A briga dos carros elétricos

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BRICS+ PASSAM NA FRENTE DA TESLA

A BYD, que tem fábrica na Bahia, se destaca com o HanEV. Foto: BYD.

O crescimento do mercado de carros elétricos traz consequências muito positivas para a qualidade do ar que respiramos. Quanto mais econômicos melhor. Se os carros elétricos são velozes, mais acelerada ainda é a corrida pelo mercado comprador. Os países do BRICS+ crescem cada vez mais na competição por esse mercado, oferecendo veículos bem mais baratos. Vamos dar uma panorâmica dessa situação, especialmente para você que pretende comprar um desses veículos revolucionários.

Carro solar indiano chega baratinho ao mercado

A Índia é o mais novo player no cenário. O Vav EVA, carro elétrico solar indiano, de apenas 900 dólares, está colocando os gigantes do mercado em alerta. Produzido por uma startup indiana, este veículo, além de acessível, é também inteligente: possui painéis solares que aumentam sua autonomia e uma tecnologia inovadora que visa a tornar a mobilidade limpa uma realidade para todos.

A startup Vayve Mobility promete um veículo elétrico mais voltado para o uso urbano, mas a chegada ao Brasil com preço baixo enfrenta barreiras de impostos e regulamentação.

O Vayve Eva promete ser um carro solar que “se abastece sozinho” e tem um preço inferior a R$ 50 mil. O novo veículo surge como uma alternativa importante para a mobilidade urbana.

Vayve Eva chega ao mercado. Imagem: Vayve Mobility

Um carro elétrico com assistência solar

A jovem montadora indiana foi fundada em 2021 e possui sua sede na cidade de Pune. A proposta da empresa é oferecer soluções de mobilidade sustentáveis e de massa. O Eva é a sua principal aposta, sendo o primeiro quadriciclo elétrico da Índia com assistência de energia solar.

Não se trata de um carro de passeio convencional – é classificado como um quadriciclo compacto. Suas dimensões são de aproximadamente 3 metros de comprimento e 1,2 metro de largura. A capacidade é para 2 ou 3 pessoas; o motorista fica na posição central dianteira e um ou dois passageiros sentam atrás. Seu foco urbano é projetado para pessoas com deslocamentos diários abaixo de 35 km. Com os avanços, os motores estão ficando menores e mais potentes, uma linha de evolução boa para os carros populares brasileiros.

Como funciona a energia solar do Eva?

Dizer que o carro “se abastece sozinho” é uma afirmação de marketing. Na verdade, o Vayve Eva possui um painel solar flexível no teto que é utilizado como um sistema de assistência que pode adicionar de 10 a 12 quilômetros diários de autonomia, podendo chegar a até 3.000 quilômetros por ano, sem recarga na rede elétrica, dependendo da incidência do sol.

O veículo tem autonomia principal, no entanto, a partir de suas baterias de LFP (Fosfato de Ferro-Lítio). Cada modelo tem sua autonomia, podendo chegar a 250 km. Seu carregamento na tomada doméstica (AC) leva cerca de 5 horas, mas a versão top de linha (Vega) suporta carregamento rápido (DC), recuperando de 10% a 70% da carga em 15 a 20 minutos.

Não há qualquer previsão de seu lançamento no Brasil, além de que o processo de homologação seria um obstáculo complexo. O processo de se tornar uma realidade no mercado brasileiro é longo e incerto.

Embora seu valor na Índia seja muito acessível, no Brasil seria bem mais caro, devido aos impostos. Imagem: Vayve Mobility

Quanto o Eva custaria no Brasil?

Tendo seu preço como um dos maiores atrativos, o Vayve Eva custa, na Índia, a partir de R$ 21 mil. No entanto, este preço é para o modelo básico, com o sistema de bateria como serviço – o cliente paga uma assinatura mensal pela bateria. Incluindo a bateria, o preço sobe para, aproximadamente, R$ 26 mil. Os custos para que este veículo chegasse ao Brasil, seriam muito maiores:

Impostos de Importação que podem chegar a 35%, mas ainda se acrescenta tributos Federais e Estaduais (IPI, PIS/COFINS e ICMS); os custos de frete, seguro e certificação para as normas brasileiras; além da margem do importador.

Normalmente, esses custos podem duplicar o valor original de um veículo importado, portanto, é altamente improvável que o Vayve Eva fosse vendido no Brasil por menos de R$ 50 mil. O preço ao consumidor, para o modelo básico, provavelmente ultrapassaria os R$ 70 mil.

