O Estado vai produzir, também, baterias de grande porte

Bahia vai abrigar primeiro escritório da Windey Energy no Brasil.
A Bahia dá mais um grande passo na sua industrialização e reforça sua posição de maior parque de energia eólica e passa a produzir baterias de alta performance. Atualmente, o Estado conta com um total de 1.220 empreendimentos solar e eólico, em operação, em construção ou a ser construído, que estão presentes em 69 municípios. O investimento agora é da ordem de R$ 232 bilhões, com capacidade para geração de mais de um milhão de empregos. Graças ao trabalho sério do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues.
Em matéria da jornalista Simônica Capistrano/GOVBA, ficamos sabendo que, a partir da instalação dessa fábrica, a Bahia pode se destacar ainda mais no setor de energia renovável, por vários motivos: aproveitando o potencial eólico, especialmente no semiárido baiano; ampliando parcerias público-privadas para atração de novos investimentos e fortalecimento da cadeia produtiva local; integrando centros de pesquisa, universidades e indústria para inovação e competitividade.
A iniciativa é, ainda, um incentivo à produção local de componentes (torres, pás, geradores), com apoio à indústria baiana, e avança na consolidação da Bahia como referência nacional e internacional em transição energética e sustentabilidade.
Também participaram do evento o senador Jaques Wagner, o presidente mundial da Windey Energy, Cheng Chenguang, o diretor de Tecnologia e Inovação do Senai-Cimatec, Leone Andrade e o secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Angelo Almeida.
Mas, quem é a Windey?
A chinesa é a terceira maior fabricante mundial de turbinas eólicas, hidrogênio verde e bess, as chamadas super baterias. Uma comitiva da companhia foi recebida quinta-feira (26), na Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), um dia antes do lançamento oficial da sua sede no Senai Cimatec. Durante a audiência com o secretário da pasta, Angelo Almeida, os representantes da estatal chinesa destacaram os estudos elaborados sobre o potencial da Bahia e apresentaram o plano de negócios elaborado para o estado.
De acordo com o secretário Angelo Almeida, com a Windey como parceira internacional, a Bahia consolida sua posição como um hub latino-americano em energias renováveis, atraindo investimentos estrangeiros e ganhando protagonismo em fóruns globais de clima e sustentabilidade, promovendo um desenvolvimento socioeconômico sustentável e inovador para o estado:
“A chegada da Windey à Bahia marca um avanço estratégico para o setor de energias renováveis no estado, que já é o maior produtor de energia eólica do Brasil. Com expertise em turbinas eólicas, armazenamento de energia (BESS) e hidrogênio verde, a empresa traz grande potencial para impulsionar a descarbonização, a industrialização e a qualificação técnica local”, afirmou o secretário, acrescentando:
“A instalação da nova sede fortalece a pesquisa, desenvolvimento e inovação, criando um centro de excelência que integrará universidades, startups e projetos-piloto em energia inteligente. A presença da empresa permitirá a verticalização da cadeia produtiva na Bahia, com a instalação de uma fábrica local de aerogeradores, desenvolvimento de fornecedores regionais e geração de empregos diretos e indiretos, beneficiando pólos industriais como Camaçari e Lauro de Freitas”, afirma.

Os dirigentes da Windey, recebidos por autoridades baianas. Foto: Eduardo Andrade – Ascom/SDE
Uma decisão natural
O CEO da Windey Brasil, Ricardo Galvão, explica que a decisão de vir para a Bahia foi natural. “Hoje, o estado é protagonista quando falamos de energia renovável no Brasil. Ele concentra alguns dos melhores ventos do mundo, tem infraestrutura em expansão e, mais do que isso, uma cultura voltada para inovação e sustentabilidade. A Windey acredita que, para transformar a matriz energética do país, é fundamental estar onde essa transformação já acontece. Ter uma base aqui é estratégico. Nos aproxima dos principais parques eólicos do país, agiliza nossa operação e reforça parcerias locais. Também nos permite contribuir com a geração de empregos, capacitação de mão de obra e desenvolvimento tecnológico. Nossa presença física mostra que viemos para ficar e para crescer junto com o setor eólico brasileiro.”
