Deputados priorizam inovação e alianças estratégicas

Sessão plenária do Fórum. Foto: Senado
Enquanto o mundo enfrenta um rebuliço na direção do caos com guerras, genocídios, terrorismo, confronto de ideologias, uma banda bem importante no planeta, o BRICS, trabalha intensamente pela construção de um novo mundo, mais colaborativo, respeitoso e fraterno. Ontem, terminou o 11º Fórum Parlamentar do BRICS, em Brasília, que trouxe conclusões e propostas para o que deverá ser uma nova era de paz.
Durante três dias, o Congresso Nacional foi palco do encontro, que reuniu representantes de 15 países (10 Estados-membros do BRICS e cinco países parceiros). O Fórum resultou numa declaração final que reforça o compromisso dos Parlamentos do bloco com o multilateralismo, a cooperação internacional e uma governança global justa e sustentável.
Temas de relevância mundial dominaram os debates: a saúde dos povos, a revolução da inteligência artificial e como lidar com ela; os desafios do comércio internacional justo, quando se acirram as medidas protecionistas; a promoção da paz e ações conjuntas para enfrentar as mudanças climáticas.
Em vídeo enviado ao Fórum Parlamentar do BRICS, em Brasília, nesta terça-feira (4), a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, destacou a importância de fortalecer alianças estratégicas entre os países-membros e parceiros, com foco na inovação tecnológica. Neste ano, o Brasil ocupa a presidência do grupo parlamentar.
Segundo Dilma, a conjuntura internacional, marcada por tensões geopolíticas e políticas protecionistas, exige uma atuação coordenada entre os países emergentes.
A ex-presidente brasileira, que atualmente comanda o chamado “banco do BRICS”, sediado em Xangai, na China, afirmou: “É preciso ampliar a cooperação em áreas fundamentais, como ciência, tecnologia e desenvolvimento sustentável”.
O discurso foi apresentado durante a sessão de abertura do evento, que contou com a presença de representantes dos parlamentos dos países-membros e convidados de nações parceiras. Participaram da cerimônia o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A presidente do NBD do BRICS, Dilma Roussef, falou por videoconferência. Foto: Reprodução.
Balanço das discussões
O balanço das discussões do 11º Fórum Parlamentar do BRICS e as aprovações da semana no Plenário produziu um documento, resumido a seguir:
No Resumo da Semana, o repórter Antonio Vital faz um balanço dos três dias de debates do 11º Fórum Parlamentar do BRICS. O encontro reuniu 15 delegações – de 14 países, além do Brasil. Ao todo, foram 44 parlamentares estrangeiros e 52 brasileiros. No total, o evento reuniu mais de 4.500 credenciados, entre parlamentares, representantes de embaixadas, servidores da Câmara e do Senado e funcionários terceirizados, como apoio técnico e logístico.
BRICS – Como surgiu
O acrônimo BRIC foi concebido em 2001 por um economista do banco americano Goldman Sachs, em reconhecimento ao dinamismo de crescimento econômico de Brasil, Rússia, Índia e China. A primeira reunião do BRIC ocorreu em nível de Ministros das Relações Exteriores em 2006, às margens da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. A Cúpula de Chefes de Estado iniciou em 2009, na Rússia. Em 2011, a África do Sul se integrou ao grupo, que passou a ser identificado como BRICS.
Em 2023, o grupo se expandiu, com a adesão de cinco novos membros: Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã. E, em 2025, a Indonésia se integrou ao BRICS. A partir de 2024, uma nova categoria de países passou a fazer parte dos debates do BRICS, a de nações parceiras: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.
O BRICS não é um bloco comercial. Os líderes do BRICS têm buscado uma atuação conjunta em temas como nova governança global e reforma de instituições multilaterais, em um movimento de contraponto ao G7, grupo dos países mais ricos do mundo, reforçando o papel do chamado Sul Global.
Juntos, os países do BRICS representam cerca de 40% da população do planeta, mais de 29% da economia mundial e de 20% de todo o comércio do globo, com destaque para combustíveis, minérios e grãos.
O BRICS tem uma presidência rotativa. Em 2025, o grupo está sob a presidência do Brasil. A cúpula de líderes do BRICS está marcado para 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro. E os resultados do 11º Fórum Parlamentar do BRICS, finalizado nesta semana no Congresso, serão levados à reunião dos chefes de estado do grupo.

O Fórum Parlamentar do BRICS teve forte participação feminina. Foto: Reprodução.
Documento foi publicado no final
Em uma nota, divulgada ao final do encontro dos parlamentares, os parlamentos dos países do BRICS se comprometeram em torno de temas econômicos, ambientais e até relativos ao uso de ferramentas de inteligência artificial.
Os parlamentares defenderam o multilateralismo e uma governança global justa, equitativa e inclusiva, o que envolve a reforma de instituições como a ONU, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio. Isso para dar peso maior a estes países nas decisões que afetam o mundo inteiro.
Apesar das diferenças, as delegações chegaram a vários pontos de consenso, entre eles o da Saúde. Defenderam maior cooperação internacional na área, para permitir o amplo acesso a serviços essenciais, medicamentos, vacinas e tecnologias.
A mesma coisa em relação ao comércio internacional. O documento final propõe um sistema com regras justas e transparentes. Depois de várias delegações criticarem medidas de taxações de importações pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos, o documento assinado por todos os países fez coro contra medidas coercitivas e unilaterais, que prejudicam o comércio global.
O documento final destaca, ainda, a importância do uso crescente de moedas locais nas transações entre os países do grupo. E defende o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado ‘banco dos BRICS’, assim como de outra instituição, criada pelos países do grupo, o Arranjo Contingente de Reservas, uma espécie de FMI do BRICS.
Preocupação com clima e I.A.
Os países do BRICS também cobraram um maior envolvimento dos países desenvolvidos em ações que permitam uma transição climática justa, que não penalize os mais pobres. Elencaram para isso a necessidade de transferência de tecnologia e financiamento. O argumento é que as mudanças climáticas atingem proporcionalmente mais as populações vulneráveis. Todos se comprometem a aprovar, em seus parlamentos, medidas voltadas para a conservação da biodiversidade e redução de poluição, especialmente de plásticos.
O impacto da Inteligência Artificial também foi um dos principais assuntos do encontro. Entre os consensos alcançados, está a necessidade de aprovação de marcos regulatórios que garantam o uso ético, transparente e seguro da ferramenta. O documento final também defende a reforma urgente da ONU, em especial do Conselho de Segurança, para ampliar a voz dos países em desenvolvimento na manutenção da paz mundial.
Ao final do encontro, os países do grupo defenderam a necessidade de formalização do Fórum Parlamentar do BRICS.
No primeiro dia do fórum parlamentar do BRICS no Brasil, foram realizadas reuniões temáticas com mulheres parlamentares e presidentes de comissões de relações exteriores.
No encerramento, a presidência do grupo de parlamentares foi passada para a Índia, que será também o próximo país a presidir o BRICS.
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