Prejuízo de R$ 79 milhões ao garimpo ilegal na Terra Indígena Kayapó

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Operação federal, reunindo mais de 15 ministérios e órgãos federais, joga duro.

Foto: Thiago Dias/Secom-PR

O envolvimento de tantos ministérios e órgãos públicos federais foi fundamental para o sucesso de uma grande investida contra o garimpo ilegal nas terras indígenas caiapó, que prossegue, sem prazo para ser interrompida. A operação, iniciada em maio deste ano, conta com a participação de ministérios, forças de segurança, agências reguladoras e órgãos ambientais, em cumprimento a determinação do Supremo Tribunal Federal . O prejuízo aos criminosos já está na casa do R$80 milhões.

A Operação de Desintrusão da Terra Indígena Kayapó (OD-TIKAY) segue em ritmo acelerado e já provocou mais de R$ 79,5 milhões, em prejuízos diretos ao garimpo ilegal na região. A iniciativa é liderada pelo Governo Federal e reúne mais de 15 órgãos públicos em uma força-tarefa inédita para enfrentar crimes ambientais e garantir os direitos dos povos indígenas.

Desde o início da operação, em 2 de maio, foram realizadas 370 ações operacionais — 50 delas apenas em uma semana —, incluindo a destruição de maquinários pesados, desmobilização de acampamentos ilegais, além de patrulhamentos terrestres e aéreos e bloqueios em rodovias que dão acesso à área protegida. A ofensiva mira desarticular a logística que sustenta as atividades criminosas, restringindo o transporte de combustíveis, equipamentos e mantimentos utilizados pelos garimpeiros.

Coordenada pela Casa Civil da Presidência da República, a operação conta com a participação de ministérios, forças de segurança, agências reguladoras e órgãos ambientais. Entre eles, estão os Ministérios da Justiça e Segurança Pública, Defesa, Povos Indígenas e Trabalho, além de IBAMA, FUNAI, Polícia Federal, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal, CENSIPAM, AGU, ANTT, ANP, ANAC, ABIN e a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

A integração das equipes garante uma atuação coordenada e eficaz, em consonância com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinam a retirada de invasores e a interrupção de atividades ilegais em terras indígenas.

Operação dá resultados robustos

Desde o início da operação, as forças de fiscalização têm enfraquecido significativamente a presença do garimpo ilegal na Terra Indígena Kayapó. Duzentos e setenta e quatro motores foram inutilizados, 7 motos e 70 acampamentos foram destruídos, 655 foram desmontados e o fluxo de abastecimento, bloqueado. Outros equipamentos como placas solares, antenas, balsas e tanques de combustível também foram inutilizados pela força-tarefa. A permanência das equipes no território tem sido essencial para impedir o retorno das atividades criminosas.

“O impacto na capacidade operacional dos garimpeiros é evidente. Estamos desestruturando as redes logísticas e financeiras do garimpo ilegal, com base em ações planejadas e respaldadas por informações de inteligência”, afirma Nilton Tubino, da Casa Civil, coordenador da operação.

A atuação de inteligência, liderada pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e pelo CENSIPAM, tem sido determinante. As informações levantadas em campo permitem ações cirúrgicas e o mapeamento de rotas clandestinas, depósitos de materiais e pontos críticos de exploração.

O monitoramento de rios e estradas, por sua vez, tem dificultado o transporte de insumos, enfraquecendo a cadeia que sustenta a mineração ilegal na região.

A operação OD-TIKAY reforça o compromisso do Governo Federal com a defesa dos direitos dos povos indígenas, a preservação da Amazônia e o enfrentamento aos crimes ambientais. A expectativa é de que as ações se intensifiquem nas próximas semanas, com reforço nas fiscalizações por terra, água e ar.

Jovens índias caiapós do Pará participando de cerimônia.

Mas, quem são os caiapós?

Os caiapós, também conhecidos como kayapó, kaiapó, mẽbêngôkre ou mebêngôkre (endônimos), são um grupo étnico jê (grupo linguístico de povos indígenas do Brasil), habitantes da Amazônia brasileira.

Desde tempos imemoriais, os caiapós ocuparam áreas no interior do Brasil em pequenas aldeias, onde viviam de caça, pesca, milho, mandioca, mel e frutas. No século XVIII, na região nordeste do atual Estado de São Paulo, o grupo étnico teve seu primeiro contato com as populações de origem europeia. Os bandeirantes que eram liderados por Bartolomeu Bueno da Silva – o Anhanguera – buscavam por ouro, pedras preciosas e indígenas para serem comercializados com escravos.

Já na região da bacia inferior do rio Tocantins, no começo do século XIX, os caiapós começaram a sofrer ataques dos homens brancos, que mataram e escravizaram muitos de suas tribos. Ainda que mais numerosos que os invasores, as bordunas dos caiapós nada podiam fazer diante dos mosquetes dos invasores. Como resultado, os caiapós migraram para o oeste.

Trinta anos depois, porém, os homens brancos voltaram a atacar os caiapós. Desta vez, houve uma cisão entre os indígenasː uma parte deles queria estabelecer a paz com os homens brancos, e outra parte queria continuar a fuga para o oeste. Os caiapós que optaram pela relação amistosa com os brancos desapareceram, em grande parte vitimados por pestes trazidas pelos brancos.

