
O mundo precisa, cada vez mais, da agricultura para produzir alimentos capazes de atender à necessidade crescente de enormes populações. Milhões passam fome no nosso planetinha, infestado de guerras, golpes, aventureiros e maus governos. Porém, por outro lado, não podemos produzir a qualquer custo, sem dar atenção ao meio ambiente, já tão maltratado. Se o Brasil quiser mesmo atingir a meta de “celeiro do mundo”, deve produzir com respeito ao meio ambiente. Nessa linha é que trazemos aqui a participação da Bahia na reunião nacional sobre agropecuária de baixo impacto e o pronunciamento da ministra do Meio Ambiente e Recursos Renováveis, Marina Silva, sobre essa temática.
A Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) participou, no fim da semana passada, do Seminário “Políticas de Agricultura de Baixo Carbono (ABC): Um Caminho para a Resiliência Sustentável no Brasil”, realizado em Brasília. O evento, que integrou a agenda da Trilha da COP 30, aconteceu nos últimos dias 4 e 5 de junho e reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo para debater os rumos da agropecuária de baixo carbono no país.
Representada pelo chefe de gabinete, Adriano Costa, e pelo presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro, a secretaria contribuiu com os debates sobre estratégias de fortalecimento da agricultura familiar no Brasil, como o enfrentamento à crise climática, e apresentou as suas experiências com projetos como o Parceiros da Mata, que promove ações de recuperação ambiental, segurança hídrica e resiliência climática, beneficiando diretamente mais de 350 mil pessoas.
“Foram dois dias de muita troca, em que a Bahia pôde apresentar suas experiências no enfrentamento às crises climáticas, a exemplo do projeto Parceiros da Mata e várias outras iniciativas que fortalecem a agricultura familiar no Estado. Foi um seminário muito rico. Levamos esse conhecimento para a Secretaria de Desenvolvimento Rural, para que possamos fazer a agricultura familiar avançar ainda mais”, destacou o chefe de gabinete da SDR.
O seminário, promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do governo do Reino Unido, foi muito útil como preparação para a COP 30, que será realizada em Belém (PA), reunindo diferentes atores para promover a troca de experiências e estimular a adoção de tecnologias sustentáveis no campo.
Ao longo dos dois dias, os debates deram destaque para o Plano ABC+, que estimula práticas agropecuárias de baixa emissão de carbono. Os painéis trataram da evolução desse plano, seus ganhos técnicos e produtivos com as políticas locais e do Programa Caminho Verde, que prevê a recuperação de 40 milhões de hectares de áreas degradadas para uso exclusivo em agricultura sustentável, no prazo de dez anos.
A participação da SDR reafirma o compromisso do Estado com um modelo de desenvolvimento rural que respeita o meio ambiente, valoriza o produtor e aposta na inovação como caminho para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

Os representantes da Bahia apresentaram propostas. Foto: Adriano Costa/SDR
Marina Silva se pronuncia
A ministra do Meio Ambiente e Recursos Renováveis, Marina Silva, reafirmou, no Dia Mundial do Meio Ambiente, em rede nacional, o compromisso do Brasil com a preservação da natureza e da vida no planeta.
Entre os temas tratados, destacaram-se o Plano Clima, o Fundo Amazônia, o desenvolvimento sustentável com justiça social e ambiental e a COP30. Confira a íntegra:
“Boa noite.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, reafirmo, em nome do governo do presidente Lula, o nosso compromisso com a defesa da vida. Esta data, criada pelas Nações Unidas há mais de cinquenta anos, busca mobilizar a humanidade para a preservação da natureza e da vida em nosso planeta.
Vivemos tempos em que as mudanças climáticas, provocadas pela degradação do meio ambiente e pelo consumo excessivo de combustíveis fósseis, ameaçam profundamente o nosso futuro. O aumento das secas, inundações, ondas de calor e incêndios coloca em risco a alimentação, a saúde, a moradia de milhões de pessoas, em nosso país e em todo o mundo.
Diante desse cenário, o governo brasileiro tem atuado com firmeza, orientado pela ciência, pela justiça social e por investimentos consistentes em políticas públicas ambientais.
Nos primeiros dois anos do governo do presidente Lula, conseguimos reduzir quase pela metade o desmatamento na Amazônia e em 32% em todo o país. Isso só foi possível com o fortalecimento da fiscalização e do combate aos crimes ambientais pelo IBAMA, o ICMBIO e a Polícia Federal, com ministérios, governos estaduais, prefeituras e comunidades locais jogando juntos.
Também retomamos a criação de reservas ambientais e a demarcação de terras indígenas e quilombolas, territórios vitais para a proteção da nossa natureza e da nossa diversidade.
Estamos colocando em prática o Plano Clima, com metas claras e compromissos ambiciosos contra o aquecimento global.
O acerto e a credibilidade dessas ações permitiram uma grande ampliação das doações internacionais para o Fundo Amazônia e novos investimentos no Fundo Clima, fazendo dele uma das principais fontes de recursos para apoiar a transição ecológica.
Mas sabemos que ainda falta muito a fazer.
Precisamos aprimorar nossas políticas públicas e nossa legislação ambiental, mas sem permitir retrocessos que ponham a perder um esforço de décadas da sociedade brasileira, que pode se orgulhar de ter uma das mais completas e bem avaliadas leis ambientais do mundo.

Cuidado com a agilização de licenças
“Não podemos permitir que, em nome da agilização das licenças ambientais, seja desferido um golpe mortal em nossa legislação, justamente quando o desequilíbrio ecológico, que está acelerando as mudanças climáticas, nos cobra mais responsabilidade.
É possível promover o desenvolvimento sustentável com justiça social e ambiental; ampliar o acesso à infraestrutura protegendo o meio ambiente; melhorar a vida das populações mais vulneráveis com responsabilidade; recuperar áreas degradadas com a regeneração de nossos biomas; e impulsionar um novo ciclo de prosperidade, mantendo a floresta em pé, investindo em energias limpas e no uso responsável da água e do solo.
Nosso país tem tudo para liderar esse processo pelo exemplo, pautado no diálogo, na ciência e nos saberes milenares de nossos povos indígenas e comunidades tradicionais, comprometido com as gerações de hoje e de amanhã.
Liderar pelo exemplo, aliás, é o que todos esperam do Brasil, que se prepara para receber em novembro o maior evento de meio ambiente do mundo, a COP-30, em Belém do Pará. Será a COP do chamamento de um grande mutirão para que o mundo se una no esforço coletivo pela implementação dos compromissos até aqui firmados na Convenção do Clima.
Neste 5 de junho, renovamos nosso chamado à ação. Preservar o meio ambiente é preservar a vida. Este é um dever de todos: governos, empresas, comunidades e cidadãos.
Nosso tempo é agora. Muito obrigada.”
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