

Esta imagem ainda pode se repetir?
O mundo político foi surpreendido com a ruptura entre o ‘homem mais rico do mundo’ e o ‘homem mais poderoso do mundo’, nos últimos dias de maio passado. Musk sai decepcionado e ‘atirando’ no Governo dos EUA e Trump ameaça boicotar todos os contratos das empresas de Musk com o poder central norte-americano. A briga esquentou, ainda mais, quando o bilionário acusou o presidente de ‘gostar de festas com menores de idade’. O problema está posto e pode resultar em graves problemas econômicos e políticos para ambos e para os Estados Unidos como um todo.
De um lado, em poucas horas, temos Elon Musk, declarando guerra contra Trump e o seu projeto “repugnante” e, de outro lado, o presidente contra-ataca, chamando o empresário de “mentiroso”. De aliados a inimigos, de repente, o bilionário fundador da Tesla e SpaceX apelou aos norte-americanos para se oporem ao projeto de lei de gastos do presidente.
No dia seguinte de confessar ter “vergonha” daqueles que votaram a favor da resolução, Elon Musk voltou a se revoltar contra os republicanos e contra Trump e pediu aos americanos para pressionarem os seus representantes a rejeitar o projeto de lei fiscal e de gastos do presidente dos EUA.
Lei proposta é ‘repugnante’ para Musk
O homem mais rico do mundo considerou a legislação “uma abominação repugnante“, conforme se expressou, terça-feira, no X: “Ligue ao seu senador, ligue ao seu congressista, mas levar a América à falência NÃO é aceitável! ‘KILL the BILL’, escreveu (em português, “matem o projeto de lei”).
O controverso projeto de lei, que já foi aprovado pela Câmara dos Representantes e agora está sendo analisado pelo Senado, inclui grandes cortes de impostos e um aumento significativo nos gastos com defesa. O presidente Trump classificou-o como a pedra angular de sua agenda para o segundo mandato, e respondeu a Musk, apelidando-o de “One Big Beautiful Bill” (Um Grande e Belo Projeto de Lei).
Musk alertou que o projeto de lei, se aprovado, aprofundaria o déficit orçamentário dos EUA e sobrecarregaria as gerações futuras com uma dívida insustentável. Para ele, a legislação proposta é um plano ultrajante e repleto de gastos supérfluos que poderão “inchar” o déficit federal para 2,5 bilhões de dólares, segundo o The Washington Post.
Na terça-feira, Musk escreveu: “Que vergonha para aqueles que votaram a favor”, insinuando que poderá apoiar esforços para destituir os legisladores que apoiam o projeto de lei, nas eleições de 2026. E ameaçou: “Em novembro do próximo ano, demitiremos todos os políticos que traíram o povo americano”.
Esta não é a primeira ruptura pública de Musk com Trump, desde que deixou o seu cargo de curta duração no governo, a 31 de maio, após 129 dias à frente da força com a tarefa de cortar gastos, denominada DOGE.
A Casa Branca respondeu, com uma declaração sem nunca referir Musk, rejeitando as preocupações com o déficit que considerou “infundadas”. Rotulou as alegações sobre o aumento da dívida como uma “farsa”, insistiu que o projeto de lei realmente melhoraria as perspectivas fiscais do país e que, também, provocaria um crescimento econômico sem precedentes.
Estima-se que o projeto de lei aumentará o déficit em cerca de 600 bilhões de dólares, apenas no próximo ano fiscal. Os críticos também acusam o projeto de lei de ser destinado ao financiamento de projetos locais para obter favores políticos.
Na sequência, Elon Musk também afirmou, sem provas, que o nome do presidente consta no processo de Jeffrey Epstein, um financista americano acusado de crimes sexuais que cometeu suicídio na prisão, em 2019.
Na saraivada de mísseis de Musk, Donald Trump teria perdido a eleição sem sua ajuda. E, como dono da SpaceX, ameaçou “desmantelar a nave espacial Dragon“, o que seria um duro golpe para as operações da Nasa. Mas mudou de ideia logo depois, dizendo na sua rede social: “Bem, não vamos desmantelar a Dragon“.

