Cargueiros na estratosfera sem tripulação


O cargueiro X-37B. Foto: U. S. Space Force.
Existe, no momento, um verdadeiro rebuliço, entre as milhões de pessoas que acompanham a chamada “corrida espacial”. Aqueles que são mais do que curiosos e aficionados, correm atrás de informações confiáveis. Me perdoem aqueles que não gostam do tema, mas peço licença para tratar desse importante assunto geopolítico e transcrevo abaixo o resultado obtido. O que foi reunido até agora, estou trazendo para os queridos leitores.
O X-37B, ônibus espacial secreto dos EUA, retornou de uma missão inédita na estratosfera, que durou 434 dias. O pouso ocorreu na Califórnia, no início de março, mas os detalhes da missão permanecem secretos, alimentando especulações sobre testes inéditos. A moderna aeronave, da Força Espacial dos EUA, retornou à Terra após mais de um ano em órbita. Apesar da insistência, os repórteres que trabalham no setor não conseguiram as informações que todos nós gostaríamos de saber.
A curiosidade se aguça ainda mais, quando sabemos que, em novembro de 2024, a principal concorrente tecnológica dos americanos, a China, tinha apresentado o seu veículo, extremamente similar. Curioso, né? Uma das superpotências sabia dos passos da outra?
A linha de investigação que mais está alimentando especulações sobre quais são esses testes espaciais é de que as aeronaves são cargueiros não tripulados. Que tipo de carga levariam para ou trariam da órbita da terra?
Desenvolvido pela Boeing, o X-37B é o primeiro veículo espacial não tripulado operado remotamente. Em sua sétima missão, lançado pela SpaceX, o X-37B realizou “objetivos experimentais”, incluindo testes de tecnologias militares e uma nova manobra de aerofrenagem para economizar combustível.
A missão OTV-7 ocorreu quatro meses após a China lançar a nave espacial Shenlong, também para experimentos secretos. Já se sabe, também, que Força Espacial dos EUA planeja usar o X-37B em seu novo comando de campo, o Space Futures Command, que realizará simulações de guerra e treinamento espacial.
O pequeno ônibus espacial não tripulado, o X-37B (OTV-7), da Força Espacial dos Estados Unidos pousou por volta das 2h22 (horário local), na base Vandenberg Space Force, na Califórnia. O fato foi confirmado em um comunicado oficial da agência governamental. Detalhes sobre os objetivos e o trajeto da missão permaneceram sob sigilo nesse comunicado.
Sabe-se, também que o avião é operado de forma remota, a partir de uma base de controle terrestre. E que esta foi a sétima missão do veículo, somando mais de 3.774 dias no espaço. Antes disso, a nave também foi utilizada pela NASA, em operações realizadas entre 1981 e 2011.
De acordo com o portal Galileu, o pequeno veículo desempenha um papel estratégico na exploração e na defesa espacial, integrando um programa militar altamente confidencial. O pouso do X-37B aconteceu de forma discreta, sendo divulgado publicamente apenas após a aterrissagem, momentos antes do nascer do Sol.
Pela primeira vez, o X-37B foi lançado ao espaço a bordo do foguete Falcon Heavy, da SpaceX. Durante sua missão, carregou tecnologias militares em fase de teste e cumpriu uma série de “objetivos experimentais”, incluindo uma inovadora manobra de aerofrenagem para reduzir o consumo de combustível.
Os responsáveis pela missão, comentaram que o teste abriu novos caminhos, ao mostrar a capacidade do X-37B de realizar com flexibilidade seus objetivos em regimes orbitais”, declarou o general Chance Saltzman, chefe de Operações Espaciais, no comunicado. Segundo ele, “a execução da manobra de aerofrenagem destaca o compromisso da Força Espacial dos EUA em expandir as fronteiras das operações espaciais com segurança e responsabilidade”. Precisou de 434 dias para fazer esse teste? Ou foram realizados, também, outros experimentos? Era esse o único interesse dos EUA? Faltou contarem – e não contarão – os objetivos militares.

A nave Shenlong
China Revelou Design de novo Ônibus Espacial
O que sabemos sobre a aeronave chinesa? Praticamente nada, mas fomos informados do nome da nave que foi lançada para a órbita: Shenlong (Dragão Divino). O veículo chinês, também envolvido em missões secretas da CNSA (Administração Espacial Nacional da China), vem sendo desenvolvido bem antes do X-37B americano.
