PROBLEMAS INTERNOS DE TRUMP AFETAM SUA BASE POLÍTICA

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Temas internos têm preocupado Trump.

Tão disposto a criar problemas externos, enviando mísseis tarifísticos a torto-e-a-direito, o candidato a imperador do mundo procura não enxergar (ou não enxerga mesmo) o estrago que sua penteada imagem vem sofrendo, junto a seus próprios eleitores. Isso pode ser bom para o mundo, num curto prazo. Mas a coisa está feia pra ele que, além de não perceber o estrago causado pela perseguição feroz aos imigrantes, também parece nem ligar para acusações de pedofilia, nem para as denúncias de favorecimento ilícito, e otras pequeñas cosas.

A Casa Branca anunciou esta quinta-feira que o presidente norte-americano, Donald Trump foi diagnosticado com insuficiência venosa crônica. Ele tem 79 anos. Ele se queixou de “ligeiros inchaços na parte inferior das pernas” e um diagnóstico “aprofundado” comprovou a doença de acumulação de sangue nos membros inferiores.

Pediu, no mesmo dia, que a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, descrevesse a situação, que considerou “benigna e comum, especialmente em indivíduos com mais de 70 anos”. Ela esclareceu que não foram encontrados indícios de “trombose venosa profunda ou doença arterial”. Hmmm…

O que é a doença venosa crônica?

A doença venosa crônica ocorre quando as válvulas das veias não funcionam adequadamente, comprometendo o fluxo sanguíneo. A falha nas veias superficiais pode estar ligada a inflamações ou à fragilidade das paredes vasculares, enquanto nas profundas geralmente resulta de obstruções.

Com maior incidência na população idosa, ela afeta entre 5% e 15% dos adultos na Europa, e é responsável por até 90% das úlceras nas pernas nos EUA, atingindo cerca de sete milhões de pessoas.

Base política está se esfacelando

A tensão na Casa Branca está aumentando. Trump está sob crescente pressão da sua própria base política, por causa da falta de transparência na divulgação dos documentos ligando o presidente com o falecido Jeffrey Epstein, condenado por agressão sexual. Os documentos deixam claras as suas ligações com figuras influentes e poderosas.

Para piorar o quadro, na semana passada, o Departamento de Justiça dos EUA e o FBI divulgaram um curto comunicado, afirmando que não existe nenhuma “lista de clientes”, associando Epstein a figuras de destaque na sociedade, envolvidas com tráfico sexual.

Trump, já de volta à Casa Branca, minimizou o assunto, e criticou os jornalistas por insistirem no tema. Porém, essa declaração foi recebida com indignação, nas redes sociais, pelos apoiadores de Trump, que o acusavam de “evasivo e desligado da realidade”.

A comunidade da extrema-direita, que sempre o apoiou, divulgando conspirações e discursos associados ao QAnon, agora insistem na divulgação de todos os documentos vinculados com Epstein.

Na sua plataforma Truth Social, Trump procurou acalmar os ânimos, tentando deter essa onda, dizendo que são “conflitos internos… por causa de um homem que nunca morre, Jeffrey Epstein”. Porém, isso não ajudou a serenar a sua base. Por outro lado, os progressistas, Jack Posobiec e Laura Loomer, continuaram a pressão sobre a administração para ser realizada uma investigação completa. Loomer chegou até a pedir a demissão da procuradora-geral, Pam Bondi, que defende o presidente.

Donald, agora, está confrontado com a mesma mentalidade que ajudou a fomentar, de estimular narrativas sobre o “estado profundo” e teorias da conspiração como estratégia de mobilização populista. Esse movimento de reação política se transformou, enfim, numa crise criada pelo próprio Trump e analistas já advertem que a situação é difícil de reverter.

Matt Dallek, cientista político da George Washington University, comentou que “a suposição errada de Trump e de outros é que podem divulgar teorias da conspiração sem consequências”.

O fato é que a tensão interna na Administração Trump indica estar aumentando, através de rumores. Apareceram estórias de um confronto declarado, entre Bondi e o vice-diretor do FBI, Dan Bongino, sobre os tais documentos. Também, circularam rumores sobre uma possível demissão de Bongino,e, “de quebra”, o diretor do FBI, Kash Patel, desmentiu rumores de que também estaria abandonando o cargo.

