

Ataque de Israel ao Irã clareou o céu de Teerã e causou mortes. Foto: Reuters/Amir Cohen
Hoje, sexta-feira 13, dia em que Israel começa um grande ataque ao Irã, devemos estar atentos ao fato de que nosso planeta enfrenta, atualmente, dezenas de guerras, provocadas por motivos diversos, e não sabemos onde tudo isso vai parar. Sem dúvida, a insanidade toma conta dos terráqueos e “o futuro a Deus pertence”. Essas guerras e violência interna envolvem países de todos os continentes, mas pouca gente sabe que existem dezenas de nações no mundo que não possuem exército. Isso mesmo! Não existem forças armadas. É o caso, por exemplo, da Costa Rica, nossa vizinha, na América Central, vizinha ao Panamá. É praticamente impossível seguir o exemplo e extinguirmos as forças armadas de tantos países guerreiros, mas devíamos pensar nisso, antes que os conflitos se generalizem e não restem nem os desarmados.
A maior parte pertence a organizações internacionais, uns por terem quem os defenda, outros por quererem um mundo mais pacífico. A Costa Rica foi o primeiro país a optar por não ter exército, mas agora há dezenas. Essa decisão aconteceu em 1949, depois de uma guerra civil que deu lugar à Junta Fundadora da Segunda República. Foi a Junta que decidiu acabar com a armada costa-riquenha, com o objetivo de investir esses recursos num maior e melhor desenvolvimento social, segundo a UNESCO.
As Nações Unidas explicam que esta abolição permitiu “que a Costa Rica se tornasse um exemplo a nível mundial, de uma nação pacifista e civil, resolvendo conflitos e ameaças externas através dos instrumentos previstos pelo Direito Internacional”.
Ao longo dos anos, outros países seguiram a boa ideia, entretanto, alguns até têm forças armadas de paz, por exemplo, mas nenhum possui um verdadeiro corpo de defesa. Quer saber quais são?
Na Europa, só existem alguns exemplos. Entre eles, os estados de Andorra, Liechtenstein, Ilhas Faroe, Groenlândia, Mônaco, San Marino e Vaticano. A maior parte destes estados está dependente de outro para tornar possível uma da defesa: Andorra depende da França e Espanha, por exemplo, enquanto San Marino tem de ser defendido por Itália.
Porém, há uma nação que se destaca entre estas pelo tamanho (fora a Groenlândia, que pertence ao Reino da Dinamarca). É a Islândia. Nesse país nórdico, só existem forças armadas para missões de paz. Não contam com forças de defesa, mas o país pertence à OTAN. Portanto, é papel dos estados-membros defender a Islândia em caso de ataque.
“O conceito de segurança já não se restringe à defesa territorial; o conceito é muito mais vasto e estende-se à resposta a novos desafios”, está escrito no site do governo islandês:
“Os Estados individuais não conseguirão, por si sós, impedir a proliferação de armas de destruição maciça, o terrorismo, a criminalidade internacional, a degradação ambiental, a segurança financeira, as ciberameaças, o tráfico de seres humanos, o impacto negativo das alterações climáticas, a pobreza e a miséria, nem a ameaça representada pelos Estados frágeis. Estas ameaças globais só podem ser enfrentadas através de uma cooperação internacional ativa.”
Na América, há vários países que seguiram o exemplo da vizinha Costa Rica: Aruba – que pertence ao Reino dos Países Baixos e tem que ser defendido por eles; Ilhas Cayman, que pertencem ao Reino Unido, ainda que sejam soberanas; Dominica, onde o exército foi abolido em 1981, após duas violentas tentativas de golpe de estado; as Ilhas Malvinas, cuja responsabilidade de defesa recai sobre o Reino Unido; Granada, que também teve exército abolido, em 1983, após uma invasão norte-americana, tal como o Panamá.
Porto Rico também não tem exército (pertence aos EUA); Santa Lucia, Montserrat, São Vicente e Granadinas, Dominica e São Martinho pertencem e são protegidas pelo reino dos Países Baixos.
África, Ásia e Oceânia
Várias pequenas ilhas no Pacífico não têm densidade populacional ou envolvimento político internacional que justifiquem os custos de manter uma força armada. A maior parte delas é, politicamente, dependente de nações europeias ou dos EUA.
Na Oceânia, por exemplo, são sem exército as Ilhas Cook, a Polinésia Francesa, Kiribati, Ilhas Marshall, Micronesia, Nova Caledónia, Niue, Palau, Ilhas Salomão, Tuvalu e Vanuatu.
Na África, há apenas um país sem exército: as Maurícias, que nunca tiveram forças de defesa, desde a independência do Reino Unido. Na Ásia, só a China tem que defender duas regiões administrativas especiais: Honk Kong e Macau.

