Caminho das Águas chega ao Pajeú e ao Seridó



Um sonho de séculos se torna realidade: está concluída a Transposição do rio São Francisco e ficam prontas as obras finais de distribuição. Os seres humanos e os animais que sofriam com a falta d’água, viverão uma nova realidade, capaz de alavancar ainda mais a economia e os índices de saúde do Nordeste brasileiro. Sem dúvida, um motivo de alívio, também, para todos nós, que lamentávamos essa situação secular de miséria, agora vencida.
O Sertão do Pajeú celebra o fim da seca histórica com a chegada da água. Uma comitiva do Governo Federal inaugurou obras da Adutora do Pajeú e do Ramal do Desterro, garantindo abastecimento a mais de 240 mil pessoas na Paraíba e em Pernambuco.
Centenas de pessoas estavam reunidas na praça central do município de Desterro (PB), quinta-feira (12), quando o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, abriu as torneiras de dois chuveiros instalados na área pública. Foi uma cena histórica a chegada da água em uma região do Sertão do Pajeú, que sobreviveu por décadas com a escassez hídrica. O ministro não pensou duas vezes e entrou debaixo da chuveirada, comemorando, junto com a população, a inauguração do Ramal do Desterro e da Adutora do Pajeú, realizada durante visita da comitiva do Caminho das Águas na região.
“É uma obra realmente transformadora. Tem município que a água já chegou, municípios em que a água vai chegar no fim de julho e outros que têm demandas novas. Todos os que estão no raio da Transposição do São Francisco, via Adutora do Pajeú, serão atendidos” – revelou o ministro Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Obra transformadora de vida e da economia
Essas obras de infraestrutura hídrica vão garantir o abastecimento de água potável para diversas cidades do interior da Paraíba e de Pernambuco. “É uma obra realmente transformadora” – exaltou o ministro Waldez, prosseguindo: “Tem município em que a água já chegou, municípios em que a água vai chegar no final de julho e outros que têm demandas novas.”
Com extensão de 193km, a Adutora do Pajeú distribui para 20 municípios de Pernambuco a água do Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), por meio da captação no Reservatório Campos, no município de Sertânia (PE). Já o Ramal do Desterro (PB) é uma continuação de 370 km para que a água da Adutora do Pajeú chegue, além do estado de Pernambuco, a 18 municípios da Paraíba, beneficiando um total de 247.837 pessoas.
As obras da Adutora do Pajeú e do Ramal do Desterro foram financiadas com recursos do MIDR (totalizando R$ 574 milhões) e executada pelo Departamento de Obras Contra a Seca (DNOCS). A operação das estruturas está a cargo da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).

Ministro Waldez Góes durante a inauguração do Ramal do Desterro e da Adutora do Pajeú na Paraíba (Foto: Márcio Pinheiro/MIDR)
Estação elevatória
Na mesma viagem, o ministro Waldez Góes visitou a estação elevatória 17 da Adutora do Pajeú, em Teixeira (PB). A estrutura faz parte do conjunto operacional da adutora, possibilitando o curso da água através do semiárido.
Ana Gabriele de Oliveira Amorim, 23 anos, lembra-se do tempo em que os moradores de Teixeira tinham de carregar potes na cabeça para ter água: “Há 20 anos não tinha água na Paraíba. A chegada da água é o novo para a nossa gente”, comentou a advogada.
Realmente, trata-se de uma nova realidade, em que o direito de acesso a água está garantido, e se pode sonhar com o futuro. “A sede da população e dos animais vai acabar, isso é um cuidado muito importante para nós. O olhar humano do presidente Lula para a população pobre e nordestina é realmente significativo para nós”, reconheceu Ana Gabriele.
Durante a visita técnica à estação elevatória 17, o diretor de Infraestrutura do DNOCS, Luiz Hernani, anunciou que a cidade de Teixeira será atendida por um novo ramal cuja inauguração está prevista para o fim de julho de 2025. “No final de julho, estamos programando para inaugurar o ramal que vai atender a cidade de Teixeira”, disse Hernani, complementando que as obras civis estão concluídas. “A estação 17, que visitamos, a estação 16 e mais um reservatório fazem parte de uma tubulação de 15 quilômetros que vai levar água do Rio São Francisco até a cidade de Teixeira”, explicou.
A comitiva também visitou a agência de tratamento de água de Desterro, que é abastecida pelo Ramal do Desterro e administrada pela Companhia de Águas e Esgoto do Estado da Paraíba (Cagepa). A estrutura vai reforçar o abastecimento da cidade.
Adutora do Seridó vai levar água para o RN
A Comitiva do Caminho das Águas, liderada pelo ministro Waldez Góes, visitou uma obra inovadora que vai garantir segurança hídrica para mais de 80 mil pessoas.
A comitiva do Governo Federal, liderada pelo MIDR, encerrou a agenda do Caminho das Águas de quinta-feira (12) com uma visita à Estação de Tratamento de Água 1 da Adutora do Seridó, localizada no município de Jucurutu, no Rio Grande do Norte. Essa é mais uma obra de infraestrutura hídrica, presente na carteira do Novo PAC, que vai levar água do rio São Francisco para a população potiguar.

