
Faltam apenas dois dias para começarem a vigorar as tarifas de 50% sobre todas as exportações que o Brasil fizer para os Estados Unidos. Vamos ver a coisa sobre os pontos-de-vista econômico, mas também geopolítico e ideológico. Politicamente, a tarifa é vista como uma retaliação de Donald Trump à postura diplomática do Brasil no BRICS e à regulação de plataformas digitais pelo STF, sem esquecer do ‘tiro no pé’ do Bananinha, que recriou a união nacional e ficou lá, esquecido até pelos seus. O governo brasileiro negocia – sob a liderança do ministro Fernando Haddad, junto com empresários, também pelo Itamaraty e, inclusive, por meio de senadores de todos os partidos – porém, estuda medidas de reciprocidade, planos de contingência e se compensa, em busca de novos mercados num curto prazo. Isso, o presidente Lula está conseguindo facilmente, pois já temos 105 acordos internacionais, enquanto os EUA só firmaram 75. Mas, o ‘buraco é muito mais embaixo’ porque Trompete ainda enfrenta uma gigante de vários países, além da rejeição interna, inclusive de seu próprio eleitorado. Pode até, simplesmente, adiar o tarifaço contra nós.
A crise obrigou a que o Itamaraty e o próprio Lula, em nome de nossa soberania, deixassem claro que o Brasil não é vulnerável frente a decisões unilaterais e nos levou, também, a reforçar a urgência de uma política externa mais estratégica e diversificada. O vice-presidente Geraldo Alckmin, por exemplo, está em contato direto com os industriais e agropecuaristas, ex-eleitores do ‘chefão’, no passado recente. A famiglia do Bozo se esborrachou também nessa fatia da sociedade.
A deplorável e nojenta traição à Pátria do Eduardo Bananinha já está servindo para ‘alguma coisa’, mas o gostoso é assistir à separação entre patriotas e “patriotas”, de todos os matizes ideológicos. Já vivemos em um cenário de união nacional, na defesa da nossa soberania e contra o ‘inimigo’. Os Bozos e o bolsogado ficando isolados, perante a ameaça externa. Louvável!
Esse é um clássico momento mundial de definições de novas Tendências Geopolíticas, parece claro. E isso pode ser muito bom para nós. É evidente a ascensão da Ásia como centro econômico e estratégico, no mundo, região na qual temos fortes parceiros comerciais. A economia planetária vem falando mais alto do que os tarifaços, nesse contexto de disputas por recursos naturais e rotas marítimas, por exemplo, no Ártico e atravessando a América do Sul.
Cresce, ao mesmo tempo e em velocidade vertiginosa, a ameaçadora influência de empresas transnacionais e de tecnologia, querendo ocupar grandes espaços no contexto mundial. Outros desafios globais – que não a guerra comercial – são as mudanças climáticas e a cibersegurança. O mundo não pode continuar perdendo tempo com ‘trampices’.

Política de Taxação de Trump e suas motivações
A política tarifária de Donald Trump, especialmente em seu segundo mandato, tem sido marcada por uma abordagem agressiva e estratégica, com o objetivo de proteger a indústria americana, pressionar parceiros comerciais e reforçar sua agenda política. Escolheu o caminho lucrativo (em todos os sentidos) de aumentar tarifas internacionais, vide tenebrosas transações internacionais, pouco antes de anunciar as tarifas pelo mundo.
Entre as cruéis motivações econômicas dos tarifaços, impostos por Donaldo, admitidos por eles, estão o de reduzir o déficit comercial dos EUA, proteger indústrias locais e gerar empregos, além de aumentar a arrecadação para compensar cortes de impostos.
Porém, as motivações políticas e geopolíticas são outras: pressionar países como Brasil, China e México, por questões políticas e de segurança, conquistar terras raras usadas em alta tecnologia, reagir contra decisões judiciais e políticas internas de outros países (como o julgamento do Bozo no Brasil). E, também, fortalecer a posição dos EUA como potência global, além de buscar influenciar a extrema-direita internacional.

Impactos para o Brasil
Em levantamento do Governo, os impactos econômicos do tarifaço, prometido para o próximo dia 1º, são os seguintes: Projeção de queda de R$ 19,2 bilhões no PIB brasileiro, causando a perda de até 110 mil empregos, especialmente na agropecuária, comércio e indústria. Os setores mais afetados serão os de carne bovina, café, suco de laranja, siderurgia e aeronáutica.
Já os impactos políticos passam pela desagregação da extrema-direita no nosso país, causada pela descarada agressão à soberania nacional, perpetrada pelo clãzinho Bozonaro. A carta de Trump, ameaçando o Brasil, mistura – atendendo a pedidos e promessas inconfessáveis – críticas comerciais e políticas, além de acusar o Brasil de censura e perseguição política. De nosso lado, o governo brasileiro negocia – através dos grandes da economia de lá – e, ao mesmo tempo, estuda retaliações com base na Lei de Reciprocidade Econômica, caso seja necessária. Há riscos de agravamento da crise.
Analisando estrategicamente a ‘brincadeira que gera bilhões em investimentos fraudados’, Trompeta utiliza tarifas como instrumento de pressão política, não apenas econômica. E sua política tarifária é volátil e personalizada, variando conforme os interesses estratégicos dos EUA. Mas – com tudo isso – ainda há, também, a possibilidade de uma saída honrosa para ambos os países.
Fato é que, embora a política doidivanas possa fortalecer alguns setores internos nos EUA, há risco evidente de recessão global e um grande isolamento comercial dos americanos. No caso do Brasil, a medida está sendo vista como uma tentativa de interferência indireta na política brasileira e uma forma de testar a soberania nacional.
Avaliação geopolítica
Na linha de deixar tudo bem claro, vamos dar um passeio sintético na geopolítica mundial, que está marcada por uma intensa disputa entre potências tradicionais e emergentes, com foco em influência econômica, tecnológica, militar e ideológica. A multipolaridade substituiu a antiga ordem bipolar da Guerra Fria, e hoje o mundo é dividido por blocos econômicos e ideológicos que moldam as relações internacionais.
Criados a fim de enfrentar desafios como o jeito desajeitado do trompetista, esses Blocos Econômicos – que foram criados para promove acordos comerciais, políticas conjuntas e pretendiam uma maior competitividade global -, agora enfrentam o ‘ogro da metralhadora giratória’.
O bloco da União Europeia (UE), composto por Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal e os demais, visava sua integração econômica e política, tendo como base uma moeda comum. Cederam em tudo ao tarifaço e ficaram devendo trilhões de euros à America First. O Mercosul, que é composto pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, segue praticando o livre comércio e a integração regional, mas enfrenta o governo histriônico, de extrema-direita, da Argentina, e, agora, chegou o adversário de todos, conhecido como lulu-da-pomerania.
O bloco USMCA (ex-NAFTA), criado pelos EUA, Canadá e México, com o objetivo de praticar o livre comércio na América do Norte, acaba de ser implodido pela política geoeconômica desastrada do Alaranjado.
No pujante Sudeste Asiático, a ASEAN visa à cooperação econômica e à estabilidade regional. Parece que o bloco vem sendo bem-sucedido. Já na África, existe a União Africana, reunindo muitos países do continente, que visa ao desenvolvimento e à integração continental. Ainda não foi sancionada.

Brasil também se apoia nos BRICS+
O tão temido (pelo laranja) BRICS foi criado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, visando à cooperação entre economias emergentes. Está crescendo, a passos largos. O BRICS+ é composto por 10 membros ativos: A África do Sul, o Brasil, a China, o Egito, os Emirados Árabes Unidos, a Índia, a Indonésia, o Irã e a Rússia.
Além disso, o BRICS+ tem 12 membros associados: a Argélia, a Bielorrússia, a Bolívia, o Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Turquia, Uganda, Uzbequistão, Vietnã. E há, também, 23 países que apresentaram candidaturas para se juntar ao BRICS+, incluindo Azerbaijão, Bahrein, Bangladesh, Burkina Faso, Camboja, Chade, Colômbia, República do Congo, Guiné Equatorial, Honduras, Laos, Kuwait, Marrocos, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Palestina, Senegal, Sudão do Sul, Sri Lanka, Síria, Venezuela e Zimbábwe.
O país que está suplantando os EUA na sua tecnologia e desenvolvimento econômico é a China que, no início da semana se expressou, claramente, contra as sanções dirigidas ao Brasil. É nosso maior parceiro comercial e isso nos traz otimismo.
Blocos ideológicos das nações
É hora de nos conscientizarmos de que existem, também, os blocos ideológicos com seus respectivos alinhamentos geopolíticos: De um lado está o Ocidente Liberal (EUA, UE, Japão e Austrália) que diz, falsamente, defender a democracia, o livre mercado e os direitos humanos. De outro lado, temos o chamado Eixo chamado de Autocrático/Emergente – composto pela China, Rússia e Irã – que prioriza a soberania nacional, o controle estatal, o bem-estar social e a segurança. Já sancionado pelo ‘império’.
O denominado Sul Global, no qual o Brasil se situa, reúne a América Latina, África e Sudeste Asiático, com foco em desenvolvimento, cooperação Sul-Sul e autonomia estratégica. Está vulnerável aos tarifaços, mas conta com o peso estratégico da China, em seu apoio.

Situação tensa no Sudão.
Conflitos e Tensões Atuais
Os atritos, causados pela perda de influência norte-americana no mundo, se estendem por toda parte. Exemplo é a guerra da Ucrânia x a Rússia, uma guerra em curso desde 2022, com impacto global em energia e segurança europeia. Outro exemplo é o massacre do sionismo de Israel contra a população de Gaza, na guerra racial contra a Palestina, que é um trágico conflito territorial e religioso, sem perspectiva clara de quando terá resolução definitiva.
Ainda que apenas no campo da economia e da diplomacia, existe um conflito entre EUA e China. Uma clara disputa por hegemonia tecnológica, comercial e influência no Indo-Pacífico. Na África, também, a situação não está nada boa. Temos crises e conflitos no Sahel e outros países, com extremismo, fome e instabilidade política.
Tendências Geopolíticas
Mas, o que teremos pela frente no plano geopolítico? Certamente, a ascensão da Ásia como centro econômico e estratégico; o aumento das disputas por recursos naturais e por rotas marítimas (a exemplo do Ártico e todo o trajeto da Nova Rota da Seda, da China, que corta o planeta).
Os povos de todo o mundo terão que enfrentar, com firmeza, o crescimento da influência de empresas transnacionais e de tecnologia, em especial. E encarar desafios globais como mudanças climáticas e cibersegurança.

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