Parlamento brasileiro acha injusto cobrar taxas dos super-ricos


O brasileiro atual foi forjado na fornalha da escravidão e vem sendo ‘tostado’ na fogueira da ganância. Quando digo ‘brasileiro atual’, estou falando do povo, não dos antigos e novos escravocratas, cegos materialistas. Não consigo assistir, sem dizer nada, a um bando enorme de deputados, na Casa do Povo, todos eleitos pelo voto popular, trabalhando até altas horas para prejudicar esse mesmo povo que os elegeu. Então, resolvi trazer aqui, no Ângulo e Foco, um levantamento minucioso e confiável das razões profundas de por que o Governo Federal tenta equilibrar as contas públicas – assaltadas pelas ‘emendas’ desses mesmos parlamentares que não valem como tal -, transferindo uma parte ridiculamente ínfima da exuberante riqueza dos mais ricos do País para manter os revolucionários Programas Sociais. Os maus têm horror das vitórias econômicas, sociais e internacionais deste Governo porque têm medo de Lula se reeleger com elas: os pobres gostariam.
A Oxfam International é uma confederação de 19 organizações e mais de 3000 parceiros, que atua em mais de 90 países na busca de soluções para o problema da pobreza, desigualdade e da injustiça, por meio de campanhas, programas de desenvolvimento e outras ações. Ela acaba de divulgar – através da Oxfam Brasil, um estudo, que comprovou a realidade de que a fortuna dos 1% mais ricos cresceu mais de US$ 33,9 trilhões, desde 2015 – valor suficiente para acabar com a pobreza do mundo 22 vezes.
Ao lançar o documento, a Oxfam alerta que o desenvolvimento global está “desastrosamente fora do rumo”, exigindo negociações cruciais. A organização condena a paralisia do setor privado nos esforços de desenvolvimento, enquanto mais de 3,7 bilhões de pessoas permanecem na pobreza, dez anos após a aprovação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Esse “aumento astronômico da riqueza privada global”, ocorrido entre 1995 e 2023, foi de US$ 342 trilhões – 8 vezes mais que a riqueza pública. Um dos mais graves efeitos desse abismo financeiro está na qualidade de vida da população. Governos estão fazendo os maiores cortes em ajuda humanitária, desde o início dos registros. Considerando apenas 3.000 bilionários, sua fortuna cresceu US$ 6,5 trilhões no mesmo período e agora equivale a 14,6% do PIB global.
A pesquisa global verificou que 9 em cada 10 pessoas apoiam financiar serviços públicos e ações climáticas com impostos sobre os super-ricos. Então, a fim de ‘virar o jogo’, a Oxfam pede novas alianças estratégicas para combater a desigualdade, revitalizar a ajuda humanitária, taxar os super-ricos e priorizar o setor público sobre o privado.
A análise da Oxfam foi divulgada pouco antes da quarta e maior Conferência Sobre Financiamento para o Desenvolvimento da última década – que acontecerá na próxima semana, em Sevilha, Espanha. Ela levou em conta, para os cálculos, o valor máximo de US$ 8,30 por dia, estabelecido pelo Banco Mundial, capaz de erradicar a fome no mundo.

O bombástico Relatório
O relatório “Do Lucro Privado ao Poder Público: Financiando o Desenvolvimento, Não a Oligarquia” será lançado dia 30 de junho, organizada pela Espanha com participação de mais de 190 países.
Os países do G7, responsáveis por 75% da ajuda oficial, reduzirão seus repasses em 28% até 2026. Enquanto isso, a crise da dívida está levando governos à falência: 60% dos países de baixa renda estão à beira do colapso, gastando mais com credores do que com saúde e educação. Apenas 16% das metas de apoio ao desenvolvimento social estão no rumo certo para 2030.
A Oxfam, também, critica a estratégia de priorizar investidores privados, que beneficiou os mais ricos (os 1% detêm 43% dos ativos globais), mas falhou em mobilizar recursos suficientes para o desenvolvimento. Credores privados, que hoje representam metade da dívida dos países pobres, agravam a crise com termos abusivos e recusa em renegociar.
“Sevilha é o primeiro grande encontro global em um momento em que a ajuda humanitária está sendo destruída, uma guerra comercial começou e o multilateralismo está em frangalhos – tudo sob o pano de fundo do segundo governo Trump. O desenvolvimento global está falhando porque os interesses de uma minoria super-rica são colocados acima de todos os outros”, disse Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional.
