Impacto das tarifas de Trump sobre Bahia e Brasil

Um dos produtos mais elaborados, exportados pelo Brasil, são os aviões. Foto:Divulgação.
As super-tarifas, usadas pelo lulu-da-pomerania como arma imperial, instigado pelo filhote Bolsomaxion, podem gerar perdas de até R$ 1,8 bilhão para a economia baiana. A Bahia tem a China como principal parceiro comercial desde 2012, mas os Estados Unidos ocupam a importante terceira posição. Em 2024, a China representou 28,2% das vendas externas do estado, enquanto no primeiro semestre de 2025 esse percentual foi de 23,6%. Já os EUA responderam com 7,4% do destino total das exportações baianas em 2024 e com 8,3% no primeiro semestre de 2025.
Uma taxação totalmente infundada – e patética -, nos seus princípios políticos, diplomáticos, ideológicos e econômicos, isto porque os norte-americanos mantêm um superávit de longa data com o Brasil. Em 2024, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram mais de US$ 40 bilhões, uma alta de 9,2% em relação a 2023. Apesar do crescimento, o saldo comercial foi favorável aos americanos em mais de US$ 250 milhões.
Somente em aeronaves, nós vendemos US$ 876 milhões. As aeronaves da Embraer são fabricadas em diversas unidades no Brasil e no exterior. Sua maior fábrica fica em São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde são produzidas as aeronaves comerciais. Além disso, todas as estruturas e asas das aeronaves executivas são construídas nas fábricas da Embraer em Botucatu e Gavião Peixoto, próxima a Araraquara e São Carlos. Está vendendo para todos os continentes.
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) divulgou, nesta segunda-feira (14), nota técnica com análise sobre os possíveis impactos para a economia baiana com a nova tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Anunciada por Donald Trump com vigência a partir de 1º de agosto de 2025, a medida, se confirmada, representará um desafio significativo. A equipe de economistas da SEI sinaliza que a imposição de uma tarifa dessa ordem tornará as exportações baianas significativamente menos competitivas no mercado norte-americano, levando a uma redução no volume exportado e, consequentemente, na produção e na geração de emprego e renda.
No estudo, foi utilizada a técnica de multiplicadores de insumo-produto, a qual mede o impacto econômico total (direto, indireto e induzido) de uma mudança na demanda final de um setor sobre a economia como um todo. A metodologia estima uma queda de U$ 643,5 milhões (redução de 5,4%) no volume total de exportações da Bahia – o total exportado em 2024 foi U$ 11,9 bilhões. Considerando não haver compensação com outros mercados internacionais, uma queda desta magnitude impactaria a cadeia dos setores exportadores, tendo como resultado a redução no Produto Interno Bruto (PIB) do estado da ordem de R$ 1,8 bilhão (-0,38% do PIB baiano).
O Brasil batia recorde na exportação para os EUA
“A decisão do governo norte-americano, justificada por uma suposta relação comercial injusta, ocorre em um momento em que o Brasil registrava recordes de exportações para os Estados Unidos, tornando o impacto ainda mais relevante”, comenta o diretor de Indicadores e Estatística da SEI, Armando Castro. “A Bahia possui uma pauta comercial diversificada com os Estados Unidos, que figura como um dos principais destinos de suas exportações, atingindo 8,3% do total comercializado internacionalmente pelo estado, no primeiro semestre de 2025”.
A Bahia tem a China como principal parceiro comercial desde 2012, mas os Estados Unidos ocupam a importante terceira posição. Em 2024, a China representou 28,2% das vendas externas do estado, enquanto no primeiro semestre de 2025 esse percentual foi de 23,6%. Já os EUA responderam com 7,4% do destino total das exportações baianas em 2024 e com 8,3% no primeiro semestre de 2025.

