Neste post, homenageamos mais 18 afrodescendentes de peso.

A glória inegável da escritora Ana Maria Gonçalves, de ter sido recém-eleita e se tornar a primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras, nos remete a levantar outras belas histórias e trajetórias de heroísmo, lutas, vitórias (e também derrotas), prêmios, reconhecimento, enfim, de inesquecíveis figuras, originárias de nossos queridos irmãos africanos, tão barbaramente tratados, ao longo do tempo, no Brasil. Nosso País está repleto deles, a quem saudamos e relembramos, no final deste post, como heróis, diante de tantas adversidades sofridas, perante os povos colonizadores e seus lacaios milionários.
A escritora mineira tem 55 anos e passa a ser a mais jovem entre os imortais do atual quadro da ABL. Disputou a posição com outros 11 intelectuais, e recebeu 30 dos 31 votos. A primeira negra, desde a fundação da Academia, há 128 anos, por outro negro: Machado de Assis.
Antes dessa estrondosa vitória com o livro “Um Defeito de Cor”, Ana Maria tem se destacado por levantar debates raciais no conteúdo de suas obras. Também roteirista e dramaturga, ela é professora de escrita criativa e curadora de projetos culturais.
“Eu parabenizo Ana Maria Gonçalves por esse grande feito, por sua escrita impecável e pelas importantes bandeiras que carrega”, afirmou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Em novembro de 2023, a titular da Cultura visitou a exposição “Um Defeito da Cor”, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador (BA). Margareth se encantou com a exposição, dividida em dez ambientes que reproduziam os dez capítulos do livro “Um defeito de cor”, passando por temas como o feminino, povos originários, a relação com a natureza, manifestações religiosas, ancestralidade e a reestruturação da história que se conta sobre a escravidão – na África e no Brasil.
Quem é a grande Ana Maria
Ana Maria Gonçalves é uma escritora brasileira contemporânea, reconhecida por sua prosa vigorosa e engajada, que aborda temas como raça, gênero, e a construção da identidade nacional brasileira. Embora informações detalhadas sobre sua vida pessoal sejam escassas, sua obra revela uma profunda pesquisa histórica e uma sensibilidade aguçada para as nuances da experiência humana.
Antes de “Um defeito de cor”, sua obra mais conhecida era “O livro dos prazeres”, publicado em 2006, um romance histórico que reconta a história de uma mulher negra, a africana Beatriz, no século XVI, durante o período colonial brasileiro. O livro é uma ficção ousada e inovadora, que desafia as narrativas tradicionais e resgata vozes silenciadas da história. A obra recebeu diversos prêmios literários e foi traduzida para várias línguas, consolidando a reputação de Ana Maria Gonçalves no cenário literário internacional.
Além desses destaques, Ana Maria Gonçalves também publicou outros livros, incluindo contos e crônicas, que demonstram sua versatilidade e domínio da escrita. Sua obra se caracteriza pela linguagem rica e poética, pela construção de personagens complexos e memoráveis, e pela capacidade de entrelaçar ficção e realidade, criando narrativas que são ao mesmo tempo literariamente sofisticadas e politicamente comprometidas.
A autora se destaca por sua contribuição para a literatura brasileira ao dar voz a personagens marginalizados e ressignificar a história do país a partir de perspectivas muitas vezes ignoradas. Sua escrita é um ato político, que questiona as estruturas de poder e busca promover uma maior justiça social e representatividade na literatura.
Ana Maria Gonçalves segue, no cenário literário e cultural, a produzir e a contribuir significativamente para o debate brasileiro, inspirando novas gerações de escritores e leitoras. Sua obra é essencial para compreender a complexidade da história e da cultura brasileira, e para refletir sobre as questões de identidade e pertencimento no mundo contemporâneo.

A escritora Djamila Ribeiro.
Pequeno manual Antirracista
A também escritora e negra Djamila Ribeiro tem lugar de destaque, neste momento, pelo seu livro “Pequeno Manual Antirracista”, que está à venda (até por R$0,01), em várias lojas da Internet. Quem quiser ler, deixe um recado com o e-mail nos Comentários que eu enviarei um, em PDF.
Nascida em 1 de agosto de 1980, em Santos, SP, Brasil, começou a desenvolver seu talento na Universidade Federal de São Paulo, nos campos da filosofia, do feminismo e da negritude.
Professora, filósofa, escritora e ativista do movimento negro no Brasil e internacionalmente, tem forte presença nas redes sociais. Escreve semanalmente no jornal Folha de S. Paulo e já foi colunista da revista Carta Capital.