O que o Banco Mundial descreveu como uma mudança de paradigma de “bilhões para trilhões” tem sido uma bênção para investidores ricos, mas agora enfrenta evidências esmagadoras de fracasso, mesmo segundo seus antigos defensores. De modo alarmante, há um novo impulso por trás da ideia de desviar o pouco de ajuda que resta para atores financeiros privados.
“Os países ricos colocaram Wall Street no comando do desenvolvimento global. É uma tomada do poder pelo setor financeiro privado, que suplantou as formas comprovadas de combater a pobreza, por meio de investimentos públicos e tributação justa. Não é surpresa que a maior parte dos governos esteja, desastrosamente, fora do rumo, seja na promoção de empregos dignos, igualdade de gênero ou fim da fome. Essa concentração de riqueza está sufocando os esforços para acabar com a pobreza”, afirmou Behar.
A nova análise da Oxfam mostra que, entre 1995 e 2023, a riqueza privada global cresceu US$ 342 trilhões – 8 vezes mais que a riqueza pública global, que aumentou apenas US$ 44 trilhões. A riqueza pública global – como parcela da riqueza total – na verdade diminuiu, entre 1995 e 2023.
Viviana Santiago, Diretora Executiva da Oxfam Brasil, afirmou: “O Brasil é um retrato escancarado do fracasso do atual modelo de desenvolvimento global, que prioriza lucros privados em vez do bem-estar coletivo. A extrema concentração de riqueza no topo, alimentada por um sistema tributário injusto e regressivo, aprofunda desigualdades históricas de raça e gênero. São as mulheres negras, indígenas e periféricas que pagam o preço mais alto da crise climática, da fome e do desmonte dos serviços públicos.”
E continua o alerta: “Precisamos urgentemente de um pacto global, baseado em justiça tributária, fortalecimento do setor público e reparação histórica. Os trilhões acumulados pelos super-ricos, inclusive no Brasil, não podem mais ser blindados. A população já sinalizou que 9 em cada 10 brasileiras e brasileiros apoiam taxar fortemente os mais ricos para financiar saúde, educação e ação climática”.
A Oxfam aconselha os governos a se unirem em torno de propostas políticas que ofereçam uma mudança de rumo, combatendo a desigualdade extrema e transformando o sistema de financiamento do desenvolvimento.

Novas alianças estratégicas contra a desigualdade
Os governos devem se unir em novas coalizões para se opor à desigualdade extrema. Países como Brasil, África do Sul e Espanha estão oferecendo liderança para isso, internacionalmente. Uma nova “Aliança Global Contra a Desigualdade”, apoiada por Alemanha, Noruega, Serra Leoa e outros, serve de exemplo para que outras nações apoiem.
O documento final da pesquisa propõe rejeitar o Consenso de Wall Street e que os governos devem rejeitar o financiamento privado como a solução mágica para o desenvolvimento. Em vez disso, devem investir em desenvolvimento liderado pelo Estado – para garantir serviços universais de saúde, educação e assistência de alta qualidade – e explorar bens públicos em setores como energia e transporte.
Os especialistas recomendam fortemente repensar o financiamento do desenvolvimento: taxar os super-ricos, revitalizar a ajuda humanitária, reformar a arquitetura da dívida e ir além dos indicadores de PIB. Os doadores do Norte Global devem reverter urgentemente os cortes catastróficos à ajuda vital e cumprir a meta de 0,7% de AOD (Ajuda Oficial ao Desenvolvimento) como mínimo. E sugerem, também que os governos devem apoiar uma nova convenção da ONU sobre dívida e a convenção tributária da ONU, aproveitando o esforço do G20, liderado pelo Brasil, para tributar indivíduos com alto patrimônio.
“Trilhões de dólares existem para cumprir as metas globais, mas estão trancados em contas privadas dos super-ricos. É hora de rejeitarmos o Consenso de Wall Street e colocarmos o setor público no comando. Os governos devem atender aos amplos apelos para taxar os ricos – e combinar isso com uma visão para construir bens públicos, da saúde à energia. É um sinal esperançoso que alguns governos estejam se unindo para combater a desigualdade – mais países devem seguir seu exemplo, começando em Sevilha”, disse Behar.
