
Ag. Reuters
A situação é de alerta máximo para o risco de um colapso no abastecimento – já precário – de comida, na Faixa de Gaza. Todas as organizações internacionais de socorro estão mobilizadas, mas os caminhões e aviões com alimentos, doados por diversos países, não têm autorização do sionismo de Israel para fazerem as entregas. A organização Avaaz e a ONU, principalmente, estão fazendo alertas e mobilizando pessoas do mundo todo para pressionarem o guerreiro Netanyahu a ser mais flexível, diante de mais um massacre para compor o genocídio planejado. Mesmo países aliados estão reagindo forte contra o governo sionista de Israel. Desfechos nas próximas horas, ou a morte de mais de 14 mil crianças. Israel continua bombardeando e atirando contra os civis indefesos.
O ‘pacifista’ Donald Trump, tão preocupado com ganhar toneladas de terras raras com a paz na Ucrânia, não tem tempo para dar um basta na volúpia matadora do atual governo israelense?
Em mala-direta, distribuída por todos os países pela Internet, a organização humanitária internacional Avaaz explica a situação em campo e pede assinaturas para uma carta aos governantes da França, do Reino Unido e do Canadá, exigindo sanções contra o governo de Israel, ampliando a pressão que outros ex-aliados de Israel podem exercer sobre a fera devoradora insaciável, Benjamin Netanyahu. Abaixo, o manifesto da Avaaz:
O LINK, SE VOCÊ QUISER ASSINAR:

“A ONU acaba de alertar que 14 mil crianças em Gaza podem morrer de fome se Israel continuar não permitindo a entrada de alimentos.
A situação é tão grave que o Reino Unido suspendeu negociações comerciais, a Espanha está prestes a proibir a venda de armas e a União Europeia está reavaliando seu acordo comercial com Israel. Com muita pressão global, podemos convencer França, Canadá e Reino Unido a impor sanções a Israel e forçar a abertura da fronteira. Mas eles precisam ouvir as vozes do mundo inteiro agora mesmo!”
Eis o teor da carta que o mundo está enviando ao presidente francês, Emmanuel Macron, e aos dirigentes britânico, Keir Starmer e canadense, Mark Carney:
“Ao Presidente Emmanuel Macron (França), ao Primeiro-Ministro Mark Carney (Canadá) e ao Primeiro-Ministro Keir Starmer (Reino Unido):
“Mais de 14,5 mil crianças palestinas já morreram — baleadas, bombardeadas, esmagadas sob os escombros…
“Agora, esse número pode dobrar! A ONU acaba de alertar que outros 14 mil bebês podem morrer de fome se Israel continuar barrando a entrada de alimentos em Gaza. É imprescindível que Vossas Excelências atuem para que Israel encerre a ofensiva militar e suspenda o bloqueio à ajuda humanitária.
“Isso não é sobre números e também não é acidental – são vidas inocentes sendo interrompidas porque Israel não permite que alimentos, remédios e combustível cheguem às crianças famintas.
“Vossas Excelências sabem disso. O mundo está vendo.
“Imponham sanções a Israel já! Usem sua influência política para acabar com este bloqueio. Provem ao mundo que Vossas Excelências ainda têm poder. Salvem a vida desses bebês.”
A pressão está funcionando — em breve, Israel pode liberar a entrada de alguma ajuda, mas especialistas alertam que os suprimentos liberados sejam ridiculamente insuficientes, como tem agido o sionismo.
A história vai nos perguntar de que lado estávamos quando bebês foram abandonados para morrer. E a resposta só pode ser uma: estávamos do lado da vida e exigimos ação.
Em momentos assim, se desesperar pode parecer tentador, mas é justamente agora que precisamos nos posicionar. Porque, quando multidões se unem, conseguimos forçar a mudança. É hora de fazer isso de novo.
Com enorme esperança e urgência.”
Contudo, Israel parece brincar com essa tragédia mortal. Libera a entrada de um pouco de alimento que ‘enlouquece’ multidões de crianças e adultos, estendendo pratos vazios, chorando, com medo de não conseguir nada. Logo depois, Israel proíbe de novo a entrada de ajuda humanitária que inclui, também remédios e água – tão escassa no deserto. Portanto, esse vai-e-vem sádico das permissões resulta em que, mesmo com autorização, a ajuda humanitária não chegue à população, esgotada pela guerra.