Lada no mercado de SUVs elétricos do BRICS+

A Lada, montadora russa, ficou conhecida pelo carro, a gasolina, mais feio do mundo, mas agora ressurge com um SUV surpreendente. O Lada Azimut 2026, revelado em 18 de junho de 2025, é um SUV de cinco portas de 4.416 mm de comprimento baseado na plataforma Vesta atualizada.

Alimentado por motores de quatro cilindros de 1,6 litro (89 kW / 120 hp) ou 1,8 litro (98 kW / 132 hp), ele fica a respeitáveis 208 mm acima do solo. A cabine possui uma tela de 10 polegadas, o assistente de voz GigaChat e – pela primeira vez em sua classe – janelas laterais dianteiras aquecidas eletricamente.

A AvtoVAZmostrou ao público, em São Petersburgo, o Lada Azimut 2026 – um carro que pretende provar aos russos que eles podem fazer um crossover moderno. A produção em série em outra cidade russa, Togliatti, começa em 2026 e as entregas começarão antes do inverno.

Seu design é surpreendente. O conceito Visão aparece em linhas nítidas, X-mask, e dá mais autoconfiança. Os faróis de LED são estreitos, a lateral é adornada com uma linha de ombro esticada e a traseira é uma faixa de luz completa. Com 4416 mm de comprimento, 2675 mm de distância entre eixos e 208 mm de distância ao solo, o Lada Azimut 2026 figura entre o Renault Duster e o Toyota Corolla Cross, com ênfase na robustez russa.

Lada Azimut. Foto: AvtoVAZ

O motor Azimut é um Vesta-bone atualizado, com mais de 966 peças novas. Suspensão McPherson na frente, um eixo redesenhado na traseira e funciona com um botão giratório para selecionar programas off-road – 4×4 real -, porém, ainda está contido pela política de sanções.

Os motores do Lada Azimut são mais antigos, como os do Tetris, mas são comprovadamente duráveis: Com capacidade de 1,6 litros, utiliza 89 kW (120 cv) e, em 12 segundos, atinge 180 km/h. O modelo 1,8 tem 98 kW (132 cv) e atinge, em 11 segundos, 190 km/h, segundo dados do fabricante.

Novo elétrico chinês

Em apenas 3 minutos após o seu lançamento, em Pequim, o novo YU7 da Xiaomi recebeu mais de 200 mil encomendas. Com um preço na ordem dos 211,5 reais, o elétrico da marca pretende competir com o Model Y da Tesla, que é um pouco mais caro e já atraiu centenas de milhares de compradores.

Segundo o Business Insider, uma hora após o início das vendas, havia já mais de 289.000 encomendas para o novo modelo Xiaomi. No evento de lançamento, o fundador e CEO da Xiaomi, Lei Jun, fez repetidas críticas à Tesla:

“A Tesla disse antes: ‘vão lá, comparem‘, e nós na Xiaomi não aceitamos a derrota. Hoje aceitamos oficialmente o convite da Tesla para comparar”, disse Lei.

Na mesma semana, as ações da Xiaomi subiram 8% e atingiram um máximo histórico na bolsa de Hong Kong, contando com a forte procura de encomendas. A cotação da marca chinesa terminou o dia com uma subida de cerca de 3,6% para quase 59 dólares.

“O YU7 parece estar a vender-se como pãezinhos quentes, apesar do preço ligeiramente mais alto do que o estimado”, comenta o analista Edison Lee:  “O preço do YU7 está ligeiramente abaixo do Tesla Model Y, mas oferece especificações/desempenho muito melhores”.

As indústrias chinesas, incluindo a Xiaomi, a BYD (a maior empresa de veículos elétricos do mundo por volume de vendas), a Nio e a Xpeng têm baixado os preços e estão ganhando parte do mercado na China e na Europa.

Desde que a empresa entrou no setor dos elétricos, no ano passado, o YU7 é o segundo carro da Xiaomi, que se estabeleceu no mercado com o seu SU7: Quando do seu lançamento, o carro alcançou 50 mil vendas em 27 minutos. Mais barato que o Model 3 da Tesla, o SU7 vendeu, desde dezembro, mais do que o modelo da Tesla, na China.

A Xiaomi precificou, este mês, seu novo SUV elétrico YU7, com valores partir de 196.977,48 reais, quase 4% abaixo do Model Y da Tesla.

O novo SUV elétrico YU7, da Xiaomi . Foto:Reuters

A fim de revolucionar o setor, a Xiaomi anunciou que fará parceria com a BYD, a GAC Toyota e a Zhengzhou Nissan para construir um ecossistema que conecte humanos, casas e carros.

