Lula comemorou derrota do nazismo na Rússia


Putin recebe Lula. Foto: GOVBR
Mais uma vez, o líder brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva representa nossa nação num grande evento mundial: desta vez, foi a comemoração da vitória das tropas russas contra a máquina de guerra nazista, de Adolf Hitler, que ameaçava o mundo com uma ditadura sanguinária, pondo um fim na Segunda Guerra Mundial. A vitória representou a supremacia da Democracia sobre o extremismo de direita e foi mérito exclusivo da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, hoje conhecida como Rússia. Convidado de destaque, por ser presidente do BRICS+, Lula demonstrou prazer em estar na festa do Dia da Vitória contra o Mal, em Moscou.
O dirigente brasileiro aproveitou a viagem para conversar com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre diversos problemas da atualidade mundial. Esses pontos refletem a complexidade das relações internacionais e deixa clara a posição do Brasil em um mundo em constante mudança.
Na recente visita de Lula a Moscou, diversos assuntos importantes foram discutidos entre ele e Putin. Os principais tópicos abordados foram: 1 – as Relações Bilaterais, destacando a importância da parceria estratégica entre os dois países; 2 – a Guerra Comercial em curso, abordando como isso afeta as economias de ambos os países e a necessidade de cooperação para enfrentar desafios globais; 3 – a Independência da Política Externa, no qual Lula enfatizou a busca por uma política externa independente do Brasil, visando a mostrar que o Brasil está aberto a parcerias diversificadas; 4 – o Momento Histórico, como Lula descreveu o encontro, ressaltando a importância de dialogar com líderes globais e a relevância do Brasil no cenário internacional.
Durante a visita, também aconteceram reuniões com autoridades russas e a assinatura de acordos bilaterais em áreas como ciência, tecnologia e comércio. O presidente russo, Vladimir Putin, ofereceu um jantar a autoridades e convidados internacionais, no Grande Palácio do Kremlin, em Moscou, durante a comemoração dos 80 anos da vitória. Na oportunidade, ele fez um brinde: À prosperidade dos nossos países e povos’.

A celebração do Dia da Vitória
Sob o governo de Vladimir Putin, as celebrações do Dia da Vitória se tornaram maiores e mais importantes. Mais de 20 líderes estrangeiros aceitaram o seu convite para participar, no 9 de maio, das celebrações do aniversário de 80 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial.
Entre os nomes que desembarcaram na capital russa para as festividades estão o chinês Xi Jinping e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois da comemoração, o líder brasileiro seguiu para Pequim, para uma visita de Estado à China e participação no IV Fórum China-CELAC entre 12 e 13 de maio.
O convite da Rússia para participar do chamado Dia da Vitória, celebrado todos os anos em diversas partes do país, também foi acolhido por outras lideranças de países do chamado Sul Global, como os chefes de Estado de Cuba, Sérvia, Eslováquia, Indonésia e das ex-repúblicas soviéticas.
Para especialistas em política externa russa, Putin usa a data comemorativa para incitar o patriotismo entre sua população, ao mesmo tempo em que busca mostrar ao resto do mundo que não está isolado e vem fortalecendo sua posição como liderança alternativa ao Ocidente.
“Para a Rússia, nesse momento, é muito importante demonstrar que existem países que aderem à sua órbita de influência”, avalia Gulnaz Sharafutdinova, diretora do Instituto Rússia da King’s College London. “E a orientação em relação ao Sul Global encaixa na narrativa do Kremlin de se posicionar como uma alternativa ao Ocidente imperialista”, completa.
Comemoração de um ‘passado vitorioso’
O principal evento em torno do Dia da Vitória é o desfile militar na Praça Vermelha. Sob o governo de Vladimir Putin, a partir de 2008, a parada passou a ser anual e se tornou uma demonstração de força das tropas e equipamentos militares, além de uma chance de lembrar os sacrifícios da 2ª Guerra Mundial.
O resgate do passado, aliás, é uma parte central da data para o Kremlin, explica Sergey Radchenko, historiador e professor da Universidade Johns Hopkins.
“O 9 de maio é um feriado importante na Rússia e um momento simbólico para Putin”, diz. “Quase nada na história russa se compara à forma como a vitória na 2ª Guerra Mundial é vista no país.” Segundo Radchenko, o momento é utilizado para canalizar o sentimento patriótico da população e difundir a imagem de uma Rússia vitoriosa e poderosa — algo que se tornou ainda mais importante para o governo, desde o início da guerra contra a Ucrânia.

