


Na nossa Poesia Dominical de hoje, focalizamos criações de dois escritores e poetas que possuem semelhanças, por suas posturas irrequietas, inconformadas e revolucionárias, perante um mundo injusto, atrasado e cheio de guerras. Qualquer coincidência com nossa atualidade é mera coincidência. Uma publicação em ‘homenagem’ aos governantes do Estado e da Capital de São Paulo.
ALLEN GINSBERG
Allen Ginsberg foi um influente poeta americano e uma das figuras centrais da Geração Beat, um movimento literário que surgiu na década de 1950. Aqui estão alguns pontos importantes sobre sua vida e obra: Nasceu em Newark, Nova Jersey (EUA) em 3 de junho de 1026 e morreu em 5 de abril de 1997, no East Village, Nova York, deixando um legado duradouro na literatura e na cultura.
No âmbito de suas contribuições literárias, Ginsberg é mais conhecido por seu poema épico “Howl” (1956), que se tornou um marco da literatura beat e é considerado uma das obras mais significativas do século XX.
Em seus escritos, ele abordou temas como a liberdade de expressão, a liberação gay e a crítica social, desafiando normas e convenções da época.
Ginsberg foi influenciado por escritores como Jack Kerouac e William S. Burroughs, e seu estilo poético é caracterizado por uma linguagem direta e um ritmo musical.
Ele também incorporou elementos do budismo e da espiritualidade Oriental em sua obra, refletindo sua busca por significado e compreensão.
Além de sua poesia, Ginsberg foi um defensor ativo de causas sociais, incluindo os direitos humanos, a liberdade de expressão e questões ambientais. Ele se tornou uma voz proeminente, durante os movimentos de contracultura dos anos 60 e 70.
Ginsberg viveu de forma modesta, frequentemente comprando roupas em brechós e residindo em comunidades alternativas.
Este pequeno poema foi muito significativo, quando lançado, pois pretendia ser uma continuação da letra de “Amazing Grace”, hino religioso muito tocado nos Estados Unidos, até hoje. Composto a pedido de Ed Sanders para sua produção de “The New Amazing Grace”, apresentado em 20 de novembro de 1994, no Poetry Project na Igreja de São Marcos.
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Novas Estrofes para a Graça Maravilhosa
Eu sonhei que habitava um lugar de sem-teto
Onde eu estava perdido, sozinho
As pessoas olhavam através de mim para o espaço
E passavam com olhos de pedra.
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Ó mão de sem-teto em muitas ruas
Aceite esta mudança de mim
Um sorriso ou palavra amigável é doce
Como a caridade destemida
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Ai do trabalhador que ouve o clamor
E não pode dar um centavo
Nem olhar nos olhos de um sem-teto
Com medo de dar o tempo
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Tão rico ou pobre, não há ouro para se falar
Um sorriso em seu rosto
Os sem-teto onde você pode andar
Recebem graça maravilhosa
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Eu sonhei que habitava um lugar de sem-teto
Onde eu estava perdido, sozinho
As pessoas olhavam através de mim para o espaço
E passavam com olhos de pedra.

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MAIAKOVSKY
Vladimir Maiakovski foi um renomado poeta e dramaturgo russo, amplamente reconhecido como um dos maiores poetas do século XX. Nasceu em 19 de julho de 1893 em Baghdati, Geórgia (na época, parte do Império Russo) e faleceu em 14 de abril de 1930, em Moscou, em circunstâncias que levantaram questões sobre suicídio, refletindo a pressão e o desespero que sentia, em relação ao antigo regime soviético.
Estudou na Universidade Estatal Stroganov de Artes e Indústria e na Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou.
Maiakovski é frequentemente chamado de “o poeta da Revolução”, devido ao seu envolvimento com o movimento revolucionário russo, e por sua poesia que refletia as mudanças sociais e políticas da época. Suas obras incluem não apenas poesia, mas também peças de teatro, como “Mistério Bufo”, “O Banheiro” e “O Percevejo”.
Ele é conhecido por seu estilo inovador e por usar a linguagem de forma audaciosa, incorporando elementos do futurismo e do simbolismo. Seus poemas, frequentemente, abordam temas de amor, revolução e a luta do indivíduo contra a opressão.
Maiakovski teve uma vida marcada por intensas paixões e conflitos, tanto pessoais quanto políticos.
O poeta deixou um impacto duradouro na literatura russa e mundial, sendo estudado e admirado por sua capacidade de capturar a essência de sua época e por sua visão artística única.
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EU
Nas calçadas pisadas de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneos de frases ásperas
Onde forcas esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoços de torres oblíquas
só soluçando eu avanço por vias que se encruzilham
à vista de crucifixos policiais.

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