MANIFESTAÇÃO GLOBAL A GAZA BLOQUEADA PELO GOVERNO SIONISTA

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Os brasileiros estão voltando. Leia depoimento exclusivo ao Ângulo e Foco.

Marcha recebeu solidariedade de milhares de pessoas. Fotos: Arab Unity/Reprodução

O nosso blog, Ângulo e Foco, recebeu, com exclusividade, o relato de um dos manifestantes brasileiros que participaram da Marcha Global a Gaza. É absolutamente lamentável que cerca de 4 mil manifestantes, de vários países do mundo, que buscaram protestar contra o genocídio pela fome e o massacre do povo palestino, que ainda resiste (até quando?) em Gaza, ao fogo indomável do governo sionista de Israel. A manifestação foi dissolvida à força, nos países vizinhos à região, por pressão do governo sionista nazi-fascista israelense. Agora, todos regressam a seus países, satisfeitos com a tentativa, mas lamentando terem sido impedidos de chegar a seu objetivo. Vamos entender melhor como tudo ocorreu.

O fotógrafo e militante Magno de Carvalho, do CSP Conlutas – Sindicato dos Trabalhadores da USP, nos enviou a seguinte mensagem do Cairo, capital do Egito, ontem, sexta-feira (20).

“Em 12 de junho, chegamos ao Cairo – mais de 4.000 companheiros(a) de 80 países – para a Marcha Global a Gaza. De Túnis-Tunísia, partiu um comboio com cerca de 2.000 companheiros(as) para encontrar nossa marcha em Rafah, fronteira com Gaza.

“Nosso objetivo: protestar e exigir o desbloqueio da fronteira para a entrada da ajuda humanitária ao povo Palestino Bloqueio feito por Israel para usar a morte pela fome como arma de guerra. Também para mostrar a este heroico povo Palestino que a sua luta contra o imperialismo e a opressão é a nossa luta, que a vitória do povo Palestino é nossa vitória.

“A Serviço de Israel, o presidente do Egito, General Sisi, tratou de impedir a marcha a qualquer custo; muitos companheiros que chegavam eram presos nos aeroportos, hotéis e 200 foram imediatamente deportados.

“O comboio que saiu de Túnis, com militantes da Tunísia, Marrocos, Mauritânia e Líbano, que contou com apoio da população por onde passava, foi barrado na Líbia, por um batalhão do exército líbio, comandado pelo general conservador Kalifa Raffah; 25 companheiros foram presos. Segundo eles, a mídia egípcia, ligada ao governo, dizia que no comboio tinham terroristas e que esta marcha poderia comprometer as relações do Egito com os EUA.

“O Cairo fica a, aproximadamente, 400km de Raffah e a ideia era nos deslocarmos, aos poucos, de vans, ônibus ou carros, até Al Arcish, de onde iniciaríamos a marcha de 50 km a pé. No segundo bloqueio, todos os veículos foram parados e abordados pela polícia, que tomou os documentos dos motoristas e os passaportes de todos os estrangeiros. Fizemos manifestações que se repetiram por todo o dia, mas tivemos que retornar ao Cairo.

“As invasões dos hotéis continuavam, com prisões e deportações. Eu e os três companheiros da CSP e da Frente Palestina de São Paulo decidimos não ficar em hotéis. Alugamos um ap. no centro, mas depois verificamos que as blitze se concentravam exatamente no centro do Cairo. Então, entregamos o ap. e fomos para outro, num bairro residencial mais afastado. A situação não tinha nenhuma diferença da que vivemos no Brasil, na década de 1970, a não ser pelo risco de vida, que era muito maior, naquela época, no Brasil.                           

“Numa reunião online da Marcha, nossa micro-delegação, depois de avaliarmos a impossibilidade de tentar retomar a marcha – até porque não haveria nenhum motorista disposto a levar qualquer estrangeiro nas estradas rumo a Gaza – apresentou a proposta de reunirmos os que restavam ainda no Cairo (éramos ainda por volta de 1.500) para fazermos uma manifestação no centro do Cairo. Muitos foram contra e, como qualquer proposta só é aprovada por consenso, não passou.

“A informação que obtivemos de militantes confiáveis aqui do Egito é de que a população, na sua esmagadora maioria, apoia os palestinos e a nossa marcha; um apoio silencioso, devido à brutal repressão, mas que, em alguns momentos, podíamos sentir.