Gaza. Agência Brasil
E continua o extermínio
Há um mês, houve novo ataque israelense, em Jabalia, norte de Gaza. Foi a última vez que Netanyahu permitiu a entrada de ajuda. Após 11 semanas de bloqueio israelense à ajuda humanitária, caminhões com suprimentos foram autorizados a entrar no território palestino, mas, segundo as Nações Unidas, nenhuma comida foi entregue até agora à população. Pasmem! Mesmo dentro de Gaza, o alimento não foi distribuído. Depois não querem que chamemos a isso genocídio.
Dois dias atrás, em uma entrevista à TV pública britânica, o diretor de Ajuda Humanitária da ONU, Tom Fletcher, revelou o alerta de que 14 mil bebês podem morrer nas próximas 48 horas, caso não recebam comida e remédios. O prazo vence hoje.
O exército israelense afirmou que 93 caminhões com suprimentos já entraram no território palestino desde domingo. Segundo as Nações Unidas, toda a carga ainda está em poder de Israel que alega precisa passar por mais uma etapa de checagem, antes de ser distribuída.
Israel autorizou a entrada de 100 caminhões com suprimentos em Gaza, mas, segundo a ONU, a quantidade é insuficiente, como uma gota no oceano. Seriam necessários 500 caminhões por dia para amenizar a fome da população.
Israel perde apoio de aliados
Com o agravamento da crise humanitária em Gaza, o governo de Benjamin Netanyahu começa a perder o apoio de aliados históricos. Esta semana, o ministro de relações exteriores britânico anunciou a suspensão das tratativas para um acordo de livre comércio com Israel e anunciou novas sanções contra colonos que ocupam áreas do território palestino na Cisjordânia. O Reino Unido também convocou a embaixadora israelense em Londres para dar explicações sobre a nova ofensiva israelense no território palestino.
Secamente, em resposta, Israel disse que “pressão externa não desviará Israel de seu caminho na defesa de sua existência e segurança contra inimigos que buscam sua destruição”.
Também o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, chamou a ofensiva israelense de carnificina: “Cerca de 90% da população de Gaza, ou seja, 1,9 milhão de pessoas, foram deslocados de onde vivem. São dados do dia 15 de maio corrente. Temos até o momento, segundo dados também do dia 13 de maio, um inaceitável número de mais de 53 mil palestinos civis mortos, dos quais mais de 15,6 mil são crianças e cerca de 8,3 mil mulheres. Além disso, há 120 mil feridos”.
O Governo brasileiro também informou que 12 brasileiros e familiares de brasileiros foram retirados da Faixa de Gaza e já estão na Jordânia. Fazem parte do grupo seis crianças ou adolescentes.

FAB vai levar alimentos a Gaza – Agência Brasil
Mais protestos pelo mundo
A emissora britânica BBC publicou que, passados mais de um ano e meio de cerco, mais de 53.000 mortes — a maioria mulheres e crianças — e um bloqueio total de dois meses que colocou 14 mil bebês em risco de morte no enclave palestino, a paciência dos aliados de Israel “parece ter se esgotado”.
Também nesta semana, Reino Unido, França e Canadá ameaçaram tomar “ações concretas” contra Israel, incluindo sanções direcionadas, se o país hebreu não interromper sua ofensiva e continuar a bloquear o fluxo de ajuda para Gaza.
Lamentavelmente, o presidente dos EUA, Donald Trump, recentemente, deixou a região sem assinar um cessar-fogo entre o Hamas e Tel Aviv, como planejava. Ao contrário, Israel lançou mais uma ofensiva terrestre no enclave.
Milhares de soldados das Forças de Defesa de Israel (FDI) foram mobilizados para o norte e o sul da Faixa de Gaza, como parte da Operação Carruagens de Gideão, lançada por Israel neste mês, supostamente para “subjugar o Hamas” e recuperar os 58 reféns mantidos pelo movimento palestino.
A operação terrestre ocorreu após dias de intensos ataques aéreos em Gaza, que, segundo autoridades de saúde, exterminaram famílias inteiras, que já estavam semi-mortas de fome.
Netanyahu disse, em um vídeo publicado nas redes sociais: “Estamos envolvidos em combates em larga escala — intensos e substanciais — e há progresso. Vamos assumir o controle de todas as áreas da Faixa, é isso que vamos fazer. Estamos destruindo cada vez mais casas e os moradores de Gaza não têm para onde retornar. O único resultado inevitável será o desejo dos moradores de Gaza de emigrar para fora da Faixa de Gaza”, acrescentou.