Soldados soviéticos empilham objetos capturados dos alemães em Murmansk, na Rússia. Crédito: Getty Images
Parte do mundo desfilou no Dia da Vitória
Os líderes nacionais que compareceram, este ano, foram de: China, Brasil, Venezuela, Cuba, Sérvia, Eslováquia, Laos, Mongólia, Azerbaijão, Vietnã, Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão, Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, Guiné-Bissau, Egito, Zimbábue, Congo, Mianmar, Palestina, Guiné Equatorial e Etiópia.
Entre os países que enviaram altos representantes, estão: Índia, Nicarágua e África do Sul. E as nações que enviaram veteranos para representá-los foram: Armênia, Israel, Mongólia e Estados Unidos.
Os Exércitos que desfilaram nos festejos deste ano foram: China, Azerbaijão, Vietnã, Bielorrússia, Egito, Cazaquistão, Quirguistão, Laos, Mongólia, Mianmar, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão.
A esquerda venceu o nazismo
Há 80 anos, à meia-noite de 8 para 9 de maio de 1945, os canhões silenciaram na Europa, pela primeira vez desde 1939. Estava encerrada a mais sangrenta guerra de todos os tempos. A grande vítima e o grande vitorioso do conflito foi o socialismo. A União Soviética perdeu mais de 24 milhões de pessoas, os Estados Unidos, cerca de 500 mil combatentes e a Alemanha teve cerca de 40 milhões de mortos.
Os gritos de Adolf Hitler, tomado por um acesso de cólera, eram a expressão do desastre causado pela sua ordem de manter o 6º Exército ao redor da simbólica cidade soviética de Stalingrado: “Não deixarei o Volga! Não sairei de lá!”. Mas a derrota nazista naquele local já era um fato decisivo, representou uma reviravolta na Segunda Guerra Mundial e um êxito incalculável dos comunistas em todo o planeta.
A reação contra os nazistas se consolidou em janeiro de 1942, quando o Exército Vermelho lançou a ofensiva geral. Em uma ampla frente e em alguns setores avançou mais de 400 quilômetros para o ocidente, afastando o monstro nazista que rosnava às portas de Moscou. Com isso, os comunistas soviéticos, a caminho da vitória, ganharam enorme prestígio internacional. Foi gigantesca a importância militar e política, pois, pela primeira vez durante toda a guerra, o exército nazista sofria uma séria derrota.
Poucos meses antes, em 7 de novembro de 1941 – 24º aniversário da revolução socialista de 1917 -, o líder revolucionário Josef Stálin dissera ao Exército Vermelho e aos guerrilheiros comunistas que o mundo via neles “a força capaz de destruir as hordas rapaces dos invasores alemães”.
O ditador Adolf Hitler tinha determinado que, a partir de 2 de outubro, seria desencadeada uma grande ofensiva. Seu nome, em código era Tufão, um verdadeiro ciclone que devia abater-se sobre os soviéticos, destruindo as últimas forças combatentes em Moscou e aniquilando a pátria do socialismo.
Mas aquele estardalhaço não adiantou em nada. Os soviéticos, com o lema “Tudo para frente, tudo para a vitória!”, estavam conscientes do que representava aquela guerra. Esse lema e o ânimo dos guerreiros eram exemplos do elevado moral comunista; motivaram os Estados Unidos e a Inglaterra a declarar, em 22 de junho de 1941, que estavam dispostos a prestar ajuda à União Soviética, diante da passividade das potências ocidentais. Mas, até então, para a Europa e seu aliado norte-americano, o problema de Adolf Hitler era com os soviéticos.

