


Imagem: IA
Num mundo que atravessa uma fase de tanta destruição – com a ameaçadora escalada nas guerras pelo mundo -, no Brasil, estamos trabalhando para a preservação ambiental, novas soluções tecnológicas sustentáveis e econômicas, de olho no futuro de paz e harmonia para o progresso da Humanidade. Em matéria da jornalista Débora Araújo, com base no site Click Petróleo e Gás, ficamos sabendo que pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá encontraram uma solução sustentável para o asfalto, substituindo o pó-de-pedra pela cinza de bagaço de cana, melhorando a resistência e reduzindo custos da pavimentação de estradas no Brasil.
Assim, torna-se possível acreditar que, um dia, podemos só rodar por estradas mais sustentáveis, onde o asfalto não é aquele tradicional que conhecemos, mas uma mistura que ajuda o meio ambiente e ainda economiza recursos. Essa ideia está mais perto da realidade do que parece! Um estudo que vem sendo feito pela UEM, no Paraná, investigou o uso da cinza de bagaço de cana para melhorar as misturas asfálticas e os resultados foram animadores. Aqui, você vai saber tudo sobre esse asfalto feito de cana.
Uma nova e promissora alternativa
A equipe pensou e executou testes para substituir o pó-de-pedra, um dos componentes tradicionais do asfalto, pela cinza de bagaço de cana. O resíduo, gerado em grandes quantidades pela indústria da cana-de-açúcar, até então, não tinha uma utilidade muito nobre, além de servir de forragem para o gado e de substrato para as plantações. Agora, ele pode se tornar a base da pavimentação de rodovias.
O primeiro teste foi realizado em um trecho da rodovia BR-158, entre Campo Mourão e Maringá, e quem trafegou por ali pode nem saber, mas já está dirigindo em cima dessa inovação. E, com essa troca de materiais, conseguiram dar uma bela ajuda no desempenho mecânico do asfalto, ou seja, ele ficou mais resistente e durável, assim como foi reduzida a necessidade de agregados minerais.
O segundo teste, este ano, foi a vez da BR-163, uma rodovia longitudinal do Brasil que liga os estados do Rio Grande do Sul (RS), Santa Catarina, Paraná (SC), Mato Grosso do Sul (MS), Mato Grosso (MT) e Pará (PA), iniciando na cidade de Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, e finalizada na cidade de Santarém, no Pará.
O uso desse asfalto feito de cana alia sustentabilidade, qualidade e preço baixo. O engenheiro e pesquisador, Vinícius Hipólito, que liderou esse projeto, explica que estava estudando a viabilidade de usar esse resíduo para melhorar a resistência do asfalto. “É um material do dia-a-dia na infraestrutura e precisávamos aprimorá-lo para otimizar nossos investimentos em pavimentação”, revela. Ao final de mais esse teste, ele concluiu que o asfalto feito de cana pode ser uma ótima maneira de economizar dinheiro e, ainda, melhorar a qualidade das nossas estradas.
O uso desse novo material, além de economizar no material de construção, ajuda a reduzir a quantidade de resíduos industriais, promovendo um ciclo de reaproveitamento que faz bem para o meio ambiente. Nós, que estamos de olho em soluções sustentáveis, consideramos essa é uma ótima notícia.