Em 2021, ela recebeu o prêmio Global Good no BET Awards, tornando-se a primeira brasileira a ser homenageada nesta categoria. Em 2023, foi laureada com o Prêmio Franco Alemão de Direitos Humanos e, no mesmo ano, foi a primeira brasileira a falar no Dia em Memória da Abolição da Escravidão e o Comércio Transatlântico de Escravizados, na Assembleia Geral das Nações Unidas. Ela também foi incluída na lista da BBC das 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo. Ainda, desde 2022, ocupa a cadeira número 28 da Academia Paulista de Letras.
Ribeiro tem presença ativa no mercado editorial; seus livros já venderam mais de 1 milhão de cópias e foram traduzidos para diversos países, como Itália, França e Estados Unidos.
Em 2022, fundou o Espaço Feminismos Plurais, instituto sem fins lucrativos, em São Paulo, que oferece uma gama de serviços gratuitos para mulheres. Em 2024, foi professora convidada para lecionar durante um semestre da New York University.
Djamila Ribeiro é a caçula das quatro crianças do casal Joaquim José Ribeiro dos Santos e Erani Benedita dos Santos Ribeiro. O pai era estivador, ativista do movimento negro e um dos fundadores do Partido Comunista (PC) na Baixada Santista. Sua mãe trabalhava como empregada doméstica e foi quem a iniciou no Candomblé, quando tinha 8 anos. O seu nome significa “beleza” em swahili, língua falada no leste da África.

Zumbi dos Palmares. Imagem: Recriação artística.
Personalidades negras de nossa História
A título de militância antirracista e reconhecimento , escolhi outras 17 personalidades negras brasileiras (são muitas mais) que marcaram a história do país e as trago aqui para meus queridos leitores:
1. Zumbi dos Palmares (1655-1695) – líder do Quilombo dos Palmares foi o símbolo da resistência dos escravos que conseguiam fugir das fazendas de Alagoas e arredores. Tinha nascido no Quilombo e, portanto, era livre. No entanto, numa das incursões dos capitães-do-mato contra o quilombo foi vendido para um sacerdote e assim, estudou latim e português.
Desta forma, sabia das péssimas condições de vida a que estavam submetidos os africanos que eram trazidos à força para trabalharem nos engenhos nordestinos. Voltou ao Quilombo e quem o liderava era Ganga Zumba, onde já viviam cerca de 30 mil pessoas e isso representava uma ameaça ao governo português. Por isso, os opressores decidem fazer uma oferta para que se entreguem sem violência.
A proposta é rejeitada por Zumbi, agora líder, que teria armado uma emboscada para Ganga Zumba ou o envenenado. Começa, assim uma guerra entre os quilombolas, colonos e a Coroa portuguesa. Seu exército foi derrotado, Zumbi foi capturado e morto e sua cabeça foi exposta em praça pública. Mas seu exemplo de luta foi passado de geração em geração. A vida de Zumbi se tornou exemplo para o movimento negro atual.
2. Aleijadinho (1738(?)-1814) – escultor e arquiteto. Filho de um arquiteto português e de sua escrava, Antônio Francisco de Lisboa, o Aleijadinho, foi alforriado pelo pai. Cresceu num ambiente de arte e pôde receber educação formal junto aos seus meios-irmãos. Sendo pardo, ou mulato, nem sempre recebia o que lhe correspondia por suas obras e muitas peças não podem ter a autoria confirmada por carecerem de contrato.
Mesmo assim, foi encarregado de realizar várias peças importantes para as ordens religiosas mais ricas da região das Minas Gerais. Por isso, suas obras estão em cidades como Congonhas, Mariana e Sabará e em vários museus brasileiros.
Desenvolveu uma doença degenerativa que o fez perder (ou paralisar) os dedos das mãos e dos pés. Mesmo gravemente enfermo, não parou de trabalhar e imprimiu às suas criações um estilo inconfundível, sendo reconhecido como grande mestre barroco do período.
3. Padre José Maurício (1767-1830) – músico e compositor, nascido no Rio de Janeiro, de pais libertos, seguiu a carreira eclesiástica, a fim de ter uma educação formal. Além disso, estudou música, composição e regência, sendo exímio organista. Com a vinda da Família Real ao Brasil, em 1808, a vida cultural do Rio de Janeiro se desenvolveu muito.
O príncipe-regente Dom João, grande admirador da música, nomeou-o Mestre de Capela e o fez cavaleiro da Ordem de Cristo, uma das mais tradicionais ordens portuguesas.