Galvão completa: “a Bahia é, sem exagero, o coração da energia renovável no Brasil. O estado já responde por uma parcela significativa da energia eólica nacional e tem potencial para crescer ainda mais. Além disso, a matriz energética baiana já é mais de 90% renovável. Isso mostra um compromisso com o futuro que está totalmente alinhado com o que a Windey acredita. Esse escritório é apenas o começo. Além dele estamos inaugurando nosso centro de pesquisa e desenvolvimento em parceria com o Cimatec”, finaliza.
O anúncio oficial foi realizado no campus do Senai Cimatec, em Salvador, onde o escritório da empresa chinesa funcionará. A ocasião também marca a instalação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para estudos em energia eólica, o que reforça o investimento em inovação e compromisso com o avanço das energias renováveis no Brasil.
Super-baterias para carros elétricos
As chamadas super-baterias que a Windey fabricará na Bahia impulsionará a descarbonização, a industrialização e a qualificação técnica local. De acordo com o governador Jerônimo Rodrigues, a chegada da Windey à Bahia marca um avanço estratégico para o setor de energias renováveis no estado.
“A Bahia já é muito potente e a vinda dessa fábrica tem um significado muito forte, que é a construção de uma mão de obra especializada para aumentarmos essa produtividade, para termos condições de exportar para outros países, e atrair indústrias com acesso à energia mais acessível e a menor custo”, afirmou o governador.
O diretor de vendas para a América Latina da Windey Energy, Hugo Louchan Chanf Miranda, explicou como foi tomada a decisão de vir para a Bahia: “A Bahia reúne condições ímpares que temos no Brasil, como recursos energéticos, potencial eólico e recursos solar. Tem ainda, uma agricultura muito forte, biomassa. Se pudermos aproveitar 1% dos recursos energéticos que a Bahia tem, já estamos muito satisfeitos”, disse o executivo que destacou, ainda, a importância da parceria com o Cimatec, no suporte às atividades da empresa.
A presença da empresa ainda vai permitir a verticalização da cadeia produtiva na Bahia e geração de empregos diretos e indiretos, beneficiando pólos industriais baianos. Já o Centro P&D, em parceria com o Senai Cimatec, vai fortalecer a pesquisa, desenvolvimento e inovação, a partir da integração de universidades, startups e projetos-piloto em energia inteligente.

Jerônimo Rodrigues acompanhou Lula, na Windey da China. Imagem: Windey.
Lula reforçou o investimento na Missão China
A vinda da empresa para o Brasil é resultado da assinatura de um memorando de entendimentos, em maio passado, durante missão na China. A convite do Governo Federal, o governador Jerônimo Rodrigues participou de três reuniões ao lado do presidente Lula e do ministro da Casa Civil, Rui Costa, com representantes da Windey Energy.
Rui Costa destacou, em seu discurso, a importância do Brasil buscar relações multilaterais com outros países, como a China, cujo resultado é a formação de mão de obra, geração de emprego e o desenvolvimento tecnológico.
“O governo chinês, por diversas vezes, tem reafirmado o seu compromisso e a sua determinação em fazer parceria com o Brasil. E eu diria que, entre todos os estados, o que talvez tenha saído na frente e tenha conseguido tamanho êxito em alguns projetos, em áreas diferentes, seja o Estado da Bahia. Por isso, o nosso orgulho de estar aqui no dia de hoje. Ente os grandes investimentos chineses no Brasil, podemos destacar a vinda da BYD, a Ponte Salvador-Itaparica, e agora a fábrica de turbinas eólicas”, enfatizou.
A matriz elétrica baiana é 98% renovável. O estado tem como principal característica os melhores ventos, constantes, unidirecionais e sem rajadas, proporcionando um fator de capacidade superior a 50%. Além de possuir excelentes níveis de irradiação solar e uma ampla área para instalação de usinas na região do semiárido.
