
A plenária de abertura da Missão colombiana. Foto: Leonardo Rattes/Ascom Sesab.
Os queridos leitores já devem ter percebido que eu sou um entusiasta do SUS. Esse sistema revolucionário de justiça social que nos foi brindado pela Constituição Cidadã de 1988 e que vem encantando o mundo pelos seus avanços e gratuidade. Somente uma mentalidade de governo realmente democrático e humanista permitiria o surgimento e a expansão do sistema. Mesmo tendo sofrido o desprezo de presidentes brasileiros, menos afeitos ao ser humano, resistimos e, agora, somos modelo. O SUS foi feito pelo povo para o povo brasileiro; um exemplo que muitos países querem seguir. Desta vez é a Colômbia, que enviou uma delegação de alto nível à Bahia para conhecer profundamente o Sistema Único de Saúde do Brasil.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) recebeu, de segunda até sexta-feira (29), uma delegação colombiana em visita técnica promovida pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O encontro tem como objetivo principal apresentar o modelo de organização da Rede de Atenção à Saúde (RAS) do Sistema Único de Saúde da Bahia (SUS Bahia), destacando sua estrutura, fluxos assistenciais, estratégias de regionalização e mecanismos de governança.
A secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, durante mesa de abertura do encontro, afirmou: “É uma alegria recebê-los e poder compartilhar nossas experiências com esse sistema tão grandioso, que é o SUS do nosso país. A gente sabe que para ter um sistema de tamanha proporção e universalidade, precisa ter decisão política de coragem. Os senhores são conhecedores de que isso interfere diretamente nas nossas decisões políticas – e aqui não estou falando da partidária -, mas sim da decisão política de ter um sistema único que atenda todos, irrestritamente, de forma igual em todos os cantos”, destacou.
Ao ressaltar o papel estratégico da Opas como parceira do Estado, a secretária lembrou ainda que a instituição foi fundamental durante a pandemia e que segue contribuindo em projetos importantes, tanto no apoio aos municípios quanto na articulação com o Governo Federal. “Sem dúvidas, este processo de intercâmbio representa um grande momento de aprendizado para todos nós. Temos muito a contribuir, mas tenho certeza de que também vamos aprender bastante nessa troca. É um movimento de crescimento conjunto, que fortalece a saúde pública e reafirma nosso compromisso de garantir um sistema cada vez mais acessível e disponível para toda a população, que é a essência do SUS”, concluiu Roberta Santana.
Participantes da Delegação
Representando a Opas Brasil, em nome do titular Cristian Morales, Júlio Pedrosa destacou o grande potencial de intercâmbio entre o Brasil e a Colômbia. Ele ressaltou que o Brasil também pode se beneficiar das experiências de outros países, a exemplo da própria Colômbia, que vem avançando na construção de um sistema de saúde universal, semelhante ao brasileiro.
“O Brasil está trabalhando de maneira intensa com as secretarias estaduais. E, particularmente, a Bahia tem tido uma liderança grande no desenvolvimento regional, em desenvolver redes e uma plataforma de cooperação vinculada ao nível federal. Sem dúvidas, a Bahia é uma referência brasileira e queremos que essa primeira visita com uma delegação numerosa seja continuada. Esperamos que ocorra também uma visita de uma delegação baiana na Colômbia e a Opas estará sempre à disposição para coordenar o intercâmbio”, destacou Pedrosa.
Além da secretária Roberta Santana e de Júlio Pedrosa, também integraram a mesa de abertura a superintendente do Ministério da Saúde na Bahia, Joanna Paroli; Juan Garcia, representando a Opas Colômbia; Maria Luiza Campelo, secretária executiva do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde da Bahia (Cosems-BA); Marcos Gêmeos, presidente do Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA) e Olga Lucia Zuluaga, diretora executiva da Associação Colombiana de Hospitais Públicos.
A agenda faz parte de uma série de iniciativas da Opas para fomentar o diálogo entre países da região e fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS) como eixo estruturante dos sistemas de saúde. Em parceria com a Coordenação de Planejamento Regional Integrado da Sesab (COPRI/APG), a Opas promoveu nos últimos meses três webinários preparatórios com a participação de dirigentes e equipes técnicas da secretaria, que apresentaram a experiência baiana à equipe colombiana.