Compôs, sobretudo, música religiosa que reflete exatamente a transição do barroco para o classicismo pela qual passava a música europeia. Com as comemorações do bicentenário da Família Real, em 2008, a obra de José Maurício Nunes Garcia foi redescoberta. Assim, surgiram várias gravações de orquestras brasileiras e internacionais que permitiram sua divulgação às novas gerações.

Maria Firmina dos Reis. Imagem: Recriação artística.
4. Maria Firmina do Reis (1822-1917) – escritora e professora, nascida no Maranhão, Maria Firmina dos Reis pode ser considerada uma pioneira em vários campos. Foi a primeira mulher a passar para o concurso público como professora, além do que fundou uma escola mista e escreveu o romance “Úrsula”. Esse livro anteciparia o gênero de literatura abolicionista que seria moda com “Escrava Isaura”, de Bernado Guimarães (1825-1884).
Publicou, em 1887, um conto com a mesma temática, “A Escrava”, e reuniria seus poemas na coletânea “Cantos à beira-mar”.
Maria Firmina foi completamente esquecida e silenciada da História do Brasil, mas pesquisas recentes têm trazido luz sobre sua obra e vida.
5. Luís Gama (1830-1882) – escritor e ativista político, nascido na Bahia de uma negra liberta e de um português empobrecido, Luís Gama nasceu livre, mas foi vendido como escravo pelo pai que estava endividado. Foi para São Paulo aos 10 anos e trabalhou como escravo doméstico. Aprendeu a ler aos 17 e, nesta época, conseguiu provar, junto aos tribunais, que era mantido como escravo injustamente e que, portanto, deveria ser posto em liberdade.
Uma vez livre, Gama passou a atuar como rábula – advogado sem diploma que pleiteava causas específicas. No seu caso, Luís Gama conseguiu libertar mais de 500 escravos, alegando que todo negro chegado ao Brasil após 1831 deveria ser livre, tal como dizia a Lei Feijó.
Abolicionista, o enterro de Luís Gama foi um verdadeiro acontecimento em São Paulo, acompanhado por 4 mil pessoas. Em 2015, a OAB – Ordem de Advogados do Brasil, lhe concedeu, postumamente, o título oficial de advogado.
6. André Rebouças (1838-1898) – engenheiro e ativista político, nascido na Bahia, era filho de um conselheiro do Imperador Dom Pedro I e estudou engenharia no exterior. Construiu docas nos portos de Salvador, Rio de Janeiro e Recife. Propôs meios para melhorar o abastecimento de água da capital do Império e planejou linhas ferroviárias junto com seus irmãos Antônio e José.
Abolicionista, amigo da Família Imperial, foi um dos fundadores da “Sociedade Brasileira Contra a Escravidão”. A princesa Isabel causou escândalo quando dançou com André Rebouças nos bailes da Corte, deixando clara sua posição abolicionista. Continuou monarquista e acompanhou a família imperial no seu exílio em Lisboa e dali partiu para Angola.

Francisco Nascimento ficou conhecido como “Dragão do Mar”.
7. Francisco José do Nascimento (1839-1914) – marinheiro e ativista político, era natural do Ceará, filho de pescadores, e desde cedo aprendeu o ofício do mar, chegando a exercer de prático-mor. O abolicionismo se espalhava pelo país e, no Ceará, contou com o apoio decisivo dos jangadeiros.
Em 1881, os jangadeiros, liderados por Francisco do Nascimento, se recusaram a transportar os escravos para o sul do país. Desta forma, o comércio ficou paralisado. O ato do jangadeiro correu por todo o país e foi saudado pelos abolicionistas como um gesto heroico. A partir de então, sua alcunha seria “Dragão do Mar” e entraria para história do estado e do país. O Ceará foi a primeira província do Brasil a abolir a escravidão, em 1884.
8. Machado de Assis (1839-1908) – escritor, jornalista e poeta, era nascido no Rio de Janeiro, de uma família pobre. Desde pequeno, o menino se interessava pelos livros e aprendeu francês, idioma com o qual escreveria alguns poemas.
Foi funcionário público em vários ministérios, enquanto desenvolvia sua atividade literária, publicando crônicas e contos nos jornais. Escreveu nove romances fundamentais para a literatura brasileira, dentre os quais se destacam “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.
Além disso, fundou a Academia Brasileira de Letras e foi seu primeiro presidente. A instituição ainda cumpre um importante papel na divulgação da língua portuguesa e tem a sua sede no Rio de Janeiro.
9. José do Patrocínio (1853-1905) – farmacêutico e ativista político, nascido em Campo dos Goytacazes (RJ), foi para a capital do Império para estudar Farmácia enquanto trabalhava na Santa Casa de Misericórdia. No entanto, cedo trocou o laboratório pela redação de jornais, onde defendia ardorosamente o fim da escravidão.
