No Brasil e no mundo


A onça pintada, que só existe no Brasil, está ameaçada.
A divulgação anual desse tipo de estatística acende um sinal de alerta a toda a espécie humana – principalmente as autoridades – para a significativa perda que representa o desaparecimento por completo de seres vivos da face da Terra. Ainda bem que existem algumas dezenas de entidades e organizações que se dedicam a verificar e catalogar as ameaçadas, o porquê dessa devastação e as formas de colaboração para evitarmos uma catástrofe ecológica. Não vamos ter aqui condições de aprofundar o tema, porém, procuramos trazer dados que, normalmente, só chegam a público em gotas de informação. Pelo menos, podemos aqui contextualizar o problema e dar algumas sugestões de como enfrentá-lo.
Um estudo publicado na revista Nature Climate Change descobriu que as mudanças climáticas estão acelerando o ritmo de extinção de espécies. O estudo prevê que o número de espécies ameaçadas de extinção pode aumentar em até 10% até o final do século XXI.
Acaba de sair um relatório, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas (ONU), que constatou cerca de 1 milhão de espécies em risco de extinção. Periodicamente, a entidade publica dados atualizados e reforça a necessidade de criação de mais programas de conservação. Seguem algumas definições básicas para entendermos o problema, suas causas consequências e, também, para sabermos algumas formas de enfrentá-lo.
Primeiro, o óbvio: animais em extinção são aqueles ameaçados de desaparecerem da Terra. Desmatamento, mudanças climáticas, caça e pesca predatórias e tráfico de animais são causas da extinção dos animais e alguns dos motivos que têm colocado muitos animais em risco. Apesar de ser relativamente comum na natureza, o processo de extinção está sendo intensificado pela ação humana.
A extinção de espécies é o processo pelo qual um organismo vegetal ou animal deixa de existir. Isso ocorre quando o último indivíduo de uma espécie morre, tornando a espécie permanentemente desaparecida da Terra.
A extinção natural ocorre devido a fatores naturais, como mudanças climáticas ou catástrofes geológicas. Já a extinção causada pelo homem é resultado de desmatamento, caça, pesca e poluição, que aceleram o desaparecimento das espécies.
A perda de habitat destrói ou fragmenta o ambiente natural de uma espécie, reduzindo o espaço disponível para viver, encontrar comida e se reproduzir. Isso pode levar ao declínio populacional e, eventualmente, à extinção.
A extinção de espécies reduz a biodiversidade, o que pode desequilibrar ecossistemas inteiros. Esse desequilíbrio pode afetar os serviços ecossistêmicos, como plantio espontâneo de espécies importantes, polinização e purificação da água, dos quais os seres humanos dependem para sobreviver.
A destruição de habitats e a caça predatória são as principais causas da redução severa na população de onças-pintadas. Elas são classificadas pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) e pelo IBAMA como espécie vulnerável e integram o apêndice I do CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção), que lista espécies ameaçadas de extinção, cujo comércio somente será permitido em circunstâncias excepcionais.

Mudanças climáticas. Foto: Erik-Strehl/Pixabay
Mas, afinal, o que causa a extinção de espécies?
Extinção de espécies é o desaparecimento total de uma espécie de planta, animal ou outro organismo de um ecossistema. Isso ocorre quando o último indivíduo da espécie morre. A extinção é um processo natural que ocorre ao longo do tempo, à medida que as espécies evoluem e se adaptam às mudanças no ambiente. Mas hoje é, também, um problema complexo que pode ser atribuído a várias causas e consequências, muitas das quais são impulsionadas pelas atividades humanas.
As mudanças climáticas afetam a disponibilidade de recursos alimentares, a qualidade dos habitats, bem como os padrões migratórios das espécies. Como consequência, as espécies já vulneráveis estão sob pressão adicional, o que pode levar à extinção de muitas delas.
As temperaturas mais quentes, eventos climáticos extremos, assim como o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos estão entre os impactos das mudanças climáticas que estão comprometendo a sobrevivência de várias espécies em todo o mundo. Ademais, a perda de habitats, devido ao derretimento de geleiras e ao aumento do nível do mar, está agravando ainda mais a vulnerabilidade das espécies já ameaçadas.
As doenças e parasitas também podem causar o desaparecimento de espécies. A poluição também pode prejudicar os habitats naturais e as espécies que neles vivem. Eventos naturais, como terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas também podem levar à extinção de espécies.

