
Hoje, um dia após seu aniversário, homenageamos Che Guevara com alguns escritos que são verdadeiros poemas. Visitamos, também, Fernando Pessoa (e seus heterônimos), considerado um dos maiores poetas do movimento Modernista. Deleitem-se!
ERNESTO “CHE” GUEVARA
Guevara foi um revolucionário marxista, médico, guerrilheiro e escritor argentino. Nascido em 14 de junho de 1928, em Rosário, Argentina, ele se destacou como um dos principais líderes da Revolução Cubana, ao lado de Fidel Castro.
Desde a juventude, Guevara demonstrou interesse por literatura e filosofia, sendo um leitor ávido. Sua paixão pela escrita se manifestou em diários e ensaios que registravam suas experiências e reflexões sobre política e sociedade.
A trajetória do grande líder sul-americano foi marcada por sua luta contra o imperialismo e pela difusão do socialismo. Guevara foi capturado e executado em 9 de outubro de 1967, na Bolívia. Seu legado permanece vivo, tanto na política quanto na cultura popular.
Geralmente, seus poemas são curtos. O maior destaque de seus escritos foi “Diários de Motocicleta”, transformado em filme, dirigido pelo brasileiro Walter Salles.
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NOSSA LIBERDADE
Nossa liberdade e seu sustento diário são cor de sangue e cheios de sacrifício.
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O VERDADEIRO REVOLUCIONÁRIO
O verdadeiro
revolucionário é guiado
por grandes sentimentos de amor.
SÓ HÁ UMA COISA
Só há uma coisa maior do que o amor à liberdade,
o ódio daqueles que a tiram de você.
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CAFÉ
Se não houver café para todos,
não haverá ninguém para ninguém.
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AS PESSOAS PODEM MORRER
As pessoas podem morrer,
mas nunca suas ideias.
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FERNANDO PESSOA
Fernando Pessoa (1888-1935) foi um poeta português, conhecido por escrever sobre a vida, o amor, a natureza e outros temas. Certas vezes, Pessoa assinava o seu próprio nome nos seus escritos. Entretanto, às vezes optava pelos heterônimos criados por ele. Os heterônimos de Fernando Pessoa são seus “outros eus”. Cada um deles têm sua história, seu próprio jeito de escrever e até sua forma de pensar sobre a vida! Os mais conhecidos heterônimos de Fernando Pessoa são: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, além de Fernando Pessoa (ele mesmo).
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Se eu pudesse trincar a terra toda
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento…
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
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Nem tudo são dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…
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O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
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Quando vier a Primavera
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
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Autopsicografia
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as suas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
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Se às vezes digo que as flores sorriem
Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios…
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos…
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa coisa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
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Odes de Ricardo Reis:
Segue o teu destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)
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A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.
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Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
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Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode dizer-te.
A resposta está além dos deuses.
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Mas, serenamente,
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)
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Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu.
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei. Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)
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Eu
Sou louco e tenho por memória
Uma longínqua e infiel lembrança
De qualquer dita transitória
Que sonhei ter quando criança.
Depois, malograda trajetória
Do meu destino sem esperança,
Perdi, na névoa da noite inglória
O saber e o ousar da aliança.
Só guardo como um anel pobre
Que a todo o herdado só faz rico
Um frio perdido que me cobre
Como um céu dossel de mendigo,
Na curva inútil em que fico
Da estrada certa que não sigo.
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Fernando Pessoa. Sua última foto.
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