Com Joaquim Nabuco, em 1880, fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Além de realizar comícios políticos, a organização arrecadava dinheiro para alforrias e facilitava fugas de escravos. Assim, concorreu e ganhou a eleição para vereador do Rio de Janeiro, em 1886.
Assinada a Lei Áurea, em 1888, Patrocínio vai a Paris, de onde volta com o primeiro automóvel da cidade do Rio de Janeiro. Igualmente, investe suas economias na fabricação de dirigíveis. Falece de tuberculose aos 51 anos de idade.
10. João da Cruz e Souza (1861-1898) – poeta e escritor, nascido em Santa Catarina, na capital, foi arquivista da Estrada de Ferro Central do Brasil. Colaborava com diversos jornais e estava atento à causa abolicionista que se desenrolava naquele momento.
Publicou três livros em vida, mas foi sua obra póstuma “Evocações” que lhe garantiu um lugar entre os grandes escritores brasileiros. Seus poemas são os primeiros do estilo simbolista no Brasil. Apesar disso, faleceu tal qual um poeta romântico, pois a tuberculose terminou com sua vida quando tinha apenas 36 anos.
11. Nilo Peçanha (1867- 1924) – presidente da República. É considerado o primeiro presidente afro-descendente do Brasil, assumindo o cargo após a morte de Afonso Pena, em 1909. É importante lembrar que, naquela época, os vice-presidentes também eram votados pelos eleitores, de forma independente.
Apesar do governo ter durado somente um ano, durante seu mandato, Nilo Peçanha criou o Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI, antecessor da Funai), e inaugurou a primeira escola de ensino técnico no Brasil.
Foi governador do Rio de Janeiro em duas ocasiões, senador e ministro das Relações Exteriores.

Mãe Menininha. Foto: Memória Sindical.
12. Mãe Menininha do Gantois (1894-1986) – Iyálorixá. Nascida na Bahia, Escolástica da Conceição de Nazaré era descendente de uma linhagem de Iyálorixás, líderes femininas que comandam um terreiro de Candomblé.
Mãe Meninha do Gantois foi escolhida aos 28 anos para ser a dirigente do Gantois, terreiro que havia sido fundado por sua bisavó. Na década de 30, as celebrações de Candomblé ou Umbanda estavam proibidas por lei. Porém, ela se destacou em fazer que o Candomblé fosse conhecido por intelectuais e políticos.
A legião de admiradores da mãe de santo incluía nomes como Jorge Amado, Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, entre centenas de intelectuais e artistas. Graças a sua sabedoria, a religião afro-brasileira ganhou mais visibilidade e respeito.
13. Pixinguinha (1897-1973) – músico, compositor e arranjador, era o apelido de Alfredo da Rocha Vianna Filho, considerado o maior flautista brasileiro, e ainda tocava cavaquinho, piano e saxofone. Começou a aprender música em casa e, aos 14 anos, já se apresentava em casas noturnas.
Na época do cinema mudo, os artistas negros não eram contratados para as orquestras que acompanhavam o filme, nem tocavam no hall do cinema. No entanto, com a gripe espanhola, Pixinguinha consegue convencer um produtor a contratar o seu conjunto “Os Oito Batutas”, integrado somente por músicos negros. O grupo animaria os espectadores antes das projeções dos filmes.
Mais tarde “Os Oito Batutas” excursionaram pela Europa por seis meses e voltam triunfantes. Pixinguinha, então, vai para o rádio, onde escreve arranjos e conhece os grandes cantores da época, como Orlando Silva, que gravaria “Carinhoso”. Suas canções, até hoje, estão no repertório dos grupos de choro, samba e MPB, pois ele é considerado o fundador da moderna música brasileira.
14. Carolina de Jesus (1914-1977) – escritora, nascida na cidade de Sacramento (MG), frequentou a escola somente por dois anos. Em busca de uma vida melhor, foi para São Paulo, onde viveu na favela de Canindé e sustentava os três filhos vendendo papel e ferro. Na década de 60, a favela foi deslocada, por conta da especulação imobiliária, e Carolina narra o cotidiano do lugar num diário. Ali conta as mazelas e a luta pela sobrevivência, numa linguagem crua, mas poética.
O jornalista Audálio Dantas, da Folha da Noite, que cobria a ação do governo, ajuda Carolina a publicar suas anotações. O livro seria lançado com o título “Quarto de Despejo”. A publicação torna-se um sucesso imediato e é traduzida para 29 idiomas. Na continuação, ela descreve o lugar da mulher negra dentro da sociedade brasileira, em “Provérbios”. Sua biografia seria publicada postumamente, em 1986, como “Diário de Bitita”.