Sempre comedidos com as informações que repassa para o mundo, acerca de seus avanços tecnológicos e militares, A China resolveu apenas mostrar as formas aerodinâmicas do seu Veículo de Carga Reutilizável e revelar que será usado pela Estação Espacial Tiangong III.
O portal Space.Com fez sua parte na busca por informações e noticiou que a China havia revelado o design de um ônibus espacial cargueiro reutilizável, denominado “Haolong“, que será uma opção de baixo custo para levar carga para a Estação Espacial Tiangong III, da China, e trazer cargas de volta à Terra.
De acordo com a nota do portal, o Haolong está sendo desenvolvido pelo Instituto de Design e Pesquisa de Aeronaves de Chengdu, com apoio da Corporation of Aviation Industry of China (AVIC), uma empresa estatal. Ele é um dos dois projetos vencedores, de uma chamada de propostas realizada pela Agência Espacial Humana da China – CMSA, para desenvolver espaçonaves de carga de baixo custo.
Até agora, a China vem utilizando a espaçonave robótica Tianzhou para enviar carga para a Estação Espacial Tiangong III. No entanto, seguindo o exemplo da NASA, que incentiva opções comerciais de reabastecimento para a Estação Espacial Internacional, a CMSA desenvolveu seu Dragão porque queria novas ideias de baixo custo que também pudessem transportar experimentos e outras cargas à Terra.
A China fez seu marketing e produziu uma imagem de animação, detalhando o design do planejado ônibus de carga Haolong. Claro que não revelou muitos detalhes.
Portanto, sabe-se que o Haolong será lançado no topo de um foguete e aterrissará horizontalmente na Terra, em uma pista de pouso. O ônibus espacial tem 10 metros de comprimento e 8 metros de largura, pesando menos da metade da cápsula Tianzhou, que tem uma massa de até 14.000 kg. A espaçonave com asas encontra-se atualmente na fase de verificação de voo de engenharia, o que significa que seu design e sistemas estão sob análise, antes da construção em série.
Os engenheiros do ônibus espacial aprovaram o design. “O Haolong é uma aeronave com asas e com um design aerodinâmico, apresentando uma grande envergadura e uma alta razão de sustentação para arrasto”, disse Fang Yuanpeng, designer chefe do Haolong, à China Central Television (CCTV). “Com uma fuselagem de nariz arredondado e grandes asas delta inclinadas para trás, ele combina características tanto de espaçonaves quanto de aeronaves, permitindo que seja lançado em órbita por um foguete e aterre em uma pista de aeroporto como um avião”, acrescentou ele.
O Haolong fará acoplamento com a estação Tiangong, permitindo que os astronautas entrem e saiam para coletar ou armazenar carga. Após concluir a missão de transporte de carga, o Haolong se separará da estação espacial, realizará a deorbitação de forma autônoma, reentrará na atmosfera e aterrissará horizontalmente na pista de aeroporto designada.
“Após inspeção, manutenção e reparo, ele poderá ser reutilizado em missões de transporte de carga”, disse Fang.
Outra descoberta do portal Brazilian Space, na labuta por informações: Este não é o único ônibus de carga reutilizável em desenvolvimento. A empresa americana privada Sierra Space está desenvolvendo o longamente adiado Dream Chaser para enviar carga e astronautas à órbita baixa da Terra.
A China precisa da nova aeronave porque pretende operar a estação Tiangong por mais, pelo menos, uma década e planeja expandir o posto orbital, dando-lhe a forma de um T. A estação orbital chinesa, atualmente, tem três módulos, e será duplicada para seis módulos. Nesse processo, o Haolong pode desempenhar um papel importante para manter a estação espacial abastecida com alimentos, experimentos e outras cargas.
Quando à nave americana, continuam os testes.
Habitualmente, novas missões do X-37B são lançadas de ano em ano, com exceção da mais recente, que teve um intervalo de 13 meses, “devido a ajustes técnicos”. Ainda não há previsão para a próxima missão.
Agora, o X-37B deve se consolidar como um ativo fundamental para a Força Espacial dos Estados Unidos, dentro do novo comando de campo, o Space Futures Command, em 2026. A iniciativa tem como objetivo preparar as forças americanas para potenciais conflitos no espaço, antecipando ameaças e promovendo simulações de guerra e treinamentos especializados – especula-se.
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