POESIA DOMINICAL

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Bertholt Brecht: poeta e dramaturgo, desafiou o capitalismo e o fascismo com arte e ideologia.

Berthold Brecht. Foto:Wikipedia.

Bom dia, querid@s amig@s! Hoje, no Ângulo e Foco, teremos um encontro com a profunda sabedoria de um dos maiores nomes da literatura mundial do Século 20. Tenho certeza de que vocês vão se deliciar com o poema selecionado, “PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ”. Sem mais conversa, que bom começar o domingo na companhia de Berthold Brecht!

Eugen Bertholt Friedrich Brecht, mais conhecido como Bertold Brecht, nasceu em 10 de fevereiro de 1898, em Augsburgo, Alemanha, e morreu em 14 de agosto de 1956, em Berlim Oriental. Reconhecido como um dos mais influentes dramaturgos e poetas do século XX, Brecht utilizou a arte como ferramenta crítica, especialmente contra o capitalismo e o fascismo.

Engajado politicamente, Brecht aderiu ao marxismo no final da década de 1920, durante os turbulentos anos da República de Weimar. A partir desse momento, sua produção artística passou a refletir uma postura crítica diante das estruturas de poder, das desigualdades sociais e da manipulação ideológica.

Um dos marcos desse posicionamento é o poema “Perguntas de um Operário que Lê”, no qual questiona a narrativa histórica tradicional e dá voz às classes trabalhadoras silenciadas pela historiografia oficial.

Brecht foi o principal nome do chamado teatro épico, uma forma teatral que rompe com o entretenimento passivo e propõe uma abordagem crítica e reflexiva por parte do público. Sua estética é resultado da síntese de várias influências: os experimentos de Erwin Piscator, as ideias de estranhamento do formalista russo Viktor Chklovski, os recursos do teatro chinês tradicional e a vanguarda teatral da Rússia soviética entre 1917 e 1926.

A consagração internacional veio nos anos 1954 e 1955, quando sua companhia, o Berliner Ensemble, realizou apresentações de grande repercussão em Paris, consolidando sua fama mundial.

Mais do que um artista, Brecht foi um pensador que transformou o palco em arena de debate político e social — uma voz incômoda, crítica e, sobretudo, necessária.

Recebeu o Prêmio Lenin da Paz em 1954.

Vida e obra

Brecht nasceu no Estado Livre da Baviera, no extremo sul da Alemanha, estudou Medicina e trabalhou como enfermeiro num hospital em Munique durante a Primeira Guerra Mundial. Era filho de Berthold Brecht, diretor de uma fábrica de papel, católico, exigente e autoritário, e de Sophie Brezing, protestante, que fez seu filho ser batizado nesta igreja.

Suas primeiras peças, Baal (1918/1926) e Tambores na Noite (Trommeln in der Nacht) (1918–1920), foram encenadas na vizinha Munique. Em sua participação no teatro, Brecht conhece o diretor de teatro e cinema Erich Engel, com quem veio a trabalhar até o fim da sua vida.

Depois da primeira grande guerra, mudou-se para Berlim, onde o influente crítico Herbert Ihering chamou-lhe a atenção para a apetência do público pelo teatro moderno. Trabalha inicialmente com Erwin Piscator, famoso por suas cenas Piscator, como eram chamadas, cheias de projeções de filmes, cartazes etc. Em Berlim, a peça Im Dickicht der Städte (No emaranhado das cidades), protagonizada por Fritz Kortner e dirigida por Engel, tornou-se o seu primeiro sucesso.

O Nazismo afirmava-se como a força renovadora que iria reerguer o país, pretendendo reviver o Sacro Império Romano-Germânico. Mas, ao mesmo tempo, chegavam à Alemanha influências da recém formada União Soviética.

Com a ascensão do poder do Partido Nazista e a indicação de Hitler para chanceler, em 1933, Brecht exila-se primeiro na Áustria, depois Suíça, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Inglaterra, Rússia, Estados Unidos e depois fugindo do Comitê de Atividades AntiAmericanas, precursor do macarthismo, deste país vai para a Alemanha Oriental.

Seus textos e montagens o fizeram conhecido mundialmente. Brecht é um dos escritores fundamentais deste século: revolucionou a teoria e a prática da dramaturgia e da encenação, mudou completamente a função e o sentido social do teatro, usando-o como arma de conscientização e politização. Agora vocês terão contato com sua poesia, tã boa quanto a dramaturgia.

Teve três filhos com Helene Weigel: Stefan Brecht, Barbara Brecht-Schall e Débora Destefani Brecht.

Suas principais influências foram Constantin Stanislavski, Vsevolod Emilevitch Meyerhold, Erwin Piscator e Viktor Chklovski.

Algumas de suas principais obras são: Um Homem é um Homem, em que cresce a ideia do homem como um ser transformável, Mãe Coragem e Seus Filhos, sobre a Guerra dos Trinta Anos, escrita no exílio, no começo da Segunda Guerra Mundial, e A Vida de Galileu. O crítico teatral Bernard Dort afirma, a respeito deste último:

“… Galileu foi escrita, pelo menos originalmente, para servir de exemplo e de conselho aos sábios alemães, tentados a abdicar seu saber nas mãos dos chefes nazistas.”

Além dessas, escreveu também O Senhor Puntila e seu criado Matti, A Resistível Ascensão de Arturo Ui, O Círculo de Giz Caucasiano, A Boa Alma de Setzuan, A Santa Joana dos matadouros e A Ópera dos Três Vinténs.

Cena do filme original da “Ópera dos Três Vinténs”. Printscreen.

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PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ

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Quem construiu a Tebas de sete portas?

Nos livros estão nomes de reis:

Arrastaram eles os blocos de pedra?

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E a Babilônia várias vezes destruída

Quem a reconstruiu tantas vezes?

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Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?

Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?

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A grande Roma está cheia de arcos do triunfo:

Quem os ergueu?

Sobre quem triunfaram os Césares?

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A decantada Bizâncio

Tinha somente palácios para os seus habitantes?

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Mesmo na lendária Atlântida

Os que se afogavam

gritaram por seus escravos

Na noite em que o mar a tragou?

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O jovem Alexandre conquistou a Índia.

Sozinho?

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César bateu os gauleses.

Não levava sequer um cozinheiro?

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Filipe da Espanha chorou,

quando sua Armada naufragou.

Ninguém mais chorou?

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Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.

Quem venceu além dele?

Cada página uma vitória.

Quem cozinhava o banquete?

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A cada dez anos um grande Homem.

Quem pagava a conta?

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Tantas histórias.

Tantas questões.

Com dados do Wikipedia

8 respostas a “POESIA DOMINICAL”

  1. Avatar de
    Anônimo

    GRANDE BERTHOLD BRECHT! UMA ARTE EM POESIA E TEATRO, PARA PENSAR REFLETIR, É ILUMINAR. PRECISAMOS DE ARTE GENUÍNA,TUDO JÁ DEU CERTO.

  2. Avatar de José Daniel

    Desejo um dia ser o assunto de posts assim como uma biografia

    1. Avatar de mazzeiray

      Pode ser. Me mande uns dois poemas bem engajados e um resumo biográfico. Abç

      1. Avatar de José Daniel

        Irei mandar, obrigado..

      2. Avatar de José Daniel

        Por onde eu envio ?

  3. Avatar de Marina Romana
    Marina Romana

    Um domingo de uma excelente poesias dominical

  4. Avatar de heroic0573c510b4
    heroic0573c510b4

    Os esquecidos tem que ser protagonistas da História

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