

Os Dogons parecem selvagens, mas guardam conhecimentos avançados. Imagem: Printscreen Internet.
O nosso blog, Ângulo e Foco, não tem limites na sua temática. Tratamos um pouco de tudo – do que está próximo e do que está longínquo, no tempo e no espaço. Onde existir informação consistente sobre o real, o improvável, o científico e o ainda não comprovado, pretendemos levar aos nossos leitores para expandirmos nossa visão desse universo que nos cerca.
Estudiosos de antigas civilizações, das áreas de paleo-antropologia, arqueologia, etnologia e até astrônomos se surpreenderam com o conhecimento de um grupo humano encontrado no Mali, país situado no Oeste da África. Sua história, avanços em astronomia e outros conhecimentos resultaram em livros e muitos comentários no âmbito científico. Abaixo, trago @s querid@s leitores um pouco do que já foi constatado e descoberto desse passado, pelo menos, a título de curiosidade.
Os Dogons, um povo que habita as regiões desérticas da África Ocidental, não são muito diferentes das outras tribos que vivem dentro do território do Mali. Assim como muitas outras etnias africanas, os Dogons levam uma vida extremamente simples e pobre, morando em pequenas cabanas de barro ou até mesmo em cavernas.
Eles gostam de dançar sobre pernas de pau, plantam sementes de painço em seus campos e não possuem um sistema próprio de escrita. Mas, afinal, por que será que, recentemente, esse povoado se tornou o centro de tantas discussões acadêmicas?

Bailando sobre pernas-de-pau, relembram o encontro com os visitantes. Imagem: Printscreen Internet.
Uma História Surpreendente
O mistério se apresentou ao mundo científico na década de 1930, quando o etnólogo francês Marcel Griaule começou a dedicar-se ao estudo dos Dogons. Ele não sabia ainda, mas estava reunindo informações únicas sobre esse povo fascinante.
Como os Dogons viveram isolados por um longo período, conseguiram preservar suas tradições culturais e lendas, sem sofrer grandes influências dos povos vizinhos, com populações maiores e “mais civilizados”.

O etnólogo Marcel Griaule, fazendo anotações para seus artigos. Imagem: Printscreen Internet,
Marcel Griaule conviveu com os Dogons por muitos anos, a ponto de ser considerado praticamente um membro da comunidade. A confiança que os Dogons depositaram nele foi tanta que o etnólogo chegou a ser nomeado sacerdote, entre eles. Com essa nomeação, segredos que eram inacessíveis para a maioria das pessoas da tribo foram, finalmente, revelados a ele. Uma glória para a investigação pretendida.
Na transmissão das surpreendentes informações, ficou sabendo que existia na área uma caverna sagrada, guardada por sacerdotes designados, na qual apenas os escolhidos tinham permissão para entrar. Quando um desses guardiões morria, imediatamente outro era escolhido para assumir seu lugar, num ritual de sucessão que ocorria há mais de setecentos anos.

A caverna, sagrada e secreta, dos Dogons. Imagem: Printscreen Internet.
Conhecimentos que deixam os astrônomos intrigados
Sem conhecimento dos iletrados Dogons, o etnólogo traiu os segredos que agora conhecia e escreveu vários artigos em revistas científicas. Porém, ao contrário do que esperava, por muito tempo, os escritos de Griaule não chegaram a causar grandes repercussões. Na verdade, o material publicado despertava, apenas, o interesse de um círculo bem restrito de especialistas.
Porém, tudo mudou de repente, quando um desses estudos, que descrevia a visão dos Dogons sobre a ordem do universo, chegou, por acaso, às mãos de um renomado astrônomo britânico. Foi aí que começou uma verdadeira tempestade no mundo da ciência, que perdura até hoje.

Uma das publicações, em revista científica. Imagem: Printscreen Internet.
Você já deve estar perguntando: afinal, o que foi que deixou esse astrônomo britânico tão interessado? A resposta: inacreditavelmente, os Dogons – um povo tido como analfabeto, que não possui sequer um sistema de escrita – tinham conhecimentos astronômicos ancestrais que a ciência moderna tinha acabado de descobrir.
Ainda que essas informações fossem bastante fragmentadas, elas se concentravam principalmente em torno do sistema de estrelas Sírius. Esse enorme sol – o mais brilhante nas noites terrenas – e suas pequenas estrelas anãs, fazem parte da constelação de Cão Maior e estão localizadas a 8,6 anos-luz da Terra.

