Treinamento e ações estão em curso

Queimadas, desmatamento e tráfico de animais são graves ameaças à riquíssima fauna silvestre da Bahia. Uma péssima perspectiva para nosso futuro, um prejuízo gigante para o Turismo (inclusive o caríssimo voltado à observação de pássaros), além da ameaça a todos os animais, nos tão diversos biomas que compõem e enfeitam nossa Natureza. É evidente que o prejuízo não é só para os animais ditos selvagens. A supressão dos vegetais, de todos os portes, com o desmatamento, afetaria brutalmente o ar que respiramos, à custa do enriquecimento de poucos, nojentamente criminosos. Por isso, vamos aplaudir a determinação do governo estadual baiano, ao combater, em diversas frentes, essas práticas tão, digamos, deletérias.
O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMB) iniciou, no Parque Zoobotânico de Salvador, um treinamento intensivo sobre manejo de fauna silvestre. A iniciativa, promovida pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), visa capacitar os profissionais do programa Bahia Sem Fogo para lidar com animais em situações de resgate, especialmente durante incêndios florestais.
Na formação, que se estendeu até hoje, foi ministrada por veterinários do Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) e contou com a participação de 40 bombeiros. O curso abordou o comportamento animal, técnicas de manejo e segurança, com mantendo foco em aves, répteis e mamíferos.
Curso fortalece atuação do Bahia Sem Fogo
O Programa Bahia Sem Fogo é coordenado pela Sema e desenvolvido em parceria com diversas instituições. Entre os principais executores está o Corpo de Bombeiros, responsável por atuar diretamente nas ações de combate e controle dos incêndios florestais no estado.
Segundo o Major Ricardo Luz, a capacitação é fundamental, especialmente para os bombeiros que atuam no Programa Bahia Sem Fogo e estão na linha de frente do combate e da prevenção aos incêndios florestais. “Infelizmente, é cada vez mais comum encontrarmos animais feridos durante essas ocorrências. Por isso, esse curso é essencial, ele nos prepara para prestar o primeiro atendimento adequado aos animais silvestres, ampliando nossa atuação e contribuindo de forma concreta para a preservação da fauna”, destacou o Major.
Para o Capitão Serrão, que integra o Grupo de Trabalho (GT) do Bahia Sem Fogo, essa capacitação é fundamental para que os bombeiros estejam preparados para agir corretamente em situações que envolvem animais silvestres durante os incêndios florestais. “Ao se deparar com uma situação como essa, o bombeiro saberá como prestar o melhor suporte de vida ao animal, oferecendo os primeiros cuidados até que ele possa ser encaminhado a um dos CETAS, seja de Cruz das Almas ou o da capital, ou conforme a orientação repassada pelo Inema. Essa ação representa a concretização de mais um importante projeto dentro do Programa Bahia Sem Fogo”.
Foram várias as atividades teóricas, com foco na diversidade das espécies, anatomia, identificação, técnicas de contenção e transporte. No turno da tarde, os participantes colocaram os conhecimentos em prática, exercitando os procedimentos de manejo e primeiros atendimentos em situações de emergência.