Mico-leão-da-cara-dourada está também ameaçado.
Perigo do efeito dominó
A extinção de espécies representa uma ameaça séria para o futuro da biodiversidade, resultando em uma diminuição drástica da variedade de vida na Terra. A perda de uma única espécie é capaz de desencadear um efeito em cascata, afetando assim, outras espécies dependentes e alterando o equilíbrio dos ecossistemas. Um exemplo notável é a extinção das abelhas, cujo declínio ameaça a polinização de várias culturas alimentares essenciais.
Da mesma forma, a redução das populações de predadores de topo, como os tigres e os leões, pode levar a um aumento descontrolado de espécies de presas, desequilibrando ecossistemas inteiros.
Um aspecto que vem preocupando muito os cientistas é a diminuição da biodiversidade, resultante da extinção de espécies, que pode desencadear um efeito dominó, afetando negativamente as cadeias alimentares e os processos naturais de regeneração, bem como o equilíbrio ambiental.
A dependência humana dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos torna a preservação da biodiversidade não apenas uma questão ambiental, mas também uma questão crítica de segurança e sustentabilidade para as gerações futuras. Enfim, parece estar claro que precisamos agir para combater a extinção de espécies.
A extinção de espécies também pode ter um impacto negativo na economia. Ela pode levar à perda de empregos e receitas provenientes do turismo e da pesca, por exemplo. O turismo de natureza, por exemplo, é uma indústria importante em muitos países. A extinção de espécies conduz à redução do número de turistas, o que pode afetar a economia local. A pesca é outra atividade econômica que pode ser afetada pela extinção de espécies. Ou seja, a extinção de espécies pesqueiras provoca a redução da oferta de pescado, afetando, desta maneira, os preços e os lucros dos pescadores.

A arara azul também pode desaparecer da nossa paisagem, se nada for feito.
O aumento na extinção de espécies também pode ter um impacto negativo na sociedade. Ela pode ocasionar a perda de conhecimento e cultura, já que muitas espécies são importantes para os povos ancestrais, por exemplo. A preservação dessas espécies é crucial, também, para manter a diversidade cultural e assim preservar práticas tradicionais, que frequentemente dependem do equilíbrio e da interação com a natureza.
Além disso, a extinção de espécies também pode provocar a perda de beleza natural, o que desencadeia um impacto negativo na qualidade de vida das pessoas. Afinal, a ausência de certas espécies e ambientes naturais priva as pessoas da inspiração estética e do encantamento proporcionado pela vida selvagem. Com isso, é possível até que tenha implicações significativas para a saúde mental e emocional, especialmente em comunidades urbanas que têm acesso limitado à natureza.
A perda de espécies vegetais também pode levar à diminuição da diversidade genética de plantas e à perda de recursos valiosos para a medicina, alimentação e outras necessidades humanas. Assim, o impacto da extinção de espécies pode ter consequências graves para a saúde dos ecossistemas e para a sobrevivência a longo prazo de muitas formas de vida na Terra.
Como evitar a extinção de espécies?
Vários esforços e iniciativas estão sendo implementados em todo o mundo para combater a extinção de espécies. Dentre eles, destacam-se cinco ações:
Programas de reprodução em cativeiro: Muitos zoológicos e centros de conservação estão desenvolvendo programas de reprodução em cativeiro para espécies ameaçadas, com o objetivo de reintroduzir os animais na natureza.
Restauração de habitats naturais: Esforços estão sendo feitos para restaurar e proteger o ambiente, incluindo o replantio de florestas, bem como a reabilitação de áreas úmidas, a fim de fornecer ambientes saudáveis para a vida selvagem.
Criação de corredores ecológicos: Corredores ecológicos estão sendo estabelecidos para conectar áreas naturais fragmentadas, permitindo que as espécies se movam livremente entre os espaços, evitando assim a fragmentação de populações isoladas.
Regulamentações mais rigorosas: Governos e organizações estão implementando regulamentos mais rigorosas para proteger espécies ameaçadas, restringindo assim práticas prejudiciais como a caça furtiva e o comércio ilegal de animais selvagens.
Educação e conscientização pública: Campanhas de conscientização estão sendo conduzidas para educar o público sobre a importância da conservação da biodiversidade e os impactos da extinção de espécies, visando assim promover um senso de responsabilidade e ação coletiva.
Exemplos de animais que estão em extinção
A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), criada em 1964, tem como objetivo prover informações a respeito da conservação dos seres vivos do planeta. Ela apresenta dados relevantes da fauna e da flora, mas não possui dados a respeito de microrganismos. Abaixo, alguns desses dados:
Onça-pintada – Esse animal (Panthera onca) é o maior felino das Américas. Ele está na lista dos animais ameaçados de extinção no Brasil. Espécie símbolo do Brasil, a onça é considerada importante para as ações de conservação da Mata Atlântica, Floresta Amazônica, Cerrado e Pantanal.
Os animais extintos no Brasil incluem:
Rato-candango, Tubarão-dente-de-agulha, Perereca-verde-de-fimbria, Rato-de-noronha, Gritador-do-nordeste, Maçarico-esquimó, Coruja caburé-de-pernambuco e a Arara-azul-pequena.
Além desses, há animais que viveram há milhares de anos e deixaram vestígios em fósseis, encontrados em diversas regiões do país, como o tigre-dentes-de-sabre, o mamute, o toxodonte e o gliptodonte.

