Mesmo com obstáculos ferrovias vão mudar o NE

Written in

by

Foto: Divulgação

As ferrovias oferecem uma série de vantagens estratégicas em relação às rodovias quando o assunto é impulsionar a economia de um país. No Brasil, um grande esforço vem sendo realizado, desde o governo Dilma Rousseff, para criar e aperfeiçoar estradas-de-ferro, mas vem enfrentando alguns reveses – seja pela pandemia, seja por falta de recursos dos parceiros da iniciativa privada. Mesmo assim, o Governo Lula está determinado a vencer os obstáculos e dotar nosso País de uma malha ferroviária que agilize o trânsito de mercadorias do Brasil para o mundo.

Os principais pontos que comprovam as vantagens de um país que prioriza o transporte ferroviário são:

Maior capacidade de carga, pois um único vagão ferroviário pode transportar o equivalente a várias carretas, o que torna o transporte mais eficiente para grandes volumes, especialmente de commodities como grãos e minérios; Redução de custos logísticos: O transporte ferroviário tem menor custo por tonelada-quilômetro, menor consumo de combustível e menos necessidade de manutenção frequente, o que reduz o custo final dos produtos; Menor impacto ambiental: Trens emitem menos CO₂ por tonelada transportada do que caminhões, contribuindo para metas de sustentabilidade e descarbonização; Segurança e menor índice de acidentes: Com menos veículos pesados nas estradas, há redução de acidentes rodoviários e perdas de carga.

O uso de trens cargueiros é, também, muito importante para o desenvolvimento regional: Ferrovias conectam regiões remotas a centros industriais e portos, estimulando a criação de empregos, novas indústrias e o crescimento local; gera aumento da competitividade internacional porque uma malha ferroviária eficiente facilita o escoamento da produção para exportação, tornando o país mais atrativo para investimentos e fortalecendo a balança comercial.

Transnordestina avança pelo sertão

Há dois meses, comitiva do Governo Federal visitou as obras da Transnordestina: “Nós vamos entregar essa ferrovia, que vai reinserir o Nordeste na estratégia de desenvolvimento do país”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho. Marco da integração e desenvolvimento do Nordeste, a ferrovia Transnordestina teve suas obras retomadas.

Com a missão de promover a integração nacional e aproximar o Brasil dos principais mercados mundiais, a atual gestão do Governo Federal incluiu o avanço das obras da ferrovia Transnordestina como prioritária no setor de transportes. Hoje, os trabalhos avançam em ritmo acelerado, principalmente no trecho entre as cidades de Acopiara e Quixeramobim, no Ceará.

O governador do Ceará saúda o presidente Lula, efusivamente. Foto: GOV-CE

O ministro dos Transportes, Renan Filho, desembarcou no estado, ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para conferir o andamento das obras no canteiro de Iguatu (CE). Nesse trecho, são executados serviços de infraestrutura, como terraplanagem e drenagem. Na sequência, começam os trabalhos de superestrutura, instalação de trilhos e dormentes. Dos 1.206 quilômetros que a ferrovia terá, 679 quilômetros já estão concluídos.

“Nós vamos entregar a ferrovia de integração nacional, que vai reinserir o Nordeste na estratégia de desenvolvimento do país, trazendo oportunidade pra todo mundo”, assegurou o ministro Renan Filho. O avanço da obra nesta região cearense deve gerar mais 1,3 mil postos de trabalho. Atualmente o empreendimento registra 3,8 mil empregos, entre diretos e indiretos, com mais de 90% de mão-de-obra local. Este ano, no pico da construção, o número pode saltar para 23.200 empregos. A obra vem mudando a vida de muitos trabalhadores.

Durante a passagem por Iguatu, o presidente Lula garantiu que as oportunidades só vão aumentar. “Se depender do governo, vamos cumprir todos os acordos firmados e não vamos permitir que faltem os recursos necessários para terminar essa ferrovia”, afirmou.

Mais desenvolvimento para o Nordeste

De Eliseu Martins, no Piauí, até o Porto de Pecém, no Ceará, a Transnordestina terá uma extensão de mais de 1,2 mil quilômetros, passando por 53 municípios dos estados do Piauí, Ceará e Pernambuco. A ferrovia será responsável pelo transporte de grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis e minério. Boa parte dessa carga seguirá para o mercado externo.

“Tem gente que acha que o Nordeste não merece uma ferrovia desse tamanho. Mas tem gente, como o presidente Lula e como vocês, que sabem que essa região, se incentivada, o Nordeste bota pra frente e faz o país avançar”, afirmou o ministro dos Transportes.

Devido a sua prioridade, a Transnordestina teve, no governo Lula, o trecho Salgueiro-Suape (PE) reinserido no programa de aceleração do crescimento – o Novo PAC. Ele havia sido retirado do contrato de concessão na gestão anterior.