Musk perde dinheiro; Trump está inflexível.
Enquanto rola esse bate-boca em público, as ações da Tesla despencaram em Wall Street, uma queda que abalou a fortuna (ainda) colossal de seu chefe. Nesta sexta-feira, a empresa de carros elétricos recuperava terreno.
Musk, especialmente por meio da SpaceX, administra enormes contratos com o governo federal, o que o torna vulnerável, mas também o fortalece por meio das responsabilidades que lhe foram confiadas.
Do ponto de vista político, Trump desfruta de um apoio quase inabalável entre suas bases, em comparação com a influência limitada de seu impopular ex-aliado. O republicano já demonstrou estar disposto a usar todas as ferramentas à sua disposição contra seus oponentes, incluindo o Departamento da Justiça.
O vice-presidente JD Vance escreveu no X, ontem (6), em defesa de Trump, que “a grande mídia espalha muitas mentiras sobre o presidente. Uma das mais flagrantes é que ele é impulsivo ou temperamental”, escreveu, querendo parecer ser sincero…
O Partido Republicano, no entanto, sente a perda do maior doador da história política americana, a pouco mais de um ano das eleições de meio de mandato.
Ainda que Musk tenha mencionado, publicamente, a ideia de lançar um novo partido, as ambições pessoais do sul-africano são limitadas pela Constituição: cidadãos naturalizados são proibidos de concorrer à presidência dos Estados Unidos.
Vai-e-vem de longa data
O rompimento, entre o presidente Donald Trump e o bilionário Elon Musk, trouxe a público os interesses pessoais de cada um. A relação entre ambos começou ainda no primeiro mandato de Trump e já vem oscilando desde então. Primeiro, com apoios, logo depois com críticas. Aí veio uma nova aliança e a troca de elogios públicos. E, agora, as ameaças.
Nesta sexta-feira (6), nos Estados Unidos, analistas avaliaram que esse vai-e-vem pode estar longe do fim. Ainda que a Casa Branca busque um ‘cessar-fogo’, porque, nas primeiras horas do dia, o presidente Donald Trump conversou, por telefone, com a rede de TV ABC e, em resposta ao repórter, disse que Elon Musk perdeu a cabeça e que não quer falar com o bilionário nesse momento. No fim do dia, ele voltou a falar sobre o assunto. Em tom bem mais ameno, disse que precisa analisar o que vai fazer, em relação a Musk.
A relação entre os dois é marcada por idas e vindas. Na campanha à Casa Branca, em 2016, o bilionário disse que Trump não era o nome certo, que não tinha um caráter que refletisse, de forma correta, os Estados Unidos. Mas acabaram se aproximando, nesse primeiro mandato de Trump, voltando a se distanciar quando o então presidente deixou o Acordo do Clima de Paris.
A reaproximação foi tornada pública quando, em 13 de julho de 2024, Musk apoiou publicamente a candidatura do republicano, que tinha sobrevivido a uma tentativa de assassinato momentos antes. Mas essa aliança de interesses foi rachando pelas diferenças profundas. Observe algumas:
Enquanto Trump elevou tarifas, alegando que vai criar empregos nos Estados Unidos, Musk criticou a iniciativa e afirmou que ela vai levar o país à recessão. Trump está fazendo um ataque duríssimo à imigração e dificultando os vistos. Musk é favorável a atrair talentos estrangeiros para que os Estados Unidos possam competir com outras economias. Musk é favorável à transição energética, em grande parte por causa da Tesla, sua empresa de carros elétricos. Trump põe em dúvida o aquecimento global.

Imagem: Print screen Globo
Passados vários dias dos ataques de Musk, Trump reagiu, afirmando que Musk conhecia em detalhes o projeto de lei e que estava chateado porque ele previa a redução dos incentivos a carros elétricos. Ele ainda afirmou que o bilionário “ficou louco” e ameaçou cortar os subsídios e contratos governamentais para as empresas do sul-africano. A expressão “louco” chamou a atenção porque, nesses dias, foram veiculadas imagens de Musk visivelmente dopado.
A resposta de Elon Musk foi ainda mais intensa, com uma série de publicações no X, acusando o republicano de envolvimento no escândalo sexual ligado a Jeffrey Epstein. Ele ainda afirmou que Trump só foi eleito por sua causa e defendeu o impeachment do presidente dos EUA.
Onde doem os calos
O grande motivo para o racha na relação veio com o projeto de lei orçamentária de Trump. O bilionário – que tinha entrado no governo para reduzir a máquina pública – não escondeu a irritação com o projeto que o presidente apelidou de “grande e linda lei”. Ele garantiu que a iniciativa vai aumentar o déficit do governo para 2,5 trilhões de dólares
A lei, agora em discussão no Senado, amplia largamente os cortes de impostos e aumenta gastos em defesa e no combate à imigração. Para compensar a perda de receita, propõe cortar programas sociais e de energia limpa, incluindo os créditos fiscais a fabricantes de carros elétricos (aí pisou no calo de Musk).
O presidente alaranjado sempre foi favorável aos combustíveis fósseis, mas chegou a posar de garoto-propaganda em um carro vermelho para ajudar a empresa de Elon Musk. O carro está hoje abandonado nos fundos da Casa Branca.
Bye bye aliança e… mais o quê?
Fica, então, no passado, a aliança que prometia transformar a América grande novamente. O professor Todd Belt, diretor do Departamento de Gestão Política da Universidade de George Washington, afirmou que a separação era esperada:
“Não se pode ter dois xerifes nesta cidade. Só há um presidente, e o que se tinha era a pessoa mais poderosa do mundo e a pessoa mais rica do mundo ocupando o mesmo Salão Oval”.
Na avaliação do professor, ambos os lados têm a perder nessa contenda. Trump – que quer manter o controle na Câmara e no Senado na eleição em 2026 – viu Musk defender um terceiro partido, longe de democratas e republicanos. Mas, segundo o professor, Musk tem muito mais em risco. O bilionário já viu o valor das ações de suas empresas despencar e depende fortemente de contratos e da regulamentação governamentais.
As perdas seriam tão pesadas para ambos os lados que Todd Belt não descartou que Trump e Musk ainda possam mudar e reatar a relação: “Na política haverá sempre uma nova questão que pode fazer com que os interesses voltem a se alinhar”, avalia.

