Mobilização mundial contra um herbicida

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Ekō lança abaixo-assinado internacional

Imagem: I.A. Ângulo e Foco

A Organização social Ekō está fazendo uma campanha contra o uso do pesticida/herbicida glifosato, que continua liberado no Brasil, apesar de já ter sido provado e comprovado que ele é causador de câncer e de toxicidade nos nervos humanos. Uma petição no sentido de sua proibição está circulando nas redes sociais. desde a década de 1990, quando, após a criação de sementes resistentes à substância, o uso do produto aumentou cerca de 15 vezes. Além disso, uma grande ameaça: segundo o DataInteligence, a aplicação de glifosato em plantações agrícolas deve crescer 800% até o final de 2025. Segundo a organização popular europeia Stop Glyphosate Coalition, a luta está avançada na Europa. No Brasil, a população está tomando consciência aos poucos, mas é preciso muita pressão popular. Precisamos ‘correr atrás do prejuízo’!

Apesar do pedido de mais de um milhão de europeus para banir o glifosato em 2017, as autoridades concordaram com seu uso por mais 5 anos. Ao final desse período, a autorização foi ampliada, por mais 10 anos, causando as repercussões atuais, que fecham questão contra a utilização do glifosato.

Enquanto as instituições da UE se preparavam para aprovar novamente este herbicida amplamente utilizado, a Coalizão Stop Glyphosate, composta por ONGs de toda a UE, uniu-se para defender uma proibição completa do produto e para enfrentar a Bayer e outras empresas químicas que apoiam a renovação da licença do glifosato no mercado europeu.

Estudos dão respaldo à luta

O glifosato causa câncer – mesmo nos níveis de exposição que as autoridades consideram seguros. Essa é a conclusão de um estudo científico que acaba de ser publicado na revista científica Environmental Health. O estudo independente mais abrangente feito com animais já realizado sobre o glifosato, o herbicida químico mais utilizado no mundo.

Mas, afirma a Ekō, “a ciência não é suficiente. Os governos de diversos países irão ignorar este novo estudo se não os pressionarmos, e não ousarão enfrentar o lobby da indústria química, a menos que lhes mostremos o que exigimos”:

“O herbicida glifosato causa leucemia e outros tipos de câncer mortais, revela o estudo, há muito aguardado. Não há mais desculpas. Temos que pedir a todos os governos que PROÍBAM o glifosato e obriguem a Bayer-Monsanto a pagar por seu legado tóxico.”

Os principais especialistas em câncer da ONU já alertaram em 2015 – diz a Ekō: “o glifosato causa câncer em animais de laboratório. Mas este novo estudo abrangente, liderado pelo Instituto Ramazzini, na Itália, vai ainda mais longe, mostrando que a exposição prolongada – mesmo em níveis baixos equivalentes à Ingestão Diária Admissível (IDA) da UE – causa leucemia de início precoce em ratos.”

Portanto, os defensores do glifosato já não podem sequer dizer que “a dose é o que envenena” para descartar as preocupações sobre o glifosato e o câncer. Não há mais desculpas.

Alguns governos já restringiram o uso do glifosato e dos herbicidas à base de glifosato, mas é hora de proibir totalmente esses produtos, e este estudo marcante sobre o câncer pode ajudar a tornar isso realidade.

Milhões de pessoas da comunidade Ekō se uniram em todo o mundo para resistir à Bayer-Monsanto e a outros gigantes agroquímicos que produzem esse veneno para obter lucro. Diz a Ekō: “Quase conseguimos uma proibição total na União Europeia no ano passado e estamos apoiando uma ação judicial para corrigir isso.”

Parem o glifosato!

A organização Stop Glyphosate Coalition amplia e ecoa o trabalho de resistência contra o veneno, em todo o mundo. Em seu website, eles revelam as marchas e contramarchas nessa luta:

Desde sua primeira introdução nos EUA como Roundup em 1974 (aquele que foi usado na Guerra do Vietnã para desfolhar as árvores e expor, assim, os guerrilheiros do Vietnã do Norte), o Glifosato se tornou o herbicida mais comumente e intensivamente utilizado na UE e globalmente.

No entanto, o glifosato é prejudicial ao meio ambiente, provavelmente carcinogênico e possivelmente neurotóxico para os humanos. Ele prejudica a saúde do solo, polui a água e danifica a biodiversidade. Estudos recentes vinculam o glifosato ao desenvolvimento da doença de Parkinson.

Onde quer que você viva, o glifosato está presente em sua vida, mesmo que você não esteja ciente disso. Você pode encontrá-lo em sua comida, em seu corpo e na poeira de sua casa.