Nas décadas de 1950 e 1960, houve uma tentativa de aproximação, por parte de agentes do governo brasileiro, com a intenção de pacificar os caiapós. Como resultado, hoje, a maior parte dos caiapós está em contato permanente com a sociedade brasileira.

Nos anos 1980, dois caiapós se tornaram conhecidos do grande públicoː Tutu Pombo e Raoni. O primeiro, como o primeiro líder indígena brasileiro a explorar comercialmente as reservas indígenas, ao permitir a extração de ouro e mogno em troca de dinheiro. O segundo, como um defensor do meio ambiente e do modo de vida tradicional indígena.

A Economia dos caiapós

Sua principal atividade econômica é a agricultura itinerante, praticada por homens, mulheres e meninos. Através do método de desbravar territórios e queimar o mato, cada par de indígena limpa um local na floresta, de cerca de cinquenta por trinta metros, onde estabelecem suas hortas, nas quais semeiam batata, cará, mandioca, algodão, milho e, ao lado das árvores, plantam cupá, uma videira com gavinhas comestíveis. Alguns grupos introduziram, em suas hortas, arroz, feijão, mamão e tabaco. Curiosamente, usam fertilizantes e pesticidas.

Recolhem mel e frutos de palmeiras silvestres como o babaçu. A castanha-do-pará, que anteriormente era recolhida pelas mulheres para seu autoconsumo, hoje é recolhida pelos homens e vendida a compradores estatais ou privados. O óleo certificado de castanha, feito pelos caiapós da Terra Indígena Baú, de Novo Progresso, recebeu o selo verde, uma certificação que atesta práticas legais e impulsiona a venda para as indústrias de cosméticos. No entanto, a sua substituição por outras matérias-primas tem feito os caiapós venderem o óleo para a indústria de biocombustível, a um preço dez vezes menor.

São bons caçadores, mas, atualmente, a caça não é abundante. Entre as presas que conseguem obter, se destacam os da família Tayassuidae (porcos do mato). Os homens tecem cestos, cintos e faixas para carregar e fabricam paus, lanças, arcos e flechas para a caça. As mulheres fabricam pulseiras, fitas e cordas.

Atualmente, os caiapós do Pará são tidos como os índios mais ricos do Brasil. Sua riqueza vem da exploração de mogno, ouro e óleo de castanha-do-pará, além de dividendos de royalties, advindos da mineração industrial em suas terras.

Foto: Bing

Como é sua organização social

Em 2 de junho de 2010, o cacique Akiaboro, líder geral de todas as aldeias Caiapó, falou à imprensa, após participar da 13ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Política Indigenista. Foto:Renato Araújo/ABr.

Cada comunidade é independente das demais, mas todas apresentam a mesma estrutura. Se constrói uma aldeia com uma praça central para as festas e, ao redor, as casas de cada família. O ngobe é a “casa dos homens”, situada no extremo norte da praça, onde eles se reúnem, praticam trabalhos artesanais e pernoitam. Os homens se dividem em dois lados, cada um com um benadióro (chefe) e seus oopen (partidários). As casas das esposas do chefe estão uma no extremo leste da aldeia e outra a oeste.

São seminômades. Várias vezes ao ano, correm pelas florestas para a caça, coleta e estabelecimento de novas colheitas; alguns desses períodos são curtos e breves e outros relativamente longos, durante os quais abandonam a aldeia. Como comunidades sobreviventes, se mencionam os kubenkrâkên, gorotire, xikrin, menkragnoti e metüktire.

O matrimônio se contrai em idade precoce, por vezes consentido pelas mães dos noivos, sendo proibida a união entre primos cruzados. Se trata de um evento público que está previsto após a menarca (primeira menstruação) das meninas, que acontece sempre entre 10 e 12 anos. As mães e tias dos recém-casados preparam e interrompem sem problemas a noite de núpcias. O divórcio é possível, mas o segundo casamento é vetado.

A decoração do corpo é uma questão importante na sociedade. Dedica-se bastante tempo ao raspar o cabelo e fazer desenhos coloridos na pele. Homens, mulheres e crianças ficam com a parte superior da cabeça completamente raspada. As mulheres deixam cair para trás o resto do cabelo, enquanto os homens fazem um rolo. Levam grinaldas de penas, brincos, colares e cintos e alguns homens usam um disco em seu lábio inferior. Anteriormente, todos os homens o portavam.

Não usam bebidas fermentadas nem plantas alucinógenas.

Informações: Casa Civil da Presidência da República

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4 responses to “Prejuízo de R$ 79 milhões ao garimpo ilegal na Terra Indígena Kayapó”

  1. Avatar de
    Anônimo

    QUE A LUZ DA PROTEÇÃO DIVINA INFINITA, VINDA DO CRIADOR, ESTEJA CONECTADA COM A POPULAÇÃO INDÍGENA, NOSSOS IRMÃOS BRASILEIROS, POVO DO BRASIL. QUE A PAZ SEMPRE ESTEJA CONOSCO. E A BONDADE, O AMOR AO PRÓXIMO, AO BRASIL E AO MUNDO. GRAÇAS AOS NOSSOS ANCESTRAIS!

  2. Avatar de
    Anônimo

    Excelente 👏🏽👏🏽👏🏽

  3. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Bravo!! A luta não pode parar!

  4. Avatar de
    Anônimo

    Muita luta, muita cultura, mas, principalmente, muita história… Parabéns pelo resumo!

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