Secom lança Incubadora de Soluções para o Jornalismo

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Focada em mídias negras, periféricas e independentes

Mais uma fórmula ativa para a inclusão social.

Desde a década passada, proliferam no mundo as mídias digitais, fazendo um contraponto importante com a chamada mídia hegemônica, cheia de ‘compromissos’ econômicos e políticos. O projeto de uma incubadora para atender essa nova área visa a preencher a lacuna de dados sobre o setor, visto que não existem mecanismos oficiais que reconheçam e sustentem essas iniciativas, nem mapeamentos atualizados. Por isso, o projeto baiano foi contemplado no programa Política com Ciência, que financia a produção de meios para desenvolvimento de políticas públicas, através de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. O investimento é de R$ 15 milhões.

O Governo Federal lançou a Incubadora de Soluções para o Jornalismo Negro, Periférico e Independente, iniciativa inédita da Secretaria de Políticas Digitais da SECOM da Presidência da República (Secom-PR), em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR). O projeto foi anunciado no 15º Fórum da Internet no Brasil, em Salvador, segunda-feira (26), e é uma política pública inédita para fortalecer iniciativas jornalísticas que atuam em periferias, comunidades negras e territórios historicamente invisibilizados.

Com investimento de R$ 15 milhões, a Incubadora de Soluções atuará em três frentes: Pesquisa e diagnóstico sobre os desafios do jornalismo frente à digitalização e à inteligência artificial; Desenvolvimento de tecnologias para enfrentar esses desafios; e Projetos-piloto com mídias digitais para testar soluções técnicas, sociais e de sustentabilidade econômica.

A Incubadora de Soluções para o Jornalismo é fruto de um projeto apresentado pela Secom ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. O projeto foi contemplado no programa “Política com Ciência”, que financia a produção de meios para desenvolvimento de políticas públicas, através de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. Trata-se de um projeto nacional, com recurso de R$ 15 milhões, a ser executado em 24 meses pela Superintendência de Estudos Sociais e Econômicos da Bahia (SEI), em parceria com o Parque Tecnológico da Bahia.

Se nada for feito, o jornalismo pode desaparecer. E, ao desaparecer o jornalismo, a democracia também fica ameaçada. A existência da democracia e do jornalismo são interdependentes, afirmou Tiago César Santos, secretário-executivo da Secom.

Para a execução do projeto, já foi garantida a transferência dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A incubadora também integra o Plano de Comunicação pela Igualdade Racial, criado pela SECOM e pelo MIR, e visa reduzir desigualdades no acesso, produção e circulação de informação. De acordo com os idealizadores, a iniciativa responde a desafios como desinformação, concentração de poder nas plataformas digitais e falta de apoio às mídias locais.

As próximas etapas para implantação desse novo projeto são: Convênio entre a SEI e o CNPq; A SEI iniciará a execução orçamentária; e, por fim, é será o lançamento de editais para contratação de equipes, além de delimitação estudos, listagem de testes e desenvolvimento de tecnologias e seleção de veículos para os pilotos. Duas reuniões online para detalhar o projeto vão acontecer no dia 2 de junho, às 11h e às 18h.

Os resultados esperados

O projeto fará a produção de evidências para instalar uma política pública perene que garanta: Redução de custos de infraestrutura com criação de hubs e apoio técnico para mídias negras, independentes e periféricas; formação para pessoas de comunicação que empreendem no setor; estímulo à criação de soluções tecnológicas específicas para o jornalismo; apresentação de modelos de negócios sustentáveis; e acesso a recursos públicos.

A Incubadora de Soluções faz parte de uma estratégia mais ampla da Secom para fortalecer a pluralidade e diversidade no jornalismo. Ela complementa ações como a revisão da Portaria Nº 142, de 27 de outubro de 2014, que visa simplificar o cadastro de veículos de diferentes formatos e ampliar o acesso à verba publicitária federal, promovendo maior diversidade no sistema de comunicação pública. A ideia é potencializar o uso de todos os recursos do Estado para a promoção de um ambiente comunicacional mais diverso e que garanta informação de qualidade para os cidadãos.

De acordo com Andressa Almeida, assessora especial do MIR, a Incubadora de Soluções para o Jornalismo é uma construção inédita: “A Incubadora de Soluções nasce no contexto do Plano de Comunicação pela Igualdade Racial, com o objetivo de enfrentar desigualdades estruturais no campo da comunicação – especialmente no que diz respeito ao acesso, à produção e à circulação de informações”, disse. Andressa também ressaltou o reconhecimento dos desafios tecnológicos, sociais e políticos enfrentados pelo jornalismo.

A iniciativa parte do reconhecimento de que as mídias negras, periféricas e independentes atuam em contextos profundamente diferentes e que não há soluções genéricas. Problemas com conectividade, monetização, segurança digital, formação técnica ou visibilidade exigem diagnósticos confiáveis e caminhos que considerem as realidades específicas de cada mídia.

Trabalho pela democracia

“Se nada for feito, o jornalismo pode desaparecer. E, ao desaparecer o jornalismo, a democracia também fica ameaçada. A existência da democracia e do jornalismo são interdependentes”, reforçou o secretário-executivo da Secom, Tiago César Santos: “Estamos dando mais um passo para construir um ecossistema de comunicação que seja inclusivo, diverso, plural e descentralizado.”

A cerimônia de lançamento contou com a participação de importantes nomes do ecossistema digital e informacional brasileiro como Inácio Arruda, secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes); André Joazeiro, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia; José Acácio Ferreira, diretor-geral da Superintendência de Estudos Sociais e Econômicos da Bahia (SEI-BA); e Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

Foto: Robson Faria/Divulgação NIC.br

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