Palha transformada em “ouro verde”
A Windey não para de se superar. O projeto de metanol verde Handan, da Windey, estabelece uma referência mundial no setor energético. Recentemente, o Projeto de Metanol Verde Handan, de 180.000 t/ano da Windey, fez sua estreia na Exposição de Utilização Abrangente de Palha, patrocinada pelo Departamento de Agricultura e Assuntos Rurais da Província de Hebei, na China.
O sistema inteligente de coleta-transporte-armazenamento, dispositivos de gaseificação de alta eficiência e equipamentos de síntese de metanol foram exibidos no local da exposição, o que chamou a atenção generalizada.
Como um importante projeto de energia verde na província de Hebei, o Projeto Handan Green Methanol da Windey estabeleceu, sem precedentes, um modo de desenvolvimento de ciclo duplo “Energia + Agricultura”. Não só resolve o problema da poluição da queima de palha da fonte – contando com a rede de coleta e armazenamento de palha Empresas + Cooperativas + Agricultores -, mas inova em toda a cadeia industrial e desenvolve a modalidade “Coleta e Armazenamento de Palha – Pré-tratamento – Gaseificação de Biomassa – Refino e Síntese de Metanol”.
Ao quebrar os principais gargalos técnicos na remoção de palha dos campos, coleta e armazenamento e briquetagem, o projeto realmente abriu um caminho de transformação de resíduos agrícolas em produtos energéticos de alto valor agregado.
Entendimentos com Lula
Na visita brasileira à China, em maio, Chen Qi e Cheng Chenguang se reuniram com o presidente brasileiro Lula e assinaram um memorando de entendimento. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reuniu-se em Pequim com Chen Qi, presidente, e Cheng Chenguang, gerente geral da Windey.
As partes chegaram a um consenso significativo sobre o aprofundamento da cooperação da nova cadeia industrial de energia entre a China e o Brasil, a inovação tecnológica e a integração industrial, culminando com a assinatura de um memorando de entendimento. A reunião, que coincidiu com o 10º aniversário do Fórum China-CELAC, injetou um novo impulso na cooperação bilateral e marcou uma nova fase na parceria de energia verde entre a China e o Brasil.
O presidente Lula elogiou a liderança global da Windey em tecnologia e as conquistas práticas no novo setor de energia. Ele afirmou que o Brasil está acelerando sua estratégia de diversificação energética e transição de baixo carbono, expressando desejo de aprofundar a cooperação com empresas chinesas na exploração de novos caminhos para o desenvolvimento de energia verde. Ele enfatizou que a nova cooperação energética servirá como um motor crucial para a parceria abrangente entre a China e a América Latina, promovendo o desenvolvimento sustentável na região.
Chen Qi elaborou a presença global e as vantagens tecnológicas da Windey no novo setor de energia, propondo quatro direções estratégicas para aprofundar a cooperação com o Brasil: inovação tecnológica, fabricação local, otimização energética e integração agrícola. Ele anunciou planos para estabelecer um novo centro de inovação em energia com o CIMATEC do Brasil, com foco em energia eólica, fotovoltaica, armazenamento de energia e desenvolvimento de tecnologia de hidrogênio verde.
A empresa investirá em bases de fabricação de aerogeradores e equipamentos de armazenamento de energia nos estados da Bahia e do Piauí, promovendo a produção localizada e inteligente. Além disso, pilotará projetos de “armazenamento eólico fotovoltaico + microrrede inteligente” para otimizar o fornecimento de energia em áreas remotas e promover a integração de recursos agrícolas e energéticos.
O presidente Lula e o governo brasileiro expressaram forte apoio a essas iniciativas de cooperação, vendo-as como catalisadores para a transformação da estrutura energética do Brasil, o aumento da estabilidade da rede e o desenvolvimento econômico e ecológico regional.

Lula fez amizade com o presidente chinês, Xi Jinping. Foto: Planalto.
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