Parlamentar do Brics. O encontro, organizado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, reunirá delegações parlamentares dos países membros e das nações parceiras. Ao todo, foram convidadas 31 casas legislativas e cerca de 150 parlamentares de outros países, além do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e da União Interparlamentar (UIP).
A coordenação do evento, pela Câmara dos Deputados, está a cargo do deputado Fausto Pinato, designado pelo presidente Hugo Motta. Na quinta-feira (24), Pinato participou da II Reunião de Sherpas do Brics, no Rio de Janeiro, para comunicar o Fórum Parlamentar no âmbito da presidência brasileira.
Os sherpas são enviados especiais dos chefes de Estado/governo dos membros do Brics, com a responsabilidade de conduzir as discussões rumo à Cúpula de Líderes, prevista para os dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.
É relevante a união de parlamentares do Brics
Segundo informa a Agência Senado, o 2º vice-presidente da Casa, senador Humberto Costa (PT-PE), participou quinta-feira (24) de uma reunião preparatória para o Fórum Parlamentar do Brics. O evento ocorreu no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro (RJ). O presidente da Frente Parlamentar do Brics na Câmara, deputado Fausto Pinato (PP-SP), também participou da reunião, que teve como foco as propostas da sociedade civil para os negociadores dos países membros do bloco.
Em seu discurso, o senador lembrou que o Brics responde por cerca de 39% do PIB mundial. Ele reconheceu que, hoje, há ameaças marcantes para as relações comerciais multilaterais entre os países. Para Humberto, porém, esses desafios ressaltam a responsabilidade dos parlamentares e a importância do Brics em relação à sociedade. Ele disse que o bloco desponta com relevância global, em termos políticos, diplomáticos e econômicos.
Segundo Humberto Costa, o Fórum Parlamentar do Brics é o espaço adequado para os parlamentares tratarem de temas importantes para os países como harmonização regulatória, financiamento de sistemas, aceleração de aprovação de medicamentos e tecnologias, modelos de leis para assuntos estratégicos e articulação direta de parlamentos com órgãos de saúde, entre outros.
Na visão do senador, as demandas mundiais exigem ações rápidas e eficientes dos parlamentos. Ele definiu as mudanças climáticas e a reforma do Conselho de Segurança da ONU como desafios que os parlamentares precisam enfrentar. Humberto ainda afirmou que o Parlamento brasileiro estará de “braços abertos” para receber as comitivas no próximo mês de junho, quando o fórum será realizado.
— O Fórum Parlamentar do Brics pode contribuir com os debates sobre soluções pacíficas de conflitos, participação do sul global nos processos de paz e intercâmbio parlamentar para uma governança inclusiva — declarou.

Wang Yi, recebido pelo assessor especial Celso Amorim. Foto: Divulgação
Chanceler chinês fala em equidade e justiça
Segundo a agência de notícias chinesa Xinhua, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, pediu, terça-feira, que os países do Brics “se mantenham firmes em seus princípios e atuem como a principal força na salvaguarda da equidade e justiça globais, diante do hegemonismo”.
Wang, também membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, fez esse apelo durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores dos países membros e parceiros do BRICS, realizada no Rio de Janeiro, Brasil.
Durante a reunião, presidida pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira, os chanceleres e representantes de alto nível discutiram o fortalecimento da cooperação do Sul Global e a defesa do multilateralismo.
Wang afirmou que o presidente chinês, Xi Jinping, realizou na terça-feira uma visita especial à sede do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, enviando um forte sinal de apoio firme da China à instituição: “A China espera que o banco e a família do Brics avancem juntos no caminho da modernização. Diante do hegemonismo, os países do Brics devem manter-se firmes nos princípios e atuar como a força principal na defesa da justiça e equidade”, disse ele, acrescentando:
Em primeiro lugar, proteger o papel central das Nações Unidas. O Brics+ “deve continuar a defender a ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados, proteger o sistema de comércio multilateral e construir um sistema de governança global mais justo e equitativo”, disse Wang.
Prioridade pela Paz
Em segundo lugar, promover a solução pacífica de disputas. Wang afirmou que os países do Brics devem avançar com a visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável, mantendo-se comprometidos com a resolução de disputas e divergências por meios pacíficos.
Ele observou que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional, especialmente com os países do Brics, para construir um consenso internacional sobre uma solução política para a crise na Ucrânia.
Os países do Brics apoiam o plano de recuperação e reconstrução de Gaza endossado por países árabes e islâmicos e defendem firmemente o princípio de que “os palestinos governem a Palestina”, afirmou Wang.
Em terceiro lugar, fomentar um ambiente internacional aberto e cooperativo.
Wang disse que os membros do BRICS devem manter as portas escancaradas e estender as mãos aos países parceiros para que se integrem profundamente ao bloco e participem plenamente da cooperação.
Os chanceleres presentes na reunião concordaram que, diante do aumento das tensões geopolíticas e da ascensão do protecionismo, a prioridade urgente é defender o multilateralismo, aderir aos propósitos e princípios da Carta da ONU e proteger o papel central das Nações Unidas no sistema internacional.
Eles também expressaram preocupação de que as “tarifas recíprocas” possam prejudicar as cadeias globais de suprimentos e aumentar a incerteza no cenário internacional.

