Trecho da Estrada Real corta 13 municípios da Chapada Diamantina e está avançando

Avança o importantíssimo projeto Caminhos Reais da Bahia, que vai conectar e concluir a bem-sucedida abertura da Estrada Real para o Turismo, nos estados do Sudeste brasileiro. Estão sendo concluídos os Seminários Presenciais em Jacobina, Morro do Chapéu, Seabra, Piatã e Rio de Contas, cidades do roteiro baiano, enquanto Minas Gerais e Rio de Janeiro já estão se beneficiando com a alavanca desse atrativo de turismo histórico e ecológico, que tem gerado cerca de US$ 15 bilhões anuais, nas 199 cidades do percurso, de 1,6 mil quilômetros. Na Bahia, o trecho da antiga Estrada Real também é extenso e passa por cidades históricas de rico casario e por cenários absolutamente deslumbrantes, nestes “Caminhos Reais da Bahia”.
Com o intuito de unir o novo trecho da Estrada Real aos trechos já abertos ao público – ligando antigos centros do ouro nos estados perpassados -, o projeto propõe um percurso que atravessa 13 municípios na região da Chapada Diamantina e entorno. O trabalho é titânico. Há mais de dez anos, a ideia foi destaque, durante o 3º Salão Baiano de Turismo, em maio de 2014, e vem se desenvolvendo na última década.
A participação da Secretaria do Turismo do Estado (Setur) visou o fortalecimento da cadeia produtiva do turismo, além de contribuir para o desenvolvimento sustentável das cidades. O Sebrae e a CBPM – Companhia Baiana de Pesquisas Minerais, também, participam ativamente dessa iniciativa. Após um levantamento preliminar, foi possível identificar registros históricos do século XVIII, nos destinos que são ricos em atrativos turísticos.
O primeiro passo foi fazer um georreferenciamento da Estrada Real, que engloba cidades como Jacobina, Morro do Chapéu, Seabra e Rio de Contas, dentre outros municípios, que ainda resguardam aspectos históricos, tais como vestígios dos antigos pavimentos do caminho que eram usados para levar alimentos para os mineradores e trazer as riquezas. Nessa fase, já contou com o apoio da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) que continua super-ativa em todo o processo.
Logo depois, vieram as etapas de roteirização e infraestrutura, para que a Estrada Real possa contribuir para o desenvolvimento dos municípios que fazem parte do seu eixo. A intenção da Setur é fazer, o quanto antes, o lançamento dessa 14ª zona turística da Bahia.

Parte do georreferenciamento do CBPM.
Rica história desse Caminho
O ótimo Guia da Chapada publicou uma excelente matéria sobre os Caminhos Reais. Sua construção começou no início do século 18, quando o ouro já circulava entre as cidades de Jacobina e Rio de Contas, no sertão baiano. Essas vias, abertas pela Coroa de Portugal, possibilitavam o transporte do produto até Salvador, mas os colonizadores portugueses mantinham postos no caminho para cobrar o “quinto” (20% de taxa) das tropas comerciantes.
Quase trezentos anos depois, a Estrada Real da Bahia, fragmentada em cerca de 500 quilômetros, ainda nos faz lembrar os tempos áureos da mineração na Chapada Diamantina.
Os vestígios da antiga rota – calçada entre 1724 e 1725 para o escoamento do ouro e outras riquezas – compõem um traçado que atravessa o Parque Nacional da Chapada Diamantina. O maior trecho está em Rio de Contas – a primeira cidade fundada na região – com seis quilômetros de extensão, que vão dar na Serra das Almas. Para transformar este e outros caminhos em um importante roteiro turístico do século 21, o governo pretende induzir investimentos que resgatem o patrimônio histórico.
“Estamos falando das únicas vias de acesso do sertão durante o século dezoito, por onde passavam aventureiros, escravos e tropeiros”, diz o historiador Ubaldo Marques Pontes Filho. Ele descreve as estradas como “trechos calçados, rústicos, de pedra irregular”, e são circundadas por igrejas e outras construções da época, além das riquíssimas belezas naturais da Chapada Diamantina”.
O início dos trabalhos para o plano de revitalização da via, que prevê a abertura de trilhas, o reforço da estrutura turística ao redor e sua divulgação, foi dado quando a Setur/BA e a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) assinaram um convênio para mapeá-la em quinze municípios, entre Jacobina e Rio de Contas, como Piatã, Morro do Chapéu e Seabra. Nascia o projeto de Georreferenciamento.
Em seguida, empresas e entidades públicas se associaram na criação do Instituto Caminhos Reais da Bahia, uma espécie de ONG (sem fins-lucrativos), liderada pela iniciativa privada e que deverá administrar a nova rota turística. O modelo é baseado na experiência mineira do Instituto Estrada Real (IER), criado em outubro de 1999 pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) para gerir as Estradas Reais que atravessam o Sudeste (RJ, SP e MG).