Animais foram salvos a um passo da extinção
Mico-leão-dourado – O pequeno primata, de cerca de 60 centímetros de altura, desde a década de 70, é um dos símbolos da luta pela conservação da diversidade biológica. Ele está há muito tempo ameaçado de extinção. A devastação da Mata Atlântica quase exterminou toda a população de micos-leões-dourados. Originalmente, a espécie era encontrada em todo o litoral fluminense, chegando até o Espírito Santo. Os micos estão confinados a cerca de 20 fragmentos florestais, devido à intensa ocupação da zona costeira no estado, acompanhada de extração de madeira e atividades agropecuárias.
Lobo-guará – O lobo-guará está na lista de vulnerável à extinção e tem como habitat os biomas do Cerrado e do Pampa. A causa mais comum para a redução dessa espécie está relacionada ao desmatamento. Estima-se que, nos Pampas, exista uma população média de apenas cinquenta animais.
Panda-gigante – Os pandas-gigantes vivem na região Centro-Sul da China. Estima-se que haja 2.500 indivíduos, vivendo em pontos isolados. Esse fator gera obstáculo para o acasalamento e para a obtenção de alimentos dos animais. As dificuldades para promover a reprodução dos pandas são enormes, pois as fêmeas só entram no cio uma vez por ano, com duração de, no máximo, três dias.
Baleia-fin – Essa é a segunda maior espécie de baleias, com cerca de 27 metros de comprimento e peso médio de 70 toneladas. Ela já foi considerada “em perigo”, porém, a proibição da caça comercial no oceano Pacífico e no hemisfério Sul contribuiu para que sua população aumentasse. Estudos afirmam que as campanhas de conservação da espécie devem ser mantidas, a fim de protegê-la.
Arara-azul-de-lear – Essa é uma espécie brasileira que se encontra na lista dos animais em extinção, na categoria “em perigo”, principalmente como consequência do tráfico de animais e destruição do seu habitat. A arara-azul-de-lear faz parte de programas que têm como objetivo a conservação da espécie, através de ações de educação ambiental, conscientização e envolvimento da comunidade nesse processo.
Pinguim-africano – Esse tipo de pinguim (Spheniscus demersus) é uma ave que habita a costa sul da África e sua população diminuiu em 90%, desde 1910. As principais ameaças para o pinguim africano são os frequentes derramamentos de petróleo que ocorrem na região em que vive. Além disso, a pesca industrial da região tem obrigado a espécie a procurar alimento cada vez mais longe da costa.
Peixe-boi-marinho – É uma espécie brasileira que se encontra na lista dos animais em extinção na categoria “em perigo”. Pesquisadores estimam que existem cerca de 500 indivíduos, distribuídos nos estados de Alagoas e Amapá. No passado, a espécie foi alvo de caça mas, atualmente, as ameaças mais comuns estão relacionadas à ação humana, como poluição e destruição do seu habitat natural.
Gorila-da-montanha – Este é um mamífero encontrado na África Central que está classificado como “em perigo de extinção”. Estudos indicam que, em 2008, existiam aproximadamente 680 exemplares da espécie. Ela já foi considerada como criticamente ameaçada, porém, essa condição mudou, devido às ações realizadas para a conservação da espécie. Registros apontam que a população aumentou para pouco mais de 1.000 indivíduos. As principais causas para extinção dessa espécie estão relacionadas à caça e às doenças introduzidas pelo ser humano, principalmente infecções respiratórias.
Baleia-azul – A Balaenoptera musculus é uma espécie que existia em grande abundância até o início do século XX. No entanto, ela foi levada à quase extinção, depois de mais de 150 anos de intensa caça ilegal. Estudiosos afirmam que existem cerca de 3.000 exemplares da espécie. Esse número pode aumentar, caso sejam implementados programas de proteção.
Macaco-prego-galego – Esse macaco é um mamífero nativo do Brasil e a principal causa para sua extinção está relacionada à ação humana, como o desmatamento, poluição e expansão urbana nas áreas de mata. Estima-se que existam aproximadamente mil indivíduos espalhados pelo bioma da Mata Atlântica. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a população da espécie já diminuiu cerca de 50%, desde quando foi descrita, há aproximadamente 10 anos.
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