Apagão foi ciberataque? Profecia? Especulações permanecem.

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Como todos se lembram, agora no final de abril, partes da Europa enfrentaram um apagão elétrico generalizado que durou mais de 12 horas, afetando países como Portugal, Espanha, França, Finlândia e Andorra. O acontecimento foi traumático e levantou discussões sobre a vulnerabilidade dos sistemas elétricos e o impacto que um apagão global poderia ter na sociedade moderna. Nesse mundo com a geopolítica tão conturbada por desacordos comerciais, guerras e desentendimentos gerais – exceto pelo crescimento dos BRICS -, logo surgiu a especulação de que o desastre foi causado por algum grupo mal-intencionado, através de um ciberataque.

Embora a possibilidade de um ciberataque não tenha sido completamente descartada, até o momento não há evidências concretas que confirmem essa hipótese como causa do apagão que deixou parte da Europa às escuras, na segunda-feira passada. Nem mesmo as outras causas possíveis têm confirmação, mas pode ser até uma causa bem prosaica, como a que atingiu a rede elétrica de Portugal, em 9 de maio de 2000 – um casal de cegonhas escolheu um poste de distribuição para proteger seus filhotes, mas uma das aves se chocou com um cabo.

Quanto ao sério apagão da semana passada, as investigações continuam e as autoridades mantêm todas as possibilidades em aberto, até que obtenham conclusões definitivas sobre a causa do apagão que transtornou por completo a vida normal, em grande parte da Europa. Ah! para acalmar os místicos que temem três dias de escuridão, na verdade, na Bíblia não há qualquer profecia a respeito nem outra que possua grande credibilidade.

Todas as hipóteses são investigadas

Hoje, oficialmente, o Governo espanhol disse que não exclui ataque cibernético como causa do apagão. Na entrevista à televisão pública espanhola – TVE, a ministra da Transição Ecológica da Espanha, Sara Aagesen, adicionou mais um dado ao que se sabia, nessa lenta investigação. Ela revelou uma terceira anomalia como a primeira parte do episódio que levou à pane na rede. Essa terceira anomalia teria acontecido 19 segundos antes do apagão.

Segundo ela, houve uma anomalia “no sul de Espanha e as outras duas ocorreram no sudoeste”. O sistema elétrico resistiu ao primeiro incidente, mas acabou por ir totalmente abaixo após as duas anomalias seguintes, registradas só 5 segundos antes da falha.

A ministra destacou que as empresas de eletricidade que operam na Península Ibérica – como as espanholas Endesa e Naturgy e a portuguesa EDP – “nunca advertiram” o governo de Madrid de que “algo assim podia acontecer”. “Não estávamos conscientes”, confessa, informando que “o comitê de análise continua a trabalhar para identificar a causa, isolá-la e implementar todas as medidas necessárias para que não volte a acontecer”.

A ministra advertiu que mantém em aberto a possibilidade de que tenha ocorrido um ataque cibernético, mas disse entender que serão necessários “muitos dias” para que se conheça a origem do grande apagão na Península Ibérica que paralisou todo o oeste do continente europeu.

Porém, numa entrevista ao El País, a mesma Sara Aagesen, que também é vice-presidente do Governo da Espanha, admitiu a possibilidade de o apagão de segunda-feira ter sido causado por uma anomalia nas instalações fotovoltaicas, localizadas no sudoeste da Espanha, como já tinha sido mencionado pelo operador da Rede Elétrica Espanhola – REE.

Ao final, advertiu que será ainda necessário algum tempo até que se possa saber a causa exata do apagão. “Estamos a falar de muitos dias, – disse, explicando que “todas as hipóteses estão em aberto, incluindo a de um ataque cibernético”.

A ministra da Transição Ecológica da Espanha, Sara Aagesen. Foto:Divulgação

Equilíbrio de oferta de energia com o consumo

Sobre outra causa apontada de início – o papel que as energias renováveis poderiam ter desempenhado no apagão -, a ministra revelou: “até o momento, não sabemos quais foram as instalações de geração que deixaram de estar no sistema”.

– Falar sobre energia solar fotovoltaica pode ser precipitado porque, no mapa, podemos ver as diferentes tecnologias de geração em cada área. Mas há, sim, uma grande quantidade de energia solar fotovoltaica no sudoeste da Espanha – disse a ministra, garantindo também que “é simplista apontar as energias renováveis como a origem do incidente porque não são inseguras em si”.

Imediatamente após o grande apagão, vários especialistas sugeriram que o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de eletricidade seria a causa do incidente. Resolver isso parece ser mais difícil do que corrigir apenas uma falha tecnológica. Adequar na rede a quantidade ideal de energia fotovoltaica, da eólica e da solar é mais importante, porém, seria mais demorado.