População percorre, sem êxito, postos de distribuição de alimentos. Foto: Avaaz.
Segue a trágica rotina de matar
Enquanto Israel segue, implacável, nos ataques, a reação mundial parece ainda ser insuficiente. A coalizão do Reino Unido, França e Canadá – que apoiavam o sionismo – ainda não esclareceu qual retaliação poderia adotar, mas, em uma declaração conjunta, eles rejeitaram os apelos do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para perpetuar o cerco, pedindo um cessar-fogo imediato porque “o nível de sofrimento humano em Gaza é intolerável”.
Em sua declaração conjunta, os três países sustentam que Israel “tinha o direito de defender os israelenses contra o terrorismo”, após o ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro de 2023, mas afirmaram que essa escalada é totalmente desproporcional”. Já o Reino Unido anunciou que está suspendendo as negociações para um acordo comercial com Israel devido à intensificação de seus ataques a Gaza.
Só na terça-feira (20), pelo menos 87 pessoas foram mortas em meio aos ataques israelenses ao enclave.

Blindado israelense impede a entrada de um caminhão em Gaza. PrintScreen Internet-Menahen Kahana
No dia 18 passado, ataques israelenses na Faixa de Gaza mataram 5 jornalistas, informa o Hamas. De acordo com especialistas, consultados pela BBC, a linguagem dura dos governantes ex-aliados reflete “um sentimento real de crescente raiva política em relação à situação humanitária, de que uma linha foi cruzada e de que este governo israelense parece estar agindo com impunidade”. Por sua vez, Tel Aviv reconheceu que a decisão de permitir uma quantidade “mínima” de ajuda no enclave se deve à pressão de seus aliados.
Chegou em boa hora o alerta de Paris, Ottawa e Londres, pois ocorre em um momento em que o desespero dos moradores de Gaza atinge níveis muito preocupantes, devido ao bloqueio imposto por Israel.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou a situação humanitária em Gaza como “intolerável” e enfatizou que a ajuda precisa chegar ao território “rapidamente”.
O secretário de Relações Exteriores britânico, David Lammy, disse que a ofensiva de Israel na Faixa de Gaza está prestes a “entrar numa fase sombria” na qual “o governo de Netanyahu planeja expulsar os moradores e permitir que eles recebam uma fração da ajuda de que precisam.
Já a União Europeia (UE) anunciou que irá revisar o acordo de associação com Israel. Isso porque o bloco avalia que o governo israelense permitiu a entrada de uma quantidade mínima de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, “uma gota no oceano”, conforme definição de Kaja Kallas, a chefe da diplomacia da UE.
“O que isso diz é que os países veem que a situação em Gaza é insustentável, e o que queremos é realmente ajudar as pessoas, o que queremos é desbloquear a ajuda humanitária para que ela chegue às pessoas”, afirmou Kallas aos jornalistas.
Pressão internacional pode ter efeito interno oposto
Agora, uma nota pessimista desse dantesco episódio da história humana: Em entrevista à RFI, Yonatan Freeman, professor de Relações Internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse acreditar que os apelos internacionais não têm influência sobre os objetivos da guerra, mas sobre o modo de condução do confronto, a distribuição da ajuda humanitária e também a continuidade das negociações em busca de um acordo. Freeman também avalia que a forte pressão internacional pode ter um efeito oposto, internamente em Israel, ou seja, de fortalecer a narrativa e a coesão do governo.