“Como elemento de avaliação: Apesar de não termos realizado o plano original, a repercussão foi muito importante, tanto aqui na região – incluindo a Palestina, os países do norte da  África que se mobilizaram, assim como da Europa, alguns com delegações de centenas de pessoas – fez com que até embaixadores se movessem, em defesa dos seus compatriotas, e entendemos que, junto com o ataque  ao barco da flotilha rumo a Gaza, a Marcha fez crescerem as manifestações em várias partes do mundo e coloca uma nova etapa nesta luta, em defesa dos nossos irmãos, lutadores da Palestina: A ação unificada lnternacional.

“Acredito, também, que o ataque de Israel ao Irã, com a cumplicidade dos EUA, se tinha como um dos objetivos tirar o foco das atrocidades cometidas em Gaza, foi um tiro que saiu pela culatra, não só pela surpreendente força da resposta do Irã, como pela reação negativa, inclusive dentro dos países do centro do capital, inclusive nos EUA.

“Devemos aproveitar o momento para intensificar a mobilização, tanto nos nossos países como nas ações conjuntas internacionais.

“PALESTINA LIVRE DO RIO AO MAR!”

O que foi essa Marcha

Segundo apurou o site A Nova Democracia, o Egito e paramilitares líbios bloquearam a Marcha Global a Gaza. A Marcha foi uma iniciativa internacionalista que buscava chegar até Rafah, a primeira cidade ao sul da Faixa de Gaza, para denunciar o cerco sionista ao território palestino.

A marcha pretendia chegar à fronteira com a Faixa de Gaza domingo (15). Mas, ainda no Egito, forças de repressão bloquearam estradas, instalaram postos de checagem e apreenderam passaportes de manifestantes.

Muitos foram detidos em hotéis, ou no Aeroporto Internacional do Cairo e, posteriormente, deportados. Alguns grupos chegaram a ser ameaçados de prisão, caso não retornassem imediatamente à capital egípcia ou ao aeroporto.

Segundo organizadores, ao menos 200 pessoas foram deportadas e várias seguem desaparecidas. A repressão incluiu revistas agressivas, detenção arbitrária e restrição severa à liberdade de locomoção.

Entre os atingidos pela repressão do governo reacionário do Egito, estavam brasileiros, como Adriana Machado, do Partido da Causa Operária (PCO), e membros de sindicatos e movimentos populares. Eles relataram intimidações, desaparecimentos e bloqueios sucessivos, no trajeto entre o Cairo e a cidade de Ismaília, ponto inicial da caminhada até Rafah.

Os participantes denunciam que o Egito atuou conforme as ordens do regime sionista de Israel, que exigiu o bloqueio da marcha, sob a justificativa de “evitar provocações” na fronteira.

Além disso, o Comboio Soumoud (Resiliência, em árabe), que saiu em caravanas do Norte da África rumo ao Egito, foi interceptado por milícias líbias, financiadas pelo imperialismo. Alguns integrantes foram detidos e o comboio forçado a interromper a viagem, apesar do apoio recebido pelas massas populares de comunidades, no oeste da Líbia. Seguem detidas treze pessoas — incluindo líbios, tunisianos e argelinos — e os organizadores anunciaram que montarão uma base de resistência, próxima à fronteira.

Esse grande movimento faz parte de uma série de ações internacionais de solidariedade, que incluem o envio de comboios humanitários e embarcações, rumo ao território palestino. Entre essas iniciativas fraternais, estava a Flotilha da Liberdade, cuja embarcação Madleen foi interceptada por forças israelenses, em águas internacionais, utilizando drones com armamento químico e ataques eletrônicos.

Os ativistas que estavam a bordo foram sequestrados e presos pelas forças sionistas, como a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, agora já liberados.

Os manifestantes globais mantêm a disposição de continuar protestando, mesmo enfrentando repressão. Seus organizadores afirmam que novas ações estão em preparação e que o movimento internacional seguirá mobilizado, na denúncia ao genocídio em Gaza.