Graças à decisão, em março, do Tribunal de Contas da União (TCU), o Ministério dos Transportes poderá retomar o investimento no segmento entre a cidade de Salgueiro e o Porto de Suape, em Pernambuco. O TCU analisava inconsistências relacionadas ao contrato de construção e exploração da ferrovia Nova Transnordestina, o que impedia, até então, o aporte de recursos públicos federais no empreendimento.

Com a decisão da Corte de Contas, os trâmites para início de execução das obras podem ser acelerados. A previsão é de que R$ 450 milhões sejam investidos nos próximos anos para conclusão do braço pernambucano da estada de ferro.

Lula visita a ferrovia, em Iguatu. Foto: GOVPR

Integração regional

A construção do que viria a ser a Transnordestina foi iniciada em 1959. Porém, logo o projeto foi interrompido por ter sido considerado economicamente inviável. Somente cinco décadas depois, em 2006, durante o primeiro mandato do presidente Lula, o Governo Federal retomou o projeto da grandiosa ferrovia, dando seguimento às obras. O orçamento atual do empreendimento é de R$ 15 bilhões.

Executada com capacidade de transportar 30 milhões de toneladas por ano, a Transnordestina é sinônimo de redução dos custos de transportes dos produtos provenientes dos pólos industriais, minerais e de agronegócios existentes na região Nordeste. Entre os benefícios, a geração de empregos.

Na avaliação do presidente da República, é fundamental investir não somente em rodovias, mas também em ferrovias e hidrovias de qualidade no Brasil. “Precisamos ter um sistema intermodal para utilizar todo o potencial para transportar gente, carga e para baratear as coisas para o nosso povo”, ressaltou. “Na próxima vez que eu vier aqui a Iguatu, eu virei pela Transnordestina”, concluiu Lula.

FIOL bem adiantada. Foto: Divulgação

Ferrovia Oeste-Leste será retomada

Já a obra da Ferrovia Oeste-Leste, primeira anunciada no Novo PAC, está suspensa na Bahia. A conclusão total da ferrovia está prevista para 2026, com investimentos públicos e privados. A retomada das obras, portanto, é considerada fundamental para garantir a operação plena da Fiol e o início das atividades do Porto Sul.

A obra da primeira etapa da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), entre as cidades de Caetité e Ilhéus, na Bahia, foi suspensa com 75% do projeto concluído.

A informação foi divulgada pela BAMIN, responsável pela construção. Segundo a companhia, o contrato com a construtora Prumo Engenharia foi “desmobilizado”, após um investimento de R$ 784 milhões. O motivo da suspensão de contrato não foi informado.

O trecho 1 da Fiol foi a primeira obra anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em julho de 2023. O projeto previa 537 quilômetros de extensão, passando por 19 municípios baianos.

Na época, a BAMIN previu concluir essa etapa até 2027, mas Lula pediu celeridade nos trabalhos para que a entrega acontecesse em 2026, ano eleitoral. Esse é o desafio atual.

Em nota, a BAMIN disse que, mesmo com a suspensão das obras, os serviços de manutenção serão mantidos, além de todas as obrigações socioambientais relacionadas ao Projeto Integrado Pedra de Ferro.

Ainda conforme a BAMIN, o Grupo ERG, responsável pela companhia, “permanece em busca de investidores que possam apoiar a implantação desta ação”.

Leia a nota da BAMIN na íntegra:

“A BAMIN, empresa subsidiária do Grupo ERG, informa que o contrato de obras da Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL I), no trecho entre os municípios entre Uruçuca e Ilhéus, será desmobilizado a partir do dia 31 de Março de 2025, concluindo a fase inicial da construção da ferrovia, iniciada em 2023. Até o momento, a ERG investiu R$ 784 milhões na ferrovia, desde o início da concessão em 2021.

“É importante informar que, mesmo com a finalização deste contrato, os serviços de manutenção serão mantidos e todas as obrigações socioambientais relacionadas ao Projeto Integrado Pedra de Ferro continuarão a serem executadas. A ERG permanece em busca de investidores que possam apoiar a implantação do projeto”.

Ponte da ferrovia sobre o rio São Francisco. Foto: Divulgação

A FIOL já está bem adiantada

O projeto da Fiol inclui três trechos, que vão totalizar 1.527 km de extensão, ligando o futuro Porto de Ilhéus à cidade tocantinense de Figueirópolis, com conexão à Ferrovia Norte-Sul. A ferrovia será um importante ponto para o escoamento de milhares de toneladas de minério produzidos no sul da Bahia e dos grãos da região oeste. A estimativa é de que, quando estiver em operação, a emissão de gases do efeito estufa seja reduzida em 86%.

Os benefícios esperados incluem também a redução dos custos de transporte de grãos, álcool e minérios destinados aos mercados internos e externos, e o aumento da produção agroindustrial da região, motivada por melhores condições de acesso aos mercados nacional e internacional.