E tem mais: o antigo conselheiro de segurança nacional de Trump, Michael Flynn, piorou a pressão, apelando publicamente ao presidente para levar a questão Epstein a sério, advertindo que ignorá-la tornaria os desafios nacionais “muito mais difíceis”.

Contudo, as complicações não param por aí. Conservadores de destaque temem que a forma de Trump lidar com o caso Epstein possa reduzir uma parte significativa da sua base eleitoral, faltando poucos meses para as eleições intercalares. “Se quiser que isto desapareça, vai perder 10% do movimento MAGA”, avisou Steve Bannon, durante a cúpula da Turning Point USA.

N.R.: Turning Point USA (TPUSA) é uma organização sem fins lucrativos estadunidense, fundada em 2012 por Charlie Kirk e Bill Montgomery, que defende os valores conservadores nos campi das faculdades e universidades. A TPUSA se dedica a identificar, educar e organizar estudantes para promover princípios de liberdade, mercado livre e governo limitado. Além disso, a organização é conhecida por sua Professor Watchlist, conhecida por expor professores que acreditam discriminar estudantes conservadores e promovem propaganda esquerdista em sala de aula. (Wikipedia)

Tudo isso é “um prato cheio” para os democratas, que aproveitaram a chance para exigir total transparência. Alguns acreditam que a relutância de Trump pode estar relacionada com o medo de que os documentos revelem informações embaraçosas para ele ou para aliados próximos.

Dallek concluiu, dizendo que, “a certa altura, os eleitores podem começar a perceber que o governo não está funcionando porque está perseguindo sombras em vez de cumprir a sua missão.”

Jeffrey Epstein teria se suicidado na prisão. Print do podcast de Michael Wolff.

Segredos de alcova

Afinal, quais eram as ligações de Trump com Epstein? Gravações, de 2017, põem a público que Epstein afirmava ter sido um grande amigo de Trump, durante anos, tendo feito várias revelações sobre a sua vida sexual. Mesmo assim, o presidente tem sucessivamente negado ter sido próximo do condenado por pedofilia.

O corte de relações entre Donald e Musk pôs a público esse assunto que o presidente dos Estados Unidos ignora (e certamente odeia): sua relação com o bilionário Jeffrey Epstein, que comandava uma rede de tráfico sexual de menores e tinha na sua agenda várias figuras influentes da política e do ramo do entretenimento.

Elon Musk foi o autor do “míssil”, sob a forma de insinuação, todos se lembram, no auge do seu desentendimento com Trump, por causa das propostas incluídas no mega-pacote econômico que o Presidente apelidou de “grande e bela lei”: De manhã cedo, Musk atacou, ao dizer que “é hora de largar a grande bomba. Trump está nos arquivos de Epstein. Essa é a verdadeira razão pela qual não foram tornados públicos. Tenha um bom dia, DJT!”, escreveu, no X (ex-Twitter).

As ligações de Trump a Epstein começaram há quase três décadas, quando Trump e Epstein frequentavam os mesmos meios sociais, em Palm Beach e Nova Iorque. Várias fotos mostram os dois em festas.

Num perfil de Epstein na revista New York Magazine, em 2002, Trump tecia elogios ao magnata, dizendo: “Conheço o Jeff há 15 anos. É um tipo maravilhoso. É muito divertido estar com ele. Até se diz que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são jovens”, afirmou.

Em 2008, quando Epstein foi condenado por arregimentar a prostituição de menores, Trump anunciou que o tinha proibido de ir à sua mansão em Mar-a-Lago, depois de um incidente com uma funcionária. “Não sou fã de Jeffrey Epstein”, disse na época.

Quando estourou o escândalo sexual, em 2018, Trump negou ter conhecimento dos crimes: “Não fazia ideia. Não falo com ele há muitos anos. Eu o conhecia como todos em Palm Beach o conheciam. Ele era uma figura conhecida em Palm Beach. Eu tive um desentendimento com ele há muito tempo. Acho que não falo com ele há 15 anos. Eu não era fã dele”, perjurou.

Epstein se considerava “amigo próximo do Donald”

Cauteloso, Trump nega ter sido próximo de Epstein, mas o jornalista Michael Wolff – autor de três livros sobre o seu primeiro mandato – garante ter provas em contrário.

Seguindo a cronologia, em 2024, no seu podcast Fire and Fury, Wolff divulgou áudios de uma entrevista que fez com Epstein, em 2017, na qual obteve informações para um dos seus livros sobre a Trump na política.