Atrai interesse de mais um país da América do Sul.
SUS é a referência
A comitiva da Colômbia, formada por 15 integrantes do Ministério da Saúde e Proteção Social (MSPS), busca referências para o processo de reforma em curso no país, que pretende consolidar a APS como base do sistema de saúde, organizar redes integradas de atenção e fortalecer os serviços de base territorial. A delegação foi acompanhada também por representantes da Opas no Brasil e na Colômbia.
Entre os objetivos específicos da visita estão a demonstração da articulação entre os diferentes pontos de atenção, da atenção primária ao atendimento hospitalar, além da observação de boas práticas em gestão, vigilância em saúde, controle social, regionalização e o estabelecimento de intercâmbios técnicos e institucionais.
Programação inclui visitas
A programação teve visitas a diferentes unidades e serviços de saúde da Bahia. Em Salvador, os participantes conheceram a Central Integrada de Comando e Controle da Saúde, o Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred), o Hospital Geral Roberto Santos, a Maternidade Maria da Conceição de Jesus, o Hospital do Subúrbio, o Hospital Ortopédico do Estado e o Hospital Estadual Mont Serrat de Cuidados Paliativos. Em Alagoinhas, o roteiro contempla a Unidade de Saúde da Família (USF) José Eduardo da Silva, o CAPS III Tom Brasil e a Policlínica Regional de Saúde.
Com essa agenda, a Sesab reforça seu papel como referência na organização de redes de atenção à saúde no Brasil, compartilhando experiências e construindo pontes de cooperação internacional para o fortalecimento dos sistemas públicos de saúde na América Latina.

O Hospital Ortopédico da Bahia foi um dos equipamentos visitados pelos colombianos.
SUS – Nascimento e crescimento
O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição de 1988 e representa uma conquista fundamental na saúde pública brasileira, garantindo acesso universal e gratuito a todos os cidadãos.
O sistema reflete a luta da sociedade brasileira por um acesso igualitário e de qualidade aos serviços de saúde. Sua história é marcada por avanços e desafios, mas sua importância na vida dos brasileiros é inegável, sendo um modelo de saúde pública que inspira outros países ao redor do mundo.
Quando foi instituído, o SUS estabeleceu a saúde como um direito de todos e um dever do Estado. O artigo 196 da Constituição afirma que “a saúde é um direito de todos e dever do Estado”, o que fundamentou a criação de um sistema de saúde pública universal e gratuito. O SUS é baseado em princípios como:
Universalidade: Todos os cidadãos têm direito ao acesso aos serviços de saúde, independentemente de sua condição social ou econômica.
Integralidade: O sistema deve oferecer um atendimento completo, que abrange desde a promoção da saúde até a reabilitação.
Equidade: O SUS busca garantir que todos tenham acesso aos serviços de saúde, de acordo com suas necessidades, sem discriminação.
Evolução Histórica
A história do SUS remonta a um contexto de lutas sociais e movimentos populares que buscavam melhorias nas condições de saúde da população. Antes do SUS, o Brasil não possuía um sistema de saúde pública estruturado, e a maioria da população dependia de serviços privados ou filantrópicos.
Nos anos 70 e 80, durante a ditadura militar, houve um aumento da mobilização social em torno da saúde, culminando na 1ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, que discutiu a necessidade de um sistema de saúde mais justo e acessível. Essa conferência foi um marco importante para a formulação do SUS.
Importância e Desafios
Desde sua criação, o SUS tem desempenhado um papel crucial na promoção da saúde e na redução das desigualdades no acesso aos serviços de saúde no Brasil. O sistema oferece uma ampla gama de serviços, desde atendimentos básicos até procedimentos complexos, como transplantes de órgãos.
No entanto, o SUS enfrenta e supera desafios significativos, como a necessidade de mais financiamento, a gestão eficiente dos serviços e a superação de desigualdades regionais no acesso à saúde. Apesar disso, o SUS continua sendo uma das maiores conquistas sociais do Brasil, promovendo a justiça social e a cidadania.
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Fonte e fotos: Ascom/Sesab


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