Imagem: Portos-e-Navios-ABTRA (Associação Brasileiro de Terminais e Recintos Alfandegados).
Setores que mais exportam para lá
Os principais setores exportadores para os Estados Unidos são: Papel e Celulose com 25,3% de participação, Químicos e Petroquímicos com 23,5%, Borracha e suas Obras (inclui pneus) com 11,8%, Metalúrgicos com 8,2%, Frutas com 8,1%, Cacau e derivados com 7,1% e Petróleo com 5%. Estes segmentos respondem juntos por 89% das exportações da Bahia para os EUA. A interpretação é de que o aumento dos preços impostos pela nova tarifação reduzirá, na média, em 13,2% as exportações dos produtos básicos e em 85,7% as exportações dos produtos industrializados.
Considerando os valores das exportações no ano de 2024, o impacto da tarifação seria de uma redução de US$ 643,5 milhões nas exportações baianas para os EUA, sendo de US$ 20,3 milhões nas exportações de produtos básicos e de U$ 623,2 milhões nas exportações de produtos industrializados.
O setor com maiores perdas seria o de papel e celulose. Em 2024, a Bahia exportou US$ 223,2 milhões no segmento papel e celulose para os EUA, o setor mais importante da pauta estadual, respondendo por 25,3% de participação no total vendido pela Bahia aos EUA. As perdas estimadas para as exportações do setor no primeiro ano, a contar de 1º de agosto de 2025, chegariam a aproximadamente US$ 191 milhões.
Em segundo lugar, o setor com maiores perdas seria o de produtos químicos/petroquímicos, com US$ 177 milhões, tendo o setor exportado US$ 207 milhões para os EUA, em 2024. Em seguida, aparece o setor de Borracha, representado majoritariamente pelo setor de pneumáticos, cujas vendas ao país norte-americano somaram US$ 103,9 milhões (11,8%) em 2024, e cujas perdas estimadas chegariam a US$ 89,3 milhões.
Há outros setores com estimativa de perdas expressivas como o de Alimentos, representado pelos segmentos de derivados de cacau, café e frutas, com perdas que chegariam a US$ 77,5 milhões, considerando as vendas de US$ 156 milhões no ano passado. Seguem-se os setores metalúrgico, com perdas de US$ 62,2 milhões, e o Têxtil, com perdas de US$ 18,4 milhões.
Empregos ficariam em risco
Apesar de não precisar a perda de postos de trabalho, o estudo destaca o risco para o estoque de emprego formal nos segmentos econômicos que produzem os principais bens exportados aos EUA: identifica-se um volume de 210 mil pessoas trabalhando nestes setores, o que significa 7,8% do total de empregos formais na Bahia, com base nos dados do Relatório Anual de Informações Anuais (RAIS/MTE). Como principal setor potencialmente afetado, destaca-se a petroquímica, com estoque de 81 mil empregos, com participação de quase 40% do total da pauta exportadora analisada.
As super-tarifas sobre os estados brasileiros
Apesar dos focos setoriais, o impacto global para o Brasil deve ser pequeno no PIB, mas com efeitos localizados na redução da produção, gerando efeitos negativos no emprego e na renda.
As conversas entre o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e empresários de setores da indústria e comércio de todo o Brasil deixarão às claras – em dólares ou reais – o impacto que as merdidas, prometidas com que o alaranjado pretende brindar nosso povo, atendendo ao implorado pelo Bananinha.
Em Minas Gerais e Rio de Janeiro, a siderurgia pode sofrer queda na produção e aumento do desemprego, afetando, além do siderúrgico, também o Metalúrgico e a Mineração. A tarifa, incidindo sobre a indústria de petróleo, afeta mais o Rio de Janeiro.
No estado de São Paulo, além do aço, o setor cafeeiro (arábica) seria fortemente influenciado e, também, a siderurgia, a carne e o petróleo.
O Espírito Santo, foco da produção de café robusta, deve mitigar parte do impacto graças a crescimento previsto na safra.
A indústria de carne bovina e suína (importante em diversos estados), por conta do aumento de 50 % deverá enfrentar queda nos preços internos e exportação menos competitiva.
Com dados de: AscomGOVBA/SEI

Lulu da Pomerania. Foto:cachorrosderaca.
—


Deixe uma resposta