Alguns trechos ainda danificados.
A experiência mineira
As Estradas Reais do Sudeste são o maior atrativo turístico, com essas características, em andamento no Brasil. O IER estima que a recuperação das vias, por onde o ouro de Minas Gerais era levado, no século 18, até os portos de São Paulo e do Rio de Janeiro, passando por Paraty, tem gerado cerca de US$ 15 bilhões anuais, nas 199 cidades do percurso, de 1,6 mil quilômetros.
Com a transformação das antigas estradas, possibilitou-se a realização de projetos turísticos, em parceria com as prefeituras, a população e companhias dos setores público e privado. A cada 1,5 quilômetro, há sinalização referente ao percurso; produz-se guias impressos e mapas, além de “passaportes” que podem ser carimbados a cada etapa da via; e faz-se a entrega de certificados a quem concluir o passeio, entre outras formas de se promover a rota.
A Estrada Real agrega valor ao Estado e resgata um patrimônio histórico do País. Na região, os empreendimentos hoteleiros, de alimentação e as agências de viagem têm crescido ano a ano. A taxa de ocupação nas cidades perpassadas pela Estrada Real sustenta-se a uma média anual de 60%. O potencial turístico explorado é de 30 milhões de pessoas por ano; e 250 mil foram empregadas, em função do projeto.
“É o conceito de economia criativa”, comentou o historiador David Albuquerque, de São José dos Campos (SP): “Aproveita-se a atmosfera do lugar para desenvolvê-lo. Assim, muitas empresas têm pegado o barco do turismo”.
No início do projeto, em 2014, a SETUR informou que o Ministério do Turismo acenava com uma verba de R$ 2,5 milhões para a iniciativa, o que animou mais ainda os entusiastas do projeto. A criação do Instituto Caminhos Reais da Bahia foi estratégica porque tratava-se de uma forma de blindar o projeto contra mudanças na gestão pública, porque o governo deve ser apenas uma parte do projeto.

O roteiro na Bahia
Hoje, a melhor forma de ver de perto, na Bahia, um resquício das estradas que marcaram a História do Brasil é indo a Rio de Contas, cidade com um rico conjunto de arquitetura colonial, restaurantes e pousadas à disposição. “Lá está o maior trecho contínuo de Estrada Real no Brasil”, afirma o historiador Pontes Filho. Depois da estadia, neste que é o primeiro município da Chapada Diamantina, o visitante pode seguir pelos seis quilômetros da antiga via até a Serra das Almas, onde encontra alambiques de refinadas cachaças baianas.
Estamos falando de um verdadeiro resgate da Estrada Real, aberta pela Coroa Portuguesa a partir do final do século XVII, para unir a Bahia com Minas Gerais. A estrada passa por 15 cidades do estado e o projeto é de que seja o maior roteiro turístico da Bahia, atraindo um público diverso, especialmente de europeus, que têm um maior interesse em roteiros históricos, como poloneses, ingleses e espanhóis.
O estado de Minas Gerais registrou o nome “Estrada Real” para o seu próprio projeto e a Setur-BA precisou entrar em contato com eles para saber se o mesmo nome poderá ser utilizado, o que resultou no nome atual de “Caminhos Reais da Bahia”.

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