Na gravação, o falecido magnata dizia que foi o “amigo mais próximo do Donald durante 10 anos”. Para comprovar essa proximidade, Epstein afirmava, ainda, que Trump e a sua mulher Melania fizeram sexo, pela primeira vez, no seu jato particular, apelidado de Lolita Express, em clara referência ao livro de Nabokov que tem foco na obsessão sexual de um homem adulto com uma menina de apenas 12 anos.

Depois condenado como pedófilo, Epstein revelava, também, que Trump é um traidor em série nos seus casamentos e que tinha um esquema elaborado para tentar se envolver com as esposas dos próprios amigos: Trump convidava seus amigos a irem ao seu escritório, na Trump Tower, para perguntar a eles sobre suas vidas sexuais e ofereceria a oportunidade de fazerem sexo com jovens participantes de concursos de beleza. Numa sala ao lado, as esposas estavam ouvindo tudo, numa chamada em viva-voz. Trump usava estas traições dos maridos para as seduzir.

Epstein ainda revela que, uma certa ocasião, Trump levou uma mulher ao que ele chamou de “Sala Egípcia”, num casino de Atlantic City. “Ele saiu da sala especial e disse: ‘Foi ótimo, foi ótimo. A única coisa que eu realmente gosto de fazer é f*der as esposas dos meus melhores amigos. Isso é simplesmente o máximo”.

Para Epstein, Trump é um mulherengo que maltrata seus funcionários e praticamente não tem amigos. Conta apenas com a lealdade da sua filha Ivanka, da sua secretária Rhona Graff e do seu guarda-costas.

E acusou: “Ele é um ser humano horrível. Faz coisas horríveis com os melhores amigos, com as esposas dos melhores amigos. Ele tenta ganhar a confiança das pessoas e usa isso para lhes fazer coisas más”.

Disposto a esculachar, Epstein disse também que Trump é “funcionalmente analfabeto”, além de um fã ávido da coluna de fofocas do New York Post. Qualquer gesto de gentileza é acidental e “ele age como uma criança de 9 anos que tem problemas emocionais”: “Até certo ponto, é uma tragédia típica, porque ele acredita nas próprias tretas. Ele tem delírios de grandiosidade”, martela.

Michael Wolff revelou, ainda, que Epstein lhe mostrou fotos que guardava no seu cofre, nas quais Trump está com jovens, numa das suas festas: “Em algumas das fotos, elas estão sentadas no colo dele. Há uma de que eu lembro especialmente, com uma mancha reveladora na frente das calças de Trump, e as meninas a apontar para ele e a rir.”

Pouco antes das eleições presidenciais de 2024, um porta-voz da campanha de Trump, em resposta às acusações de Wolff, acusou o jornalista de tentar interferir nas eleições, dizendo: “Ele esperou até dias antes da eleição para fazer difamações absurdas e falsas, tudo num esforço para interferir descaradamente nas eleições, em nome de Kamala Harris. Ele é um jornalista fracassado que está a recorrer à mentira para chamar à atenção”.

Trump finge que não está acontecendo nada. Foto: Divulgação.

Donald teria agido para livrar cúmplices

Agora em julho, Wolff revelou ao Daily Beast que Trump pensou em dar um perdão presidencial a Ghislaine Maxwell, então namorada de Epstein e a principal cúmplice na busca de vítimas. Maxwell foi presa pelo FBI em julho de 2020 e, a partir de então, Trump ficou “muito cauteloso” e chegou a perguntar: “o que é que ela pode dizer?”.

Wolff afirma que “todos ao redor dele estavam preocupados com o tema” e diziam: “Meu Deus, esperamos que ela não diga nada, mas realmente esperamos que ele não a perdoe”.

Este episódio aconteceu no seu primeiro mandato e Trump acabou não concedendo o perdão. Porém, quando foi questionado sobre o julgamento iminente de Maxwell, disse desejar-lhe “tudo de bom”.

Há poucos meses, o advogado de Ghislaine Maxwell também pediu a intervenção de Donald Trump no seu recurso ao Supremo Tribunal, a fim de derrubar a sentença de 20 anos de prisão por tráfico sexual.

A novidade, na quinta-feira passada, foi o Wall Street Journal divulgar que Trump enviou a Epstein uma carta com um esboço de uma mulher nua para assinalar o seu 50.º aniversário, em 2003. O desenho incluía os seios de uma mulher e a assinatura “Donald”, na região dos pelos pubianos. Dentro do contorno da mulher nua havia ainda um bilhete datilografado: “Feliz aniversário – e que cada dia seja mais um segredo maravilhoso”.