O silêncio da chamada imprensa no episódio

A grande imprensa não deu qualquer destaque a essa grande movimentação em prol de Gaza. Uma dessas militantes brasileiras, a advogada Adriana Haddad Gaspar, de São Paulo, teve seu depoimento publicado pela Agência Brasil. Àquela altura, ela disse que, devido às notícias das deportações, a situação era tensa e que não sabia se conseguiria marchar rumo a Gaza:

“Está todo mundo começando a cair a ficha de onde foi que a gente se meteu. A gente tinha todos os cenários possíveis mapeados, desde o melhor até o pior. Neste momento, a gente está enfrentando o pior dos cenários, que é o de nada acontecer, de não podermos marchar. Estamos parados e paralisados”, lamentava.

A brasileira explicou à AB que decidiu se juntar à Marcha por não suportar mais ver os massacres de civis em Gaza: “Eu não sei como as pessoas conseguem acordar todo dia e, sabendo o que está acontecendo em Gaza, não tomarem nenhuma atitude. Eu não entendo. Quem não se indigna deixou de ser humano”.

O grande movimento mundial da Marcha a Gaza, em carros e ônibus, partiu da Tunísia, Argélia, Líbia, Marrocos e outros países do Norte da África para o Egito. Foram para lá, ainda, grupos de todos os continentes, contando (sic) mais de 80 países, que seguiam para o Cairo para se juntar à Marcha a Gaza. A expectativa dos manifestantes era a de alcançar a fronteira no dia 15 de junho, após dias de caminhada.

Por meio de nota, o ministério das relações exteriores do Egito informou, quarta-feira (11) que “acolhe com satisfação” as posições contra o bloqueio em Gaza, mas exige que os estrangeiros em visita ao país obtenham “aprovação prévia de tais visitas”.

“O Egito enfatiza a importância de aderir aos controles regulatórios implementados para garantir a segurança das delegações visitantes, dada a delicada situação na área de fronteira”, informou o governo do Cairo.

Ainda segundo a organização da Marcha, a intenção sempre foi marchar pacificamente, a favor do acesso da ajuda humanitária em Gaza, “em total respeito à soberania do Egito”. Deu no que deu.

Israel não larga o pé

Na mesma quarta-feira, Israel exigiu que o Egito impedisse os ativistas de marcharem até a fronteira com Gaza, na cidade de Rafah. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, chamou os manifestantes de “jihadistas” e pediu ao Egito que impedisse os comboios de se aproximarem da Península do Sinai:

“Esperamos que o Egito não permita que eles realizem provocações ou tentem entrar em Gaza. Tais ações colocariam em risco a segurança dos soldados (israelenses) e não seriam permitidas”, disse Katz, segundo informou o jornal israelense Times of Israel.

O jornalista, cientista político e professor de relações internacionais, Bruno Lima Rocha, já previa que o futuro da manifestação – que pretendia marchar por três dias no deserto da Península do Sinai até a fronteira com Gaza – era incerto.

Conforme entrevista à Agência Brasil, o especialista avaliava as possibilidades de sucesso da Marcha, dizendo que “a Península do Sinai é desmilitarizada, por acordo entre Israel e o Egito e é dominada por grupos criminosos e paramilitares fundamentalistas, alguns ligados ao Estado Islâmico, que podem dificultar a manifestação”. Acertou em cheio.

O general al-Sisi, presidente do Egito, proibiu a passagem dos representantes do mundo para o Sinai. Revoltante, não? Mas a luta contra o massacre palestino continua, em todas as latitudes, ainda que a imensa ‘metralhadora’ da fome e o tiroteio de mísseis a granel, em todas as direções, continue.

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4 respostas a “MANIFESTAÇÃO GLOBAL A GAZA BLOQUEADA PELO GOVERNO SIONISTA”

  1. Avatar de
    Anônimo

    A JUSTIÇA DIVINA SEMPRE SE MANIFESTA. AS PESSOAS DEVERIAM BUSCAR A PAZ E ALIMENTAR O POVO, O PLANETA, E INVESTIR EM AÇÕES DE BONDADE. EU SEMPRE ACREDITO QUE DEUS ESTÁ NO COMANDO.

  2. Avatar de
    Anônimo

    Gostei.

  3. Avatar de Marina Romana
    Marina Romana

    so queremos paz

  4. Avatar de genuinebd134a63aa
    genuinebd134a63aa

    Mesmo que a Manifestação não tenha acontecido como queriam, já foi muitíssimo importante.

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