Obra da Adutora do Seridó vai garantir água tratada para 80 mil pessoas no sertão do Rio Grande do Norte. Foto: Márcio Pinheiro/MIDR
Durante a visita técnica, o ministro Waldez Góes relembrou o compromisso do presidente Lula, desde o início de seu mandato, com as obras de segurança hídrica no Nordeste.
“Quem fez o orçamento de 2023 não botou dinheiro para essas obras de segurança hídrica. Aí o presidente Lula preparou a PEC da Transição e apresentou ao Congresso. Depois, o ministro Rui Costa construiu o Novo PAC, ouvindo os governadores, e criou o eixo Água para Todos, que trata de revitalização de bacias, de obras de infraestrutura hídrica, de tecnologia social e de abastecimento, e destinou R$ 30 bilhões”, afirmou.
A ETA‑1 (EB1) capta água da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, trata e envia para Jucurutu, Florânia, Currais Novos, Cruzeta e São Vicente, por meio da Adutora do Seridó. O diferencial dessa obra é que, em caso de necessidade, a estrutura poderá também captar água da barragem de Oiticica, garantindo segurança hídrica para a região.
O secretário nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira, explicou que a água vai ser distribuída na região que mais sofre com seca e estiagem no Rio Grande do Norte.
Com 112 quilômetros de extensão e 81% de avanço das obras, a Adutora do Seridó já recebeu mais de R$ 310 milhões em investimentos. A capacidade de adução de água chega a 375 litros por segundo. “É garantia para 50 anos”, disse Flávio Fernandes, analista em desenvolvimento regional da Codevasf e fiscal da obra.
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, acompanhou a visita e celebrou o avanço dos trabalhos. “Essa estação de tratamento, aqui em Jucurutu, para distribuir as águas do São Francisco via sistema Adutor do Seridó, é mais um sonho realizado, porque se soma à barragem de Oiticica que nós já entregamos recentemente, com a presença do presidente Lula, junto com a passagem das Traíras e a primeira etapa do Ramal do Apodi. Então, é um momento realmente para a gente celebrar”, declarou.
O prefeito de Currais Novos, Lucas Galvão, agradeceu o empenho do Governo Federal em garantir que a obra seja concluída com rapidez para atender a população: “A gente vive na região que menos chove do Seridó, já passamos maus momentos, mas é gratificante ver a obra avançando para atender nossa população”, disse. O sistema tem capacidade para atender inicialmente cerca de 80 mil pessoas, mas esse número vai aumentar com a expansão do sistema para outras cidades da Serra de Santana.

Waldez Góes no Bom Dia, Ministro: “A prioridade do governo do presidente Lula é garantir água” – Foto: Diego Campos/Secom-PR
Garantia de segurança hídrica
O ministro Waldez Góes fala sobre o Caminho das Águas: “Objetivo é garantir segurança hídrica em todo o Nordeste, prioritariamente, no Semiárido”. Esse é o Projeto de Integração do São Francisco (PISF), com novas medidas voltadas para segurança hídrica.
O ministro Waldez Góes falou, há oito dias, no programa “Bom Dia, Ministro”. Ele reafirmou que a Transposição do São Francisco está concluída e estão em fase de investimentos obras complementares e independentes para garantir segurança hídrica, destinada ao consumo humano e à agropecuária no Nordeste.
“O Nordeste brasileiro – disse ele – tem dois momentos de história muito bem definidos: um antes da transposição, portanto, antes do presidente Lula, e outro depois do presidente Lula”.
Além dos grandes canais da transposição, outros projetos – como adutoras, ramais e reservatórios – estão espalhados pelos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte, formando o Caminho das Águas. Somando estudos e projetos em andamento, são mais de 70 ações, todas inscritas no Novo PAC. O Caminho das Águas está passando por um processo de visitas técnicas em maio e junho. Várias das vistorias da comitiva foram lideradas pelo ministro Waldez Góes.
“O objetivo é garantir segurança hídrica, água para todos, em todo o Nordeste brasileiro, prioritariamente, no Semiárido. Todos sabemos a história do Semiárido brasileiro, do Semiárido nordestino, quanto sofrimento, o quanto de morte aconteceu, o quanto de êxodo rural, não só para os estados, mas para tantos recantos do Brasil, dos retirantes desse Semiárido, ao longo da vida.”
A criação do eixo do Água para Todos no Novo PAC acelerou a Transposição do Rio São Francisco e outras medidas para combater a escassez hídrica. “Foi apertado o acelerador para dezenas de outros empreendimentos. A água destina-se não só ao consumo humano, mas também para viabilizar projetos de irrigação, de produção de alimentos, de turismo e de industrialização. Esse acelerador está realmente bem firme, porque foram destinados pelo presidente Lula, a partir de 2023, R$ 12 bilhões para as obras de infraestrutura hídrica. Além da PEC da Transição, que garantiu muito recurso, já aplicado em 2023. A prioridade do governo do presidente Lula é garantir água”, assegurou Waldez.
Estão contempladas no pacote aproximadamente 72 empreendimentos: barragens, canais, adutoras e dutos, recuperação de barragens, recuperação de infraestrutura já existente, além de obras novas. “Quando se junta isso, a Transposição de São Francisco, com esse novo pacote de obras que o presidente Lula lançou no Novo PAC, a água vai chegar a mais de 12 milhões de pessoas”, revelou, explicando:
“Chega a esse número de pessoas porque você vai pegar estados como Ceará, onde hoje está sendo construído o Cinturão das Águas, com o ramal duplicado – o Eixão das Águas, e está sendo construído o ramal do Salgado. Na Paraíba não é diferente, no Rio Grande do Norte não é diferente, e também Pernambuco”, disse o ministro.
Lula amplia a rede em Pernambuco
Dias atrás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Salgueiro (PE), onde participou da cerimônia de assinatura da ordem de serviço, no valor de R$ 491,3 milhões, para duplicar a capacidade de bombeamento de água em todo o Eixo Norte do Projeto de Integração do São Francisco.
Isso vai dobrar a quantidade de água a ser fornecida para o Semiárido. Daqui a mais uns anos, vai se implantar mais outro conjunto de bombas.

Lula em Salgueiro, ao lado de Raquel Lyra, governadora de Pernambuco. Foto: Prefeitura.
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