“As energias renováveis estão dando à Espanha a possibilidade de alcançar uma independência energética muito importante, num mundo geopoliticamente vulnerável. Ter sua própria energia é fundamental”, disse a ministra.

O aperfeiçoamento das interconexões com países vizinhos, como a França, também poderia contribuir para a estabilidade da rede, conforme os especialistas citados pela agência AFP. Tanto, que a ministra considerou, na entrevista de domingo, que, com esse apagão, “chegou o momento de a França tomar consciência de que as interconexões têm de ser feitas, sim ou sim”, para tornar mais segura a rede elétrica da Península.

Entretanto, especialistas alertam que eventos como guerras, falhas críticas na infraestrutura elétrica e fenômenos espaciais, como explosões solares, poderiam causar interrupções significativas no fornecimento de energia.

Como seria um apagão mundial?

Fica fácil para nós imaginarmos que, se um apagão mundial ocorresse, os efeitos seriam devastadores. Hospitais perderiam acesso a equipamentos essenciais, sistemas de comunicação ficariam inoperantes, e o abastecimento de água e alimentos seria severamente comprometido. Além disso, a economia global sofreria um colapso, com fechamento de empresas e perda de empregos em larga escala.

Felizmente, medidas de preparação e alternativas energéticas podem minimizar os impactos de apagões prolongados.

O que se fala sobre a causa

Como foi o apagão: O evento foi o resultado da perda súbita de 15 gigawatts de geração elétrica — cerca de 60% do consumo na Espanha naquele momento —, afetando também partes do sul da França e da Europa Central.

El País

Investigação judicial: A Audiência Nacional da Espanha (Procuradoria) abriu uma investigação para apurar se houve ciberterrorismo ou sabotagem digital. O juiz responsável solicitou relatórios à Red Eléctrica de España (REE), ao Centro Criptológico Nacional e à polícia, com prazo de 10 dias para entrega.

Cadena SER

Posição das operadoras: A REE e a operadora portuguesa REN descartaram, até o momento, que o apagão tenha sido causado por um ciberataque. A REE atribuiu o incidente a uma desconexão no sudoeste da Espanha, enquanto a REN mencionou oscilações elétricas originadas na Espanha que afetaram Portugal.

Reuters

Grupos hackers reivindicam o ataque: Cibercriminosos pró-Rússia, como Dark Storm Team e NoName057, alegaram envolvimento no apagão, nas suas postagens em redes sociais. Mas essas reivindicações não foram confirmadas por evidências concretas, já que autoridades espanholas e portuguesas não encontraram indícios que sustentem essas alegações.

ElHuffPost

Outras hipóteses: Também foram consideradas causas como falhas técnicas, fenômenos meteorológicos e incêndios em linhas de alta tensão no sul da França. Contudo, essas possibilidades foram descartadas por autoridades locais e pela RTE, operadora francesa de energia.

Sem hipóteses religiosas ou místicas

Não é raro que as matérias a respeito mencionem uma profecia ou previsão concreta de que um apagão elétrico global vá acontecer em breve. A Bíblia, em seus textos canônicos, não contém uma profecia explícita sobre “três dias de escuridão” como um evento futuro escatológico. No entanto, essa ideia tem raízes em interpretações místicas e tradições extra canônicas, especialmente dentro de certos círculos cristãos e católicos místicos.

Enfim, vamos aterrissar nossas suposições. Não há base bíblica direta para uma profecia de três dias de escuridão como um evento do fim dos tempos. A crença vem de tradições místicas e revelações privadas, que não têm o mesmo peso doutrinal que as Escrituras no Cristianismo tradicional.

O que a Bíblia diz

Êxodo 10:21-23: Relata um episódio de três dias de escuridão como uma das pragas lançadas sobre o Egito:

“Estende a mão para o céu, para que haja trevas sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar (…) houve densas trevas em todo o Egito por três dias.”

Mas esse evento foi histórico, no contexto da libertação dos hebreus do Egito, e não é apresentado como profecia futura.

Mateus 24, Apocalipse, Joel 2 e outros textos apocalípticos falam de sinais nos céus, como o sol escurecendo ou a lua se tornando sangue, mas sem menção específica a três dias de escuridão.

Origem da crença nos “três dias de escuridão”

A ideia ganhou força principalmente através de revelações privadas e visões místicas, como:

Beata Ana Maria Taigi (século XIX): A mística italiana falou em uma revelação sobre “três dias de completa escuridão”, durante os quais os ímpios seriam punidos.

Padre Pio (controverso): Algumas cartas atribuídas a ele mencionam esse evento, embora a autenticidade dessas mensagens seja debatida.

Outros videntes católicos também falaram sobre os “três dias”, geralmente em tom apocalíptico e com exortações à fé e à penitência.

One response to “Apagão foi ciberataque? Profecia? Especulações permanecem.”

  1. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Que mundo é esse?

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