Uma pesquisa recente da UE, que abrangeu seis países – Dinamarca, França, Alemanha, Polônia, Romênia e Espanha – confirmou o apoio do público à causa. Impressionantes dois terços (62%) dos entrevistados defenderam a proibição completa do glifosato em toda a Europa e apenas 14% apoiaram seu uso prolongado.

No entanto, desconsiderando os pedidos dos cidadãos e a falta de apoio de 10 Estados membros, a CE decidiu prosseguir e renovar a licença de mercado da substância ativa glifosato por 10 anos. Além disso, a avaliação de risco do glifosato, realizada pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, que deu luz verde à sua reaprovação, “estava repleta de lacunas de dados e falta de informações”.

Consciente de que a renovação do glifosato é um desastre para a saúde, biodiversidade, solo e água, apesar deste revés, a coalizão Stop Glyphosate permanece determinada. As evidências crescentes da literatura científica, mostrando o potencial dano causado pelo glifosato, apenas ressaltam a importância crítica dessa batalha. A coalizão insiste: “Mais do que nunca, nossa luta continua”.

Imagem: I.A. Ângulo e Foco

Como o trabalho se desenvolve

Enquanto alguns membros da coalizão escolheram caminhos legais, a nível da UE ou nacional, outros estão lutando para aumentar a conscientização e realizar ações locais.

A coalizão, fundada em 2015, é uma rede de organizações e instituições em toda a Europa que apoia a proibição da substância ativa glifosato no mercado europeu.

Em 2017, essa parcela da população mundial organizou uma série de ações direcionadas à Comissão Europeia (CE) e aos Estados-Membros, pedindo a proibição, uma das quais foi uma Iniciativa de Cidadão Europeu (ECI), pedindo a proibição do glifosato. A petição, extremamente bem-sucedida, recebeu um total de 1.320.517 assinaturas, coletadas em toda a Europa.

No entanto, as autoridades concordaram com o seu uso por mais 5 anos. Com o fim desse período se aproximando, as instituições da UE estavam em processo de ‘reaprovação’, uma vez mais, da autorização de mercado deste herbicida, amplamente utilizado na União Europeia, atendendo a um pedido da Bayer e de outras empresas químicas. A Coalizão Stop Glyphosate se reuniu novamente, com o mesmo objetivo: convencer a União Europeia a proibir o glifosato, de uma vez por todas, e proteger o meio ambiente e a saúde humana.

Em novembro de 2023, a CE decidiu renovar a licença de mercado da substância ativa glifosato por 10 anos, com o apoio de Estados-Membros que representam apenas 42% da população da UE. Diante deste golpe devastador às demandas dos cidadãos, à luz da literatura científica que revela a ampla gama de riscos causados pelo glifosato à saúde, à biodiversidade, ao solo e à água, a luta da Coalizão Stop Glyphosate continua tendo como primeiro passo contestar legalmente essa decisão.

Danos comprovados também no Brasil

Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), uma das mais respeitadas do País, revela que o herbicida mais utilizado no Brasil aumenta chances de mortalidade infantil. Aplicado especialmente na plantação de soja, o glifosato pode ter sido responsável por mais de 500 mortes infantis anuais, na última década.

No ano passado, um estudo da Fundação revelou que o herbicida representava 62% do uso de herbicida no Brasil, entre 2009 e 2016, voltado especialmente para a produção de soja. Em 2017, a substância representava 30% dos herbicidas mais utilizados no mundo inteiro.

Mortalidade infantil

Em meio a este cenário, o estudo da FGV constatou que o produto tem efeitos sobre a saúde humana e identificou um aumento da mortalidade infantil, em regiões próximas aos locais onde o glifosato é aplicado.

O estudo indica que, entre 2000 e 2010, houve aumento de 5% na taxa de mortalidade infantil, o que corresponde a cerca de 503 mortes infantis por ano, de crianças cujas mães residiam próximas a onde o Glifosato foi aplicado, mais especificamente, no trajeto do fluxo de água, levando a substância aplicada em plantações agrícolas para rios, córregos e poços. O período analisado na pesquisa coincide justamente com a época em que houve aumento expressivo no uso do glifosato.

A contaminação subclínica

Apesar desses indicativos, encontrados pelos cientistas, o pesquisador da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP), Rudi Rocha, coautor do estudo, afirma que este número provavelmente subestima o efeito geral do uso de glifosato sobre a saúde humana:

“Existe uma preocupação acerca da toxicidade subclínica dessas substâncias sobre as populações em geral, não sujeitas à exposição direta, mas expostas a baixas concentrações, através da ingestão de água ou alimentos contaminados”, explicou o pesquisador. Ele ressalta, ainda, que este tipo de intoxicação é apenas a ponta do iceberg, pois pesticidas como este são capazes de causar uma ampla gama de efeitos assintomáticos, em níveis de exposição muito baixos que não produzem sinais e sintomas evidentes. “A população afetada por esta toxicidade subclínica pode ser muito maior do que a parcela afetada pela exposição direta”, alertou.