15. Abdias do Nascimento (1914-2011) – intelectual, ator e político, nascido em Franca (SP), Abdias do Nascimento foi um grande precursor na vida artística e política do Brasil. Fundador do Teatro Experimental do Negro, em 1944, o Museu da Arte Negra e do IPEAFRO, nos anos 80, que se dedicou à pesquisa e à divulgação da história da África. Ainda ajudou a conceber o Memorial Zumbi dos Palmares, em Alagoas.
Engajado no movimento negro do Brasil colaborou com a Frente Negra Brasileira. Durante a ditadura militar (1964-1985), fugiu para os Estados Unidos, onde foi professor universitário. Igualmente, exerceu como deputado e senador.
Abdias do Nascimento lançou várias obras sobre temas relativos à condição do negro, dentre as quais se destaca “O Genocídio do Negro Brasileiro – Processo de um racismo mascarado”, de 1978. Homem de diversos talentos, Abdias do Nascimento ainda foi artista plástico e fez várias obras que se inspiravam na arte africana. Igualmente, se vestia com estampas e peças de vestuários de origem africana.
16. Grande Otelo (1915-1993) – ator e cantor, nascido em Uberlândia (MG), Sebastião Bernardes de Souza Prata seria o primeiro ator negro brasileiro de projeção nacional e internacional. O apelido veio das aulas de canto, pois o professor previu que ele cantaria o papel de “Otelo”, de Verdi, quando crescesse.
A carreira artística começou nas ruas da sua cidade natal, quando o menino cantava e fazia graça para os transeuntes, em busca de um trocado. Quando um circo chegou à cidade, Grande Otelo se apresentou com eles e seguiu viagem para São Paulo.
Começava assim uma profícua carreira de ator de teatro e de cinema, especialmente em comédias, ao lado de Oscarito. No entanto, gravou também títulos com diretores do Cinema Novo como “Rio Zona Norte”, de Nelson Pereira dos Santos e “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade. Foi, também, o primeiro ator negro a atuar no Cassino da Urca e, mais tarde, participaria de vários programas de televisão. A Escola de Samba Estácio de Sá o homenageou em 1986 e a Escola de Samba Santa Cruz fez o mesmo em 2015, no Rio de Janeiro.

17. Conceição Evaristo – escritora, nos nossos dias, é nosso último destaque de hoje. Nasceu na cidade mineira de Belo Horizonte, em 29 de novembro de 1946. Mais tarde, trabalhou como professora, fez faculdade de Letras, mestrado e doutorado, além de ganhar o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura e o Prêmio Jabuti.
É autora de romance, conto e poesia, um nome de peso da nossa literatura contemporânea. Suas obras apresentam temas associados à condição da mulher e da pessoa negra na sociedade brasileira. Seus textos literários são marcados por forte lirismo. No campo teórico, Evaristo é criadora do termo “escrevivência”.
Seus textos trazem ficção e lirismo, mesclados a questões étnicas e de gênero. É autora de obras como “Ponciá Vicêncio”, “Olhos d’água” e “Poemas de recordação e outros movimentos”. Nasceu em 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais.
A autora vivia em uma favela de Belo Horizonte. Fazia parte de uma numerosa família, sustentada por sua mãe, dona Joana, que era lavadeira e passadeira. Quando fez sete anos, Conceição Evaristo se mudou para a casa de uns tios, que viviam em melhores condições, e isso permitiu que a autora pudesse estudar em uma escola pública.
Na juventude, trabalhou como empregada doméstica, mas também estudava, de forma que concluiu o curso de magistério em 1971. Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a trabalhar como professora de escola pública. Somente em 1987 pôde ingressar na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Já na década de 1990, publicou seus primeiros poemas. Por fim, em 2003, publicou seu primeiro livro.
Fez mestrado em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Em 2012, no Middlebury College Summer Schools, nos Estados Unidos, ministrou curso sobre mulheres negras e afro-brasilidade.
Recebeu muitos prêmios: Ori (2007); Camélia da Liberdade (2007); Jabuti (2015); Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura (2017). Em seus escritos, sempre manteve o foco nos elementos do cotidiano, na realidade periférica ou das minorias; em elementos da cultura afro-brasileira e no protagonismo feminino. Porém, sempre manteve o lirismo, mesmo quando escreve denúncia do preconceito racial, evidenciação da desigualdade social, questões de gênero e étnicas, valorização da memória e da ancestralidade.
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