Mas, você conhece Elon Musk?
Elon Musk é um empresário e inovador sul-africano, naturalizado canadense e norte-americano, conhecido por suas contribuições revolucionárias em tecnologia e transporte. Nascido em 28 de junho de 1971, em Pretória, África do Sul, Musk demonstrou interesse por computação e empreendedorismo desde cedo. Ele estudou na Queen’s University e na Universidade da Pensilvânia, onde se formou em Física e Economia.
Sua vida como empresário começou com a Zip2, uma empresa de software, vendida por US$ 307 milhões. Em seguida, fundou a X.com, que evoluiu para o PayPal e foi adquirida pelo eBay por US$ 1,5 bilhão. Com o capital na mão, Musk fundou a SpaceX em 2002, com o objetivo de tornar viagens espaciais mais acessíveis. A empresa se tornou líder no setor, desenvolvendo foguetes reutilizáveis e firmando contratos com a NASA.
Em 2004, Musk investiu na Tesla, tornando-se seu CEO e impulsionando a produção de veículos elétricos. A Tesla revolucionou a indústria automotiva com seus modelos. Além disso, Musk fundou a SolarCity, dedicada à energia solar, e a Neuralink, que pesquisa interfaces cérebro-máquina.
Ele também adquiriu o Twitter, mudando seu nome para X, e fundou a xAI, focada em inteligência artificial. Seus sonhos (ou delírios) incluem colonizar Marte e desenvolver tecnologias sustentáveis para reduzir o impacto ambiental. Com uma fortuna estimada em centenas de bilhões de dólares, Musk continua a influenciar diversos setores da economia global.
Porém, a briga com Trump fez a Tesla perder bilhões em valor. Com isso, Musk perde R$ 150 bilhões.
O adversário instável e controverso
Donald Trump nasceu em 14 de junho de 1946, em Nova York, e cresceu em uma família envolvida no setor imobiliário. Seu pai, Fred Trump, era um empresário bem-sucedido e Donald seguiu seus passos, expandindo os negócios da família e construindo um império no setor imobiliário. Se tornou uma figura pública ao longo dos anos, especialmente por sua participação em programas de televisão e por sua marca voltada para empreendimentos de luxo.
Trump entrou na política e foi eleito presidente dos Estados Unidos em 2016, assumindo o cargo em janeiro de 2017. Sua gestão foi marcada por políticas conservadoras, cortes de impostos, endurecimento das leis de imigração e uma abordagem protecionista na economia. Ele também enfrentou diversas controvérsias, incluindo processos judiciais e acusações de má conduta financeira.
Após deixar a presidência em 2021, Trump continuou ativo na política e tentou retornar ao cargo em 2024. Sua trajetória é marcada por altos e baixos, incluindo desafios legais e disputas políticas.
Com o atual conflito público com Elon Musk, que gerou impactos econômicos significativos, e apesar das controvérsias, Trump continua sendo uma figura influente na política e nos negócios.

A imagem que viralizou nas redes fala por si.
Fatores para um agravamento
O clima de rompimento definitivo é tamanho que um assessor político dos EUA recomendou que a Casa Branca investigue o empresário, sugerindo, até mesmo, a deportação dele. Musk pode ser investigado pelas autoridades dos EUA.
O pseudo-pensador sociopolítico Stephen Bannon é um dos maiores críticos de Elon Musk e afirmou que está aconselhando o presidente Trump a tomar medidas contra o seu antigo aliado.
O assessor político sugeriu cancelar todos os contratos do governo com as empresas do bilionário. Além disso, pediu que o homem mais rico do mundo seja investigado: “Eles deveriam iniciar uma investigação formal de seu status de imigração, porque acredito fortemente que ele é um estrangeiro ilegal e deve ser deportado do país imediatamente”, botou lenha Bannon. O suposto uso de drogas pelo empresário, já desmentido por Musk, também motivou os pedidos de investigação.
Caso estas medidas sejam adotadas, a autorização de segurança do bilionário deve ser suspensa. Nos Estados Unidos, a “autorização de segurança” geralmente se refere ao processo pelo qual indivíduos recebem permissão para acessar informações confidenciais do governo. Esse processo envolve verificações de antecedentes e avaliações de risco para garantir que a pessoa não represente uma ameaça à segurança nacional.
Além disso, existem leis que regulam a vigilância e o acesso a informações privadas. Por exemplo, a Seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA) permite que o governo monitore comunicações de cidadãos sem necessidade de mandado. Essa legislação é considerada uma ferramenta importante para contraterrorismo, mas também gera preocupações sobre privacidade e abuso de poder.
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