Chanceler brasileiro Mauro Vieira, recebendo Sergey Lavrov. Foto: Divulgação
Chanceleres avaliam a geopolítica
A reunião também incluiu uma sessão ministerial estendida com representantes dos estados parceiros do BRICS (Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão). A decisão de estabelecer esta categoria foi tomada na cúpula da associação em Kazan, em outubro de 2024.
Participante da reunião de Chanceleres do Brics, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, participou da profunda troca de pontos de vista sobre uma ampla gama de questões atuais na agenda internacional. Os ministros discutiram o desenvolvimento da cooperação dentro do Brics e os preparativos para a próxima 17ª Cúpula da associação, nos dias 6 e 7 de julho. Foi confirmado o compromisso de continuar o trabalho em todas as três áreas principais da parceria estratégica: nas áreas de política e segurança, economia e finanças, cultura e laços humanitários.
Os participantes da reunião se manifestaram a favor do fortalecimento do multilateralismo, da manutenção do papel central da ONU na manutenção da paz e da segurança, da garantia do desenvolvimento sustentável, assim como da combinação de esforços para combater as mudanças climáticas.
Discussões interessantes ocorreram sobre o estado e as perspectivas de reforma do sistema internacional com o objetivo de garantir segurança justa e igualitária, desenvolvimento sustentável e crescimento econômico de longo prazo para todos os estados, sem exceção.
O Ministro destacou a necessidade de esforços conjuntos, visando garantir o desenvolvimento sustentável dos países do Sul e do Leste Global e reduzir o potencial de conflito em diversas regiões do mundo. Neste contexto, foi enfatizada a relevância do conceito de uma nova arquitetura de segurança igualitária e indivisível na Eurásia, apresentado pelo presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin.
Na pauta, terras degradadas
Na mesma linha de pensar uma governança mundial centrada no interesse das maiorias, os ministros da Agricultura dos países do BRICS promoveram encontro preparatório, em Brasília, com foco na recuperação de terras degradadas e combate à fome. Eles discutiram ações conjuntas em sustentabilidade, inovação e comércio agropecuário, entre os países do grupo.
Outro ponto central da reunião foi a finalização do Plano de Ação 2025–2028, que vai orientar a cooperação agrícola entre os países do bloco, nos próximos quatro anos.

Brics
O Brics é um grupo internacional formado por 11 países: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Índia, Indonésia, Irã e Rússia. O grupo atua como fórum de articulação político-diplomática e de cooperação entre países do chamado “sul global”. A Arábia Saudita foi admitida como membro pleno, mas ainda não aceitou formalmente o convite.
A origem do nome do grupo é atribuída ao economista britânico Jim O’Neill, que criou o acrônimo “BRIC”, em 2001, para se referir a quatro países que mostravam potencial de investimento para o futuro: Brasil, Rússia, Índia e China. O grupo foi estabelecido formalmente em 2009. Com o ingresso da África do Sul, no ano seguinte, foi acrescentada a letra S ao nome.


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