Em declarações ao jornal, Trump negou ser o autor da carta e avançou que vai processar o WSJ: “Isto é uma coisa falsa. É uma história falsa do Wall Street Journal. Nunca fiz um desenho na minha vida. Não faço desenhos de mulheres”.

Epstein com Trump, em 1997. Foto: domínio público.

MAGA revolta-se contra Trump

A base política MAGA (Make America Great Again) tem manifestado revolta contra o seu líder, depois que foram divulgadas as ligações de Trump com Epstein. Afinal, durante a campanha, em 2016, os Republicanos divulgaram uma teoria da conspiração, a “pizzagate”, sobre uma rede de pedófilos poderosos, alegando que o Departamento de Polícia da Cidade de Nova Iorque tinha descoberto uma rede de tráfico sexual ligada aos Democratas quando teve acesso aos emails de Anthony Weiner, um ex-congressista, condenado por enviar mensagens de teor sexual a uma jovem de 15 anos.

Em 2017, surgiu a teoria da conspiração QAnon, sugerindo que um grupo de pedófilos satânicos lidera uma rede global de tráfico sexual de crianças, em sociedade com o “deep state”. Segundo quem acreditou, Trump está, secretamente, liderando a luta contra esta elite, que muitos acreditam ser liderada pelos Democratas.

Também durante a última campanha, Trump também prometeu, várias vezes, divulgar os arquivos Epstein, o que incluiria a lista de seus contatos telefônicos.

Em fevereiro passado – num evento para a imprensa na Casa Branca -, a procuradora-geral Pam Bondi distribuiu pastas, que continham arquivos liberados de Epstein, a vários influenciadores de direita, que logo perceberam não haver informações novas nos documentos. Em resposta a essa reação negativa, Bondi revelou que o FBI não tinha divulgado todos ficheiros de Epstein.

No mês passado, Trump tentou desvalorizar o caso, dizendo que “isso é uma notícia velha. Isso tem sido discutido há anos. Até o advogado de Epstein disse que eu não tive nada a ver com isso”, defendeu-se como podia.

Este mês, o Departamento de Justiça divulgou uma “revisão sistemática” dos arquivos Epstein que “não revelou nenhuma lista de clientes incriminadora, nem confirmou que Epstein tenha chantageado figuras poderosas”. O relatório também reafirma que o magnata cometeu suicídio na prisão.

E Trump tenta se defender, na sua rede Truth Social, dizendo que os arquivos de Epstein são uma farsa, “porque foram escritos por Obama, Hillary Corrupta, Comey, Brennan e os perdedores e criminosos da administração Biden”.

Hoje, os mais fiéis defensores de Trump acham que o Presidente está encobrindo os arquivos. “Esta é a pior resposta que já vi do Presidente Trump“, disse o comentarista Benny Johnson. Também, ex-general Michael Flynn, considerado um herói pelo movimento QAnon, escreveu: “@realdonaldtrump, por favor, entenda que o CASO EPSTEIN NÃO VAI ACABAR”.

Nesse meio-tempo, parte da base MAGA também se virou contra o líder, por causa da escalada de tensão com o Iran. Porém, muitos voltaram atrás e até elogiaram Trump, quando ele atacou as instalações nucleares iranianas. O comentarista de direita, Charlie Kirk, concorda: “Não é assim que Trump fala. Eu não acredito nisso”.

Fato é que os apoiadores de Trump estão descontentes e vão exprimir isso nas redes sociais. Mas muitos não vão abandoná-lo porque ele é a única opção para lidera-los.

3 responses to “PROBLEMAS INTERNOS DE TRUMP AFETAM SUA BASE POLÍTICA”

  1. Avatar de
    Anônimo

    MELHOR NÃO COMENTAR, DE TÃO BIZARRO QUE É. A SÍNDROME DE PEQUENO DEUS É LOUCURA. ACREDITO NA LUZ DA JUSTIÇA DIVINA E INFINITA DO CRIADOR. NÃO TEMOS CONTROLE DE NADA, SOMENTE DA NOSSA CONSCIÊNCIA. BOA CONSCIÊNCIA PARA QUEM TEM .

  2. Avatar de Marina Romana
    Marina Romana

    so queremos paz

  3. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    ARGH!!!!

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