
Luís de Camões
Bom dia! Hoje é o Dia de Camões, em Portugal. Nascido em 8 de junho de 1524, Luís Vaz de Camões (1524–1580) é considerado o maior poeta de língua portuguesa. Autor de Os Lusíadas, que conta a epopéia portuguesa na época dos descobrimentos, acredita-se que ele tenha nascido por volta de 8 de junho de 1524. Aqui estão duas das poesias mais famosas de Luís de Camões, um dos maiores poetas da língua portuguesa. “Amor é um fogo que arde sem se ver” é um dos sonetos mais conhecidos de Camões, explorando os paradoxos do amor. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” é outro soneto e reflete sobre a impermanência da vida, tema frequente na obra camoniana.
Amor é um fogo que arde sem se ver
Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente,
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.
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É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
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É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
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Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
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Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve), as saudades.
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O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
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E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
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Estátua de Luís de Camões, no centro de Lisboa.

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