“O YU7 servirá como um teste inicial para saber se a Xiaomi pode ampliar seu apelo, conquistando mais usuários e entusiastas da tecnologia para se tornar um participante sério no segmento de veículos elétricos para o mercado de massa” – afirmou Rosalie Chen, analista sênior da Third Bridge.

O YU7 tem uma autonomia de até 835 quilômetros por carga, em comparação com a autonomia de até 719 quilômetros do Model Y, que teve sua versão atualizada lançada em janeiro. É o segundo carro da Xiaomi, desde que a empresa entrou no setor automobilístico, no ano passado, com seu sedã elétrico esportivo SU7, inspirado no estilo da Porsche, e tinha preço abaixo do Model 3 da Tesla. Desde dezembro, o SU7 tem superado o Model 3 da Tesla, na China.

A Xiaomi aumentou, em março, sua meta de entregas de veículos elétricos este ano para 350.000, crescendo em comparação com o objetivo anterior, de 300.000 unidades.

Xiaomi YU7 — Foto: divulgação/Xiaomi

Xiaomi lança o YU7, mais barato que Tesla Model Y

O carro chinês que tem a marca de smartphones faz de 0 a 100 km/h mais rapidamente que um Porsche 911 GT3, tem um visual que lembra a Ferrari Purosangue e é capaz de rodar 835 quilômetros com apenas uma carga.

O novo carro chinês tem um porte muito atraente. Com cinco metros de comprimento, dois de largura, 1,6 metro de altura e três metros de entre-eixos, ele é um SUV de grandes dimensões. Por exemplo, a distância entre os eixos é 30 centímetros maior que a do Toyota Corolla.

Visualmente, o Xiaomi YU7 também pode ser comparado à lateral da Ferrari Purosangue. Além do perfil esportivo, incluindo o design em estrela das rodas, com pinças de freio amarelas, as maçanetas embutidas nas portas e a inclinação traseira do SUV, também são semelhantes.

Por dentro, os comandos em uma central multimídia de 16,1 polegadas emprestam ao Xiaomi YU7 um estilo minimalista, típico dos carros chineses, sem os botões físicos. Destaque para o painel de instrumentos, com 43,4 polegadas, com uma tela fina que se estende por toda a base do para-brisa.

As informações ao motorista aparecem num display de projeção, situado no para-brisa, mas também incluem duas telas adicionais para os passageiros traseiros. São cinco telas diferentes, no total.

Tesla vem perdendo mercado. Imagem: Reuters.

Outros carros estão na disputa pelo mercado

O leitor deve estar se perguntando: Enfim, quais são as maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo?

Essa pergunta tem resposta em duas partes, a depender do critério utilizado. É possível fazer dois “top 5” – um de fabricantes de veículos plug-in (carros elétricos e híbridos que podem ser conectados na tomada para carregar bateria) e outro, considerando apenas os BEVs (carros puramente elétricos, com motor 100% alimentado por bateria).

Top 5 plug-in:

Na categoria plug-in, os cinco primeiros permanecem estáveis. Em primeiro lugar, continua a BYD, com mais de 548 mil unidades vendidas no primeiro trimestre e uma participação de 21,3%. A Tesla é a segunda melhor no segmento geral de plug-ins, com 422.873 unidades BEV vendidas e participação de mercado de 16,5%.

Tanto a fabricante estadunidense, de Elon Musk, quanto a chinesa, aumentaram a participação no mercado, ano a ano. Portanto, ambas estão se superando no mercado geral de plug-ins.

A terceira maior fabricante de veículos elétricos em volume (189.093 unidades), é a Volkswagen. Sua participação no mercado, porém, diminuiu, em relação ao primeiro trimestre de 2022. Incluindo, em quarto lugar, a Geely-Volvo e a SAIC, os cinco primeiros são responsáveis ​​por quase 57% de todos os carros elétricos plug-in, vendidos globalmente no primeiro trimestre de 2023.

O ano de 2025 poderá ser complicado para os carros híbridos e elétricos, em alguns países, caso a remoção de subsídios se mantenha. Se Trump retirar realmente os créditos tributários sobre os veículos eletrificados, certamente as vendas nos EUA cairão. No Brasil, por exemplo, alguns estados “excluíram” certos modelos da isenção de IPVA, o que também pode se tornar um empecilho na hora da compra.

Em breve, teremos os ônibus EVA, indianos. Foto: Divulgação.

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2 respostas a “A briga dos carros elétricos”

  1. Avatar de
    Anônimo

    E VIVAS AO PROGRESSO NACIONAL, AO GOVERNO QUE REALMENTE TRABALHA PARA O POVO BRASILEIRO. PARABÉNS, PRESIDENTE LULA, PARABÉNS GOVERNADOR.

  2. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Então tá

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