O bagaço de cana, já transformado em cinzas. Foto: Divulgação
Inovação testada é ‘amiga’ do meio ambiente
Durante os experimentos, a equipe de pesquisadores aplicou o novo asfalto feito de cana nas rodovias e a avaliação foi muito positiva. Foi comprovada na prática a resistência do material e a substituição parcial do pó-de-pedra pela cinza da cana não só reduziu os custos, como também trouxe um desempenho muito melhor do pavimento.
Os engenheiros consideram que, esta, é uma solução que tem tudo para ser adotada em larga escala, principalmente em trechos de rodovias essenciais para o escoamento de safras, como no Mato Grosso, onde a logística precisa estar sempre em dia. Com o uso desse material sustentável, a pavimentação dessas estradas pode ganhar uma nova aparência, estabilidade e resistência.
A ideia de usar cinza de bagaço de cana na pavimentação vai muito além do que a gente imagina. Não é só sobre reduzir custos ou reaproveitar resíduos, mas também sobre promover uma infraestrutura mais sustentável e adequada para os novos desafios logísticos do país. As estradas brasileiras são um ponto-chave para a economia, e melhorar a qualidade delas pode trazer um impacto positivo para diversos setores.
A pesquisa de Vinícius Hipólito – que também atua na Conasa Infraestrutura, responsável por mais de 1.500 quilômetros de rodovias – foi publicada na revista internacional Scientific Reports, adquirindo relevância, e coloca o Brasil em destaque na busca por soluções sustentáveis e eficientes para a construção civil. O uso desse novo tipo de asfalto parece ser o primeiro passo para uma revolução na forma como lidamos com a pavimentação, trazendo benefícios não só para as rodovias, mas para o meio ambiente.

Segundo o engenheiro Hipólito, o objetivo foi o de melhorar a resistência do asfalto, um material do dia-a-dia na nossa infraestrutura. Foto: Divulgação
O Governo Federal está de olho nesse projeto
Ainda não há uma política nacional formalizada pelo governo brasileiro para expandir o uso do bagaço de cana na pavimentação de estradas, mas as pesquisas recentes indicam um forte potencial para isso.
Substituir parte dos agregados minerais usados no asfalto mostrou que melhora a resistência mecânica do pavimento, reduz custos e promove o reaproveitamento de resíduos agroindustriais.
No trecho experimental da rodovia BR-158, no Paraná, já foi comprovado um desempenho superior ao do asfalto convencional. A proposta está de acordo com as práticas de economia circular e sustentabilidade, aproveitando um resíduo que é abundante no Brasil — o país é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar.
Embora ainda em fase experimental e acadêmica, a ideia está ganhando força e pode, sim, influenciar futuras políticas públicas.
A comparação do uso da cana-de-açúcar com outras abordagens verdes talvez possa ajudar, também, o Poder Público local a pensar em um projeto sustentável para estradas e ruas de muitos municípios.
A história da BR-163
A construção da BR-163 começou nos anos 1970, como parte do programa de integração nacional durante a ditadura militar, objetivando interligar as regiões Norte e Nordeste do Brasil através da infraestrutura rodoviária, econômica e social.
O trecho compreendido entre os estados do MT e PA, também conhecido como Rodovia Cuiabá-Santarém, tem uma história marcada por desafios, impactos sociais, econômicos e ambientais, especialmente no trecho que atravessa o estado do Pará (BR163/PA).
Por mais de 40 anos, grande parte da rodovia não era pavimentada no estado do Pará. Por conta disso, os trechos de chão batido viravam grandes atoleiros em épocas de chuva, prejudicando o escoamento das safras oriundas da região.
O processo de licenciamento ambiental da rodovia BR 163/PA e demais áreas de apoio são regulamentados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), e por outros órgãos ambientais licenciadores (Estadual e Municipal), de acordo com as leis federais, estaduais e municipais de proteção ambiental estabelecidas.
Em março de 2024, o gerenciamento e execução de programas ambientais, assim como a supervisão ambiental da Rodovia no estado do Pará, (Km 674,40 ao km 914,40) passou a ser realizada pela Gestão Ambiental BR 163/PA, tendo como objetivo atender às condicionantes contidas nas licenças ambientais estabelecidas pelo IBAMA, dando continuidade às obrigações ambientais para implantação das obras de construção, pavimentação asfáltica, como também às inerentes a implantação de Obras de Artes Correntes (OAC´s) e Especiais (OAE´s) da Rodovia, cumprindo à legislação ambiental vigente, e contribuindo com a sustentabilidade ambiental do empreendimento e o desenvolvimento da região.
Estão sob a responsabilidade da Gestão Ambiental BR 163/PA o planejamento e execução dos programas ambientais estabelecidos no PBA (2016): o Programa Ambiental de Construção e o Programa de Gestão Ambiental, entre outras dez especialidades de programas, dedicados ao Meio Ambiente.

A BR-163 sendo pavimentada. Foto: Divulgação.
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