À esquerda, o sistema de Sirius descrito pelos Dogons. Imagem: Printscreen Internet.
Lendas ou informação extraterrestre?
Vocês, a essa altura, já devem estar se perguntando: de onde os sacerdotes Dogons dizem ter obtido todo esse surpreendente conhecimento sobre o universo e o sistema estelar de Sírius? A explicação deles é, na verdade, bem simples, mas revolucionária.
Esse saber, pasmem, teria sido transmitido por seres vindos de um planeta do sistema solar de Sirius. Os chamados “seres de Sírius”, seriam extraterrestres que teriam visitado nosso planeta há sete séculos.
Segundo a tradição (ou lenda) Dogon, nesse passado distante, astronautas desse outro mundo teriam chegado à terra, na região onde seria o Mali, a partir do terceiro planeta do sistema de Sírius.
Os tais seres, conforme foi descrito pelos sacerdotes dogons, usavam capacetes cheios de líquido sobre a cabeça e chegaram a bordo de discos voadores. Para comprovar o que diziam, os anciãos mostraram a Griaule imagens dessas naves que aparecem representadas em gravuras feitas nas rochas, próximas a figuras de criaturas usando objetos estranhos na cabeça, similares aos capacetes das vestimentas espaciais modernas, usadas por nossos astronautas.

Detalhe de uma das inúmeras gravuras, encontradas no território do Mali. Imagem: Printscreen Internet.
O que mais impressiona é que essas imagens já foram publicadas em várias obras e revistas especializadas e ninguém jamais contestou que essas gravuras nas rochas datam do século XIII — quer dizer, há aproximadamente setecentos anos.
Seria tudo isso verdade?
Dentro da comunidade científica, até hoje, prossegue o debate sobre a credibilidade dessa história de que seres de Sírius teriam visitado os Dogons, há séculos.
Em 1975, o cientista americano Robert Temple reforçou essa hipótese, ao publicar o livro O mistério de Sirius: Civilização Vinda das Estrelas, no qual apresentou evidências consideradas sólidas de que é verdade a existência de extraterrestres, defendendo a teoria Dogon, sob uma perspectiva científica.

Cientistas europeus se envolveram no debate sobre o polêmico assunto. Imagem: Printscreen Internet.
Porém, o que muitos estudiosos realmente procuram não são provas da visita de alienígenas, mas falhas nessa narrativa. Uma das mais fortes teorias, contra a ideia de visitantes extraterrestres, envolve a atribuição de uma mentira contada por missionários que estiveram na região.
Com base nessa hipótese, os Dogons teriam recebido esse conhecimento sobre o universo e o sistema de Sírius de um missionário da igreja católica, White Fathers, que visitou o Oeste africano, na década de 1920. Porém, não há nenhuma evidência concreta confirmando que esses missionários tenham, de fato, se encontrado com a comunidade.
É verdade que essa ordem atuava em Mali nesse período, mas não está claro se os missionários chegaram mesmo até as áreas remotas do Planalto de Bandiagara, onde os Dogons vivem.
Os defensores dessa teoria acreditam que o missionário teria percebido a veneração dos Dogons por Sírius e, aproveitando isso, transmitiu a eles informações astronômicas para se aproximar do grupo.
Verdadeira ou não, a história toda merece ser conhecida da Humanidade e, para isso, é preciso tratarmos do tema, sem um conceito prévio de que é uma realidade provável, ou de que não passa de fantasia coletiva. Este post pode servir para despertar em todos nós uma curiosidade que leve à elucidação.
Por enquanto, convido vocês a darem uma olhada nas imagens que circulam na Internet.

Cientistas visitaram os Dogons, em busca da verdade. Imagem: Printscreen Internet.

As primitivas moradias dos Dogons. Imagem: Printscreen Internet.

Marcel Griaule coletando informações secretas dos anciãos. Imagem: Printscreen Internet.

O etnólogo francês Marcel Griaule. Imagem: Printscreen Internet.
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