Lula desembarca em Moscou com honras militares.
Uma ameaça ao mundo, por escrito.
Em janeiro de 1933, quando se tornou chanceler alemão, Adolf Hitler já havia publicado sua plataforma política. Era o livro Mein Kampf (Minha Luta), um best-seller que, naquele tempo, contava com mais de um milhão de exemplares vendidos. Nele, estavam claras as ideias do novo chanceler alemão: ódio aos comunistas, aos judeus, aos eslavos, aos proletários e todas as minorias que ele discriminava. A vendagem dessa obra nazista foi enorme. “Com exceção da Bíblia, nenhum outro livro foi tão vendido durante o regime nazista”, escreveu William L. Shirer, no livro Ascensão e Queda do 3° Reich, parcialmente traduzido para o português pelo histórico dirigente do Partido Comunista do Brasil, Pedro Pomar.
Na obra, Hitler expôs com clareza o modelo de governo que ele queria implantar na Alemanha. A “nova ordem” que o líder nazista pretendia impor ao mundo tinha no Estado de seu país — que um dia se tornaria “o soberano da terra” — o alicerce para uma ditadura absoluta. A “nova ordem” nazista também teria uma “ideologia universal”. Para tanto, segundo Minha Luta, a Alemanha deveria ajustar contas com a França, “o inexorável e mortal inimigo do povo alemão”.
O cruel e sanguinário líder nazista estava dizendo, nas entrelinhas, que a Alemanha tinha como alvo final a União Soviética: “A Alemanha deve expandir-se para o Leste, em grande medida às custas da Rússia”, escreveu. Ele perseguiria esse objetivo até à morte.
Estabeleceu-se, então, a estratégia nazista: Antes de tudo, era preciso aniquilar a França, como condição para o avanço de seus exércitos rumo ao Leste. No decorrer da guerra, essa promessa foi fielmente executada. Hitler tomou a Áustria, a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, e a parte ocidental da Polônia. Em setembro de 1938, os líderes da Alemanha, Inglaterra e França assinaram o “Pacto de Munique”, permitindo ao exército alemão iniciar sua marcha para a Tchecoslováquia. A ameaça à União Soviética estava mais perto do que nunca.
Em discurso no 8º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em março de 1939, Josef Stálin denunciou que a Inglaterra e a França haviam abandonado o princípio da segurança coletiva, preferindo orientar os Estados agressores para “outras vítimas”. O líder comunista advertiu que os países ocidentais estavam empurrando os alemães ainda mais para o Leste, prometendo-lhes uma presa fácil, enquanto os princípios orientadores do país socialista eram o de seguir uma política de paz, de fortalecimento das relações econômicas com todos os países e não permitir que a União Soviética fosse arrastada para conflitos pelos provocadores de guerra.
Mas a Alemanha nazista preparava uma campanha rápida para esmagar a União Soviética. Em junho de 1941, um ano depois da queda da França, as tropas nazistas atacaram o país socialista. Na oportunidade, um general alemão disse que a guerra estaria ganha em catorze dias.
Chegada da reviravolta
A reviravolta chegou na batalha de Stalingrado. Dali para diante, o poder de Hitler declinaria, minado pela crescente contraofensiva soviética. Um representante do “Ministério para os Territórios Ocupados do Leste”, criado pelo governo nazista, disse na ocasião que os soviéticos “estavam lutando com excepcional bravura e com espírito de renúncia, nada mais visando que o reconhecimento da dignidade humana”. E o resultado esperado chegou: o esmagamento da máquina de guerra alemã.
Em junho de 1944, as forças anglo-americanas atacaram na frente ocidental. A muralha nazista foi rompida em poucas horas. À meia-noite de 8 para 9 de maio de 1945, os canhões silenciaram fogo na Europa, pela primeira vez desde 1939. O fim da contenda entre nazistas e soviéticos chegou quando as tropas motorizadas do Exército Vermelho capturaram o coração de Berlim. Um soldado anônimo hasteou a bandeira vermelha no topo do Reichstag (ver foto).
A bandeira da liberdade e da democracia passou a flutuar por toda a Europa e em boa parte do mundo. A vitória na guerra fez com que o socialismo ganhasse muito respeito. O socialismo bateu de frente com a Alemanha nazista e foi a principal barreira ao III Reich, sonhado por Adolf Hitler. No combate, emergiu a União Soviética, hoje Rússia, já exibindo sua verdadeira estatura e significação.

Soldado soviético hasteia bandeira no Hashtag. Arquivo Histórico.
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