A pesquisa sobre taxação dos super-ricos foi realizada em 13 países (incluindo Brasil) – veja os resultados:
A opinião global sobre a taxação dos super-ricos foi encomendada pela Greenpeace e Oxfam Internacional. A pesquisa foi realizada pela empresa de análise de mercado Dynata, entre maio e junho de 2025, no Brasil, Canadá, França, Alemanha, Quênia, Itália, Índia, México, Filipinas, África do Sul, Espanha, Reino Unido e EUA. Juntos, esses países representam quase metade da população mundial.
Os dados sobre o tempo necessário à erradicação da pobreza são apenas indicativos, pois seu custo certamente cairia nos próximos 22 anos, à medida que o número de pessoas consideradas pobres diminuísse. Além disso, o valor da riqueza continuaria aumentando, já que não seria gasto de uma só vez. No entanto, essa comparação indica até que ponto o aumento da riqueza privada, que está sendo altamente concentrada nas mãos de poucos, poderia ser direcionada para acabar com a pobreza, em vez de inflar ainda mais as fortunas dos mais ricos.
Propostas serão discutidas antes
A Oxfam realizará um grande evento, de alto nível, em conjunto com o Club de Madrid, no dia 1º de julho, em Sevilha, com a participação de altos representantes governamentais para discutir o documento informativo. Jornalistas estão convidados a participar e terão prioridade para perguntas.
Além disso, um evento paralelo oficial sobre Desigualdade e Reforma Tributária acontecerá no mesmo dia, com a participação de altos representantes governamentais do Brasil, Espanha e África do Sul, organizações internacionais e especialistas globais.
Os ricos não pagam imposto sobre combustível de jatinhos
A organização humanitária EKO está circulando um abaixo-assinado, na Internet, que propõe aos governos taxar o querosene de aviação, usado pelos jatinhos de luxo dos multibilionários. Vejam só que injustiça com quem conta trocados para abastecer sua moto, por exemplo. Diz o apelo, veiculado:
“Enquanto muitos de nós estamos tentando reciclar ou evitar o uso de carros, nos fins-de-semana, quase 100 jatos particulares de bilionários voaram para o luxuoso casamento de Jeff Bezos, realizado desde ontem (26), em Veneza. E, para piorar a situação, o combustível de aviação não é tributado como a gasolina do seu carro.
Isso não é apenas injusto — é revoltante. Mas essa realidade, aparentemente inexplicável, pode mudar em apenas alguns dias. Na cúpula da ONU em Sevilha, onde os líderes debaterão uma ideia simples: tributar jatos particulares e viagens aéreas de luxo e usar o dinheiro para financiar a justiça climática e o desenvolvimento.
Líderes do Brasil, França, Quênia e Barbados já apoiam a ideia de um imposto de solidariedade. A Espanha e a UE continuam indecisas. Se um número suficiente de nós se manifestar agora, podemos fazer com que essas lideranças façam a coisa certa.
Peça à Espanha, ao Brasil, à França e à UE que tributem o combustível de jatos particulares e voos de luxo — e financiem soluções climáticas.
Essa taxa seria simples, inteligente e justa: Acabaria com a isenção fiscal do querosene para jatos particulares, em diversos países do mundo. Tributaria assentos de luxo e de alta emissão: voos executivos e de primeira classe ocupam mais espaço, consomem mais combustível e devem ser mais tributados. Isso ajudaria a arrecadar mais de 100 bilhões de dólares anualmente, sem prejudicar os viajantes comuns.
O dinheiro seria direcionado para comunidades mais vulneráveis às mudanças climáticas. E isso seria apenas o começo. Se os países concordarem em seguir em frente, isso abrirá caminho para compromissos ousados na COP30 no Brasil — e desbloqueará financiamento real para a justiça climática. Não estamos falando de migalhas. Estamos falando de centenas de bilhões, arrecadados de forma justa, e gastos onde é mais importante.
Agora, você pode se perguntar: isso realmente funcionará? Boa pergunta. E aqui está a resposta honesta: somente se houver vontade política. Os lobbies dos combustíveis fósseis e da aviação estão resistindo fortemente. Mas cada vez mais governos estão dizendo: “Chega”. Na verdade, mais de 20 países já têm taxas sobre as companhias aéreas, incluindo países como França e Noruega. Trata-se de atualizá-las para uma nova realidade: a emergência climática.
Cada assinatura agora aumenta a pressão para agir em Sevilha (link no final desse post).