Foto: Ascom-Sema/Inema
Cadastro de Áreas de Soltura
O Estado também está expandindo sua rede de proteção à fauna silvestre, oferecendo incentivo para o Cadastro de Áreas de Soltura de Animais Silvestres (Asas). Atualmente, o estado possui 35 áreas cadastradas pelo Inema, distribuídas nos biomas Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado.
Marianna Pinho, bióloga da Coordenação de Gestão de Fauna do Inema (CGFAU), explicou os critérios para o cadastro de uma área, incluindo a conservação da vegetação nativa, a presença de fauna silvestre, fontes de água e a ausência de ameaças. As ‘Asas’ são utilizadas para a reintrodução de espécies resgatadas, como aves passeriformes, serpentes e sariguês. A escolha da área de soltura é baseada em critérios técnicos para garantir a sobrevivência e reprodução dos animais.
“Nosso objetivo aqui é promover uma troca de experiências. Apresentamos no primeiro dia técnicas de manejo de fauna silvestre em situações de resgate, especialmente em áreas afetadas por incêndios, mas também queremos aprender com os bombeiros, como agir de forma segura e eficiente no ambiente do fogo. Essa colaboração mútua é essencial”, explicou Vinícius Dantas, coordenador de Fauna do Inema. Vinícius também destacou que essa capacitação surge da necessidade de aprimorar as condutas relacionadas ao manejo de animais silvestres, durante os incêndios florestais, situação em que muitos desses animais ficam vulneráveis.
O curso foi dividido em três módulos (aves, répteis e mamíferos), com especialistas diferentes em cada área. Abordando o comportamento dos animais em seus respectivos biomas e discutindo as melhores práticas de manejo, sempre com foco na segurança, tanto dos animais quanto dos profissionais envolvidos. No primeiro dia, o veterinário do CETAS, Caio Vinícius, ministrou a capacitação no módulo de aves, destacando que cerca de 70% dos animais que chegam aos CETAS são aves.
“Esse grupo é bastante presente nas ocorrências de resgate, principalmente em situações de queimadas e combate a incêndios florestais. Falamos sobre a diversidade das aves na fauna silvestre baiana e brasileira. Também discutimos como agir em situações de emergência, além de dar continuidade com a parte prática, focando no manejo e contenção segura desses animais, reforçando o que foi visto na teoria. É nesse momento que colocamos a mão na massa, entendendo de perto as particularidades de cada espécie e aprendendo a lidar de forma responsável e técnica com esses resgates”.
Como cadastrar sua área
Para os proprietários interessados em transformar suas terras em uma Asas, é necessário entrar em contato com o Inema e preencher um formulário específico. A propriedade também precisa estar registrada no Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (Cefir). O processo pode ser iniciado por meio da Central de Atendimento ou nas Unidades Regionais do Inema. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail cgfau@inema.ba.gov.br e pelo telefone (71) 3118-4350.

O imóvel está sendo preparado, na maior cidade do Oeste baiano. Foto:Ascom/Sema&Inema.
Brevemente, novo Centro de Triagem, em Barreiras
A Bahia está prestes a dar um passo importante na proteção da sua biodiversidade. O Inema está implantando, na cidade de Barreiras, em outubro, o novo Centro Estadual de Triagem de Animais Silvestres (CETAS Cerrado), voltado ao resgate, triagem, reabilitação e soltura de animais silvestres oriundos de apreensões, entregas voluntárias ou situações de risco.
Com investimento aproximado de R$ 7 milhões, a unidade vai atender a região Oeste do estado com uma infraestrutura moderna e adaptada às exigências legais e técnicas para o manejo da fauna silvestre. Ao todo, serão 23 viveiros, sendo 15 internos, dos quais quatro serão destinados a animais classificados como nível 3, que exigem manejo especializado por apresentarem potencial de causar lesões graves ou até fatais e mais 8 viveiros externos.
“O CETAS Cerrado reforça o compromisso do Governo do Estado com a conservação da fauna silvestre e o combate ao tráfico de animais, que ainda é uma das principais ameaças à biodiversidade brasileira”, destacou a diretora-geral do Inema, Maria Amélia Lins.
Além da atuação direta com os animais, o centro também será um polo de educação ambiental, desenvolvendo atividades de sensibilização com a comunidade local e instituições de ensino, com o objetivo de promover uma cultura de respeito e preservação à fauna.
Maria Amélia Lins também reforçou que a implantação do CETAS em Barreiras é uma vitória para a política ambiental da Bahia. “Estamos ampliando a nossa capacidade de resposta às demandas da fauna silvestre e levando para o interior uma estrutura essencial que antes se concentrava na capital e região metropolitana. É mais uma ação que reafirma o nosso compromisso com o meio ambiente”, acrescentou.
O coordenador de Gestão de Fauna (CGFAU) do Inema, Vinícius Dantas, ressalta que a localização estratégica do novo CETAS permite atender áreas de Cerrado e transição com a Caatinga, biomas que abrigam rica diversidade de espécies.
“Essa unidade vai suprir uma lacuna histórica da região Oeste, que agora terá um centro próprio para receber e cuidar dos animais silvestres com segurança, qualidade e dentro dos protocolos exigidos. Será um espaço de triagem, recuperação e, sempre que possível, de reintegração dos animais ao seu habitat”, afirmou Dantas.
O serviço de resgate de animais silvestres está disponível pelo Disque Resgate, via WhatsApp (71) 99661-3998, para que a população possa contribuir com a preservação da fauna local.

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Fonte: Ascom/Sema&Inema


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