Foto: Antigo quartel general costa-riquenho é, hoje, um museu.
O caso da Costa Rica
A Costa Rica aboliu seu exército em 1948, após uma breve guerra civil. A decisão foi formalizada na nova Constituição de 1949, tornando o país um dos poucos no mundo sem forças armadas permanentes.
O principal motivo dessa decisão foi “redirecionar os recursos militares para áreas como saúde, educação e bem-estar social”. A medida deu certo: hoje, a Costa Rica tem alguns dos melhores indicadores sociais da América Latina, incluindo bons níveis de alfabetização e alta expectativa de vida.
Ainda que não tenha exército, o país mantém forças de segurança pública bem treinadas, responsáveis pela ordem interna. Em caso de ameaça externa, a Costa Rica conta com tratados internacionais e apoio de organizações como a OEA.
Esse é um exemplo raro de como a neutralidade e o pacifismo podem ser pilares de uma política nacional.

Países em guerra, hoje
Atualmente, o mundo enfrenta mais de 50 guerras e conflitos armados ativos, variando de guerras entre Estados a rebeliões internas e crises civis. Aqui estão alguns dos principais focos de conflito hoje:
– Ucrânia: A guerra entre Rússia e Ucrânia continua desde 2022, com intensos combates e grandes perdas humanas.
– Sudão: Em guerra civil desde 2023, o país vive uma das piores crises humanitárias do mundo, com milhões de deslocados e milhares de mortos.
– Israel e Palestina (Gaza): O conflito entre Israel e o grupo Hamas se intensificou, com declarações formais de guerra e ataques aéreos e terrestres.
– Síria: A guerra civil iniciada em 2011 ainda persiste, com múltiplas facções e envolvimento internacional.
– Etiópia: Conflitos étnicos e políticos, especialmente na região do Tigré, continuam a causar instabilidade e mortes em larga escala.
– Myanmar (antiga Birmânia): Desde o golpe militar de 2021, o país enfrenta uma guerra civil com diversos grupos étnicos armados.
– Iêmen: A guerra entre os rebeldes houthis e o governo, com envolvimento da Arábia Saudita, segue ativa e devastadora.
– República Democrática do Congo: Conflitos armados entre grupos rebeldes e o governo continuam, especialmente no leste do país.
– Sahel (Mali, Burkina Faso, Níger): A região enfrenta insurgências jihadistas e golpes militares frequentes.
– Nagorno-Karabakh (Azerbaijão e Armênia): Após nova ofensiva do Azerbaijão, a região voltou a ser palco de confrontos armados.

O ataque de Israel atingiu bairros residenciais.
Israel x Irã
O chefe militar de Israel, Eyal Zamir, afirmou que está preparando o exército para qualquer resposta do Irã ao ataque aéreo israelense contra Teerã na madrugada de hoje, sexta-feira (13), horário local, noite de quinta, (12), horário de Brasília.
Num discurso televisionado, o oficial disse que está mobilizando as tropas e preparando as fronteiras. Alertou, ainda, que haverá um “preço alto” a quem tentar desafiar Israel.
“Estamos preparando esta operação há muito tempo; esforços sem precedentes foram feitos em todas as agências e diretorias para garantir a prontidão contra a ameaça tangível e presente”, acrescentou.
Depois de obter a confirmação da Força Aérea de Israel, os Estados Unidos negaram envolvimento no ataque. De acordo com o secretário de Estado Marco Rubio, o bombardeio israelense foi ‘unilateral’ e a prioridade dos EUA é “proteger as forças americanas na região”.
“Esta operação continuará pelos dias que forem necessários para eliminar esta ameaça”, disse o Primeiro-ministro de Israel.
Após o programa nuclear do Irã ter sido atingido, o governo do país anunciou que vai retaliar a ação bélica. Comunicado divulgado pelas Forças Armadas do Irã mencionou possível operação de resposta. O texto diz, inclusive, que pontos dos Estados Unidos no Oriente Médio podem ser alvo de ataque.
Com informações do ZAP

Prédios residenciais, bombardeados em Teerã. Foto: Fatemeh Bahrami/Getty Imagens



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