Atualmente, a Fiol 2 está em construção, sob responsabilidade da empresa Infra S.A. Já a Fiol 3 está em fase de estudos. Na Bahia, depois de executado, o projeto deve beneficiar diretamente 31 municípios. São eles:

Ilhéus; Uruçuca; Aurelino Leal; Ubaitaba; Gongogi; Itagibá; Aiquara; Itagi; Jequié; Manoel Vitorino; Barra da Estiva; Mirante; Tanhaçu; Aracatu; Brumado; Livramento do Brumado; Lagoa Real; Rio do Antônio; Ibiassucê; Caetité; Guanambi; Palmas de Monte Alto; Riacho de Santana; Bom Jesus da Lapa; Serra do Ramalho; São Félix do Coribe; Jaborandi; Santa Maria da Vitória; Correntina; São Desidério; e Barreiras.

Entidades cobram mais explicações

O problema mobiliza as autoridades e a Assembleia Legislativa da Bahia cobra explicações da Bamin sobre atrasos na Fiol. Diante da paralisação da Ferrovia Oeste-Leste, a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) convocou o presidente da Bamin, Eduardo Ledsham, para prestar esclarecimentos. A audiência pública aconteceu na Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo.

Ficou decidido que a Bamin deverá apresentar um novo cronograma de obras e explicar os motivos que levaram à suspensão dos trabalhos.

Por outro lado, a Agência Nacional de Transportes Terrestres informou, em nota,  que acompanha, “de perto”, a evolução da execução físico-financeira do projeto, bem como o cumprimento das obrigações contratuais: “Em fevereiro deste ano, a Agência notificou a concessionária sobre o desempenho abaixo do esperado no andamento das obras. A Agência informa que abrirá procedimento preliminar para apurar possível descumprimento contratual.

“De acordo com o último acompanhamento do plano de investimentos, a Bamin concluiu a obra correspondente à Passagem inferior na BA-262, localizada no km 1.483+46, referente ao Lote 01F.

Quanto à ‘necessidade de investidores’, entende-se que essa é uma informação de natureza estratégica da empresa controladora e, portanto, restrita ao seu planejamento corporativo”.

Ferrovia Oeste-Leste e seu traçado

A Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) é um projeto que vai ligar o município de Ilhéus, no litoral da Bahia, até Figueirópolis, no Tocantins, conectando-se à Ferrovia Norte-Sul. O valor total da obra, dividida em três trechos, é estimado em R$ 6 bilhões, entre investimentos privados e públicos.

Com 1.527 quilômetros de extensão previstos, a Fiol será um corredor estratégico para o escoamento da produção agrícola e mineral do interior do Brasil para o mercado internacional, através do Porto Sul, em Ilhéus.

Ao ter as obras suspensas, os trabalhos se concentravam no trecho 1, entre Caetité (BA) e Ilhéus (BA), com 537 quilômetros. Este é o primeiro segmento a ser construído, com a maior parte das obras já em andamento, mas também enfrentando atrasos devido a questões financeiras e de licenciamento.

O foco deste trecho é a conexão entre o litoral e o interior da Bahia, facilitando o transporte de carga e o escoamento da produção mineral e agrícola para o Porto Sul em Ilhéus.

O lote 4F do trecho 1 da Fiol refere-se a um subtrecho específico, dentro do Trecho 1, localizado em uma parte da região oeste da Bahia. Este lote abrange cidades como Brumado, Tanhaçu, Ibiassucê, Caetité, Lagoa Real e Rio do Antônio, que são importantes áreas para a mineração e agricultura na região.

A concessão do Lote 4F foi assumida pela Bahia Ferrovias S.A., após a suspensão do contrato com a Bamin e a próxima retomada das obras. O lote engloba obras como pontes, viadutos, remanejamento de redes de energia elétrica e outras obras estruturais para permitir a passagem do trem.

Histórico da Ferrovia Oeste-Leste

As obras da Fiol começaram em 2010, com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com previsão inicial de conclusão em 2014. Ao longo dos anos, o projeto enfrentou desafios: Falta de recursos financeiros; atrasos em licenciamento ambiental; problemas de gestão contratual; e impactos da Operação Lava Jato.

Em 2021, a Bamin venceu a concessão do trecho Fiol 1, assumindo a responsabilidade de concluir e operar a ferrovia. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) assinou contrato de concessão com a empresa, em 2021.

Impactos econômicos esperados

A conclusão da Ferrovia Oeste-Leste deve gerar efeitos relevantes para a economia baiana e nacional: Redução de até 30% nos custos logísticos; geração estimada de 35 mil empregos diretos e indiretos; movimentação prevista de 18 milhões de toneladas anuais; expansão da atividade mineral e do agronegócio no oeste baiano; potencial crescimento de até 5% no PIB da Bahia.

3 responses to “Mesmo com obstáculos ferrovias vão mudar o NE”

  1. Avatar de Marina Romana
    Marina Romana

    excelente materias

  2. Avatar de
    Anônimo

    EXCELENTES MATéRIAS NESSE BLOGUE. PARABÉNS.

  3. Avatar de
    Anônimo

    Beleza de Blog!

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre ÂNGULO E FOCO

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading