Dezenas de nações agem contra o genocídio e pelo reconhecimento do Estado palestino

Bandeira palestina.
Parece que o mundo acordou. Estamos no momento em que cresce uma nova onda de apoio internacional à causa palestina, com o número de países que reconhecem oficialmente o Estado da Palestina chegando a 148, dos 193 membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Todos se mostram dispostos a fazer frente à dupla Netanyahu-Trump e agir contra o genocídio que vem sendo praticado contra o povo palestino. É possível que consigam, se o grau de maldade de ambos for enfrentado e controlado, pelo poder da opinião pública, que tem reflexos nos bolsos de seus financiadores. Vamos ver, ainda que muito preocupados com os milhares de mortos, principalmente de fome, quando não à bala.
Recentemente, o Brasil anunciou que vai se juntar formalmente à ação movida pela África do Sul, contra Israel, na Corte Internacional de Justiça (CIJ), por causa genocídio que os sionistas praticam na Faixa de Gaza. Ao anunciar a medida, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “a comunidade internacional não pode permanecer inerte, diante das atrocidades em curso. O Brasil considera que já não há espaço para ambiguidade moral nem omissão política. A impunidade mina a legalidade internacional e compromete a credibilidade do sistema multilateral”, diz a nota.
A França foi o 148º e a primeira, entre os países do G7, a tomar essa decisão. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que formalizará a decisão na Assembleia Geral da ONU, em setembro.
Os dois aliados de “unha e carne”, Israel e os EUA, condenaram veementemente a decisão da França, dizendo que assim ela legitimaria o grupo palestino Hamas. Vale lembrar que ambos os países, juntamente com a União Europeia e outros, classificam o Hamas como uma organização terrorista. Mas parece que uma onda se forma para fazer frente ao genocídio, pela fome e pelas bombas.
A França parece não se incomodar. Recebeu elogios da Espanha – que, em maio de 2024, reconheceu o Estado palestino junto com a Noruega e a Irlanda -, e de outras nações do Oriente Médio, como a Arábia Saudita. A Autoridade Palestina (AP), que governa a Cisjordânia ocupada, também comemorou o apoio.
Logo depois do anúncio de Macron, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, declarou que seu país, também, está aberto a reconhecer o Estado palestino. Outro bom sintoma de que a Europa não está perdida, em meio à Humanidade. O topete amarelo pode não gostar mas, e daí?
O mundo quer a solução de 2 Estados
A maior parte dos países do mundo já reconhece o Estado palestino, ainda que algumas potências importantes façam uma forte oposição. Há pouco mais de um ano (maio de 2024), 143 dos 193 membros da Assembleia Geral das Nações Unidas votaram a favor de uma resolução para reconhecer a necessidade de um Estado palestino. Todo esse movimento, porém, não foi suficiente para que os Estados Unidos permitissem a aprovação da Palestina como estado-membro da ONU.
A adesão plena à ONU só pode ser decidida pelo Conselho de Segurança da ONU, controlado pelos americanos. A Palestina já possui o status de observador, mas não de membro.

Fome em Gaza. Foto: Reuters
Crise sobre crise humanitária
Israel interrompeu durante meses a entrada de ajuda humanitária no enclave, enquanto a entrega de alimentos, por uma organização privada, apoiada pelos israelitas e pelos norte-americanos, está marcada pela morte de mais de 1.000 palestinos, pelas forças israelitas.
A ONU e outras organizações têm denunciado a fome em Gaza, o que tem gerado uma crescente indignação global devido às políticas e práticas dos sionistas.
Os países que já reconheceram
Foram poucas as nações que, depois de novembro de 1988 – quando a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) declarou oficialmente a Palestina um Estado independente -, formalizaram apoio a um Estado Palestino. Primeiro, vieram os países comunistas, como a União Soviética, e a China, e também de países não alinhados, como a Índia e a Iugoslávia.
Essa movimentação geopolítica ajudou a causa. Na última década do século 20, muitas nações da Ásia Central, assim como a África do Sul, as Filipinas e Ruanda, passaram a ter relações diplomáticas com o Estado da Palestina.
Vinte e cinco anos depois, Argentina, Bolívia, Equador e Venezuela reconheciam oficialmente a Palestina como uma nação soberana. Em 2010, foi que o Brasil reconheceu a existência de um Estado da Palestina, com as fronteiras estabelecidas em 1967, incluindo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, e tendo como sua capital Jerusalém Oriental.
Em 2011, a Autoridade Palestina solicitou a adesão plena à ONU, mas o Conselho de Segurança rejeitou o pedido. O espírito belicoso do sionismo de Israel levou a que mais de uma dúzia de países, incluindo Chile, Uruguai e Peru, reconhecessem a Palestina como um Estado.
Nesse mesmo ano, a Palestina foi admitida como membro pleno da Unesco (agência da ONU), marcando uma vitória para a diplomacia palestina. O primeiro país da Europa Ocidental a reconhecer a Palestina foi a Islândia, também em 2011, o que estabeleceu um precedente, seguido pela Suécia em 2014.
Acontecimentos recentes
Em 2018, a Colômbia declarou a Palestina uma nação soberana e, no ano passado, o novo presidente colombiano, Gustavo Petro, cortou relações diplomáticas com Israel e, mais recentemente, ordenou a abertura de uma embaixada na cidade palestina de Ramallah, na Cisjordânia ocupada.
Em junho de 2023, o México anunciou seu total apoio à criação de um Estado palestino e decidiu estabelecer uma embaixada nos territórios palestinos. No mesmo ano, por causa da guerra em Gaza, a Bolívia cortou relações diplomáticas com Israel, argumentando que o país estava cometendo crimes contra a humanidade. Em 2024, as Bahamas, Trinidad e Tobago, a Jamaica e Barbados anunciaram, também, o reconhecimento do Estado palestino.
A posição das nações do Ocidente
O bloco formado pelos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Reino Unido, além de muitos países da Europa Ocidental e seus aliados Japão e Coreia do Sul, apoiam oficialmente o conceito de um Estado palestino independente, coexistindo com Israel, para pôr um fim ao conflito no Oriente Médio. Porém, muitos afirmam que só reconhecerão a Palestina como nação independente se houve um acordo de paz abrangente.
O especialista em Oriente Médio Hugh Lovatt, do think tank europeu ECFR, disse à DW que outros países europeus poderiam seguir a França, no reconhecimento de um Estado palestino. Ele prevê que Bélgica, Dinamarca, Luxemburgo e Portugal possam seguir o exemplo. Alguns outros países europeus continuam apoiando os sionistas de Israel, nessa cruel aventura contra a Humanidade.
Portugal admite reconhecer Palestina
Depois de morrerem mais de 60 mil palestinos, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, reconheceu, como a maior parte dos países europeus, o apoio português como “passo essencial” para a solução de dois Estados. Mas o também português Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, entende que “o único caminho para a paz está mais distante que nunca”.
O Reino Unido poderá fazer o mesmo, anunciou ontem o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. A nação inglesa vai reconhecer o Estado da Palestina, segundo ele, se Israel não cumprir uma série de condições, especialmente acabar com a “situação catastrófica em Gaza”. O primeiro-ministro britânico disse, ainda, que o país exige, também, que Israel se comprometa com um processo de paz de longo prazo.

A realidade em Gaza. Imagem: Vatican News.
Mais que cessar-fogo, salvar vidas
A Conferência Internacional para a Solução de Dois Estados no Médio Oriente terminou ontem (29) com uma declaração que apoia “inabalavelmente” uma solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino e para a tragédia em Gaza.
Na chamada “Declaração de Nova Iorque”, estabelecem um plano por fases para pôr fim ao conflito de quase oito décadas e à guerra em Gaza, criando com uma Palestina independente e desmilitarizada, convivendo ao lado de Israel.
Essa declaração expressa “profunda preocupação com o elevado número de vítimas civis e a situação humanitária em Gaza” e sublinha o “papel essencial” das Nações Unidas e das suas agências na “facilitação da assistência humanitária”.
Os chefes da diplomacia de 12 países europeus, mais o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia reconheceram e expressaram a vontade, ou a consideração positiva dos países, em reconhecer o Estado da Palestina, como um passo essencial para a solução de dois Estados.
Assinam, também, a declaração conjunta, Andorra, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Noruega, Portugal, San Marino, Eslovénia e Espanha. Entre estes países, Espanha, Irlanda, Noruega e Eslovénia reconheceram o Estado palestino no ano passado.
Os ministros desses países, na declaração conjunta, apelam aos países que ainda não o fizeram “a estabelecer relações normais com Israel e a expressar a sua vontade de iniciar discussões sobre a integração regional do Estado de Israel”: “Convidamos todos os países que ainda não o fizeram a aderir a este apelo” sobre o reconhecimento do Estado da Palestina.”
Na sua intervenção, durante a conferência de dois dias, convocada por França e Arábia Saudita, o ministro português, Paulo Rangel, já tinha destacado que alguns destes compromissos já foram assumidos pela Autoridade Palestina, o que considerou “um novo passo para a concretização da solução dos dois Estados”.
O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo grupo islamita palestino, afirmou, também ontem, que mais de 60 mil palestinos morreram na guerra entre Israel e o Hamas. Outras 145.870 pessoas ficaram feridas, desde o início do conflito.

O premier Keir Starmer, do Reino Unido.
Reino Unido vai reconhecer
Isso soa como surpreendente: O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou, ontem (29), que o Reino Unido pode reconhecer o Estado da Palestina antes da Assembleia Geral da ONU, marcada para setembro, mas somente se Israel adotar uma série de providências.
Ele condiciona o reconhecimento ao cumprimento de quatro exigências por parte do governo israelense: pôr fim à “situação terrível” em Gaza, alcançar um cessar-fogo, garantir que não haverá anexações na Cisjordânia e se comprometer com um processo de paz que leve à solução de dois Estados.
“Nosso objetivo continua sendo uma Israel segura e protegida ao lado de um Estado palestino viável e soberano”, disse Starmer.
O primeiro-ministro afirmou, ainda, que o objetivo principal do governo britânico é mudar a situação no terreno. Ele reiterou que os reféns devem ser libertados e que a ajuda humanitária precisa conseguir entrar em Gaza.
Starmer reiterou as exigências britânicas ao grupo palestino Hamas: libertação de todos os reféns, adesão a um cessar-fogo, aceitação de que não terá papel no governo de Gaza e desarmamento.
A declaração do Reino Unido ocorre em meio a revelações sobre o agravamento da crise humanitária no território palestino. Um órgão da ONU sobre segurança alimentar alertou que “o pior cenário de fome está atualmente em curso” em Gaza, com “provas crescentes” de desnutrição generalizada.
Israel nega que haja restrições à entrada de ajuda humanitária e afirma que “não há fome” no território. O governo israelense também impede a entrada de jornalistas internacionais em Gaza. Mas, Starmer rebate, dizendo que as imagens de crianças famintas e bebês incapazes de se levantar “ficarão conosco por toda a vida”.
Ele revelou que o Reino Unido lançou ajuda humanitária por via aérea nesta segunda, mas reforçou que são necessários ao menos 500 caminhões entrando por dia: “Só um acordo político duradouro poderá pôr fim à crise”, afirmou.
Resumo da tragédia
A luta territorial na Palestina é um conflito histórico e contemporâneo. A Questão Palestina envolve o Estado de Israel e a Palestina. Este conflito, que se arrasta por décadas, tem suas raízes na partilha desigual, promovida pela ONU, em 1947, que resultou na criação do Estado de Israel, em 1948, e na delimitação dos enclaves da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, atualmente sob controle palestino. Desde então, uma série de confrontos diretos tem ocorrido, com o mais recente eclodindo em 2023.
A crise pela conquista de território é marcada por um histórico de ocupação que abrange os diversos povos que moldaram as populações de Israel e da Palestina. Em 2000 a.C., e por cerca de 700 anos, a região foi habitada por cananeus, filisteus e hebreus, que já conheciam o local como Palestina. A presença judaica na área começou no século X a.C., mas foi marcada por períodos de instabilidade, especialmente após a invasão árabe.
Atualmente, a Palestina é dividida em duas áreas principais: a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, que são frequentemente destacadas em mapas que ilustram a complexidade da Questão Palestina. A luta por território continua a ser um tema central nas discussões políticas e sociais da região, refletindo a necessidade de um diálogo que busque soluções duradouras para a paz.

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