Afeta até embriões humanos

Rudi Rocha destaca que evidências científicas já comprovam em laboratório que embriões humanos são particularmente sensíveis às condições ambientais e ao Glifosato. O produto, ao ser aplicado em plantações para eliminar ervas daninhas, pode ser capaz de afetar células placentárias e o feto. Para testar o nível deste efeito, Rocha conduziu uma série de estimações econométricas, junto aos pesquisadores Mateus Dias, da Católica-Lisbon School of Business and Economics, e Rodrigo Soares, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). O grupo analisou bases de dados municipais que cobrem todas as cidades das regiões Sul e Centro-Oeste do país.

“Exploramos a ideia de que, ao ser aplicado em uma área específica, este herbicida pode contaminar o solo, e por meio do fluxo de água ser carregado rio abaixo, afetando pessoas que consomem a água longe do local onde o pesticida foi usado”, explicou o pesquisador.

O estudo utilizou bases de dados de bacias hidrográficas no Brasil para investigar o fluxo de água em cada uma delas e vincular essas informações com dados de nascimento no país. Além disso, também foram utilizados dados de precipitação para identificar o nível de chuva, a fim de avaliar se o fluxo de água era capaz de levar o glifosato para outras regiões.

Imagem: FGV

Quando o fluxo da água é fatal

Ao investigar a presença do glifosato neste fluxo hídrico, a pesquisa constatou a deterioração na saúde infantil justamente em áreas próximas e à jusante de onde houve aumento no uso de glifosato. Este aumentou cresceu consideravelmente a partir de 2004, quando houve mudanças na lei para permitir o uso de sementes de soja geneticamente modificadas.

Além disso, quanto maior for o volume de chuva na região onde o produto é aplicado, e quanto mais inclinado esse terreno for, maior será a disseminação da substância para as regiões do entorno e, consequentemente, maior o impacto na mortalidade infantil. “Quando chove mais, e onde o terreno é mais inclinado e tem maior nível de erodibilidade, a chuva arrasta o produto para outras regiões com mais rapidez”, alega Rocha.

Além de mortalidade infantil, a pesquisa identificou ainda um aumento de nascimentos prematuros e baixo-peso ao nascer, também nas regiões enquadradas no fluxo da água, que vai da plantação agrícola onde o glifosato foi aplicado até as residências localizadas rio abaixo.

Para certificar que os danos causados à saúde humana foram provenientes do herbicida em específico, os pesquisadores realizaram uma série de testes de robustez, que avalia a precisão e estabilidade das estimativas. “Não foram encontrados resquícios de outros produtos”, elucidou Rocha.

Perfil de mortalidade

Por fim, o pesquisador reitera que o perfil da mortalidade é consistente com o que seria esperado da exposição ao glifosato durante a gravidez: 56% do efeito total vêm de condições do período perinatal e 19% vêm de condições respiratórias. Ele acrescenta que cientistas têm reexaminado recentemente as alegações de que o glifosato é um pesticida seguro, com pouco ou nenhum efeito sobre a saúde humana.

“Já existiam dados sobre o efeito do glifosato na saúde humana de forma mais direta, como já ocorreu diversas vezes de agricultores utilizarem esse produto e adoecerem após o manejo do mesmo. Entretanto, não havia informações sobre como essa substância é capaz de interferir na saúde da população do entorno. Como esses resultados eram desconhecidos quando as regulamentações atuais foram estabelecidas, uma nova discussão deve ser iniciada sobre o marco regulatório para o uso e manuseio de herbicidas à base de glifosato”, concluiu.

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Com dados da FGV, Stop Glyphosate Coalition e Ekō

2 responses to “Mobilização mundial contra um herbicida”

  1. Avatar de Marina Romana
    Marina Romana

    mobilizacao contra herbicida

  2. Avatar de
    Anônimo

    INFELIZMENTE, AINDA EXISTEM PESSOAS SEM NOÇÃO, QUE INSISTEM NESSE ERRO. A MISERICÓRDIA E A JUSTIÇA DIVINA SÃO INFINITAS NA LUZ DO CRIADOR. DISSOLVA COMO PÓ AO VENTO ESSAS CRIATURAS INSANAS. EXCELENTE MATÉRIA E ALERTA DESSE BLOGUE MARAVILHOSO.

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