Tarifas de Trump agravaram o quadro
Com base em matéria da Agência France Press, cortes no financiamento da Usaid, feitos por Donald Trump, afetaram gravemente as campanhas humanitárias pelo mundo. Líderes e especialistas de todo o mundo, convidados pela ONU, irão para uma conferência sobre financiamento ao desenvolvimento, num momento crucial, em que o socorro aos famintos é afetado pelos cortes de Donald Trump e pelos conflitos internacionais.
O objetivo da Conferência, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, é encontrar “soluções” para as necessidades dos países em desenvolvimento, que “sofrem um déficit financeiro anual estimado em US$ 4 trilhões (R$ 22 trilhões)”, US$ 1,5 trilhão (R$ 8,2 trilhões) a mais do que há dez anos.
A bela cidade de Sevilha receberá quase 70 chefes de Estado e de Governo e 4.000 representantes da sociedade civil e das principais instituições financeiras internacionais, de segunda a quinta-feira. Não haverá representação oficial dos Estados Unidos na reunião; Washington se retirou do encontro e abandonou as discussões há poucos dias, devido a um desacordo sobre o texto final, alegando que ele cria “novas estruturas redundantes” e viola a “soberania” dos países.
O desafio é enorme, e nossa vontade?
Esta conferência sobre desenvolvimento, a primeira desde a de Addis Abeba, em 2015, ocorre após Trump eliminar 83% do financiamento a programas internacionais da Usaid. O maior doador a agências e organizações humanitárias – que também sofreram redução da ajuda de outros países – era os Estados Unidos, seguido da França, Alemanha e Reino Unido.
Esse golpe brutal do ridículo ‘trumpismo’ obrigou o Unicef a demitir 1.000 professores nos campos de refugiados rohingya em Bangladesh, a ONU a reduzir à metade seus programas na República Democrática do Congo e prejudicou o combate à aids no sul da África.
Os países em desenvolvimento estão com a situação ainda mais delicada, devido à explosão da dívida pública, desde a pandemia de covid-19, que obrigou os Estados a destinar mais recursos ao pagamento de seus empréstimos do que à saúde e à educação.
Este momento é desafiador para a economia mundial, enfraquecida pelo aumento das tarifas dos EUA e pelos conflitos atuais, principalmente na Ucrânia e no Oriente Médio, que levaram a um aumento nos orçamentos militares.
Atual sistema é “obsoleto”, diz ONU
“Neste contexto turbulento, não podemos deixar que nossas ambições se desvaneçam” – alertou Guterres, que vê a conferência de Sevilha como “uma oportunidade única para reformar o sistema financeiro internacional”, atualmente “obsoleto” e “disfuncional”.
O primeiro texto da declaração, adotado antes do encontro, indicam aos bancos de desenvolvimento “triplicarem” sua capacidade de empréstimo; aos doadores a “garantirem um financiamento previsível” para gastos sociais essenciais e à comunidade internacional a fortalecer a “cooperação” contra a evasão fiscal.
O “Compromisso de Sevilha” – que ainda será complementado – foi bem recebido pela União Europeia, mas criticado por ONGs, que acusaram os países ricos de agirem para ‘diluir’ o documento final. Como era de se esperar de dragões insensíveis, gulosos e ‘cascas grossas’.
E nosso ‘anão’, comandando uma enorme banda podre do Congresso brasileiro, não ‘tá nem aí’. Mas a verdade vem à galope. A vida familiar pregressa do decujus logo veio à tona e joga luz no objetivo final dele lutar para defender os donos do dinheiro. A que ponto chegou a política brasileira com tantos mandatos comprados… A onde vai chegar?
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PERCENTUAL DE PESSOAS QUE APÓIAM A TAXAÇÃO DE SUPER-RICOS POR PAÍSES
| Apoiam fortemente: | Apoiam: |
| Países pesquisados = 51% | Países pesquisados: 35% |
| Brasil = 56% | Brasil = 34% |
| Filipinas = 66% | Canadá = 49% |
| África do Sul = 59% | França = 18% |
| Kenia = 58% | Alemanha = 42% |
| México = 58% | Índia = 37% |
| Espanha = 55% | Kenia = 33% |
| Índia = 55% | México = 25% |
| Itália = 47% | Filipinas = 39% |
| Alemanha = 44% | África do Sul = 35% |
| Estados Unidos = 43% | Espanha = 36% |
| Canadá = 39% | Reino Unido = 48% |
| Reino Unido = 37% | Estados Unidos = 42% |

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