“Acredito que quanto mais a pressão internacional aumentar, mais forte o governo vai ficar. Haverá a narrativa de que ‘o mundo todo está contra nós’. E até pessoas de fora da coalizão podem ficar menos críticas. Se você observar as condenações que os países estrangeiros fazem, muitas vezes se referem aos soldados de Israel, e isso é muito caro a todos no país. Ou seja, todos esses elementos podem acabar por fortalecer a coalizão de Netanyahu”, analisa.
O Exército é a instituição que conta com o maior percentual de confiança do público, segundo pesquisa divulgada pela Universidade Reichman, de Israel. De acordo com o levantamento, 65% dos entrevistados confiam nas Forças Armadas do país. Em segundo lugar está o presidente de Israel, Isaac Herzog, com 42%; a Promotoria do Estado, 32%; a polícia, 27%; e o Knesset, o Parlamento, com 11%.
Polêmica interna contra violência
A situação política do governo Netanyahu, porém, não é nada confortável. Há muito debate interno e troca de acusações, a partir das declarações de Yair Golan, líder do partido de esquerda Os Democratas. Em entrevista ao canal público Kan, ele disse que “Israel está a caminho de se tornar um Estado pária” e que “um país sensato não luta contra civis, não mata bebês por hobby e não tem como objetivo expulsar populações”.
Essas declarações foram recebidas com muitas críticas, inclusive do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Ele disse que os comentários de Golan são “incitação selvagem” e um “libelo de sangue”, expressão que nasceu na Idade Média para definir a acusação falsa de que os judeus usavam sangue de crianças cristãs em rituais religiosos.
Até o líder da oposição, Yair Lapid, criticou Golan, rebatendo a alegação de que os soldados israelenses matam bebês. Para ele, a afirmação é “um presente para os inimigos”.
O autor das declarações polêmicas, Yair Golan, serviu nas Forças Armadas de Israel durante 38 anos e chegou ao cargo de vice-chefe do Estado-Maior do Exército. Diante das repercussões, Golan fez uma conferência de imprensa para explicar seus objetivos.
“Eu me referi única e exclusivamente ao governo de Israel, e não ao Exército. Mas eu me recuso a ficar calado, quando este governo prejudica o Exército e sua boa reputação. Um governo que afirma que é preciso deixar crianças passarem fome e abandonar reféns. Isso não é legítimo, não é judaico, e não trabalha pelo povo de Israel”, disse.
Mestre em história pela Universidade de Tel Aviv e co-fundador do podcast ‘Do Lado Esquerdo do Muro’, João Miragaya considera que as declarações de Yair Golan são necessárias: “Eu entendo que a frase tenha sido equivocada. Mas alguém tem que dizer isso em Israel, e precisa ser alguém importante. Os israelenses não podem ficar à margem do que acontece em Gaza, sem debater a questão, principalmente quando o mundo inteiro está vendo”, disse.

Gaza em 21 de maio. Vatican News.
Negociações de paz estagnadas
O sanguinário Benjamin Netanyahu anunciou que, após uma semana de negociações “intensas” no Catar, não houve qualquer progresso rumo a um acordo. Segundo ele, os membros de alto escalão da equipe regressam a Israel para consultas. Mas um grupo de trabalho israelense permanecerá em Doha.
O primeiro-ministro do país, o xeque Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, durante o Fórum Econômico do Catar, declarou que as negociações chegaram a um impasse por “diferenças fundamentais”, entre Israel e Hamas.
Em um comunicado oficial, o Hamas afirma que nenhuma negociação séria sobre um cessar-fogo em Gaza e a libertação de reféns ocorreu, desde o último final de semana.
“A presença da delegação sionista em Doha é uma tentativa flagrante do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de enganar a opinião pública global”, disse o grupo palestino.
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Estarrecedor – Moshe Feiglin politico sionista-canal 14 TV israelense

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